Blog do Mauro Beting

Ele soube. Ele, Ceni. 20 anos do primeiro gol.

Mauro Beting

 

Quando ele partiu há 20 anos para essa bola, Rogério já sabia o que pretendia depois de mais de dois anos treinando faltas no CCT do São Paulo. 
– Eu vou ser o maior goleiro-artilheiro da história do futebol. 

A bola entrou naquele sábado em Araras. Vitória contra o União, pelo SP-97. Entraria 132 vezes até 2015. Foram 70 de pênalti. 62 de falta (uma deles no segundo toque). Eram mais gols de falta do que de pênalti. Ele batia mais faltas antes. E bateu como nenhum outro antes, e quase certamente depois. Não apenas goleiro. Não era toda vez que batia de quase todos os jeitos. Eram faltas especiais. E quase todas foram para o artilheiro são-paulino na temporada multicampeã de 2005, e na campeã brasileira de 2006. 

Aproveitamento absurdo para qualquer atleta de linha. E para alguém muito acima da média em tudo, normal. Para quem batia faltas até escurecer na Barra Funda. Para quem clareou tanto e quase tudo, todos os tentos foram intencionais. De tanto colocar bem as palavras, O M1TO soube colocar as bolas longe dos colegas de posição. 

Apenas uma vez levou um gol por estar fora de posição. E foi por celebrar um gol contra o Fluminense que levou um golaço de Roger Flores no Morumbi. Onde sofreria no contragolpe de falta desperdiçada um belo gol do Santos. E só. Só dois sofridos para 132 celebrados. 

 Valeu demais. Foram 88 pontos conquistados diretamente pelos gols. 

A meta que Rogério tão bem defendeu como um dos maiores goleiros do São Paulo ele estipulou antes do primeiro gol do mito da meta. Ser o número 01 na artilharia. 

Conseguiu. 

Agora, pretende não só recolocar o São Paulo onde deve sempre estar. Quer ir além do Morumbi. Fazer a Europa. Ser no banco o que poucos também foram. 

O desafio é maior. Não depende apenas dele. Antes, por mais que tivesse um time, belos times, para sofrer e cavar faltas, era ele quem tomava a bola no braço e saía para o abraço por inegável mérito dele, raro demérito dos goleiros batidos. 

Agora, não. Era ele e mais 10. Agora é ele escalando 11. 14. E com mais uns 20 querendo jogo do lado de fora. 

 Não depende só dele. 

Mas, se depender dele, da inteligência e tenacidade dele, da capacidade de trabalho, o que também parecia inalcançável há 20 anos, quem sabe?
Ele soube. 

Ele, Ceni. 

PS: Michael Serra, maior historiador tricolor, achou minha coluna na antiga FOLHA DA TARDE, logo depois do primeiro gol de Ceni. 
Obrigado, amigo.