Blog do Mauro Beting

Estreia final. Real Madrid 4 x 2 Bayern. 

Mauro Beting

MADRI – Nem Simeone perdeu tantas finais de Liga dos Campeões como eu. 2006. 2009. 2010. 2011. 2012. 2013. Todas eu iria pela BAND. Em cima da hora, por motivos econômicos, não fui. Sabia que não iria em nenhuma delas. Mas sempre ficava uma esperança… Comentei todas elas. Do estúdio. Até trocar a emissora pelo Fox Sports e não ir para Lisboa em 2014 como foi a equipe da BAND…

Paciência. Escolhas. Felizes escolhas. 
2017. Quartas-de-final. Nem final era. Mas para mim foi a decisão megablaster intergaláctica. 

Ou melhor. Foi a estreia. 

Estreia é tão importante que deveria ser a última coisa que a gente faz. 
Como não pode ser, vale como se fosse. 

E valeram todos os 50 anos de torcedor, os 44 aprendendo a ler com a PLACAR, os 43 estudando futebol, os 30 de jornalismo, os 27 como comentarista esportivo. 

Não aparece a minha boca na gravação que tem na minha fanoage. Mas lá eu agradeço minha Silvana Ramenzoni, meus Luca Beting, Gabriel Beting, Ricardo Sefrin Negro, Luigi Sefrin Negro, Manoela Sefrin Negro. Minha Lucila Zioni Beting. Meu pai. Todos os meus amigos e meus colegas. 

Todo o Esporte Interativo que sempre me fez mais do que sentir em casa. Faz do meu trabalho meu lar. 
Do meu amor o que faço mais e melhor. 

Chorei como sabia que iria chorar. Tá aí no vídeo. 

Arrepiei como imaginei que iria me emocionar. Fiquei até 15 minutos lacrimejando como tinha certeza. 

E ainda assim foi ainda mais maravilhoso. 
Pelo Zico, André Henning, Tati Mantovani, Marcelo Bechler, Clara Albuquerque, Diego Vieira, Gabriel Simões, Caio Cruz, Pedro Macedo, Leandro Kaliman. Todo o timaço do E+I que são mais amigos de excursão do que colegas de trampo. Os loucos que aturam in loco este maníaco. 

Este cara que vos escreve que teve um sonho que há algumas horas não virou realidade. Foi muito melhor do que um sonho. Até porque tem sonho que a gente sai pelado pra escola sob um céu laranja dirigindo uma guitarra. 

Prefiro desejo aos sonhos. E nem nos mais lindos eles foram tão belos. 

Obrigado, amigos. 
O Real Madrid se classificou. 

Mas quem ganhou mesmo fui eu.
Sei que preciso falar do jogo. Já é madrugada. Daqui a pouco pego trem pra Catalunha. Tem Barcelona x Juventus. Tem mais história para contar. 

E emocionar como a entrada dos times no Bernabéu. O Hino. Os primeiros 15 minutos de três chances do Bayern, mais forte com Lewandowski de volta, e Boateng e o impressionante Hummels se virando mesmo longe da melhor forma. A partir dos 22 minutos o Madrid teve oito chances. Neuer, um monstro, evitou algumas, no repaginado 4-3-1-2 sem Bale. E sem o melhor Isco. 

Segundo tempo. Martelo alemão até o pênalti cavado por Robben que enfim rodou o ataque. Lewandowiski. 1 a 0. Mais Bayern, mais contragolpes. Cristiano de cabeça. Um monstro aos 30. Aos 32, infelicidade de outro mito, em seu centésimo jogo pelo Madrid. Gol contra de Sérgio Ramos. Difícil precisar se havia impedimento na participação de Lewandowiski com Nacho. 

38, pelo conjunto da obra, e não pela falta que não fez, vermelho para Vidal. O Bayern que poderia remontar teve de ser remontado. Ficou no 4-4-1 contra o 4-1-4-1 bem fechado de ZZ, com Casemiro limpando tudo. 

Prorrogação. Bayern mais ousado até CR receber em impedimento. 2 x 2. Segundo tempo. Genial Marcelo em seu jogo 400, gol 100 na UCL de CR7. Ainda que impedido em lance que só vi depois. Como ninguém do Bayern viu Asensio escalar e escapar para o desmonte final. Como os 4 a 1 na prorrogação de Lisboa. Como parece sempre ser assim com o Madrid. 

O Bayern tinha bola para ser campeão. Mas o Madrid parece ter algo mais.