Blog do Mauro Beting

Milagre. San Lorenzo 2 x 1 Flamengo…

Mauro Beting

''Tem que manter isso aí, viu''?
Não causa espanto a frase em Brasília. Ainda menos pelo autor. E bem que foi pensada, falada e gritada no Nuevo Gasometro.
Mas não rolou. O San Lorenzo virou. O Flamengo não conseguiu manter o empate classificador na Argentina. 
Com a vitória espetacular do Furacão no Chile, o que era possível eliminação prematura pela qualidade e dificuldade da chave, virou pavorosa realidade flamenguista. Dolorida até mais do que a inacreditável eliminação em 2012 com o gol do Emelec logo depois do gol ''classificatório'' do Olimpia. Então, o Rubro-Negro não tinha tanto time e elenco. O grupo da primeira fase era menos difícil. Mas não se esperava tanto daquele Flamengo. Mais do que foi entregue. Mas não tanto mais. Não era time para ser bicampeão da América. Como aquele que absurdamente foi eliminado pelo América mexicano, no Maracanã, na despedida de Joel Santana, em 2008. 
Este, não. O time de Zé Ricardo tinha bola para ser campeão. O elenco do Flamengo era para brigar pelo título sul-americano. E pelo hepta brasileiro. Não há grupos muito melhores que os da Gávea. Palmeiras e Atlético Mineiro, talvez. Mas praticamente do mesmo nível. Brigariam – como brigarão – pau a pau pela Libertadores com outros até menos dotados e votados. 
E com o Flamengo que controlava o jogo desde o golaço do sujeito mais predestinado dos últimos tempos. Rodinei. Uma pancada inesperada (como seria a final) não fosse o Rodinei dos últimos dias. 1 a 0 que deixou tudo a caráter. O Flamengo ainda teve boas chances. Concedeu poucas ao rival. Manteve a bola dentro do possível, e o San Lorenzo distante da meta de Muralha. Um bom goleiro chamado Alex. Ponto. Não para ser indiscutível na Gávea. E tantas vezes chamado por Tite. 
Mas, no segundo tempo, cresceu o San Lorenzo. Aguirre mandou bem ao liberar Angeleri. Autor do empate. Zé não foi feliz nas mudanças. Quem entrou foi mal. Quem mal entrou como Berrio foi ainda pior desde o início. A saída foi ainda pior. Como a de Diego. Como a queda de produção do sistema defensivo rubro-negro na temporada. 
Mas era um jogo ainda controlado. Aos pés do Flamengo. No mesmo palco onde, em dezembro de 2001, por causa do Cacerolazo, panelaço do povo platini reclamando por tudo e de tudo, a partida decisiva da Mercosul foi adiada para janeiro de 2002. Naquela noite, trabalhando pela Band, andei pelas ruas de Buenos Aires vendo o povo argentino se rebelar com tanta coisa ruim no país. 
Quase 16 anos depois,  não teve jogo. Mas ainda tem muita jogada para se ver. E muita panela para bater.