Blog do Mauro Beting

Corintianamente. Palmeiras 0 x 2 Corinthians.

Mauro Beting

O Corinthians não sabia o que era perder havia 25 partidas oficiais até 6 de maio de 1917. Desde junho de 2013 não era derrotado no campeonato paulista. Até o primeiro dérbi, disputado no Parque Antarctica, três anos antes da área ser comprada pelo Palestra Italia. 

Corinthians que estava mais ''em casa'' que o futuro proprietário do campo. O Alvinegro jogou oficialmente antes que o Verdão no estádio. Antes mesmo da fundação do Palestra já atuava no Parque Antarctica. Apenas em 21 de abril de 1917 o futuro Palmeiras jogaria em seu lar: goleada de 5 a 1 no Internacional paulistano. Até então, o Corinthians já havia atuado 37 vezes no Parque Antarctica (o campo da liga paulista). 

Corinthians que chegava como favorito ao primeiro clássico. A imprensa da época dava mais bola aos feitos e efeitos alvinegros que ao jovem clube dos ''italianinhos''. Foi assim o primeiro dérbi que não tinha esse nome. Mas teve o do atacante Caetano Izzo, autor dos três gols da vitória palestrina. 

No primeiro clássico depois do aniversário do centenário, o Corinthians atuou no Allianz Parque como se tivesse o mesmo reconhecimento de terreno que tinha em 1917. Com o mesmo conhecimento de causa e casa que caracteriza o Corinthians de Carille. Uma equipe que joga em 2017 em Itaquera e nas arenas do Grêmio e do Palmeiras como se estivesse no terrão do Parque São Jorge. 

Da antiga base onde saiu um lateral talentoso como Guilherme Arana. Ele sofreu o pênalti afobado de Bruno Henrique aos 21 – que Jadson converteu, aos 22. Ele marcou o segundo (o terceiro dele pelo Timão, o segundo no Allianz Parque) em mais um contragolpe letal, aos 18. Às costas de Róger Guedes (que foi escalado como lateral na segunda etapa), Arana bateu sem chance para Prass. 

Depois do gol, os quase 40 mil palmeirenses murcharam como o time destrambelhado como entrou Borja. Se ao menos o atacante colombiano se esforçava, seguia errando tudo. Como Guerra errou. Como Cuca não foi feliz mais uma vez. No final, Mina estava como centroavante, Tchê Tchê jogou mal em várias posições, Dudu não se acertou, Egídio errou tudo, e o Palmeiras seguiu perdido e perdendo. Também porque Cuca não tem tido o tempo que teve em 2016 para treinar. E não tem sido feliz nas escolhas e escalas. 
Mais difícil ainda der certo contra um rival iluminado.  Um Corinthians que perdeu Pablo (que seguiu sem perder lances) aos 26 do segundo tempo e manteve o desempenho defensivo impressionante. A bola não chega em Cássio – e, quando chega, nada acontece, pela fase brilhante do goleiro. E, mais ainda, pela proteção de Gabriel e Maycon na entrada da área, Jadson e o incansável Romero pelos lados, com Rodriguinho segurando essa bola mais à frente, e Jô fazendo tudo e mais um pouco no ataque. 

Tudo que o atual campeão deixou de fazer (e todos têm sua parcela de responsabilidade, do presidente ausente ao treinador que não tem feito o muito que sabe, de todo o time que tecnicamente tem jogado ainda menos do que pode), o grande favorito ao título de 2017 tem sabido fazer muito além do sonho e estratosfericamente acima do planejado pela direção sem dinheiro. 

O Corinthians de 2017 é uma das melhores e mais espetaculares histórias do futebol. Irrepreensível. Irretocável. 

Corintianamente Corinthians. Difícil de explicar. Fácil de admirar.