Blog do Mauro Beting

No ritmo da charanga. Flamengo 2 x 0 Atlético Goianiense

Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Algumas das mais belas e épicas vitórias da história do Flamengo foram conquistadas sob a batuta da Charanga Rubro-Negra. Uma bandinha que embalava os torcedores nas arquibancadas e gerais Rio afora e que contagiava os jogadores lá no gramado. Craques como Zico, Júnior, Leandro, Adílio, Doval. Todos foram verdadeiros privilegiados em poder curtir essa época sem igual.

Depois de muito tempo sumida, eis que ela reapareceu no sábado na Ilha do Urubu. Tocando seus grandes sucessos. E hits desta nova era. Em campo, Reinaldo Rueda poupou alguns dos principais atletas. Preservando-os fisicamente para a importante semifinal da Copa do Brasil de quarta, diante do Botafogo. Escalou a equipe em um 4-2-3-1. Com Márcio Araújo e William Arão de volantes. Geuvânio pela direita. Everton Ribeiro como meia central. Vinícius Júnior pela esquerda. Lucas Paquetá como um falso nove. Com muita movimentação na frente.

Diante do lanterna da competição era de se esperar um domínio total dos donos da casa. Não foi bem o que se viu na prática. Claro que o Mengo teve muito a bola aos seus pés. Mas a rigor, criou apenas uma chance clara. Logo aos oito minutos, com o contestado Márcio Araújo. O goleiro Felipe salvou. O time carioca mostrava muito pouco poder de fogo e só ameaçou em cobranças de faltas ou em cruzamentos altos, na sua grande maioria, jogada completamente ineficaz para quem tinha Lucas Paquetá e Vinícius Júnior buscando as finalizações. Além disso, praticamente só atacou pelo lado direito onde Geuvânio instintivamente buscava a diagonal e abria o corredor para a passagem de Pará. Do outro lado, o improvisado Rafael Vaz não dava suporte à joia rubro-negra. Que ficava encaixotado na boa marcação e não achava espaços para jogar no um contra um.

Mesmo com pouco tempo de treinamento e de trabalho já dá pra notar alguns conceitos do estilo de jogo de Rueda. A equipe mais espaçada, com os jogadores mais afastados um do outro quando faz a construção ofensiva. Isso leva a equipe a ser mais veloz nos passes, já que a bola precisa percorrer um espaço maior. E não aquele toque lento e ineficaz dos tempos de Zé Ricardo. Só que esse posicionamento demanda que, ao perder a posse, você precisa atacar imediatamente o adversário, para tentar recuperá-la. E o Flamengo não conseguiu fazer isso no primeiro tempo. Permitiu seis finalizações ao Atlético. E uma defesa sensacional de Diego Alves evitou que a situação ainda ficasse pior.

Rueda leu bem o jogo no intervalo. Sacou Vaz e pôs Renê em campo. Aos dois minutos, Arão acertou a trave em novo cruzamento na área. Empolgado com o bom primeiro tempo e precisando desesperadamente conquistar pontos, o Atlético adiantou suas linhas. Deu o espaço que o Flamengo não havia tido nos 45 minutos iniciais. Aos 10, Márcio Araújo deu ótimo passe em profundidade. Vinícius Júnior ganhou na corrida da zaga e bateu na saída do goleiro para fazer um a zero.

A equipe goiana passou a buscar mais ainda o ataque. Rueda tirou Geuvânio e colocou Diego em campo, passando Everton Ribeiro para a direita. Pouco depois, Renê, que provavelmente seria titular na quarta, se lesionou. Rodinei entrou em seu lugar com Pará indo jogar na lateral esquerda.

Aos 27, Diego brigou pelo alto. A zaga falhou e Vinícius Júnior quase marcou de cabeça. A essa altura, a Charanga já empolgava os presentes a Ilha do Urubu. Muitos deles ainda desacostumados com a festa que a banda proporciona. Aos 30, Lucas Paquetá tabelou com Diego e achou Vinícius Júnior na frente. O garoto driblou o goleiro e marcou seu segundo. Decidindo a primeira partida no time profissional. E arrancando um sorriso largo do técnico colombiano.

A vitória foi conquistada na base do sangue novo. Mostrando que a categoria de base pode e deve ser mais utilizada. Apostaria minhas próximas fichas em Ronaldo e Léo Duarte. E para embalar essa retomada, nada melhor do que a boa e velha Charanga. Que ela tenha voltado para ficar. Assim como os triunfos rubro-negros.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise de Gustavo Roman