Blog do Mauro Beting

Ciao, Buffon. Grazie tanto!

Mauro Beting

“Ciao”, em italiano, serve como “oi” e como “tchau”. É bem italiano confundir quando se pode facilitar. É muito italiano no “Calcio” dificultar o que poderia ser menos difícil. Foi assim quando Valcareggi não quis escalar juntos Rivera e Mazzola em 1970. Quando outros treinadores poucas chances deram aos talentos combinados de Roberto Baggio e Del Piero, Del Piero e Totti. E até contra a Suécia, quando Ventura pediu para não honrar o nome ao não apostar em Insigne. Não que qualquer um dos jogadores de linha em 2017 pudesse chegar aos pés dos nomes acima citados. Mas quando mais uma vez não se explora o que se tem, é mais fácil que tudo se exploda.

A Itália tão inventiva e criativa e talentosa e ofensiva em todas as áreas ama ser odiada pelo catenaccio que tranca, pela retranca que encadeia, pela jaula estratégica que coloca uma camisa-de-força em seus talentos técnicos. Aprisionados por treinadores que amam destronar e detonar o talento natural do italiano.

Mas, em Milão contra a fechadura sueca, como já havia acontecido em Solna no jogo de ida, o que se viu foi o que a Itália já ensaiava desde a Copa das Confederações em 2009, e o que alguns brilharecos nas últimas duas Euros esconderam: um futebol tacanho. Medíocre. Amuado. Acanhado. Preso. Aferrado às amarras táticas. Pobre até tecnicamente.

A Europa globalizada não trouxe para a Itália a riqueza que franceses, espanhóis e ingleses aprenderam. E os alemães reinventaram. A Itália se fechou no tetra de 2006 e não abri as mentes para o novo. Seguiu achando que campanhas medíocres dariam frutos.

Podres. E eliminados. Em 2010, num grupo fraquíssimo, voltou para casa mais cedo. Em 2014, no Grupo da Morte, assistiu ao passeio da Costa Rica e se lascou antes da hora. Sem explicação. Ou com explicações demais.

Agora, pela primeira vez desde 1958, pela segunda vez desde que existem Eliminatórias para a Copa (e agora são 32 os países na fase final, e não apenas as 16 de quase 60 anos atrás), a Itália vai ver a Copa pela TV. Ou nem isso.

O Inno di Mameli, dos mais belos Hinos nacionais, não vai tocar na Rússia. Como bisneto de italianos, italiano de passaporte, neto de Itália Roma (sim, o nome da minha Nonna materna), casado com uma linda filha de italiana, não suporto a ideia de não me emocionar antes do jogo com a execução dos Fratelli di Italia, e me irritar durante a partida. É assim a Itália. Até quando ganha Copas. Primeira fase medíocre em 1982. Primeira fase suada em 2006. E quase sempre outras campanhas preocupantes. Das quase vitoriosas às derrotadas. Quando não vergonhosas como a eliminação para a Coreia do Norte, em 1966.

A Itália está fora. Pior: o maior dos goleiros, também. O recorde de seis Copas não será batido por Buffon. Quem melhor defendeu a Itália e todas as metas está eliminado. O goleiro que por duas vezes no final do jogo em San Siro, no estádio com o nome de um grande bicampeão mundial pela Itália (Giuseppe Meazza), foi até a grande área rival tentar fazer o que seus 10 companheiros não conseguiram. Aquilo que ele conseguiu mais do que qualquer outro goleiro na história. Defender o seu time. Mesmo indefensável.

Obrigado por tudo, Buffon.

Obrigado por nada, Squadra Azzurra