Blog do Mauro Beting

Tri-Tricolor pinta com os setes Renato, Paulo Nunes e Luan. Lanús 1 x 2 Grêmio.

Mauro Beting

Mário Sérgio era para estar ao lado do Edmundo na cabine do Fox Sports em Lanús. Comentando a espetacular atuação do Grêmio no primeiro tempo na Argentina. Quando Fernandinho retomou uma bola na bobeada do lateral Gomez ainda no meio-campo e avançou para marcar o primeiro gol dele na Libertadores. O primeiro do tri continental, aos 26.

 

Não foi acaso. Foi caso pensado e bem treinado e preparado pelo centro de inteligência tricolor, que não precisa de drone para drenar as boas qualidades rivais. Marcando em cima desde o início, afogando o Lanús como havia feito com o Barcelona no Equador.

 

Aos 41, mais um contragolpe aproveitou a linha de zaga alta e falha do rival. A bola sobrou para o camisa sete do Grêmio. Com o espírito de Paulo Nunes em 1995. Com a técnica de Renato em 1983. O mesmo Portaluppi que foi vice nos pênaltis do Flu em 2008. O mesmo Gaúcho que foi um dos nomes da vitória contra o Peñarol na batalha final de 1983. E foi o cara da final mundial em 1983.

 

 

Quando você, Mago Sérgio, jogou tudo que você disse ter jogado na placa da foto. E como jogou. Não só na conquista do mundo contra o Hamburgo. Também em tantos outros clubes. E não apenas em campo com a canhota brilhante como a língua, a visão privilegiada que nem precisava ver para enxergar o jogo. Também como treinador e gestor. Também como analista que o levou para a Band, Record, Sportv, Fox Sports. E o levou à decisão da Copa Sul-Americana há errado um ano. No mais errado voo mambembe da Lamia.

 

Mário partiu. A placa dele está na Arena do Grêmio ontem invadida como foram as outras casas tricolores. Aliás, “invadidas pela torcida” no gramado coisa alguma! Até a pé eles foram e ficaram. O gramado é do gremista. No campo eles defenderam como Grohe no Equador e no primeiro jogo. Como Kanneman em quase toda a Libertadores. Como Bressan na final. Como Geromel em todos os jogos. Zagueiraços do Grêmio que erguem troféus tricolores como De León em 1983. Como Adilson em 1985. Como Geromel em 2017. Capitães da América e de todas as áreas tricolores.

 

Monstros sagrados e esperados no clube dos inesperados Edilson e Cortez. Do Barrios ele voltou redivivo. Do Fernandinho recuperado. Do Ramiro repaginado.

 

Grêmio dos caras com bola de craque que Mário Sérgio assinaria ao lado. Luan, o nome da Libertadores, autor de uma pintura de Renato, de Paulo Nunes, de Luan. O gol aos 41 em que foi limpando rivais e tocando por sobre Andrada como se fosse a coisa mais natural da América. Isto é: como se fosse mais um título tricolor.

 

 

Como a categoria veterana do menino Arthur. Marca como volante, pensa e passa como armador, e joga como craque. Vai longe. Como o Grêmio. E só não foi maior porque teve de parar pela lesão com menos de cinco minutos do segundo tempo. O time se fechou. Levou um gol de pênalti de Sand. Mas não mais que isso. O Grêmio soube se cerrar como se fosse Grêmio. Muito bem treinado pelo treinador que treina muito bem e estuda bastante. E fala ainda mais.

 

Sabe demais como craque que foi. Como foi demais o companheiro de Tóquio Mário Sérgio, em 1983.

 

 

Nosso colega e amigo. Parceiro de loucuras e maluquices únicas. Como ele foi diferente. Diferenciado. E ao mesmo tempo único.

 

Como é esse Grêmio e esses gremistas que mais acreditam que torcem. Mais gremiam e esgrimem. Esses do Grêmio que invadem a Goethe e a defendem como Grohe. Esses que fazem do gramado da Arena a própria causa. A casa campeã.

 

 

A que é de Renato. Não só mito e craque. Estátua. Busto. Monstro.

 

 

Só faltou você em Lanús, Mário.

 

Ou melhor. Do jeito que você é, tenho certeza que estava no ponto telepático na orelha do Portaluppi. E tenho ainda mais certeza que na canhota do Fernandinho e na cavadinha do Luan você estava lá. Como o Felipe, filho da Mara e do Mário, segue com os outros irmãos tocando a vida com tudo de bom que aprenderam com você. E sabendo separar as coisas de louco do amigo genial. Do Vesgo e do Grêmio. Rei do Gatilho e mais uma vez da América.

 

Mário, que falta você faz.

Grêmio, que fãs você tem.

 

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman