Blog do Mauro Beting

Buffon

Mauro Beting

Foram 17 anos de Juventus. Mas bastaria um ano. Aquele em que o maior goleiro de todos os anos do futebol aturou a segunda divisão por mais um escândalo do calcio que daquela vez envolveu o rebaixamento da Vecchia Signora. Quando alguns partiram. Outros ficaram. E quem mais poderia partir de tão assediado que era foi quem defendeu a meta que já havia tido um mito como Zoff. Mas não o maior como Gigi. Eneacampeão nacional – sete seguidos. Mais um recorde do número um. Único.

Buffon vai partir da Juventus. E com ele partiu corações que nem juventinos são. O maior número 1 decidiu deixar o clube que só não teve a Champions onde no último jogo dele acabou expulso. Contra o Real Madrid do mesmo Zidane que, em 2006, ele negou a felicidade de uma Copa em Berlim até o vermelho pela cabeçada que encerrou a carreira gloriosa como a de Buffon.

Desde o Parma em 1995 até a Juve em 2002 já como o então jogador mais caro da história do clube. Da Squadra Azzurra que ele fez campeã do mundo. De um “campione” como se diz na Itália para um craque. E ele foi o maior da meta. Pelo tempo de resposta absurdo que a gente chama de reflexo. Pela agilidade espantosa que a gente chama de milagre. Pela colocação perfeita que a gente chama de Pelé do gol. Pelo goleiro que a gente chama de

Buffon.

Chorei ao vê-lo se despedir da Juve como chorei há um ano só de o ver treinar a metros de mim em Cardiff, na final onde ele tomou em 90 minutos mais gols do que ele havia sofrido em 12 jogos.

Fiquei como criança só vendo Buffon reconhecer o gramado de Gales. E eu também estava me reconhecendo como “goleiro” do Pinheiros, do Lourenço Castanho, do Dante, no Clube do Mé, na várzea, na São Francisco, Fiam, USP, Band, Placar. Onde brinquei sério de goleiro. Na meta onde Buffon sério brincava de defender o indefensável.

Só torci por Buffon pela Itália. E choro ainda mais de saber que não terei Itália para torcer na Rússia (quando ele seria o atleta a atuar por mais Copas -seis, justo no país onde estreara pela Nazionale, em 1997 – em 20 minutos levando um gol contra de Cannavaro, companheiro e craque do tetra em 2006). Mas só de ter visto um goleiro como ele jogar sei que sou privilegiado como tantos. Privilegiado por ter visto o mais privilegiado goleiro de todos. Um clássico como o mármore da cidade natal. Carrara. O mesmo brilho e resistência. A mesma segurança e beleza. O mesmo Buffon. Sempre ligado.

Buffon se despediu da Juventus aplaudido em pé pelos tifosi e pelos rivais. Com o mesmo carinho e respeito que se impôs e supera até as rivalidades. Porque um cara como ele é o melhor para mostrar o que é a vida: para defender não é preciso atacar. É necessário ser preciso. Leal a uma bandeira mesmo a meio pau. É preciso ser Buffon.