Blog do Mauro Beting

Cidadão Kane. Tunísia 1 x 2 Inglaterra.

Mauro Beting

Foi uma senhora partida da Inglaterra na primeira etapa. Só bobeou ao dar um gol de graça pra Tunísia. E na hora de concluir as jogadas. Lingard e Sterling não sabiam se cruzavam ou chutavam ou passavam ou driblavam ou sumiam como Kane sem ser na hora do gol. Problema mais psicológico que técnico. Porque taticamente fez uma das melhores exibições na primeira rodada. Mas caiu demais no segundo tempo preocupante como o lance, aos 42 finais, em que ninguém assumiu a bronca do chute. Todos parecem temer finalizar. O país que inventou o futebol tem uma seleção que parece que não sabe o que fazer com ele. Ou só faz quando a bola chega a Kane, que toda duas vezes nele e marca os dos gols.

1º TEMPO – Nenhuma equipe jogou tão bem nos primeiros 15 minutos como a Inglaterra. Criou cinco chances absurdas e só parou na maior atuação em 10 minutos de um goleiro que já vi em Copas. Hassen fez três defesas difíceis – duas monumentais. Na última, já sentindo o ombro no lance do gol que Sterling perdeu pro tropeçar na bola, conseguiu sofrer o gol literalmente mais sofrido das Copas. Fez uma defesa de Banks da cabeçada de Stones, mas, no rebote, Kane fez sua única boa jogada na primeira etapa. Gol que a Inglaterra mereceu mais do que qualquer equipe – e Hassen, não. Ainda mais porque não voltou. Lesionado, foi substituído por Mustapha. Os ingleses mantiveram a intensa movimentação dos dois meias Lingard e Alli, e os atacantes que não guardavam posição. Mas uma infantilidade teletubbie de Walker deu num pênalti tolo bem convertido por Sassi. Os ingleses ainda teriam mais três chances e ficaram no empate imerecido.

2º TEMPO  – A Inglaterra não conseguiu manter o ritmo. Só a bola. Mas teve poucas ideias, também pela marcação mais atenta africana. O time perdeu ritmo e pouco fez, mesmo apostando em Rashford. Aos 34, o excelente Dele Alli saiu sem ter entrado para Loftus-Cheek também pouco produzir no segundo tempo decepcionante. Mas com o final emocionante como o torcedor inglês merecia. Só não sei se o capitão Kane merecia.

CHANCES DE GOL – INGLATERRA 12 x 1 primeiro tempo;  INGLATERRA 4 x 0 segundo tempo. TOTAL: INGLATERRA 16 x 1.

O LANCE – 13min. Defesa monstro do goleiro tunisiano deu ainda assim no gol do Kane.

O CARA – Hassen, o goleiro de 13 minutos impressionantes.

TÁTICA – Inglaterra no pouco usual 3-1-4-2, com Henderson na volância, Trippier e Ashley Young como alas. Ligard e Dele Alli mais adiantados por dentro, Sterling e Kane na frente, com o centroavante do Tottenham mais à frente. Nenhuma equipe jogou assim. E nenhuma teve tanta movimentação dos meias e atacantes como a a Inglaterra. Sem a bola, os alas voltam e fecham no 5-3-2. Tunísia no 4-1-4-1 reativo.

NOTAS DO JOGO –  INGLATERRA 8 X 5  TUNÍSIA  –  JOGO NOTA 7

O CHUTE INICIAL – INGLATERRA 2 X 0 (palpite do bolão)

BOTA-TEIMA – Pênalti tolo e bem marcado de Walker, aos 32. Na sequência, aos 39, lance complicado na área tunisiana. Praticamente na mesma hora em que Kane é agarrado acintosamente, Stones empurra claramente o zagueiro tunisiano. Juiz nada marcou em lance complicado.

NO FRIGIR DAS BOLAS  – Se botar a cabeça e a mira no lugar, Inglaterra pode sonhar com semifinal. Tunísia nem esse empate poderia delirar.

A MANCHETE DA IMPRENSA COMPROMETIDA – Kane: dois gols e mais nada.

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman