Blog do Mauro Beting

As tendências do desfile primavera-verão na Rússia

Mauro Beting

No mundo em que você pode estudar do seu quarto em Timbuctu como bate tiro de meta o goleiro de Vanuatu, a Copa do Mundo não dita mais tendências no futebol. Ela é apenas o melhor desfile da temporada primavera-verão no país-sede. (Quando não é outono-inverno no hemisfério Sul).

Já foi o tempo que o WM começou a ser enterrado pela Hungria de 1954. O 4-2-4 foi implementado pelo Brasil em 1958, já ensaindo o 4-3-3 de 1962 que daria no 4-4-2 de 1966. O inimitável Brasil de 1970 que antecipou o 4–2-3-1 de linha torta que seria esquecido até 1982, quando a Itália lançou um proto 4-1-4-1 em resposta a muitos 4-3-3 de Copas anteriores.

Os esquemas com três atrás de 1986 que viraram base de 19 das 24 seleções em 1990 até serem esquecidos no tetra com a versão brasileira do 4-4-2. Em 1998 já havia uma variedade de versões de sistemas com três ou quatro atrás, um ou dos na frente.

A partir de 2002, para não dizer um pouco antes, com os grandes torneios de clubes cada vez mais visíveis, seleções cada vez mais com atletas pulverizados em varias ligas nacionais, com menos tempo para treinamentos, os Mundiais são cada vez menos impactantes nas tendências táticas.

Em 1982, a derrota do Brasil entrevou o planeta numa praga pragmática. Reducionismo tacanho de que para ganhar não basta jogar bem e bonito. Como se a Itália também não fosse um ótimo time. Ali foi o último legado pesado de Copa. Também porque cada vez menos tempo havia para preparar equipes.

O Brasil de 1970 também foi tudo aquilo por ter ficado mais de 4 meses treinando sem parar até Zagallo escalar um volante de zagueiro, um meia como volante, um armador aberto pela esquerda, um ponta-de-lança como ponta, outro como falso 9.

Há tempos não há tempo para uma seleção revolucionar nada. Mesmo as equipes inovadoras não se fazem sempre ou se refazem tanto.

Esperar novas tendências numa Copa é como redescobrir algo além de um pretinho básico. Não rola.

Mas tem seus modelos que ditam alguma moda. No próximo post falamos do que bombou na Rússia. E talvez só por lá.