Blog do Mauro Beting

Em nome do pai, dos filhos, e do espírito tolerante. Amém.

Mauro Beting

REPRODUÇÃO TV GLOBO

Leandro era uma criança quando ganhou o sobrenome de Renato que o adotou como se fosse filho dele quando casou com a mãe do menino. Dois anos depois nasceu Igor. Irmãos de sangue de mãe e também irmãos de fé atleticana. Diferente do pai Renato que é cruzeirense.

Mas o amor é muito maior que a rivalidade.

Na Recopa Sul-Americana de 2014, Leandro e Igor foram como sempre ao Mineirão torcer pelo Galo. Mas pela única vez ganharam a companhia do pai celeste. Renato vestiu a camisa do Atlético e com eles celebrou mais do que o título do rival. Mais do que isso, como contou Leandro ao GLOBO ESPORTE:

–  Meu pai me agradeceu pela oportunidade de pela primeira vez na vida poder levar ao estádio os dois filhos dele que torcem pelo rival.

O Igor que é de Renato como o Cruzeiro. O Leandro que ele adotou como se fosse dele como naquela noite ele adotou a paixão do Atlético.

Dois amores incondicionais.

Por esse amor eles fizeram o jogo de volta. Renato mora em Goiás. Foi com a irmã ver justamente no domingo o clássico que tinha mesmo que empatar. Porque pouco antes, e a reportagem mostra o que não tem palavras, os atleticanos Leandro e Igor foram ver o primeiro clássico mineiro com o pai no estádio. Os dois vestidos de Cruzeiro para surpresa do seu Renato.

Do nosso Renato. O pai que todo mundo que torce por outro time adoraria ter. Com os filhos que todo pai sempre ama como o time – incondicionalmente. Antes mesmo de eles nascerem. Ou, no caso do filho mais velho Leandro, mesmo depois que eles nascem.

Eu tenho a felicidade de ter um pai que me fez mais palmeirense do que qualquer outra coisa. Não que eu seja um bom palmeirense, mas sei que sou melhor por ser torcedor. Eu tenho a alegria ainda maior por ter dois filhos que são mais palmeirenses do que eu, uma enteada que também é verde como o coração e os olhos da mãe dela, e um enteado que é São Paulo como o avô dele, e outro que é Corinthians como o pai dele.

Mas, em casa, vestimos a mesma camisa como Leandro, Igor e Renato.

Não faria o que ele fez pelos filhos com os meus enteados. Mas entendo que o mundo seria melhor se a gente respeitasse quem veste, quem pensa, quem fala, quem defende diferente – não quem ataca.

É possível ser Atlético e vestir Cruzeiro só para a alegria do pai. É possível ser Cruzeiro e vestir Atlético só para a felicidade dos filhos.

É possível respeitar quem é diferente.