Blog do Mauro Beting http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Sun, 17 Feb 2019 08:06:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Por que porco? Uma história de 50 anos, assumida há 33 http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/17/por-que-porco-uma-historia-de-50-anos-assumida-ha-33/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/17/por-que-porco-uma-historia-de-50-anos-assumida-ha-33/#respond Sun, 17 Feb 2019 08:06:01 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8100

Seu Ivo chegou na esquina do Ipiranga na banca de jornais que ganhara do filho Eduardo, ponta-esquerda do Corinthians e da Seleção desde janeiro de 1968. Eram 7 da manhã de terça-feira, 29 de abril de 1969, na Zona Sul paulistana. Só lá ele soube a pior notícia da vida. O marido de Maria Neusa, que 24 anos antes dera a luz ao único homem dos quatro filhos do casal, ficou então sabendo o que acontecera nos primeiros 10 minutos daquele dia, na Zona Norte da capital.

A 50 metros da ponte de Vila Maria, o Fusca castor de placa 9-26-79 dirigido pelo lateral-direito corintiano Lidu (21 anos) subiu num canteiro de terra fofa de 6 metros na Marginal Tietê em obras, sentido Centro, e capotou várias vezes. Sem cinto de segurança – que não se usava na época -, Lidu e o companheiro de Corinthians foram projetados para fora do carro.

Ele e Eduardo tinham jogado naquele domingo em Sorocaba contra o São Bento e empatado por 1 a 1, pelo returno do SP-69. O Corinthians vinha bem e poderia enfim encerrar o jejum desde 1954 sem títulos. À noite, deixaram o Parque São Jorge por volta das 21h e foram jantar no restaurante Chácara Souza, em Santana. Na volta, Lidu, que tinha acabado de comprar o Fusca e só tinha 4 meses de carteira de motorista, bateu o carro em que dava carona para Eduardo. O ponta-esquerda que morava perto com a esposa Ester, com quem havia se casado em 22 de dezembro de 1968. Menos de um ano depois do ótimo jogador de tiro forte e dribles insinuantes ter sido comprado por 150 mil cruzeiros novos do América do Rio, onde fazia grande dupla com Edu Coimbra, irmão de Zico.

O goleiro Diogo foi o primeiro colega corintiano do lateral-direito Lidu e do ponta Eduardo a chegar de madrugada no PS de Santana. Os pais de Eduardo só viriam pela manhã, quando souberam do acidente. Quando já estavam dirigentes e atletas de quase todos os grandes clubes. Como o diretor de futebol palmeirense José Giménez López, e os atletas alviverdes Chicão, Baldochi e o auxiliar-técnico Mário Travaglini.

O velório foi na mesma segunda-feira, no Parque São Jorge. Mais de 30 mil presentes desde 12h30 até 17h, quando o corpo de Lidu foi para Presidente Prudente, para ser enterrado na manhã seguinte. Quase no mesmo horário de Eduardo, no Rio de Janeiro. Onde companheiros como Brito desmaiaram de emoção entre mais mil pessoas. O futuro zagueiro do tri em 1970 e que também seria do Corinthians em 1974 eram um dos tantos colegas que viraram amigos de Eduardo.

O jogo com a Portuguesa pelo SP-69 foi adiado na quarta-feira, dia seguinte aos enterros. Os pais de Lidu, que tinham acabado de ganhar uma casa do filho em Presidente Prudente, receberam por muito tempo apoio do clube, como os de Eduardo.

Solidariedade e apoio de quase todo mundo.

SEM NOÇÃO

O palmeirense José Giménez López não foi apenas ao PS de Santana. Também esteve presente ao velório no Parque São Jorge. Na dor, não havia rivalidade, apenas respeito e tristeza na segunda-feira da tragédia.

Na quarta, porém, o jogo começou a virar. O Corinthians propôs reunião do Conselho Arbitral da FPF para deliberar a inscrição no Paulistão de mais dois atletas. Direito que se estenderia para os outros clubes depois das inscrições encerradas no torneio.

Falou Wadih Helu, presidente corintiano desde 1961 (e que se perpetuaria até 1971): “Vou propor a ideia da inscrição de dois atletas [para substituir Lidu e Eduardo]. Mas não vou insistir nisso. Todos os clubes também poderão inscrever novos nomes. Não queremos privilégios”.

A reunião com os 14 clubes do Paulistão de 1969 foi logo na sexta-feira, 2 de maio, 17h, na sede da FPF. José Ermírio de Moraes, presidente em exercício da Federação, conduziu a sessão. Para qualquer mudança no regulamento com a bola rolando seria necessária a unanimidade dos clubes, como sempre foi praxe em qualquer competição.

A sessão extraordinária começou com meia hora de atraso na Brigadeiro Luís Antônio. São Bento foi o primeiro clube a decidir. Votou pela permissão da inscrição de dois novos atletas. Também concordaram com o pleito corintiano Guarani, Ferroviária, Paulista, Portuguesa Santista, XV de Piracicaba, Juventus e Portuguesa.

Os clubes do interior não só agiram com o coração/razão. Seus cartolas tinham laços fortes e firmes com o deputado estadual Wadih Helu, um dos líderes da Arena, partido do governo e da ditadura militar no auge da repressão.

Giménez López era o representante do Palmeiras. O mesmo diretor que estivera no PS de Santana e no velório no Corinthians. Um dos maiores cartolas da história do clube. Também piloto de carro. Uma figura polêmica, muito inteligente. Palmeirense até demais. O único numa família alvinegra.

Ele disse não à justíssima ideia corintiana.

“Eu penso com a cabeça, não com o coração”.

Será? isso não se pensa. O que é certo se faz. Não tem clubismo ou rivalidade. Tem humanidade.

José Giménez Lopez, o Espanhol

VOTO NULO

“Imagine se voto a favor do pedido do Corinthians? Depois disso, por azar, a final do campeonato será entre Palmeiras e Corinthians, e daí se eles ganham o título com os dois novos jogadores? O que a torcida diria de mim”?

(Nada, Giménez. Mas desde então os rivais falaram. Principalmente entre 1976 e 1986).

O cartola palmeirense tentou justificar a péssima ideia com argumento jurídico processual menor: “Primeiro o Corinthians deveria ir até a CBD [desde 1979 a CBF) e CND [Conselho Nacional dos Desportos] para fazer a consulta jurídica para saber se isso é possível [inscrição de novos atletas depois do prazo]. Depois os clubes paulistas se reuniriam no Conselho Arbitral [na FPF]. A minha missão é resguardar os interesses da coletividade palmeirense. Gastamos uma fortuna pra contratar reservas caros”.

Com o voto de Giménez, a proposta estava vetada. Só haveria mudança no regulamento se houvesse a unanimidade que o Palmeiras não dera.

Santos e São Paulo não precisaram votar. Nunca abriram seus votos. Mas Giménez deixou claro todas as vezes quando perguntado (ou não) que os outros coirmãos não seriam tão família assim também…

Ele iriam votar contra o pedido corintiano. Fato nunca confirmado por São Paulo e Santos.

BOLA FORA

Saindo da reunião que não durou nem uma hora na FPF, o presidente corintiano falou pouco para a imprensa: “o problema não é nosso. É do Palmeiras”.

Henri Aidar, representante do São Paulo, admitiu a “má colocação do problema” no Conselho Arbitral, corroborando implicitamente com a linha de “pensamento” do cartola palmeirense.

Giménez lembrou então um caso recente. Parecido. Mas não idêntico. E nem por isso justificável para o voto infeliz e desumano.

“O Palmeiras teve problema parecido. Perdemos Luís Carlos no acidente com o Suingue… Sabemos o que é essa dor. Que se processe a coisa legalmente no CND e então discutiremos…”

LUÍS CARLOS CUNHA E SUINGUE

(28 de maio de 1966. Como Lidu, um lateral-direito da Prudentina veio para um grande da capital. Luís Carlos Cunha. Também jovem, 20 anos. Também num Fusca que acabara de comprar com as luvas da negociação com o Palmeiras – onde chegara cinco meses antes. Também ao lado de um companheiro de clube da capital – o meio-campista Suingue. Perto de Presidente Prudente, no km 534 da Raposo Tavares, o Fusca de Luís Carlos bateu de frente em um caminhão Ford 1948. Foi sepultado em Regente Feijó. Suingue teve o lado direito do rosto desfigurado pelo acidente. Mas voltaria a jogar em outubro de 1966. Em 1969 foi para o Corinthians).

A diferença básica entre os casos é que não havia nenhum torneio em disputa em 1966, pouco antes da Copa na Inglaterra. Não seria necessária abrir nenhuma inscrição de atleta para substituir Luís Carlos, contratado para a reserva de Djalma Santos.

DAY AFTER

No dia seguinte ao veto palmeirense no SP-69, o treinador corintiano Dino Sani declarou o mesmo que o presidente do clube: “problema do Palmeiras”. Alguns atletas reclamaram da falta de consciência do rival. Helu chegou a afirmar que a atitude do cartola palmeirense era típica de “um espírito de porco”.

O jornalista Antonio Guzman, no DIÁRIO DA NOITE, reclamou do voto de Giménez. “Atitude de porco-homem!”, relembra o historiador Jota Christianini.

Polêmico e bocudo, o diretor alviverde guardou a resposta para o primeiro Derby, logo depois, em 11 de maio, no Morumbi. Pedro Rodrigues era o lateral-esquerdo readaptado à lateral-direita para substituir Lidu. O ponta-direita Buião foi a opção de Dino para fazer a de Eduardo na esquerda.

Em campo, o Palmeiras venceu por 2 x 0. Gols de Artime.

“Esta vitória é a nossa resposta para os irresponsáveis que tentaram jogar uma torcida contra a outra”, disse Giménez. O presidente corintiano afirmou que, mesmo derrotado, “o veto do Palmeiras nos deu mais forças para o clássico”.

PORCO EM CAMPO

Torcedores do Corinthians resolveram responder à baixura da atitude “legalista” do cartola verde: levaram um porco e soltaram no gramado do Morumbi antes do jogo.

Alguns torcedores alvinegros se manifestaram ainda mais depois do Derby. Não poucos usaram o termo “porco”. O Palmeiras tinha tido uma atitude desumana. Para os detratores, “coisa de porco”.

Tentaram que pegasse o apelido pela atitude inominável de Giménez (um grande cartola, responsável pela montagem da Segunda Academia palmeirense, a partir da reformulação do elenco, em 1968).

Não pegou. Ao menos de primeira. Mas a semente foi plantada. Ou ela apenas significava um replantio de algo muito antigo na história. Semeado décadas antes a partir do adubo de um preconceito inominável contra os italianos no Brasil.

HABEMUS PORCOS

“E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil) e afogou-se no mar”.

Marcos 5:12-13

Porcos nunca tiveram vida fácil. Não se pode ou não se deve comer sua carne, dependendo da religião ou das condições de saúde, e não é mesmo alimento dos mais saudáveis.

No Antigo Testamento, Deus deu ao povo judeu regras para mostrar que seriam diferentes de outros povos, separados para serem considerados puros. Algumas dessas regras eram cerimoniais, como a circuncisão e a proibição de comer carne de porco.

“O porco também é impuro; embora tenha casco fendido, não rumina. Vocês não poderão comer a carne desses animais nem tocar em seus cadáveres”. 

Deuterônomio, 14:8.

“Os que se consagram para entrar nos jardins indo atrás do sacerdote que está no meio, comem carne de porco, ratos e outras coisas repug­nantes, todos eles perecerão”, declara o Senhor. 

Isaías, 166:7

PORCARIA

A imagem que se tem dos porcos são de animais sujos, pouco higiênicos, que comem qualquer coisa, cheiram mal, são barulhentos.

Mas os porcos também são defensáveis. Quando soltos, são limpos, independentes, cuidam de suas casas e famílias, e costumam se dar muito bem. Sem cornetas.

A proporção entre peso do corpo e do cérebro é alta. O porco é mesmo um bicho inteligente.

Na obra A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, clássico de George Orwell de 1945, o animal mais poderoso e odiado não foi outro.

PORCOS CARCAMANOS

Quando em 1920 o Palestra Italia comprou o Parque Antárctica e ganhou o seu primeiro título, a capital paulista tinha 205 mil estrangeiros. Mais de 90 mil eram italianos. A grande maioria torcedora palestrina.

As conquistas do Palestra no tricampeonato de 1932-34, em 1936, e no torneio de 1940 aumentaram a rivalidade com o Corinthians, e com o São Paulo que crescia (clube também originado no antigo rival Paulistano, da elite da capital).

Com o Estado Novo totalitário a partir de 1937, e com a Segunda Guerra Mundial iniciada em 1939, com a Itália fascista de Mussolini aliada aos alemães e japoneses no Eixo, os “italianinhos” e seus oriundi que já não eram tão bem vistos em partes de São Paulo e no Brasil, passaram a ser malvistos por muito mais gente. Tiveram bens confiscados. Entidades fechadas. Atividades nacionalizadas. Proibição de reuniões e viagens. Uso da língua italiana nas ruas proibido.

A partir dos anos 1940, com a iminência de o Brasil entrar em guerra contra o Eixo como aconteceria em agosto de 1942, os italianos passaram a sofrer mais preconceitos além de serem chamados de “carcamanos” e “italianinhos”. Alguns deles e seus descendentes eram mesmo chamados de “porcos”.

POR QUE PORCO?

Não se sabe quando começou. E nem o porquê. Mas existem algumas teses. Os “italianinhos” comiam polenta, o que para fazendeiros era comida “para porcos”. Para alguns, italianos e oriundi comiam polenta com as mãos. “Como porcos”.

Nos anos 1940, com as medidas totalitárias que obrigaram o Palestra Italia a mudar de nome e virar Palmeiras em 14 de fevereiro de 1942, também teriam sido chamados seus torcedores de “porcos” em alusão ao fascismo e seus adeptos, que não poucas vezes eram chamados de “porcos fascistas”.

Mesmo não sendo o clube de fato um polo fascista ou um antro do Eixo em São Paulo, ainda que alguns eventos nos anos 1930 no Palestra tenham tido a presença até de políticos italianos.

PORCO FASCISTA”

A expressão mais conhecida é usada há décadas. Como fez Oswald de Andrade, no poema “Canto do Pracinha Só”:

“Na hora letal e fria
Pegaste o porco nazista
Sangraste o porco fascista
Que pretendeu macular
O teu bocado de pão
O teu bocado de honra
O teu bocado de lar

Norte-americanos já usavam desde os anos 30 o mesmo termo: “fascist pig”. E não só para questões políticas. Também para qualquer truculência de policiais e militares, ou mesmo apenas para o cumprimento mais rigoroso da lei por parte de seus agentes.

(Em 2018, em protestos das esquerdas na Itália, faixas como “melhor porco que fascista” tentavam virar o jogo.)

PORCÃO-76

Voltando aos estádios do Brasil. De maio de 1969 a agosto de 1976, um e outro chamava o palmeirense de “porco” – como alguns italianos foram chamados a partir dos anos 40, como alguns palmeirenses também foram pelo triste episódio da negativa para a inscrição de dois novos atletas do Corinthians na sequência do SP-69.

Mas o jogo começou a virar em agosto de 1976. Último jogo do Paulista que havia acabado de ser conquistado pelo Palmeiras, no Palestra, contra o XV de Piracicaba. Derby contra o Corinthians que só não correu risco de rebaixamento porque não havia descenso no SP-76.

Palmeiras 2 x 1 no Corinthians. Show de Jorge Mendonça. Verdão entrou no Morumbi com a faixa de campeão no peito. A mesma que só voltaria a vestir em 12 de junho de 1993. Contra o mesmo Corinthians no mesmo Morumbi.

Corintiano que naquele domingo ensolarado do inverno de 1976 vivia inferno sem conquistas desde 1954. E nessa longa estiagem acabou descobrindo um canto adormecido que faria por 10 anos o palmeirense calado. Amuado. Enraivecido. Sem resposta.

“POOOOOOORCOOOOOO”

Nas arquibancadas acima das cabines de televisão, os corintianos em menor número no último jogo do SP-76 levaram uma bandeira branca enorme. Com um desenho gigante de um porco. E a inscrição acima dele:

“PORCÃO-76”.

Pior. Com o coro ensurdecedor que calava mais fundo que o canto alviverde de “um, dois, três” até os 22 anos de “parabéns a você” pela longa fila alvinegra.

POOOOOOORCOOOOOO

Desde aquele Derby, o coro pegou. E para todos os rivais. O Palmeiras podia fazer 5 a 1 como fez dando show com Telê no SP-79 contra Santos e Portuguesa em sequência. Mas bastava a torcida rival gritar POOOORCOOOOOO para o palmeirense ficar quieto. Com razão ou só raiva e emoção.

No SP-77, vitória de 4 x 2 do Palmeiras no Morumbi, um porco pintado de verde no gramado causou uma discussão áspera do jornalista Roberto Petri com o presidente alvinegro Vicente Matheus, na TV Gazeta. O pesquisador palmeirense Pedro Luís Boscato lembra que a briga gerou mais repercussão que a grande virada do time do técnico Dudu.

Nada se compara na história do clube. A brincadeira nos últimos anos do Mundial, a polêmica do fax da Fifa, da não aceitação dos Brasileiros conquistados e unificados, as quedas, e tudo que se tenta falar contra o Palmeiras, nada se compara ao que se sofreu pela fila de 16 anos e pelo coro de POOOOORCOOOOOO nos primeiros 10 anos de jejum.

O palmeirense perdia a fala. A razão. Ficava quieto. Puto.

Até mesmo com o diretor de marketing João Roberto Gobbato. Em 1983, para acabar com o coro e a provocação, lançou a ideia de assumir o apelido.

Quase sumiram com ele do cargo.

Mas a ideia ficou para alguns. E deu frutos. Virou o jogo em 1986.

E DÁ-LHE PORCO!

Na Copa de 1986, a melodia foi uma febre como a ola nos estádios. Todos repetiram no Brasil. A torcida do Palmeiras, animada pela Mancha Verde e TUP, foi além.

Resolveu assumir o porco que antes soltavam nos clássicos contra o Palmeiras. Era vez de o Verdão trazer o próprio bicho. E cantar o grito que se espalhou rápido.

E DÁ-LHE PORCO, E DÁ-LHE PORCO, OLÊ, OLÊ, OLÊÊÊÊ

Nas semifinais do SP-86, em agosto, o Palmeiras superou o Corinthians e a arbitragem infame ao grito de DÁ-LHE PORCO.

O craque do time, o meia Jorginho, num clássico contra o Santos, pelo BR-86, entrou com o porquinho em campo. Seria capa da revista PLACAR.

No SP-87, um porco de porcelana chamado Bolão virou talismã. O Palmeiras ganhou o turno. Mas ele foi quebrado por um gandula do Botafogo, em Ribeirão Preto. Não deu título. Mas virou manchete.

O porquinho Chicão o substituiria. De verdade. Mas de novo não deu liga.

GOBBATO

Na vitória que seria essencial para a conquista do enea, contra o Inter, no BR-16, o Palmeiras estreou oficialmente o novo mascote. O porco Gobbato. Batizado em homenagem ao pai da ideia em 1983. Adotada em 1986. Oficial em 2016.

O Palmeiras virou mais um jogo. Calando mais uma vez os rivais. Com razão. Ou apenas emoção.

Na bola. Transformando a lealdade em padrão. Sem pisar na bola como assinou o atestado há 50 anos.

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Naça da nossa raça, 100 anos http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/16/naca-da-nossa-raca-100-anos/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/16/naca-da-nossa-raca-100-anos/#respond Sat, 16 Feb 2019 14:16:13 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8095

 

Ferroviário é mascote do Nacional da Lapa. Barra Funda. Da rua Comendador Souza. Da Marquês de São Vicente. Do clube que desde os anos 1980 fica na frente do CCT do São Paulo e, desde os 1990, da Academia do Palmeiras. Onde clubes milionários e campeoníssimos na cidade e no planeta bola treinam pertinho do estádio Nicolau Alayon. Do campo e do lar do Naça. Não do segundo time de muitos paulistanos. Não da equipe que a maioria da torcida não sabe citar algum jogador que tenha nascido no clube para o futebol profissional do Brasil. Não que a imprensa dê bola ao time como já não dava pelota antes quando jogava contra todos, ou mesmo couro ao “eleven” na época do São Paulo Railway Athletic Club. Outro que teve de ser nacionalizado quando terminou a concessão das estradas de ferro para a companhia inglesa, em 1946. Jamais o sonho de seguir jogando por essa trilha.

O SPR virou Nacional. Mas poderia mesmo ser Paulista. Paulistano. Lapa ou Barra Funda? Comendador Souza! Não é de bairro, é da rua. E não é de todos, é uma associação que parece sua. De cada um, e só deles. Única. Quase de únicos.

Talvez por isso mais humana. Como sua mascote. O Ferroviário. Não é bicho, não é santo, não é super-herói. É uma profissão. Quase uma profissão de fé para quem o segue sem ajuda da imprensa, dos rivais, dos patrocinadores, muitas vezes até do bairro agora cheios de CTs, e, logo depois da fundação, em 1919, do Palestra Italia que virou Palmeiras em 1942.

Não é fácil fazer 100 anos. Ainda mais com tanta gente jogando contra ou nem jogando. Por isso também é mais humano na capital de tantos campeões mundiais de clubes e pela seleção que um clube seja o que é. Do bairro, do barro e do berro da rua. Da raiz do futebol que escorre como sangue, do trilho que corre rumo ao interior de cada um.

Desse rumo jamais saiu o Nacional. Não descarrilou. Nem perdeu a hora. Segue na sua pontualidade fidelíssima de quem o escolheu porque quer demais um clube que não precisa ser o maior para ninguém. Precisa ser apenas o Ferroviário mascote. Como bem captou Leandro Massoni que, no livro NACIONAL – NOS TRILHOS DO FUTEBOL BRASILEIRO (Flutuante editora) conta muito bem a história de raça do Naça.

Nacional e megapaulistano, sim. Mas plural como uma linha de trem que leva a vida para todos os lugares. Nicolau Alayon, o nome de sua casa, foi um dirigente de berço uruguaio. Como o paulista Charles Miller, que trouxe as bolas e o futebol da Inglaterra para o Brasil, também acabou sendo um pouco da casa. Ele e outros funcionários da SPR Limited fizeram o primeiro jogo de futebol no país, em 1895. Ainda não era o Nacional de 1919, mas já era o espírito empreendedor.

O que teve com suas camisas em começo de carreira gente que você vai saber lendo o ótimo livro. Jogadores que você não sabia que pela Comendador Souza passaram. Gente que como essa que talvez você não conheça. Mas que agora você vai saber como vale a pena ter história. Só vive de passado quem a tem. Quem tem esse trem do Nacional. Aquele que não surge de trás das montanhas azuis, como cantou Raul Seixas. Mas que é o trem azul e branco com muita vida para nos levar como esses que seguem fazendo o trajeto que sonham.

 

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Gustavo, gol, e pouco mais. Corinthians 1 x 1 Racing http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/16/gustavo-gol-e-pouco-mais-corinthians-1-x-1-racing/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/16/gustavo-gol-e-pouco-mais-corinthians-1-x-1-racing/#respond Sat, 16 Feb 2019 13:23:55 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8092

O Racing é o melhor time na Argentina hoje. O misto do Racing foi melhor time em Itaquera. Fez 1 a 0 com Rios em falha defensiva de Henrique, poderia ter feito mais em todas as bolas cruzadas na área corintiana que mais parece do rival, e foi ao vestiário com vantagem cômoda e real.

Carille foi mudando o seu 4-2-3-1 com nomes ainda longe do que podem jogar. Ou que poderiam estar longe de Itaquera. Criou mais alguma coisa, viu o Racing perder chances que poderiam definir o duelo que segue aberto porque, mais uma vez, Gustavo ganhou todas as bolas pelo alto que o sistema defensivo segue sem ganhar e empatou um jogo muito melhor pelo placar do que por mais um desempenho preocupante alvinegro.

Bom mesmo é que Carlos mostrou o que se sabia possível e deve ser a melhor opção para a lateral-esquerda. Enquanto a zaga segue preocupado, só Ralf está em bom nível no meio, e só Gustavo honra o nome na frente. E até o apelido.

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Fortaleza para todos http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/15/fortaleza-para-todos/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/15/fortaleza-para-todos/#respond Fri, 15 Feb 2019 14:18:34 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8090

O Fortaleza Esporte Clube vem adotando um novo procedimento nas entrevistas coletivas realizadas com seus profissionais. presença de um intérprete de libras.

Essa inovação teve início ano passado, no dia 20 de novembro, quando da homenagem feita pelo clube ao ex-lateral Chiquinho, através do Projeto Leão 100. A partir dessa iniciativa, o Fortaleza iniciou o ano de 2019 intensificando esse procedimento e agora, em todas as coletivas efetivadas pós jogos, no Castelão e na apresentação de atletas, o clube insere um Tradutor de Libras para mediar a comunicação com os torcedores surdos.

“Essa visão inclusiva busca quebrar paradigmas e eliminar rótulos relacionados as barreiras linguísticas. A difusão da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) reconhecida como segunda língua oficial do país pela Lei n° 10.436 de 24 de abril de 2002, é uma forma de respeitar o acesso a comunicação à comunidade surda”, destaca o segundo vice-presidente do clube, Dr. Rolim Machado.

Crystonberg Silva, Intérprete de Libras, tem sido o responsável pelas traduções e considera importante essa inovação e que a repercussão entre os surdos tem sido extraordinária: “temos percebido na comunidade surda, torcedora do Fortaleza, uma satisfação em poder acompanhar e ter acesso mais dinâmico às informações do clube. Administramos um grupo de WhatsApp e os componentes acompanham todas as coletivas retransmitidas pela TV Leão”, destaca o profissional.

A legislação (Lei n° 10.436 de 24 de abril de 2002) determinou também que deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão de Libras como meio de comunicação objetiva.

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Ai, Diniz! Flamengo 0 x 1 Fluminense http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/15/ai-diniz-flamengo-0-x-1-fluminense/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/15/ai-diniz-flamengo-0-x-1-fluminense/#respond Fri, 15 Feb 2019 09:50:28 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8084

Arrascaeta, o mais caro do Brasil, errou um lance ainda mais caro em qualquer acepção, e o empate-classificação do Flamengo virou derrota-eliminação do Flamengo “obrigado” a ganhar a Taça Guanabara, a Rio, o RJ-19, pelo nível de investimento, e pelas dificuldades dos rivais.

Pode ter pesado a tragédia do Ninho. Não tem como não. Mas teve muito mais Fluminense fazendo por onde e por quanto vencer. Na última bola como em 1983 e 1995 em Fla-Flus de ai-jesus e Assis, houve pança de Renato. E nada de pelancas dos jovens de Diniz.

As ideias quase todas lá. As variantes táticas. A posse de bola. A marcação mais obsessiva. O conhecimento das limitações. Laterais trocados por opções mais contundentes no final. Um senhor jogo tricolor. Vitória justa e merecida e emocionante no clássico dos meninos. Tocante. Tocando a vida e a bola.

E um toque para o Flamengo que pode e deve fazer muito mais. Nada desesperador. Mas mais cobrador.

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Cuca no São Paulo http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/cuca-no-sao-paulo/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/cuca-no-sao-paulo/#respond Thu, 14 Feb 2019 19:23:57 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8081

Resumo das últimas horas no Morumbi. Time eliminado bisonhamente na fase preliminar da Libertadores e em casa criando duas chances num jogo em que precisava marcar ao menos dois gols. Treinador “prestigiado” até a semana passada largado por diretor e presidente remunerados na sala de imprensa.

No Day After, nas palavras do amigo João Gabriel: “São Paulo demitiu um técnico e logo contratou outro. Mas o outro ainda vai demorar para chegar e o demitido não foi embora”.

E tem mais: assume interinamente quem não assumiria inteiramente.

Mas que agora não tinha outro jeito. Como não tinha como continuar com Jardine. Como tinha mesmo que apostar no retorno de Cuca.

Como precisa limpar a área de gente que já deu o que tinha que dar. Ou nem tinha o que dar. Ou só dá quando quer. E parece não querer desde setembro de 2018.

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Vasco se reencontrando http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/vasco-se-reencontrando/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/vasco-se-reencontrando/#respond Thu, 14 Feb 2019 14:30:47 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8078

Em frente. Para cima. Para os lados. Para o alto. Até pra baixo. Não pra trás. O apoio é aos meninos. Às vítimas. Às famílias. Ao clube onde jogavam. Rival ou não. Responsável ou não (ainda não sabemos). Juntos. Enquanto não tivermos um pouco de sanidade e um mínimo de humanidade, outras tragédias continuarão. O Vasco que foi grande ao assumir os negros no elenco em 1923. O Vasco que muitas vezes foi pioneiro nas melhores lutas. No melhor luto possível, em 2019.

O Resende também fez bonito nas homenagens às vítimas. Foi lindo. Foi humano. Como tem que ser. Muitas vezes não é. Não

Venceu o Vasco com autoridade o Resende mantendo os louváveis 100% de aproveitamento na Taça Guanabara. Melhorou em relação à pálida partida em Juazeiro pela Copa do Brasil. Ainda está longe de ser o que foi. Mas parece nem tanto do que pode ser.

Bom trabalho de Valentim. Um que projeta e consegue resultados. Um que alerta e tem razão numa cidade que não se prepara, não planeja. E, quando alerta, não vem a tempestade esperada, nem o público ao estádio. Quando enfim se vê alguma forma de preparo das autoridades, elas erram a previsão. Melhor assim. Mas é tanta coisa que que castiga que o que se odor celebrar apenas é que dilúvio não veio. Nem a gente que só faz sofrer.

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São Paulo se perdendo http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/sao-paulo-se-perdendo/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/sao-paulo-se-perdendo/#respond Thu, 14 Feb 2019 10:09:37 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8075

Talleres deixou o vestiário do Morumbi assim. Classificado em campo com um empate melancólico do tricampeão mundial. Vencedor no vestiário ao deixá-lo assim. Sem deixar a educação e elegância. Libertadores não é guerra. Ou não deveria ser. Futebol não é só uma manada de um lugar mandando quem manda pra outro. Futebol é esse respeito que o São Paulo não tem tido com ele mesmo também por ter se perdido com os outros. O jogo implica risco. Não se pode ganhar sempre como o São Paulo, na média, ganhou mais do que qualquer outro dos colossos. Mas não se pode perder tanto como o clube parou no tempo. Empacou na soberba soberana. Perdeu respeito e até admiração. Mas não a sua torcida que cobra demais também porque bem acostumada e afortunada por tudo que venceu. A humildade e educação do Talleres na casa tricolor não são apenas um lembrete para todo o futebol. É um toque muito bem dado dos hermanos. É um toco y me voy adelante na Libertadores. É outro treco para o clube do Leco entender que presidente remunerado não significa profissional. Que futebol profissional de fato é o que São Paulo fazia até 2008 e ninguém copiava. Hoje, parece tudo que os outros fazem. E o São Paulo não consegue nem se copiar.

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Eu quero o seu São Paulo de volta – segunda temporada. São Paulo 0 x 0 Talleres http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/eu-quero-o-seu-sao-paulo-de-volta-segunda-temporada-sao-paulo-0-x-0-talleres/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/eu-quero-o-seu-sao-paulo-de-volta-segunda-temporada-sao-paulo-0-x-0-talleres/#respond Thu, 14 Feb 2019 01:55:34 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8072

Não, Hernanes. Não é “continuar com esse espírito e por esse caminho” depois de 180 minutos sem gols, futebol e São Paulo FC do São Paulo. Isso é declaração pro presidente remunerado Leco. Não sua. Você é O Profeta. Não o do apocalipse.

Não é o fim do mundo para quem já o conquistou três vezes. É o fim da América em 2019 para quem já foi tricolor três vezes. Tem lógica para quem não ganha o Brasil desde 2008. Não tem a menor para quem sofre a maior fila estadual desde 2005. E o pior futebol são-paulino desde 1930.

Falo por respeitar, admirar e temer o São Paulo desde 1972. Não pode ser só isso. O Talleres é arrumadinho. Mas nada além disso. Não é o Barça do Messi com o Pelé como alguns tricolores quiseram justificar. Nem o Tolima de 2019. Tem qualidades. Mas não tantas. Não pode o São Paulo ter tido só 4 chances na Argentina e ridículas duas no Morumbi. Um levantamento na área que Diego Souza mais uma vez não soube definir na primeira etapa, um lance nascido de lateral do Reinaldo no início

do segundo tempo.

E só.

Helinho tentava algo. Foi substituído por Nene mais uma vez inerme como todo o time. O São Paulo precisava de contundência. Saiu Bruno Peres que ainda não estreou e entrou o improvisado volante Araruna…

Não tinha como dar certo. Só raiva. Até pra quem não torce. Torce contra. Como parece fazer muita gente no Morumbi, na Barra Funda e em Cotia.

De emoção, até o final, só a expulsão merecida de Everton – que não é disso. E apenas duas chances do Talleres – que não é nada disso. Organizado, ousado até, mas nada demais. Nada que qualquer São Paulo não pudesse superar. Não fosse este e os dos últimos anos um time qualquer. Ou um clube perdido na soberba arrogância desde Juvenal e suas jogadas para se perpetuar. Passando por Aidar que se perdeu. Leco que não se acha e não se encontra. De um São Paulo que tem sido uma bela fotografia na parede. Mas não pode só gritar Muricy. Não pode querer o retorno de quem não pode. E não pode ser só isso.

André Jardine não parece mesmo estar pronto. Muricy deixou claro no SporTV que não quer voltar como treinador. Cuca é o melhor nome. Mas precisa de outros para treinar. E não tantos números gastos para tão pouco retorno.

Cuca não faz milagre. Telê não faria. Ainda mais com Leco fazendo o que faz e não deixa fazer. Com Raí não acertando a mão. Com o time errando o pé. Perdendo a cabeça. Os jogos que não pode perder. E nem criando chances suficientes para ao menos ameaçar a meta do Talleres.

Já escrevi ano passado e o São Paulo se superou. “Quero meu rival de volta”. Escrevo agora e insisto. O São Paulo não é só isso e tem elenco para ser mais do que isso. Mas não muito mais. E não sei se vai conseguir de novo em 2019 a proeza de se superar.

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Vinicius Jr e David Neres: até quando seremos exportadores de pé-de-obra? http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/vinicius-jr-e-david-neres-ate-quando-seremos-exportadores-de-pe-de-obra/ http://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/vinicius-jr-e-david-neres-ate-quando-seremos-exportadores-de-pe-de-obra/#respond Wed, 13 Feb 2019 23:13:38 +0000 https://maurobeting.blogosfera.uol.com.br/?p=8069

ESCREVE CAIO GIMENEZ

A matada de ombro em altíssima velocidade deixou o lateral no chão. A arrancada decisiva atordoou a sensação De Ligt e o experiente Blind. A assistência açucarada fez sorrir Karim Benzema. Com apenas 18 anos, Vinícius Jr plantou mais uma semente no futebol europeu com sua primeira atuação de brilho já na estreia pelo mata-mata da Liga dos Campeões em Real Madrid 2 x 1 Ajax. Uma semana após ouvir algumas críticas pelo acabamento de boas jogadas que criou no Super Clássico, Vinícius mostrou que sua escalada entre os jovens do futebol atual é sólida e inegável. 
Se em maio de 2017 parecia um absurdo o pagamento de sua multa rescisória em 45 milhões de euros, bastaram alguns meses na Espanha para que o negócio feito pelo Real Madrid pareça uma pechincha. Afinal, em uma temporada que começou com partidas pelo Real Madrid Castilla, Vinícius desandou a ter participações importantes na equipe principal e já soma 13 assistências e sete gols. O presente para Benzema em Amsterdã foi apenas mais um capítulo.  
Único jogador com a mesma idade a rivalizar com Vinícius Jr no quesito desempenho em grandes ligas da Europa, o inglês Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, já tem, há meses, um regresso especulado para a Premier League em cifras superiores aos 100 milhões de euros. Isso ajuda a entender o quanto o investimento feito pelo Real Madrid no atacante brasileiro já dá sinais muitos claros de foi certeiro. Aos 18 anos, Vinícius ainda tem muito conteúdo e músculos para adquirir. A comparação com os jogadores de sua idade é cruel. 
Coadjuvante da noite na capital holandesa, o ex-são-paulino David Neres saiu da ponta esquerda para aparecer ao centro em diversos momentos da partida, importante para reforçar sua condição no belíssimo time do Ajax. Neres não ficou atrás de Vinícius e também abrilhantou sua jornada com uma assistência para o gol de Ziyech. Sua margem de crescimento parece menor que de Vinícius entre os grandes do futebol mundial, mas o destino para o garoto de Cotia também parece ser uma das grandes ligas do Velho Continente e a seleção principal. Por ele, o Ajax pagou 15 milhões de euros depois de somente oito partidas nos profissionais tricolores. 
Enquanto dirigentes, torcedores e até mesmo jornalistas trataram as vendas como as de Neres e Vinícius Jr como excelentes negócios para as equipes brasileiras, Ajax e Real comemoram antecipar jogadores desse quilate, que em médio prazo já valem mais do que custaram e ajudam em partidas duríssimas. Como explicar que eles brilham na Liga dos Campeões enquanto a Libertadores, para treinadores do Brasil, é normalmente vista como palco para os atletas experientes? 

ESCREVEU CAIO GIMENEZ

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