Blog do Mauro Beting

Dia de estar presente

Mauro Beting

Cinco anos do último Dia dos Pais. Dias antes lançamos o livro que escrevi do São Marcos. Mais de 7 mil foram até a Saraiva do Eldorado. Por isso não vi meu pai naquela noite-madrugada que acabou três da manhã.

Ele até conseguiu chegar à porta antes de ela se espatifar com tanta pressão e gente. Mas nem ele conseguiu chegar na loja. Era mais fácil o Marcos levar um gol de pênalti que meus pais me abraçarem na livraria. Não passava nada. Parecia o Marcos na nossa meta.

Poucas imagens eu vi do meu pai naquela terça de agosto de 2012. A última que saiu de casa sem ser para trabalhar. O penúltimo passeio com os netos. O último seria quatro dias depois, véspera do Dia dos Pais, para as obras do estádio que ainda era Palestra. Velho como o meu Babbo. Naquela manhã ele teve de sair de cadeira de rodas. Pela primeira vez senti que talvez ele não pudesse estar na reinauguração do Allianz Parque que hoje tem uma sala com o nome dele – onde são feitas as entrevistas. Onde tem uma foto dele. A frase eterna dele do Palmeiras.

A colega Ana Nery tirou essa foto do filho Marcus Vinicius. Ele ao lado do meu pai e do bonequinho que ganhou do sobrinho Ulisses. Vendo o que não vi há cinco anos, vejo o bonequinho mais próximo da lembrança que tenho do meu pai. Ele já debilitado pelo que o levaria três meses depois.

Mais fácil ver à distância. Por mais difícil que seja essa separação. Não dói menos com o tempo. Mas a memória seletiva ameniza. A patogenia Palmeiras inoculada, como ele gostava de dizer, cura. É DNA. Dona dos nossos destinos.
Vendo a foto dele no dia em que não pudemos nos ver, na noite em que nós não cabíamos no shopping e de felicidade por colocar no papel tamanha história de tamanha gente que nos defende, só posso agradecer aos dois caras que melhor me defenderam na vida. Meu pai e nosso Marcos.

Hoje, cinco anos sem o Babbo para agradecer a ele e a Mamma por tudo, ainda me sinto como naquela noite. Sei que ele está bem perto. Mas sei que também não posso abraçá-lo.
Mas o que a gente sente é maior do que a gente sabe. Babbo, você continua aqui. Nem preciso te ver ou te falar para me sentir bem cuidado.