Blog do Mauro Beting

Fecham-se as cortinas. Maria Esther Bueno

Mauro Beting

A Bailarina do backhand com uma só mão nos deixa ainda mais órfãos 12 anos depois da partida de Fiori Gigliotti, o locutor da torcida brasileira. Também poucos dias antes de um Mundial como ele transmitiu como poucos para tantos.

Fiori que era uma daquelas vozes do Brasil que davam vazão a um sentimento não ''patriótico'' na acepção deturpada e conspurcada pelo mau uso. No romantismo da palavra bem empregada e muito empenhada. No fio do bigode do Fiori. Confiança e esperança. Floreios de Fiori que não faziam mal. Faziam melhor. Nos faziam melhor.

No cantinho da saudade dele hoje teriam belas palavras para Maria. Hoje só temos saudades dos dois.

Ela assistiu a algum jogo em Roland Garros no dia da sua partida, aos 78 anos. Com 589 títulos na carreira. Só de Grand Slams foram 19. Como o primeiro Wimbledon, em 1959, com apenas 19 anos.

No ano do primeiro Mundial do basquete masculino. Um ano depois da primeira Copa, em 1958, na Suécia.

O Brasil com a bola nos pés e nas mãos que dava certo. Como o talento, encanto e elegância de Maria Esther Bueno no saibro e na grama. Brasil de JK que parecia mesmo fazer em 5 anos 50. Não apenas de inflação. Também de progresso no Brasil para Brasília. No Brasil que não parava. Ganhava. Encantava.

Bom no samba, bom no couro, como na letra dos Titulares do Ritmo, no tema campeão do mundo em 1958. Na absoluta Bossa Nova de Tom e belíssima companhia que não se ouviu mais. Os melhores anos de nosso esporte e de nossa música. As melhores produções do Brasil em todos os tempos e campos.

Maria Esther Bueno não apenas honrou o sobrenome. Fez tudo de ótimo para o Brasil como nome de categoria e capacidade. Bailarina na quadra, técnica refinada, vencedora e competitiva com caráter.

Eterna. Como poderiam ser aqueles anos de ótima música e esporte vencedor. Saber e suor com sabor brasileiríssimo.

Chega de saudade. Mas a realidade é que é saudade mesmo daquela turma que pedia o fim dela.

Um cantinho de saudade para quem partiu deixando um Brasil que insistimos em jogar contra.