Blog do Mauro Beting

Liberdade, igualdade, bicampeã? França 1 x 0 Bélgica.

Mauro Beting

Dois países que investem demais na formação de atletas. A França idealizou em 1976 um plano que executa na escola de Claire Fontaine desde 1988. A Bélgica bolou em 2000 o que projeta desde 2004. O resultado está em campo. Com 15 atletas franceses que poderiam defender seleções da África ou Caribe. Onze belgas de origem africana. Abrindo portos, fronteiras e campos para imigrantes e refugiados, eles fazem uma seleção mais forte e rica. Como o Brasil desde a primeira Copa.

Desde o título de 1998, nenhuma seleção chegou em tantas finais como a França: campeã em 1998, vice em 2006, favorita em 2018 – venha quem vier do outro lado. Brasil vice em 1998 e campeão em 2002, Alemanha vice em 2002 e campeã em 2014, e Espanha campeã em 2010 eram outras seleções que pareciam mais fortes em 2018. Ficaram pelo caminho que a França trilhou com notável sabedoria e maturidade para um time que parecia pronto para 2019. Mas já antecipou etapas na merecida vitória contra a ÓTIMA GERAÇÃO BELGA.

Mesmo.

1o. TEMPO – O jogaço esperado. França mais com a bola buscando mais o gol, Bélgica esperando mas sabendo o que fazer com ela. Mas a priemria chance de gol só aconteceu aos 12, quando Pogba lançou bonito para a carreira de Ronaldo com o torque de Romário e a explosão de Cristiano. Só que Courtois se antecipou muito bem. Como fecharia brilhantemente o ângulo aos 39, evitando que Pavard abrisse o placar. Do outro lado, aos 23, Alderweireld só não fez belo gol de canhota porque o underrated Lloris fez outra belíssima intervenção, mandando a escanteio.

2O. TEMPO – O jogo recomeçou com a Bélgica tentando propor mais e atacar mais. Mas com 5min Umtiti subiu de cabeça como se fosse Kompany contra o Brasil, Fellaini chegou tarde ou desatento como Fernandinho, e dessa vez o grande goleiro grande Courtois não conseguiu defender. 1 a 0 França. Aos 10, o mais belo lance da Copa, em linda tabela francesa que Giroud, em Copa de Guivarc´h, com artilharia de Gabriel Jesus, parou em Courtois. Mas uma das tantas letras do monstro Mbappé, que joga lindo e também adora uma firula. Aos 14, com Mertens aberto pela direita, a Bélgica abriu seu jogo no lugar do inútil Dembelé. Os belgas criaram mais. Mas os lances mais perigosos ainda foram os dos contragolpes franceses, na vitória merecida da escola mais consolidada.

CHANCES DE GOL – FRANÇA 6 X 4  primeiro tempo. França 6 x 5. TOTAL: FRANÇA 12 X 9.

TÁTICA – França no 4-3-1-2 propondo o jogo, com Griezmann flutando atrás de Mbappé e Giroud, e ele e Matuidi ampliando o campo pela esquerda. Sem a bola, um 4-3-3, com Griezmann voltando pela esquerda. Bélgica no 4-3-3 que, com a bola, era quase um 3-4-3: Chadli saía pela ala direita, o tripé defensivo se mantinha, e a amplitude pela esquerda era dada pelo excelente Hazard. Dembélé mais atrás ao lado de Witsel, liberando Fellaini para chegar mais perto de Bruyne, atuando mais à frente, com Lukaku de volta ao comando de ataque. Esquema que pareceu mais confuso e menos entendido do que o 4-3-3 que superou o Brasil, com Fellaini um pouco mais à frente de Dembéle e Witsel.

O CARA – Nenhum. E todos como Umtiti, Kanté, Pogba, Matuidi, Griezmann e Mbappé.

O LANCE – 10min. Linda troca de bola com letra de Mbappé até Courtois negar outro gol francês.

NOTAS DO JOGO – FRANÇA 7 X 6 BÉLGICA – JOGO NOTA 7

NO FRIGIR DAS BOLAS – Um dos quatro favoritos ao título chega à decisão. A que eu menos acreditava – a França. A ótima geração belga foi longe. Mas deve ter parado na campeã do mundo. Bicampeã mundial.

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman