Blog do Mauro Beting

Corinthians de todas as idades

Mauro Beting

FOTO: Ronaldo Kotscho

Quando o Tomás nasceu, o Timão dele penava na Segundona dos infernos. Filho do Roberto, que sabe muito de bola, ele e nem o pai imaginavam que aquele 2008 passaria mais rápido que uma Bala, Carlinhos. Doeu na final daquela Copa do Brasil perdida com Mano na Ilha. Mas foi um passeio a Série B “de volta pro meu lugar” na canção do Roberto, o Carlos. 

Em 2009, o Paulista foi invicto. A Copa do Brasil voltou pro Parque contra o Inter de Tite. Em 2010 o Mano foi pra Seleção. O Tite voltou no final do ano. Não deu. Mas começou ali a conquista da América invicta e a reconquista do mundo lá no Japão, em 2012, depois do Brasileiro de 2011. 

Mais um Paulista em 13. Uma Recopa. Volta Mano em 2014. Nada… Volta Tite em 2015. Tudo! Brasileiro com um belo time despedaçado em 2016 pela CBF e pelas contas que não fecham. Aposta em Carille e ganha lindo jogando o que dava com pouco time e dinheiro o Brasileiro e o Paulista em 2017. Bisa o Paulista na casa do rival este ano. Perde feio jogando horroroso em casa a Copa do Brasil para o Cruzeiro em 2018.

Três títulos e uma final com times despedaçados em dois anos. 

Quem esperava?

O Tomás, filho do Roberto. O que nasceu quando o Corinthians estava longe do lugar dele. O que cresceu acreditando ainda mais no Timão. 

No intervalo de quarta, jogando bolinha de quinta categoria em Itaquera, ele falou pro pai que iria virar no segundo tempo, vendo pela TV.  

Tá legal…

Empatou na base do modo nada legal pelo VAR, Corinthians. Foi buscar a virada de modo Todo Poderoso Timão. Tomás chorou do baixo dos seus 10 anos quando Pedrinho mandou no contrapé do Fábio. O pai chorou do alto dos seus 50 junto com o filho os segundos até o VAR roubar a cena com a mão no peito imenso do Dedé.

Naqueles instantes antes da reviravolta na virada, não havia choro mais feliz do que o do Roberto que apreendeu o que é ser maloqueiro e sofredor, graças a Deus, e do Tomás que não sabe bem o que é sofrer e ser maloqueiro. Mas que graças a Deus confia, chora, xinga e vai dormir derrotado. 

Mas ainda mais fiel devotado. 

O menino acordou fazendo as contas que a direção não soube fazer para pagar as dívidas e que o time precisa para evitar as dúvidas da queda ainda improvável. Como também parecia mais um título nacional. Como ficou impossível com apenas uma chance de gol em 180 minutos, mais um pênalti inventado, e um golaço anulado em lance discutível.  

Tomás acreditou que ainda era Corinthians aquele futebolixo das finais. Não deu. Mas quase virou pra cima de um time muito melhor e maior campeão da Copa. 

Agora é acreditar que esse Corinthians ainda vire esse Corinthians que as crianças de qualquer idade acreditam. E os rivais de outros credos e créditos sempre respeitam. Até quando o próprio Corinthians não respeita sua luta e seus lutos. Suas contas e seus cantos.