Blog do Mauro Beting

A façanha rara do Flamengo de 2009 e o líder de 2018

Mauro Beting

Fábio Carille não era a opção preferencial da diretoria do Corinthians para 2017. Acabou assumindo o clube que levou ao heptacampeonato brasileiro. 

Cuca assumiu o Palmeiras semanas antes do iniciar o BR-16 que venceu. Tite começou 2015 no comando do Corinthians que seria campeão ao final da temporada. 

O Cruzeiro foi bicampeão brasileiro em 2013-14 com Marcelo Oliveira desde o início do campeonato. Como Abel Braga no Fluminense, em 2012. Como Tite em 2011. Como Muricy Ramalho em 2010. 

O último clube a ser campeão brasileiro trocando o treinador durante a competição foi o Flamengo, em 2009, quando o interino Andrade foi efetivado na 16ª rodada (depois de duas vitórias como interino) e ganhou na última rodada o título que parecia improvável.  Quando substituiu Cuca, o Flamengo era o oitavo colocado, a 9 pontos do líder Atlético Mineiro. Na 21ª rodada, depois de perder feio para o Avaí por 3 a 0 e cair para o décimo lugar, trombetas do apocalipse temiam até rebaixamento e novo troca de comando, quando estava a 11 pontos do líder Palmeiras (a maior diferença de pontos na campanha). 

Na 28ª rodada, o time subira na tabela. Era o sexto. Mas a 10 pontos do líder Palmeiras. Precisaria tirar um ponto por rodada em média. 

Na 30ª, a vitória sobre o ainda líder Palmeiras no Palestra por 2 a 0 começou a virar o jogo. O Flamengo chegava à terceira posição e a diferença caiu para 4 pontos. A diferença voltaria a ser ampliada para 6 pontos faltando 6 rodadas. O Flamengo era apenas o sexto colocado. Na 34ª, o São Paulo tomava a ponta com Ricardo Gomes ultrapassado um Palmeiras de Muricy caindo pelas tabelas, e o Flamengo contava ao terceiro, a apenas dois pontos do novo líder. 

Na rodada seguinte, o Flamengo venceu o Náutico no Recife e o Palmeiras só empatou com o Sport no Palestra. O São Paulo se manteve na liderança em busca do tetra-hepta ao vencer o Vitória. O time de Andrade chegava à vice-liderança. De “ameaçado” na rodada 21 a candidato ao título a três jogos do final do BR-09. 

O empate rubro-negro com o Goiás foi compensado pela derrota no Rio do líder São Paulo contra o Botafogo. A diferença era só de um ponto. Diferença tirada na penúltima rodada na vitória contra o Corinthians, em Campinas. O São Paulo perdeu para o Goiás por 4 a 2 e caiu para o quarto lugar, com o Internacional assumindo a vice-liderança, e o Palmeiras, o terceiro lugar. 

O Flamengo enfim assumia a ponta, faltando apenas uma partida. 

Na última e emocionante rodada, quatro poderiam ser campeões. O Palmeiras perdeu para o Botafogo fora de casa e acabou em quinto, não pegando nem a Libertadores que caiu no colo do Cruzeiro, que venceu o Santos na Vila e acabou em quarto lugar. 

O São Paulo foi o terceiro, a dois pontos do campeão, depois de golear o Sport. O Internacional também goleou o Santo André e foi vice-campeão, com os mesmos 65 pontos do São Paulo, mas uma vitória a mais. 

O Flamengo venceu os reservas do Grêmio por 2 a 1 no Maracanã e foi hexa com dois pontos à frente de Inter e São Paulo. 

Tirou 11 pontos de desvantagem a foi um campeão emocionante. 

A diferença de seis pontos para o líder Palmeiras é a mesma de 2009. Então havia mais equipes lutando pelo título. Agora, porém, o time reserva de Felipão é melhor do que o titular de Muricy. O desempenho, incomparável. A tabela rubro-negra muito mais difícil. 

E o Palmeiras pode ser mais um a ter trocado de comando técnico e ter valido a pena. O que não tira os méritos do antecessor de Felipão na montagem da equipe.