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Blog do Mauro Beting

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O maior espetáculo da terra. Liverpool 4 x 0 Barcelona.

Mauro Beting

2007-05-20T19:20:54

07/05/2019 20h54

Já faz um tempo que acabou tudo e me arrepiei vendo Klopp como se fosse Shankly em frente à Kop orquestrando o YOU'LL NEVER WALK ALONE como organizou seu time (sem Salah e Firmino) contra o Barcelona (com Messi) em Anfield. Precisando os Reds ao menos fazer os 3 gols que a garra de Gerrard e o caos de Benítez fizeram em Istambul, em 14 minutos no segundo tempo, em 2005, contra um grande Milan. Gigante como esse imenso Barcelona 2018-19 até então invicto na Champions. Melhor ataque, melhor defesa, melhores passes, melhores atuações, o melhor de Messi.

Timaço campeão da Espanha favorito pelos 3 a 0 no Camp Nou em jogo em que o Liverpool não merecia perder de tanto. Mas Messi merecia ganhar daquele jeito. Contra possivelmente o vice mais campeão da Inglaterra, que no próximo domingo não deverá conseguir superar o Manchester City…

(Aguardemos cenas do próximo capítulo… Sei cada vez menos. E o Liverpool, cada vez mais).

Porque This is Anfield!

Porque a frase da camiseta de Salah é isso.

Depois do primeiro jogo eu dava 85% de chances para o time blaugrana. Sem Salah e Firmino pra volta, dividido pela corrida pela EPL, eu dava só 10% pro Liverpool…

Estes Reds que não se abatem, que perseguem o City de Guardiola como saíram atrás para buscar à frente contra o Barça na volta que parecia não ter fim. O final feliz e tocante que se ouviu em Liverpool como se fosse uma terna canção dos Fab Four. Dos Fab 11 de Anfield. Tão tocantes como os milhares que jogaram pelos 96 de Hillsborough em 1989.

Nas stands do Liverpool se viu Gerrard nervoso como se estivesse em campo. No YNWA final eu só vi depois de sair do ar na TNT que Kenny Dalglish estava abraçado com engravatados celebrando uma virada ainda maior que os 3 a 0 de Istambul. Estava emocionado o escocês que dá nome a uma das arquibancadas de Anfield. Craque, ídolo e treinador campeão. Mais um que, como Gerrard, empurrou o Liverpool à vitória, à goleada, à noite mais histórica do maravilhoso estádio de espírito vermelho.

Vitória heroica como o lance do quarto gol. O da classificação, aos 34 da segunda etapa, quando Alexander-Arnold (inexplicavelmente não escalado na Espanha) foi mais esperto que a Europa e bateu rápido o escanteio para Origi fechar o placar que abrira no primeiro ataque, aos 6. Jurei que era lance bolado por Klopp. AA disse que não. Foi instinto do jovem lateral de 11 assistências na Premier League para o centroavante que, de tão limitado, foi preterido pelo volante Wijnaldum na ida, no Camp Nou. Origi que só jogou na volta das semifinais da Champions porque na vitória contra o Newcastle, o belga fez de cabeça o gol dos 3 a 2, no sábado. Centroavante que só foi escolhido no lugar de Sturridge porque nem Klopp sabe. Origi que só entrou contra o Newcastle porque Salah se lesionou em choque com o goleiro no sábado, e foi sacado do time que também não teve Firmino contra o Barça. Por isso a escolha por Shaquiri na direita que também não foi tão bem.

O ponta suíço que se dirigia ao escanteio aos 34 finais quando Arnold estava deixando sua posição na cobrança e viu quase todo o Barcelona olhando pra baixo ou pro infinito (e pro além…). Só Origi estava dentro da área e atento. O time culé parecia tão macambúzio como ficara um ano antes. contra a Roma, no Olímpico. Quando um gol também de escanteio da direita pegou um Manolas livre à frente de Semedo para fazer o terceiro giallorosso, aos 37 finais. O gol da classificação romanista em 2018 que parecia impossível como a missão dos Reds na Inglaterra, em 2019.

Algo tão inesperado como Wijnaldum entrar no intervalo apenas pela contusão do ótimo lateral Robertson. Milner foi quebrar um galho na lateral, o volante holandês que tem boa dinâmica para entrar na área foi a campo também porque Keita não podia. E assim fez 2 a 0 aos 7, aproveitando passe errado de Rakitic – irreconhecível como Alba que falhou também no primeiro gol inglês.

Wijnaldum que faria o terceiro três minutos depois, de cabeça, em rara desatenção de Piqué. Um dos tantos que estavam no churrasco na chácara culé quando viram o escanteio genial de AA chegar a Origi.

4 a 0 Liverpool. Foi demais pelo que foi o jogo. Como o 3 a 0 na Espanha foi demais pelo equilíbrio de chances na ida. Foram 6 para cada lado em Barcelona, e foi 3 a 0 para o dono da casa. Foram 9 x 8 para o Liverpool, e foi 4 a 0 para o dono da festa espetacular.

Como foi excepcional a partida de Alisson. Cinco defesas difíceis. O mesmo Alisson que era da Roma em 2018 e, então, não precisou trabalhar tanto contra Messi e bela companhia. Desta vez, não. Ele foi dos melhores em Anfield. Como só no Brasil não se quer enxergar a qualidade de grande goleiro que é.

Foi um dos tantos monstros em campo. Um dos que como a torcida ajudou a conter Messi. Como Fabinho foi imperial. Como Matip e Van Dyke (que não estava 100%) impediram que os exs Suárez e Coutinho se sentissem em casa. Foi feliz como Klopp nas mexidas que, desta vez, Valverde não conseguiu dar jeito.

Acontece. É do futebol. Como tantas noites são inesquecíveis como essa. Como tantas vezes o Liverpool subverte até a falta de lógica.

Mas poucas tão sensacionais.

É tão estudado o jogo que a gente acha que até o improviso é treinado. É o que eu pensava no escanteio de AA que ele admitiu que foi instinto e sagacidade. Não foi preparo genial de Klopp. Foi visão de um garoto que fintou um escanteio e fez história como gente grande. Como lateral dos Reds.

Foi uma molecagem sadia que desmontou o melhor time da Champions. O do genial Messi que jogou em modo albiceleste e não foi bem.

Mas foi, antes de tudo, e foi tudo depois também, uma imensa vitória do futebol.

O que aceita todos os vencedores.

Mas alguns um pouco mais.

Obrigado, Klopp, por sempre mostrar seus dentes de alegria. Não de raiva. É possível ser feliz sendo realmente feliz. Jogando aberto como seu sorriso.

Melhor marketing não pro seu dentista. Mas pro nosso futebol.

Obrigado, Liverpool e Barcelona, por fazer do meu trabalho uma diversão.

 

 

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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