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Blog do Mauro Beting

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Luxemburgo e a excrescência de chamar alguém de ex-profissional em atividade

Mauro Beting

21/10/2019 09h44

O Vasco não pode celebrar a 11ª posição na classificação. Não é camisa, clube, tradição, história, luta e força para brigar apenas para chegar à primeira página da tabela. Mas deve celebrar o alívio de se manter no pelotão de elite da Série A. É mais ou menos o que dá pra fazer com o elenco que tem. Com a direção que não tem há péssimos anos.

Vasco é para celebrar os jovens talentos de Marrony (autor do gol da vitória contra o Inter que não perdia no BR-19 no Beira Rio) e Talles Magno (ainda mais talentoso e ausente por servir o Sub-17 do Brasil). E também louvar no que pode o velho – porém não envelhecido – talento de Luxemburgo para treinar.

Ele se perdeu nos últimos anos em trabalhos abaixo do seu potencial absurdo e vencedor. Também por declarações infelizes a respeito do futebol de hoje e algumas comparações descabidas e desnecessárias. Mas algumas vezes do mesmo baixo nível dos detratores dele. Pessoas que estavam em alguma tundra congelada e não viram tudo que ele fez de 1988 a pelo menos 2011. Ou se apegam em outras questões para desmerecer quem tanto fez. E bastaria isso para ser mais respeitado e mesmo admirado.

Luxemburgo pareceu esquecer muito do muito que já fez. Mas outros que pouco fizeram parece que nunca o viram. Ou não aprenderam futebol. Ou nunca viram o trabalho dele.

O treinador que eu vi que mais fez grandes equipes jogarem grande futebol no Brasil se perdeu na arrogância muitas vezes. Mas ainda assim ganhou mais do que muitos detratores que se perdem pela mesma prepotência plenipotenciária que arrotam e arrogam contra ele.

Luxemburgo botou o Vasco novamente no caminho. Ainda falta muito. Para ele e para os que vivem aposentando profissionais no Brasil. Essa praga pragmática que assola e entra de sola nas carreiras. A turma que acha graça na mais odiosa e desgraçada expressão mal parida na imprensa esportiva: a do "ex-profissional em atividade".

Uma excrescência humana e profissional.

(Dos mesmos produtores que diziam que Telê Santana era pé-frio é ultrapassado quando assumiu o São Paulo em 1990).

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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