Blog do Mauro Beting

Jogaço, mas ruim pros dois. São Paulo 2 x 2 Flamengo.
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Mauro Beting

Tem jogo que é “movimentado” como diz locutor de TV pra não perder Ibope – mas não é bom. No máximo é emocionante. Mas não é bem jogado. Tem “espetáculo pirotécnico” de gols como Palmeiras 6 x 7 Santos, há 60 anos, que também foi tudo aquilo por frangos e falhas. Palmeiras 3 x 2 Santos também teve muito disso no sábado e nem tanto futebol entre as duas melhores equipes do returno. 

E tem jogo maluco, emocionante, de trocação, “briga de rua” como fala nossoS André Rocha do UOL, mas também de lances de bom nível técnico como foi São Paulo 2 x 2 Flamengo. O empate dá ainda mais chances ao favorito Palmeiras de ser campeão brasileiro. Mas o clássico mais legal e bem jogado e ousado foi o do Morumbi. 

O que não tira o mérito do líder. E nem coloca mais pilha e energia em Flamengo e São Paulo que tentaram vencer como precisavam. E saíram do Morumbi com a frustração do placar. Não do desempenho. 

Queremos mais jogos assim. É possível jogar melhor no Brasil. É necessário jogar mais brasileiro no país. Com a bola, com espírito ofensivo no ataque – e não ofensivo à tradição do “jogo bonito”, a melhor tradução do nosso jogo no mundo. 

Ou o que fez o imberbe Helinho, na sua primeira jogada como profissional, entrando no intervalo depois de um bom primeiro tempo em que o São Paulo atacou e fez 1 a 0 com Diego Souza, e na sequência o Flamengo empatou com Uribe, e o jogo seguiu lá e acolá. Até Aguirre ser feliz na mexida mais ousada, abrindo mais o time e apostando no talento do canhoto que passou por dois e mandou a bomba sem chance a César. 

Não lembro de estreia assim com tamanho golaço no primeiro chute de marmanjo. 

Depois não lembro de mais jogadas perigosas dele. Claro que não por culpa do estreante. Mas também por responsa de Aguirre que tirou Carneiro que estava bem e colocou Edimar para Edimar pela esquerda. O Flamengo cresceu com as boas entradas de Diego, Geuvânio e depois Rodrinei, aos 35. Quando o Tricolor só havia chegado bem com o ótimo Luan. Mas o volante saiu lesionado e o São Paulo saiu ainda menos ao ataque. 

Também porque o Flamengo foi empurrando o dono da casa pra própria casinha até empatar aos 35, justamente com Rodinei, em ótimo e solitário lance de Vitinho. O que perderia gol inexplicável aos 45, isolando a bola como Paquetá contra o Palmeiras, no sábado anterior. Ou como Uribe no primeiro tempo, depois de defesa impressionante de Sidão em tiro à queima-luvas de Renê. 

Castigo dolorido para o Flamengo que tem mais time, criou mais chances, mas não soube mais uma vez aproveitar. Perde gols e pontos com a facilidade com que cria oportunidades. Mais ou menos como Sidão também cria do nada lances para os rivais e ainda assim faz boas defesas e até milagres. 

A situação de Flamengo e São Paulo não depende de milagres para o hepta. Mas esta muito difícil. Porque o Palmeiras tem errado pouco. Ou feito as chances que os rivais desperdiçam. 

Embora tenham jogado e bem para vencer, não era jogo para empate no Morumbi. 


Pro Bacharel e pro Dracena. Palmeiras 3 x 2 Santos.
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Mauro Beting

Edu Dracena é um dos melhores zagueiros deste século no Brasil. Um dos maiores vencedores em qualquer tempo no país. Um dos profissionais mais sérios e respeitáveis que conheci em 28 anos como jornalista esportivo. 

Carreira que abracei em junho de 1990. Dois meses depois da partida de Vagner Bacharel, um dos meus maiores ídolos nos anos de chumbo e ferro do Palmeiras sem títulos. Grande zagueiro de excelente dupla com Luís Pereira em 1983-84, e capitão até 1987.

Aos 39 minutos no Allianz Parque chuvoso estava 1 x 0 merecidamente para o líder do BR-18 em jogo tecnicamente abaixo da média – ou na média do futebol dos últimos anos; escanteio pela direita para Dudu cobrar. Em 1983, quando a bola saía pra escanteio como saiu neste sábado, o palmeirense chegava a celebrar a cobrança de corner de Jorginho Putinatti ou para Luís Pereira ou para o Bacharel – quando não pros dois. Era um lance tão forte como seria no BR-16 com Mina e Vítor Hugo no Porco Louco campeão do mesmo Cuca que recuperou o Santos no returno de 2018. Tão eficiente como tem sido o time de Felipão no futebol brasileiro tão sofrido e muitas vezes sofrível.

Quando Dudu bateu pro meio da área, aos 39, lá subiu Edu Dracena. O zagueiro pela esquerda de verde. A mesma posição de Vagner, de 1983 a 1987. Com a mesma eficiência e caráter de Bacharel. Com a mesma capacidade de cabeceio. A testada sem defesa. O primeiro gol de Edu em 107 jogos pelo Palmeiras. Justo contra o Santos onde tanto venceu na carreira vitoriosa. Lei do Ex implacável.

No Camarote Fanzone, no terceiro andar do Allianz Parque, atrás daquela meta do Gol Norte, Renata chorou. Era o primeiro jogo dela em estádio desde a morte do marido, em 1990. A foto acima é da filha Tayane. Mãe da Mayara que nasceu no mesmo 11 de dezembro do avô Vagner. A menina mora no Rio de Janeiro. Mas é Palmeiras como o tio Júnior. Que tem a voz do pai. Corpo de atleta. E o mesmo coração verde que, segundo ele, não escolheu o Palmeiras. “O Palmeiras me escolheu.”  

A família de Bacharel veio ao estádio para ver o gol do quartozagueiro (como se dizia então) como o pai. Depois da neta entrar em campo de mãos dadas com Dudu, que marcou o primeiro gol, aos 13, de um ótimo primeiro tempo alviverde (que tinha como ser melhor), contra um Santos irreconhecível (que não tinha como ser pior). De um clássico de muitos gols, mais gols mesmo do que futebol entre o líder e o vice do returno.

Na segunda etapa, em 10 minutos depois de um Palmeiras mais perigoso é melhor, o Santos empatou depois das boas mexidas de Cuca, com Copete marcando o primeiro numa rara falha do mesmo Dracena, aos 9, e Dodô empatando em outra infelicidade da zaga, aos 19. 

O Palmeiras sentiu o crescimento santista. Felipão mandou Thiago Santos de novo para a lateral-direita, Felipe Melo trancando a área, adiantou Jean, e parecia que o empate, embora frustrante, era o possível para o desgaste do líder contra o vice do returno. 

Mas era noite de resgates alviverdes. Victor Luís que tanto merece elogios e chances chutou de longe uma falta no gramado molhado. Vanderlei que não merece críticas falhou e o Palmeiras desempatou aos 26, quando mais crescia o Santos.

Na sequência a bola passou por toda a área alviverde e não entrou. Coisa de predestinado. De líder. De ainda mais favorito. 

E, acredito, do Bacharel lá de cima tirando da meta do Weverton. 

A mulher Renata não merecia ver o empate do rival. Dracena merecia a vitória com gol dele antes da falha. A netinha de Vagner tinha que sair do Allianz Parque como pé quente. 

Porque o filho que foi escolhido pelo Palmeiras tinha de ser acolhido com mais um jogo inesquecível contra o Santos. Como Júnior viu em 2015 na final da Copa do Brasil. Ou não viu quando viu que era Prass pra bater o pênalti decisivo. 

Júnior Antunes estava ajoelhado. Ele e milhões. E poucos mereceram tanto aquele título e esta vitória como ele e a família. 

Como poucos em 104 anos de Palestra mereciam tanto ser campeões como o capitão Bacharel. Campeão sem faixa.

Como falou o Junior, na véspera, de Finados, em vídeo para O Nosso Palestra : ''hoje é dia de saudar os que amamos para que eles venham nos visitar por alguns instantes''.

E o velho veio na noite seguinte, Júnior. Como um sonho, Bacharel Subiu junto com o Edu e indicou o gol que tanto mereceu o Dracena.

E todos nós.


Gum e a camisa
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Mauro Beting

Como se ele não fosse zagueiro bicampeão brasileiro. E é. Como se não fosse um torcedor em campo. E é. Como se tivesse aprendido a amar esse pavilhão desde menino mesmo sendo Fluminense de adulto e profissional.

Ou melhor: amador. Ama o que faz como se pudesse pagar pelo que fez.

Não é craque. Mas é ídolo. Não por carência de títulos. Mas por sobra de vontade de ser mais um que joga mais do que sabe.

Gum é mais um daqueles poucos que se identificam tanto com um clube onde passou mais de 400 jogos que parece mesmo da casa. Ele não era mas virou Fluminense. E merece ainda mais apoio e respeito por isso. O neoconvertido tem um valor inestimável. Ele escolheu ser Flu porque o Flu o escolheu. Ele não quis sair porque resolveu mesmo ficar na casa que o acolheu como filho, irmão e agora pai de família.

Não é Pinheiro, Abel, Ricardo Gomes, Thiago Silva. Não mesmo. Mas tem o suor que faz seu o uniforme que não se vê outro sobre o corpo. Muito menos a alma.

Eu quero zagueiros melhores do que ele no meu time. Mas eu desejo gente como ele defendendo minhas cores.

Todo o respeito do mundo da bola, Gum.


Só vitória, e só um pode empatar no BR-18
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Mauro Beting

É o jogo que o Flamengo só pode ganhar do São Paulo, no Morumbi, para buscar o hepta. É o clássico que o São Paulo só pode vencer o Flamengo em casa para ainda sonhar com o hepta. 

É o clássico no Allianz Parque que o desgatado Palmeiras não pode perder para não ter pesadelo com a perda do deca ainda provável. É a partida que o Santos só pode vencer para coroar a grande ascensão rumo a mais uma Libertadores. 

É o jogo no Beira-Rio que o Inter só pode ganhar. E nos próximos, também. 

Nos duelos, o Palmeiras é quem mais pode empatar. Até perder. Mas é claro que se acontecer, e pode mesmo por aquilo que tem feito o Santos, e por aquilo que o desgaste tem desfeito nos times de Felipão, ainda tem o líder credito acumulado e tabela menos complicada para buscar o título. 

É só não jogar por aquilo que o Palmeiras exagerou na Bombonera que pode manter o Verdão como maior favorito. Ainda que a lamentável perda de Willian traga prejuízos. Quem mais jogou e mais se joga pelo time deve perder quatro rodadas. E perde muito o time sem ele. 

Diferente do Santos que se reencontrou e segue bem. Como se esperava desde o início do ano. Como não se esperava tanto com a chegada de Sánchez. 

No Morumbi, os que mais pintaram como campeões antes e logo depois da Copa têm o jogo para virar a história, ou a revirar sem ser a cara. Dando alma e coração. O São Paulo perderá ainda mais sem Rojas o que já não tem muito para recompor. O Flamengo ainda tem o alento e o elenco da boa chegada do ex-tricolor Dorival Júnior para ir buscar. Mas tem de saber definir jogos como não sabia antes de chegada dele. Como não conseguiu no segundo tempo no Maracanã contra o atual líder e que não perde a ponta independente dos resultados. Mas que pode perder ainda mais o pique. 

Rodada para o Internacional esquecer as polêmicas arbitragens e encarar o bom e também desgastado Atlético Paranaense em outro jogo para se definir como real candidato ao tetra. Situação que passa muito pelo jogo que também só pode vencer. 

São pontos corridos.  No momento, não tão corridos pelo desgaste. Mas já é também mata-mata no mais emocionante campeonato nacional do mundo. Mas longe de ser o melhor pelo nível técnico mais do que discutível. 


Não deu. Palmeiras 2 x 2 Boca Juniors
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Mauro Beting

 

Não deu. 

E não foi soberba e nem confiança excessiva. Foram parafusos soltos que deixaram o líder do BR-18 pelo doloroso caminho da reconquista da América.  

O pior tempo do Palmeiras em um jogo decisivo de Libertadores. E um parafuso caindo de cada cabeça além dos usuais de Deyverson depois do gol bem anulado de Bruno Henrique pelo VAR, no impedimento de Deyverson na origem do lance. 

Eram 9 minutos. A torcida que fez belíssima festa antes e até esse gol murchou. O time caiu de produção, e mais uma bolha de bola do Boca em cinco minutos daria no gol aos 17, depois de duas chegadas perigosas negadas por Weverton na primeira (aos 12) e na finalização errada na segunda aos (aos 14). 

Em cinco minutos, o Palmeiras foi dragado. Aos 9, depois do gol a princípio confirmado pela arbitragem, faltava só um gol. Aos 17, faltavam 4. E pareceram faltar os 11 de verde. Lucas Lima mais uma vez em outro planeta. Dudu e  Willian sentindo demais o desgaste. A arriscada aposta no combo Deyverson sendo infeliz. Bruno Henrique marcando o gol bem anulado mas sentindo lesão que o levaria a ser sacado. 

E a zaga fazendo sua pior partida. Diogo muito mal, Luan e Gómez errando bastante. E Felipe Melo amarelado em lance desnecessário aos 26, que acabaria depois sendo fatal na segunda etapa. 

Quando o Palmeiras resolveu jogar. Aos 2, Lucas Lima poderia ter empatado o placar que Luan igualou, aos 7. O pênalti sofrido por Dudu aos 15 deu na cobrança do outro zagueiro. A virada de Gómez quase virou epopeia aos 17, logo depois da entrada de Borja. Mas um minuto antes o maledetto do Palestra (Benedetto) entrara. Mais 8 minutos ele passou como quis por um Felipe Melo tão desgastado quanto preocupado pelo segundo amarelo e empatou. 

Seriam necessários mais três gols paulistas. E mais nenhuma chance criou o Palmeiras estafado e desgastado além da conta contra um Boca que tem algo a mais quando joga Libertadores. 

Algo a mais que fará final histórica pela América contra o River Plate, no maior clássico sul-americano. 

Não deu. Mas ainda pode e deve dar Palmeiras no BR-18. Desde que animicamente o time se recupere. E o elenco ganhe descanso para o duro jogo contra o Santos. 


Dá, Palmeiras
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Mauro Beting

Dá.

Aliás, já deu. Não no sentido de que “acabou”. Mas no de que é possível. É Palmeiras. É o Allianz Parque. Estádio que só quem não o conhece, não conhece o palmeirense, e também não conhece o futebol não teme e não treme. 

Dá. 

Porque ninguém no Palmeiras acha que vai dar. Não é futuro do pretérito nem pretérito imperfeito. É hoje pra ser amanhã. É agora pra ser eterno. 

Dá. Porque torcer é doar. Amor incondicional que não pede recibo, não  cobra prestação e nem exige recíproca. E aqui ninguém se diz maior. Não se tem o monopólio da virtude, da verdade, da fidelidade, da loucura. 

Aqui se ama como família. Divergimos. Divertimos. Mas somos 11 em campo como qualquer clube. Mas não somos os ungidos. Os fiéis acima Dele e dos fatos. Os campeões que voltaram. A nação que acredita. 

Temos espírito de porco e alma de periquito para calar o Boca e quem torce o nariz e distorce nossa origem, nosso nome, nosso jogo, nossas vitórias, nossas conquistas. 

Vai ser difícil. Mas não estamos perdidos. Já jogamos partidas piores. Já ganhamos jogos mais difíceis. Não é até o apito final. É antes dele. Talvez depois, nos pênaltis. 

A lógica diz que o hexa da América vai buscar o hepta. Mas futebol é algo além dela. E a lógica não combina com o que o torcedor sente. Nem com o que esse time pode jogar. 

Dá. No presente que é Palmeiras, pelo passado de Palestra, e pelo futuro que hoje faremos ainda mais Palmeiras. 

O Boca hoje tem menos time. Mas tem vantagem histórica e regulamentar. Cinco minutos na Bombonera foram suficientes. O Palmeiras terá 90 e (minha aposta) os tiros livres da marca penal para refazer a história. 

Por isso Lucas Lima, para criar os espaços que o esgotado Moisés não tem conseguido, é melhor alternativa. Já Deyverson… Tem jogado mais do que Borja. Mas é uma emoção a cada instante. Será marcado a ferro e atiçado a fogo pelo Boca, além de vigiado pelo apito. 

Melhor seria o artilheiro da atual Libertadores e campeão dela em 2016. Borja é mais confiável. Como têm sido Luan e Gómez. Que precisam ser o que foram por 85 minutos na Argentina e em quase todos que atuaram muito bem juntos no BR-18. 

O Boca virá com Villa mais atrás pela direita para puxar o contragolpe no 4-3-3 reconvertido ao 4-1-4-1. O resto do time é o mesmo. Se repetir o desempenho, pode ser vencido pelo Palmeiras. Como o River (mais equipe) encarou e foi melhor do que o Grêmio. 

A decisão segue aberta. Mais pra Boca que pra Palmeiras. Mais pro coração do que pra cabeça. 


Heroico e histórico. Grêmio 1 x 2 River Plate.
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Mauro Beting

Até 36min28s do segundo tempo não havia como imaginar o que o River conseguiu como poucas vezes em sua história em pouco mais de 5 minutos. Como raras vezes o Grêmio foi batido em 115 anos. 

O campeão da América começou com a mesmo ideia de time da grande vitória na Argentina. Michel na frente dos zagueiros, Maicon e Cícero por dentro numa linha de quatro, Jael recuado demais. Mas sem a mesma concentração. Com menos de 2 minutos quase levou o gol que levaria tudo aos pênaltis, na desatenção do lado esquerdo (com Geromel por ali, e Paulo Miranda à direita) que deixou Borré isolado para não finalizar e nem cruzar a primeira chance na Arena. 

Aos poucos o jogo foi ficando igual como em Núñez. Mas com a grande vantagem gaúcha ditando o ritmo e as ideias tricolores. O River começou a arriscar de longe, sobretudo Palácios. O Grêmio respondeu do mesmo jeito, quase sempre com Alisson, a única opção de velocidade de Renato para a transição mais rápida.  

Aos 15, a Arena já estava quieta pela dificuldade do time da casa se impor como tal, e pela boa qualidade platina. Jogo perigosíssimo para o Grêmio. Mas parece que essa camisa gosta mesmo disso. Ser desafiada pelos rivais e pelos fatos. E sair dos problemas como se sobressai na história. 

Aos 23, Ponzio saiu lesionado. Enzo Pérez foi ao jogo.  E o River seguiu em cima. O excelente Palácios, de apenas 20 de idade que parece ter 20 só de Libertadores, mandou a segunda raspando a trave, aos 27. 

Até que o Grêmio passou a jogar um tanto mais. Sair mais. E, de novo na bola parada, depois de escanteio rebatido e Alisson, a aposta de Renato (Leonardo) pegou de fora da área a bola que bateu em Pratto e tirou o ótimo Armani do lance. 

1 a 0, aos 35. Gol de time predestinado. Copeiro. Preciso. Afortunado. 

O River teria de virar o jogo e história. 

A bola entrou e a chuva apertou em Porto Alegre. Mas o River manteve a toada. Ficou com quase 70% da bola até o final do primeiro tempo de felicidade extrema tricolor, também por outro tiro raspando a trave de Grohe, e Paulo Miranda e Geromel espanando tudo. 

Na volta do intervalo, o Grêmio passou  a jogar também, não ficando tão atrás. Ainda mais com Everton de volta de lesão, aos 11, no lugar de Maicon. Ele foi à esquerda, Alisson foi puxar os ataques pela direita, e Ramiro foi centralizado para dar um pé a Michel. O River foi perdendo a força ofensiva e criativa. O suspenso Gallardo apostou em Martínez para criar. Mas era o dono da casa e do placar e da vantagem de dois gols que era mais perigoso na etapa final. E teve a bola da classificação aos pés de Cebolinha, aos 21, depois de lindo lançamento de Cícero. Talvez por não jogar desde 6 de outubro, o selecionável perdeu o ritmo e o gol que Armani bem defendeu. 

O Grêmio estava enfim melhor (mesmo sem o craque do tri, o também lesionado Luan). Equilibrara a partida. Parecia ter tudo dominado e controlado. Até que tudo começou a dar errado quando não parecia. São esses jogos que usualmente o Grêmio vai buscar o placar. Não o contrário. São partidas como essa que o River perde, a ponto de em 1966 ter “ganhado” a alcunha de gallinas por perder uma final que não tinha como ser virada pelo Peñarol. 

Aos 25, Paulo Miranda, em ótima partida, sentiu câimbra nas duas pernas. Bressan teve de entrar. E o desafortunado zagueiro teve de de ir pro jogo. Antes de tocar na bola já levou um amarelo injusto por uma provocação de Pinola. Não mereceu. E o gremista, a partir daí, menos ainda. 

Cantou e empurrou o time à frente contra um River que pouco fazia e, quando chegava, parava nas defesas e coragem de Grohe. 

Até que…

Ramiro cometeu falta evitável em Pratto, quando o River era dois no meio e quatro atacantes (com a entrada do ex-colorado Scocco). No bumba meu chorizo, Martínez levantou na área, a zaga que tudo tirava subiu mal, Michel não alcançou, Jael deixou Borré escapar e desviar de cabeça a bola que ainda bateu (sem intenção) em seu braço, e não teve como Grohe repetir os milagres de 2017. 

36min28s. 1 a 1. 

Ainda dava Grêmio. Mas já não passava a mesma segurança usual. 

A Arena calou. O tricampeão da América sentiu a pressão de fato pela primeira vez. A torcida do River atrás da meta de Armani acordou. 

Renato resolveu reforçar o meio com Thaciano no lugar do limitadíssimo Jael – que sentiu lesão no momento que cabeceou errado uma saída pro contragolpe. 

39min32s. Scocco recebeu na entrada da área e girou de sem pulo a bola que desviou em Bressan para escanteio. Os jogadores argentinos pediram escanteio que a arbitragem demorou a marcar. 

40min40s. Antes de cobrar o escanteio, o árbitro foi até o meio-campo observar a lesão de Jael. O Grêmio enrolou até a entrada de Thaciano. 

40min50s. Na narração de Gustavo Villani no SporTV, com Martínez pronto para bater o escanteio, ele diz: “opa”!  O árbitro foi alertado pelo VAR de possível irregularidade no lance que provavelmente não teria sido vista não fosse a lesão de Jael. O escanteio seria batido e não teria mais como voltar atrás. 

Esses mais de um minuto e 10s de parada acabaram sendo fundamentais. 

41min00s. O árbitro Andrés Cunha chegou ao aparelho de VAR. 

41min56s. Ele marcou o pênalti e deu o segundo amarelo para Bressan. Expulso. 

E foi mesmo pênalti. O azarado zagueiro tricolor abriu o braço esquerdo de modo não natural. A bola bateu na mão dele. 

Em pouco mais de 5 minutos o River Plate virou o jogo como o rival Boca Juniors fizera na Bombonera contra o Palmeiras. 

49min46s. Martínez bateu bem de canhota, no alto da meta de Grohe. 

Teria jogo até 59min14s. Mas desde o gol de pênalti parecia que não teria mais Grêmio. 

Ganhou historicamente o River. 

E mereceu. O Grêmio foi grande. Mas os millonarios foram melhores. 


Grêmio com o coração e a cabeça
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Mauro Beting

A enorme vitória em Núñez e a grande vantagem trazida de Buenos Aires parecem estar no banco tricolor rendendo juros. O Grêmio sabe que tem esse crédito. Mas não pretende abusar. Vai usar só se for necessário. Vai suar como é preciso sem abusar da senhora vantagem.

Com esse pensamento e o regulamento nas chuteiras, o time de Renato é mais favorito do que se imaginava antes de a bola rolar em Buenos Aires. O River é ótimo. Mas o Grêmio venceu. E está pronto para lutar pelo tetra. É isso: pra lutar. Não para se sentir o favorito. Apenas ser o Grêmio que merece todo o respeito da América.

Esse crédito em banco tem liquidez com o retorno de Everton. Mas pra ficar ao lado de Renato. Quem sabe mesmo se ele pode ou deve jogar é a comissão técnica. Mas não parece o caso de já começar com ele. Pelos 27 dias fora. E pela vantagem real. Melhor deixar o Cebolinha a mão. Mas não como pé e pau pra toda obra desde o início.

Hoje é dia de coração e também cabeça na Arena.


Tem jogo
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Mauro Beting

17 minutos do segundo tempo. Gol deles! NÃÃÃÃO! Penalidade máxima discutível. Mas tinha de ser mesmo na bola parada – não de cabeça. Uma bomba no canto direito. De direita. Indefensável. Vitória justa de quem melhor se preparou para o cotejo. 

A torcida lamenta…

  • Nossa defesa vacilou de novo…
  • Nosso craque tá muito preso, já deu o que tinha de dar. 
  • Culpa dele e dos nossos cartolas despreparados que insistem na mesma estratégia há tempos! Falei pra gente bolar antes uma alternativa…
  • Já foi. Agora tem de bater palmas pros caras. Jogaram melhor do que a gente. Foram mais eficientes. Estão muito melhor armados. 
  • Até demais…
  • Perdemos o jogo. Culpa nossa. Eles têm os seus méritos. A estratégia foi pragmática. Mas nos perdemos. Quem se acha se perde! Não vimos nossos defeitos, nos achamos invencíveis, o time do povo, campeão da virtude, o que nasceu ungido e sabedor de tudo. Camisa não ganha mais jogo. Não basta mais ter estrela. Torcida faz diferença. Mas não aproveitamos nossa base. Precisamos voltar a ela.
  • Cara, tem mais jogo pela frente. 
  • Aí é que a gente precisa demais torcer. Espero que a turma do apito seja justa. Devemos acreditar sempre não só no nosso time, mas também no campeonato. Lutar pela manutenção da regra do jogo. Precisa ter jogo. Disputa. Sempre! E respeitar esse jogo e os outros jogadores. Reconhecer a derrota e também os vencedores. 
  • Sim. E fazer a autocrítica que demoramos demais. Fizemos muitos gols contra. Jogadas irregulares. Quase tudo que conquistamos – e ninguém havia ganhando mais – acabamos nos perdemos. 
  • Nós perdemos. E acabamos perdendo. Fazendo nossa torcida perder o jogo. E até a confiança no nosso time. 
  • Mas não podemos perder a esperança. Temos como virar isso aí. 
  • Problema é que os caras agora jogam em casa. Sabem jogar fora. Espero que sigam jogando sem impedimentos, sem lances irregulares. 
  • Como os que o nosso time também fez…
  • Sim.  Também. Por isso nos perdermos e perdemos. 
  • Mas tem jogo. 
  • Tem. Precisa ter sempre. 
  • É preciso saber perder. 
  • É preciso saber ganhar. 
  • É preciso jogar. 
  • Respeitando a regra do jogo. 
  • Respeitando o juiz. 
  • Respeitando a torcida. 
  • Respeitando. 

Monstros
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Mauro Beting

O #pes2019 na camisa é o game que eu comento com o @miltonleite. O @jrdanielaugusto é meu amigo e só não tirou as fotos do meu casamento porque tinha jogo do Corinthians dele na final do SP-13. O Timão não é o meu. Vocês sabem. O meu jogou na mesma hora também debaixo de chuva e voltou do Maracanã com mais um título bem encaminhado. Mas uma foto de um craque e de um cara como o Daniel, e de um cara e de um campeão como @20_danilo, que fez o que fez contra o Bahia, fazendo os primeiros gols depois de quase perder a perna, mostrando que vale a pena ganhar a vida respeitando e usando qualquer camisa, mostra que não tem credo e nem cor para dar um voto de confiança. Tem quer ter inspiração e transpiração. Para olhar pra cima e agradecer caras que como esses dois nunca olham as pessoas de cima pra baixo. Olham igual. Por isso são tão vencedores. Eles só têm um “defeito”. Não vieram pro lado verde da força.