Blog do Mauro Beting

Cabuloso campeão. Corinthians 1 x 2 Cruzeiro.
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Mauro Beting

Apenas quatro vezes um campeão da Copa do Brasil desde 1989 venceu os dois jogos finais como fez o Cruzeiro. Apenas o Cruzeiro foi bicampeão do torneio. Só o Cruzeiro é hexa. 

E vencendo fora de casa Atlético Paranaense, Santos, Palmeiras e Corinthians. E dando quase nenhuma chance ao rival na decisão do título. No Mineirão, foram sete oportunidades celestes e nenhuma paulista na ida. Na volta, o Cruzeiro teve cinco. O Corinthians cabeceou para fora uma bola com Henrique na única falha do monstruoso Dedé, aos 35 minutos. Ganhou um pênalti do VAR aos 9, bem convertido por Jadson e, aos 24, Pedrinho (que entrou tarde demais) marcou um belo gol em lance que seria anulado por VAR em falta discutível (que eu marcaria) de Jadson em Dedé. 

A rigor, foi uma chance mandada para fora (como Jonatas mandou duas cabeçadas pra fora da grande área), e dois lances criados e/ou anulados pelo atrapalhado VAR. 

Em 180 minutos medíocres, o vice jogou como está atuando muito mal no BR-18. E o que é pior: com seu treinador enaltecendo a posse de bola estéril (de mais de 70% inútil) e apostando em escalação não treinada. Passando mesmo essa impressão pela partida pavorosa de Jonatas (que pisou na bola já no primeiro lance), mais uma sofrível de Romero, atuações destemperadas de Gabriel e Ralf, pouco inspirada de Jadson que tinha de correr demais, e, acredite, o único acerto mesmo em campo e no banco foi a partida interessante e corrida de Emerson, que até ajudar Fagner conseguiu. 

Mas nem o Sheik da Libertadores-12 daria jeito nesse Corinthians. Ainda mais contra esse Cruzeiro que tem Dedé imenso como se não tivesse sofrido o que passou na carreira. Tem esse Fábio de 799 jogos como se fosse o último e ninguém passa. Tem Henrique erguendo a Copa como sustenta esse time. Tem Thiago Neves desequilibrando os jogos decisivos. Tem Robinho equilibrando a equipe e fazendo o primeiro gol depois de grande lance de Barcos na bola tomada por Rafinha no desatino de Leo Santos. Tem o destino de Arrascaeta para fazer os gols decisivos do bi no Rio-17 e em São Paulo-18 como se não tivesse passado mais de 25 horas vindo do Japão. Tem Mano tricampeão da competição (e também um tanto campeão pelo Flamengo em 2013). 

Tem tanta estrela e caneco esse Cruzeiro que só este texto da final não conta tudo. Mesmo que o VAR que o esbulhou na Bombonera tenha o prejudicado no pênalti inexistente em Ralf, mesmo que haja polêmica no lance do golaço cancelado de Pedrinho, não há polêmica quando se ganham todas as partidas fora. Quando pela primeira vez se mantém o título da Copa da Raposa. 

Quando tudo isso veste azul. Quando há nova acepção pro termo cabuloso. E outra ainda mais nova, embora valha desde 1966, e portanto já seja velha: é campeão.

É Cruzeiro. 


Mira e anda. Brasil 1 x 0 Argentina.
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Mauro Beting

Nestes tempos bicudos, pessoal de shopping center diz que só a família Miranda frequenta os estabelecimentos: eles ''miram e andam''. Em mau espanhol e péssimo negócio, eles olham e andam. E não compram nada.

Mais ou menos o que foi o modorrento Brasil x Argentina na brasa de Jedah, que queima no calor e na humidade até atletas mais do que jogadores preparados.

O superclássico das Américas foi um pouco melhor e pouca coisa mais emocionante que o ainda mais amistoso jogo contra a Arábia Saudita. Terminou do mesmo jeito: um escanteio batido no final por Neymar para um desvio de cabeça de um zagueiro. Contra os donos da casa foi o lateral Alex Sandro. Contra os hermanos foi Miranda, aos 47. Depois de se livrar de Otamendi e subir livre. Como ele havia recebido na primeira etapa um cruzamento de canhota de Casemiro e só não abriu o placar na única chance brasileira porque Otamendi salvou sobre a linha. 

Foi só o que o Brasil produziu na primeira etapa sonolenta. Um tanto melhor a partir dos 25 finais. Quando Richarlison substituiu Gabriel Jesus que estava torto pela direita no 4-1-4-1. Quando o Brasil criava ainda menos pelo esquema espelhado por

Scaloni e bem por executado pela Argentina que foi um pouco melhor ainda que longe do entrosamento, da experiência e da qualidade verde e amarela. 

Se era interessante no começo a movimentação e a troca de posições de Coutinho e Neymar, mas ao mesmo gelol pouco objetiva, depois só pegou mesmo o Brasil no tranco com o cansaço e os espaços dados pelos rivais. Arthur não acertou os muitos passes que sabe fazer. Coutinho foi muito discreto. E Neymar, fora as bolas paradas, pouco fez para um craque como ele. Poderia e deveria ter caído mais por dentro. Até mesmo para aproximar Gabriel do isolado Firmino (outro que se mexeu e produziu pouco). 

Na prática, foi um time previsível como o jogo arrastado e mais estudado do que bem jogado. 

Pouco pelo que pode ser o Brasil. Pouco pelo que ainda é a Argentina. 

Ainda assim fez mais do Dybala. Mas menos do que se espera. Dele e da Seleção. 


Eu tenho a bola. E daí?
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Mauro Beting

A Espanha ficou com 71% da bola nos seus quatro jogos na Copa-18. Não perdeu nenhum deles. Parou nos pênaltis. Mas o que de fato fez com a bola? Ainda mais depois de mandar 56 horas antes da estreia o seu treinador também invicto?

Nenhuma seleção ficou mais com a bola do que a Espanha. Também pela característica dos rivais (Rússia, Irã e Marrocos) e pelo resultado que precisou virar contra Portugal. Teve a bola. Não ideias. E nem resultados.

A Alemanha foi a segunda a ficar mais com a bola. 67% do tempo. Também porque sabe jogar assim. Gosta de jogar assim. E correu atrás do placar nos três jogos (México, Suécia e Coreia do Sul). Normal. Anormal foi perder tantos gols e cair assim feia já na primeira fase do Mundial.

A Argentina fez péssima Copa. Foi eliminada pela campeã, já nas oitavas. O time era uma zona. O treinador perdeu a mão. A equipe, o pé. E ainda assim, mais pelas necessidades que por escola ou escolha, ficou com 62% da bola contra Islândia, Croácia, Nigéria e França. Nada admirável.

No frigir das bolas: ter e não saber o que fazer com ela significa pouco.

A França só teve 48% de posse. Em 32 seleções, foi apenas a 19ª. E não teve equipe melhor na Copa.

Ter a bola não é pecado. É o melhor jeito para não perder. Não necessariamente para ganhar.


Corinthians ainda pode ser tudo em 2018
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Mauro Beting

Corinthians, Flamengo e algumas vezes o Grêmio parecem os únicos grandes brasileiros que conseguem ser campeões com menos equipes que os rivais. Foi assim no primeiro Brasileirão alvinegro (em 1990, em mata-mata), como no último (no hepta por pontos corridos, em 2017).

Quarta, em Itaquera, a quarta Copa do Brasil pode ser levantada contra o atual campeão, penta, e que pode ser o primeiro hexa e bi: o favorito Cruzeiro. Só não mais favorito porque joga fora (onde tem jogado bem o time de Mano). Mas também porque é Corinthians. Esse que consegue o que já obteve sem ter tanto time, elenco e bola.

E pode realizar outra façanha jogando tão pouco com Jair, Loss e mesmo nos dias finais de Carille.

Um golzão a mais e o bicampeão paulista já leva tudo pros pênaltis. Terá Fábio do outro lado, mas também tem Cássio. Outro empate técnico. Mas, para tanto, precisa fazer o que não faz há três jogos – gol. E precisa jogar o que não joga desde não sei quando. Mesmo quando venceu o Flamengo, na semifinal.

Depois, independente do resultado, precisa se recuperar no BR-18. Não está fácil. Tem jogado muito pouco. Mas ainda tem credito acumulado. E devedores muito piores do que ele.

Em 2012, quando o Palmeiras foi rebaixado, ele ganhou a Copa do Brasil em julho, nas só caiu no BR-12 em novembro. O Juventude, também campeão da Copa do Brasil em 1999, foi rebaixado para a Série B de 2000 pela média de pontos acumulados. Era outra a situação. E também foi definida a queda em novembro depois da conquista histórica em junho de 1999.

Alguns vices de Copa também se deram mal no Brasileiro da mesma temporada. O Grêmio de 1991 foi rebaixado no mesmo ano como penúltimo do BR-91, em torneios decididos quase ao mesmo tempo. O Vitória de 2010 foi o antepenúltimo e caiu. Em outro campeonato que só foi definido meses depois da final da Copa do Brasil (perdida para o Santos).

Desta vez, o tetra pode e deve animar o Corinthians na provável permanência. Um vice pode ter efeito mais devastador. Mas ainda contornável é administrável em 9 rodadas. Tem equipes piores. É o que conforta o corintiano.


Preciso. Palmeiras 2 x 0 Grêmio.
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Mauro Beting

O palmeirense quase sempre acha que tudo vai dar Darinta mesmo quando tudo parece Ademir da Guia. Só isso faz com que ele mantenha o pé no chão no BR-18 como o time de Felipão (qualquer que seja). Tudo dá tão certo pra ele como deu tudo Bressan (como naqueles 4 x 3 paulistas no BR-16) pro Grêmio de Renato. Tricolor que não sujou a camisa branca de Prass, nas apenas duas chances criadas: uma cabeçada pra fora de Pepê (única desatenção dos irrepreensíveis Luan e Gómez), aos 15, e uma falta perigosa batida pelo sumido tricolor Luan, aos 20 finais. 

Só. O Grêmio ficou com a bola depois de levar o gol contra de Bressan (no lugar do convocado Kannemann), aos 7. Mas desta vez não criou muito, ainda mais com incerta lentidão e muitos passes errados. Sofreu sem Everton e Ramiro (e pela discrição dos substitutos Pepê e Alisson pelos lados), nem tanto pela ausência dos laterais titulares Léo Moura e Cortez, e sem o goleiraço Marcelo Grohe. Eram seis titulares ausentes. Mas o Palmeiras também não tinha Weverton, Antonio Carlos, Edu Dracena, Felipe Melo e Borja (e Marcos Rocha e Victor Luís como opções). É a oitava vitória do time alternativo, que ainda conseguiu mais três empates. Impressionante.

Nunca uma equipe alternativa assumiu a ponta como o Palmeiras de Felipão. 

Também pela segurança e eficiência de um time que fez um gol na primeira chegada contra a ótima defesa tricolor, e praticamente não deu espaços até o final. Thiago Santos anulou Luan (ainda que errasse muitos passes), Willian ajudou demais a cercar Leonardo, e Bruno Henrique e Moisés foram tanto meias quanto volantes. 

Mas não foram mais do que Dudu. Mais uma vez. Ele não só fez sua melhor partida em 2018. Tem sido o melhor palmeirense. E nas últimas rodadas também é o melhor jogador de um campeonato cada vez mais palmeirense. Como Deyverson. O Menino Maluquinho que aproveitou a pixotada de Bressan e, mesmo se atrapalhando de início (como a arbitragem se enroscou o jogo todo em dois puxões na área sofridos pelos alviverdes Luan e Dudu), Deyverson fez o 2 a 0 justo, aos 33 finais. Talvez excessivo o placar para o Palmeiras que não criou tanto (cinco chances). Mas que não deixou um senhor rival criar praticamente nada (só duas). 

O Palmeiras pode até não ser campeão – também pela dupla jornada, pela ótima vitória do Inter, e pelo crescimento do Flamengo. Mas, como disse Renato, é quem melhor pinta. É um favorito que não se sente assim. Por isso pode ir ainda mais longe. 


Chegando. Flamengo 3 x 0 Fluminense.
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Mauro Beting

Todas as bolas que o Flamengo ficava nos pés sem saber o que fazer até levantar na área zilhões de vezes agora estão sabendo encontrar as cabeças rubro-negras. Na primeira etapa em que o Fluminense começou melhor, o time de Dorival Júnior acertou dois belos cruzamentos para Uribe e Léo Duarte definirem o resultado – mas não o placar, fechado no reinício de jogo, com Uribe trombando e fazendo todos aqueles gols que o Flamengo e os atacantes como ele não estavam fazendo.

Fase? Um pouco mais do que isso. Tempo pra treinar. Ideias para trabalhar. Astral diferente. Cobranças necessárias. E os desfalques do Tricolor saudoso de Pedro, desfalcado de Sornoza, e com Marcelo Oliveira obrigado a improvisar o lado direito que foi o melhor caminho para a forte banda esquerda rubro-negra. Ainda mais com Vitinho se encontrando e o time encostando na turma da frente.


Zzzzzzz. Arábia Saudita 0 x 2 Brasil.
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Mauro Beting

Feriadão depois do almoço… Arábia Saudita ali atrás no 4-1-4-1 quase zero lá na frente. Time misto de Tite… Um gol de Gabriel Jesus bem trabalhado por dentro por Neymar (POR DENTRO, NEYMAR, MAIS PRÓXIMO DO GOL, POR FAVOR…)… Outro de Alex Sandro de bola desviada no fim…

Eu não sei. Mas eu só não dormi por dever de ofício.

Eu sei. Só escrevi agora por preguiça.

Mas se os atletas também encaram o amistoso como treino, eu também vou falar disso aqui como foi. E com atraso.

Um sono só.

Preguiça.

Tite fez as mexidas necessárias. Inclusive Neymar mais por dentro no tempo final. Coutinho depois mais aceso.

Mas ainda assim uma preguiça só. Tipo jogo numa sexta de feriado.

Perdão. Mas é assim mesmo.

Só que eu posso ser preguiçoso, né, chefe?

Vocês não. Ainda mais quem precisa mostrar mais serviço par ficar na Seleção.


Inter e São Paulo sofrem agora pelo que criaram
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Mauro Beting

Voltando da Série B onde não cumpriu a obrigação de voltar como campeão, o Inter faz um BR-18 acima da encomenda e da expectativa para o elenco que só agora parece mais e melhor composto e coeso. Mérito do treinador, demérito do futebol que se pratica mais do que se joga no Brasil. O Colorado surfou na onda baixa e segue consistente, também pela falta de adversários de maior qualidade em um esporte que não tem demandado tantas qualidades para se manter entre os bambas.

Voltando de uma luta dura contra a queda para a Série B em 2017, o São Paulo é outro que faz um Brasileirão acima das apostas. Como destacou Bruno Prado, na Jovem Pan, se em abril dessem ao são-paulino a opção de fechar 2018 no G-6 ele assinaria embaixo. Não iria esperar tudo de ótimo que o time de Aguirre fez logo depois da Copa. Ou poderia esperar o que não tem rolado agora com Nenê e Diego Souza ralados, e Everton mais uma vez lesionado.

Inter e São Paulo que se enfrentam domingo chegam em situações inferiores às expectativas criadas em agosto-setembro. Mas ainda assim é melhor que o esperado, e não é tão ruim como se ter esperneado. Não eram times para sonharem com título. Não são equipes para se perderem ou deixarem de ganhar como agora.

Mas o clássico no Beira-Rio é o jogo para ser marco para o vencedor do confronto – se houver. Com Palmeiras e Grêmio também de olho na Libertadores, as chances deles crescem. Mas não parecem aumentar tanto quanto o possível crescimento do Flamengo, que tem mais elenco que Inter e São Paulo. E pode ainda ter mais time.


Lógica. Cruzeiro 1 x 0 Corinthians.
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Mauro Beting

Vai ter volta. Há um jogo. Um placar reversível para os paulistas. Mas o campeão da Copa do Brasil de 2017 começou a decisão como pareceu o primeiro turno das eleições brasileiras. O favorito levou. E pinta como vencedor da disputa final pelo que fez no Mineirão e pelo que o rival, mais uma vez, não fez fora de casa.

Claro que tem volta. Ainda há tempo. E sem entrar no mérito e nos deméritos das urnas de domingo, o paralelo é parelho. O Cruzeiro foi melhor no primeiro tempo, criou cinco chances, marcou com Thiago Neves na última, e, na segunda etapa, chegou mais duas vezes. E só. Mas muito mais que o rival.

Fez ainda muito mais que o Corinthians que não teve nenhuma oportunidade na primeira etapa, e mais nenhuma na segunda. Se já havia criado nada contra o Colo-Colo no Chile e quase nada contra o Flamengo no Rio, desta vez se superou negativamente o ainda campeão brasileiro.

No primeiro tempo, quase nada se viu com o time de Jair ainda mais fechado do que se esperava. Com Jadson adiantado e Vital perdido por dentro, Romero pouco criando e não acompanhando Egídio na bela jogada que daria no gol de TN na cabeçada que de novo bateu em Henrique, Clayson dando um belo chapéu no meio. E mais nada. Fábio apenas assistiu a um jogo que só agradou por ser decisão.

O Cruzeiro quis ser e foi muito melhor. Com Cabral e Henrique chegando mais, os laterais soltos, bastante movimentação da turma da frente, o time de Mano foi e é mais time. As melhores chances foram com Thiago Neves, de canhota de longe, de cabeça, e até de pé direito na trave de Cássio. Não fosse o goleiro alvinegro fazer uma defesa impressionante na cabeçada de Henrique, o gol já teria saído.

No final das contas, deu a lógica. Mas ainda tem jogo. O Corinthians está vivo. Só que o Cruzeiro parece muito mais vivo. A vantagem é significativa.