Blog do Mauro Beting

A grande vitória de Fábio Carille, ex-Corinthians
Comentários 8

Mauro Beting

KIEV – Quando Fábio Luís chegou ao Corinthians no segundo semestre de 1995 para a disputa do Brasileiro, quase ninguém deu bola ao lateral-esquerdo que vinha do XV de Jaú e que deixaria o Parque São Jorge em 1996.

Quando Fábio Carille chegou ao Corinthians para trabalhar na comissão técnica de Mano Menezes em 2009 vindo de Barueri, também não houve notícia na mídia e repercussão na torcida.

Quando ele assumiu como interino efetivado até o final de 2016 em substituição a Cristóvão Borges, quase ninguém apoiou a decisão da direção – que logo mudou de ideia e trouxe Oswaldo de Oliveira que só terminaria melancolicamente a temporada.

Quando assumiu para valer no começo de 2017 em substituição ao substituto Oswaldo, e como opção a Reinaldo Rueda, Guto Ferreira e Jair Ventura, muita gente não achava que daria certo. Ele mesmo resolveu fechar a casinha no Paulistão para não perder os primeiros jogos e manter um mínimo de tranquilidade e segurança para botar o Timão dele em campo.

O título do SP-17 foi uma boa supresa. O primeiro turno brilhante do BR-17 foi história. A recuperação no final do returno foi histeria. O hepta foi a consagração de um trabalho muito acima da encomenda.

Sem Jô e Arana, mas com um elenco menos limitado, não se cobrava tanto no SP-18. E veio o bicampeonato na casa do rival de melhor campanha. Calando novos e velhos críticos. Com boas alternativas táticas. Com inegáveis méritos do treinador vencedor como veterano.

Superando até os humores do novo velho presidente do clube. E os próprios maus humores com as cobranças excessivas. Ou com declarações que ele mesmo assumiu infelizes e também exageradas.

Não foi o Al-Hilal esperado. O clube árabe que o contrata é outro. Como o Fábio Luís é outro. O Fábio Carille também. E o Corinthians, com Osmar Loss, promete continuar o mesmo.

Muito pelo excelente trabalho dele. Muito pela direção corintiana desde 2008 manter uma linha de trabalho é uma ideia que dá jogo. Títulos. E mais um grande treinador como Carille.

Apaixonado que disse na Jovem Pan que só um caminhão de dinheiro o tiraria do clube. Foram dois. Oi três. Isso também se entende. Espero que o compreendam pela escolha que garante um futuro melhor aos netos. E tranquilidade para na volta escolher clube. Ou mesmo um período de estudos. Para voltar a ser o cara discreto que merecidamente vai ganhar ainda mais na carreira.

O cara que deixa o corintiano triste e os rivais felizes pela partida.

O maior mérito dele em tão pouco tempo de carreira como treinador principal.


A revanche da paz na Europa
Comentários 1

Mauro Beting

KIEV – A final de sábado será no estádio que era para ter sido inaugurado em 1914 não fosse a Primeira Guerra Mundial. A Revolução Russa em 1917 adiou a obra até a construção do então chamado Estádio Vermelho, em 1923. Em 1941 ele foi ampliado para 50 mil lugares. Quando seria reinaugurado em um amistoso entre o Dínamo de Kiev e o CSKA Moscou, a Alemanha invadiu horas antes a Ucrânia na Operação Barba-Roxa. Não houve jogo. O campeonato nacional foi suspenso na quarta rodada. Só voltaria na temporada seguinte. Com o país dominado pelos nazistas.

O código de invasão das forças alemãs era “Dortmund”. Cidade do Borussia de onde veio o treinador Jurgen Klopp para levar o exército vermelho de Liverpool para tentar a primeira conquista da Europa desde o vice de 2007. Pentacampeão europeu da terra de onde nasceu o futebol. Da cidade onde alguns marinheiros chegaram ao porto de Odessa para trazer o futebol para a Ucrânia, em 1878.

Kiev (que só seria a capital em 1934) tinha desde 1927 um grande time, ligado à polícia – e também à secreta, a NKVD. O Dínamo que seria a base do Start, o time da resistência ao domínio alemão – em outro post conto mais a respeito do “jogo da morte” de 1942.

O mesmo palco que será o front da luta entre ingleses e espanhóis no próximo

sábado acabou servindo de foco da frouxa resistência kievana durante os dois anos de ocupação brutal e barbarie nazista. Muitos atletas e familiares tentaram deixar Kiev na tomada da capital que se completou oficialmente em 19 de setembro de 1941. Como o clube era formalmente ligado à polícia secreta comunista, imaginavam os jogadores que seriam as primeiras vítimas dos invasores. Não foram atendidos pelos comandantes ucranianos, que os consideravam “desertores” se embarcassem nas balsas que desciam o rio Dnieper até o mar Negro. Por “sorte” naquele oceano de azar também não foram executados como seriam sumariamente os judeus e muitos habitantes de uma população que era de 400 mil pessoas na cidade e teria apenas 80 mil quando ela foi libertada pelos soviéticos, 778 dias depois.

Não foram apenas os alemães que dizimaram Kiev como os mongóis haviam feito no século 13. Quando os soviéticos deixaram a cidade, praticaram a política de terra arrasada. Queimaram edifícios e destruíram então a maior hidrelétrica europeia. Só para não deixar algo para os nazistas.

Adolf Hitler arrasou a Ucrânia como projeto de “reconstrução”. Em um ano ele pretendia os ucranianos

deportados para a Alemanha como escravos ou mortos ali mesmo por inanição ou doenças nos campos de concentração e extermínio. Quem não era assassinado sobrevivia comendo ratos, pedaços de couro ou sopa de grama. Pombas eram dizimadas pelos nazistas para que não servissem de alimento ou para não serem utilizadas como correio pela resistência.

Em fevereiro de 1942, milhares de ucranianos foram para a Alemanha recrutados para trabalhos forçados. A grande maioria não voltou. Em dezembro, o Fuhrer acelerou o processo no país. Também contra mulheres e crianças. Ele queria criar uma raça mais “pura” no país. As mulheres que tinham filhos ucranianos eram incentivadas a abortar. Para os nazistas, quem nascia no país era “subumano”.

Kiev só voltou ao domínio soviético em 6 de novembro de 1943. Pouco depois de soldados nazistas desenterrarem e queimarem mais de 70 mil corpos dos judeus chacinados em Babi Yar para não deixar vestígios das atrocidades. Quando da retomada da capital da Ucrânia, a estratégia de terra arrasada também foi adotada pelos alemães. Se eles haviam tomado uma cidade combalida em 1941, a devolveriam ainda pior em 1943.

Não foi por um resgate histórico ou uma reparação devida a final de 2018 ser na Ucrânia, em Kiev. Não foi por isso que Michel Platini assim definiu a festa de sábado. Foi por política mesmo. Nem a população conseguirá usufruir de um clima que até agora é mais envelopado e inflado pela UEFA, patrocinadora e mídia. Mas é ótimo numa Europa tão convulsionada e conturbada relembrar como já foi muito pior. E não há tanto tempo. Maravilhoso que venham em missão de paz os exércitos vermelhos de Liverpool e brancos de Madri.

O futebol é uma benção. O palco dessa comunhão será o estádio Olímpico de Kiev que hoje fisicamente lembra o Maracanã. Também passou por várias reformas como aquele que já foi o maior do mundo. Lá teremos o jogo que irá celebrar aquela partida inaugural que em junho de 1941 a guerra não deixou acontecer. Que a paz de 2018 prevaleça. Mesmo com tanta gente brincando com ela.


Amor à camisa
Comentários Comente

Mauro Beting

KIEV – Do Iniesta deixando o Barcelona de toda a vida escrevi outro dia. Do Buffon fazendo o mesmo depois de 17 anos de Juventus escrevi ontem.

E só queria dizer a vocês que viram uma vida toda de Giggs à disposição do Manchester United e, mais ainda, do Totti que foi Roma desde o Império (mesmo com o risco de saque dos bárbaros que invadiam o clube com propostas tentadoras), que, SIM, ainda existe amor à camisa.

Nunca houve um goleiro como Buffon. Poucos foram tão bem, úteis e vencedores quanto Giggs. A Roma não achará ninguém maior que Totti. Iniesta só não foi o maior do Barcelona porque ele fez Messi ainda mais universal.

E todos esses a gente viu em pouco mais dos últimos 25 anos, período em que a Inglaterra reinventou o futebol e, consequentemente, o negócio que gira em torno dele. Época em que não se impede mais o valor que se paga por um Neymar – que vale o que foi pago, muito mais do que zagueiros que custam mais de 70 milhões de euros.

Ainda tem gente que se importa com um clube. Pé-de-obra que não se exporta.

Somos privilegiados. Só não podemos dizer que não veremos mais gente assim. Ainda tem quem joga isso tudo e joga tudo isso por uma camisa.

Obrigado e parabéns aos envolvidos que inspiram o tanto que suspiraram.


Rumo a Kiev
Comentários 4

Mauro Beting

KIEV – Quando os nazistas tomaram Kiev, em 19 de setembro de 1941, 630 mil soldados ucranianos foram feitos prisioneiros. Foi a maior captura da história. Duas semanas depois, 33 mil judeus foram executados perto da capital do país que havia sido arrasada pelos bombardeios alemães e também pela política de terra arrasada dos soviéticos. Kiev foi atacada por quem a defendia e por quem a sitiava.

Em 6 de novembro de 1943, Kiev foi retomada pelas tropas soviéticas. Em 778 dias de ocupação nazista, a cidade de 800 mil habitantes só tinha 80 mil quando voltou ao jugo de Moscou. Gente que não sobreviveu à dieta de sopa de grama e ratos, à ditadura assassina, ao genocídio contra judeus. Ucranianos deportados para trabalhos forçados na Alemanha, mulheres expatriadas, mães obrigadas a abortar.

Nesse período, um time de funcionários de uma grande padaria ajudou a manter e elevar o moral local. O Start. “Começo”. Time formado por ex-jogadores do grande Dínamo e do Lokomotiv locais. Start que ousou ganhar todos os nove jogos do campeonato nacional. Inclusive dois contra soldados alemães. Insolência que os levaria à prisão dias depois, à execução sumária de um atleta que servira à polícia secreta ucraniana, e mais três que seriam assassinados num campo de extermínio, seis meses depois.

Essa é a Kiev que dede o século 13 já foi dizimada por mongóis (1240), já foi tomada por lituanos (1360), tártaros (1482), poloneses (1569), cossacos (1648), russos (1686). Entre 1917 e 1919 foram 18 trocas de poder.

Todos queriam Kiev. E ninguém a queria bem.

O que a cidade sofreu entre 1941 e 1943 está em poucos mapas da história. Já sobrevivera ao genocídio da Grande Fome ucraniana de 1932-33 (quase 7 milhões de mortos por inanição no país), ao Terror soviético de 1937. Mas quase não sobrara nada depois das atrocidades ainda maiores dos nazistas.

Combatidos na bola pelos 11 do Start. Os que elevaram o moral da população ao ganharem em campo o jogo que havia sido preparado para eles perderam. Partida que havia sido recomendada a derrota antes de a bola rolar pelo árbitro que era oficial da SS. Encomendado resultadão no intervalo por outro militar alemão. E eles se recusaram e esmorecer. Não saudaram Hitler antes de a bola rolar. Não entregaram o jogo. Apenas a própria sorte e as cabeças para rolar.

Kiev atacada e incendiada em 1941 pelos que a invadiram e pelos que a deixavam. NKVD (polícia secreta) que matou muitos presos antes da queda para os nazistas para não dar mais “munição” a eles. Nacionalistas ucranianos que também chacinaram judeu antes da queda. Em 1943, os nazistas também destruíram o que conseguiram para arrasar a nova terra.

A Ucrânia é hoje o oitavo destino turístico europeu. Quase todo ele destinado a Kiev. Ainda mais nesta semana de decisão continental. Real Madrid bicampeão e dodecacampeão contra o Liverpool penta europeu. Dono de uma força ofensiva armada pelo Klopp de efeito devastador.

Um duelo de paz em Kiev. Uma história que vamos contar a partir daqui. Lembrando os bravos do Start da Grande Guerra. E os guerreiros vermelhos e merengues em missão de paz em 2018.

Kiev já foi tomada varias vezes por varia povos com muita violência. É tempo de ser historicamente tomada por uma só torcida e um só clube.

Do jeito como corajosamente fez o Start no verão de 1942: na bola.


Buffon
Comentários 3

Mauro Beting

Foram 17 anos de Juventus. Mas bastaria um ano. Aquele em que o maior goleiro de todos os anos do futebol aturou a segunda divisão por mais um escândalo do calcio que daquela vez envolveu o rebaixamento da Vecchia Signora. Quando alguns partiram. Outros ficaram. E quem mais poderia partir de tão assediado que era foi quem defendeu a meta que já havia tido um mito como Zoff. Mas não o maior como Gigi. Eneacampeão nacional – sete seguidos. Mais um recorde do número um. Único.

Buffon vai partir da Juventus. E com ele partiu corações que nem juventinos são. O maior número 1 decidiu deixar o clube que só não teve a Champions onde no último jogo dele acabou expulso. Contra o Real Madrid do mesmo Zidane que, em 2006, ele negou a felicidade de uma Copa em Berlim até o vermelho pela cabeçada que encerrou a carreira gloriosa como a de Buffon.

Desde o Parma em 1995 até a Juve em 2002 já como o então jogador mais caro da história do clube. Da Squadra Azzurra que ele fez campeã do mundo. De um “campione” como se diz na Itália para um craque. E ele foi o maior da meta. Pelo tempo de resposta absurdo que a gente chama de reflexo. Pela agilidade espantosa que a gente chama de milagre. Pela colocação perfeita que a gente chama de Pelé do gol. Pelo goleiro que a gente chama de

Buffon.

Chorei ao vê-lo se despedir da Juve como chorei há um ano só de o ver treinar a metros de mim em Cardiff, na final onde ele tomou em 90 minutos mais gols do que ele havia sofrido em 12 jogos.

Fiquei como criança só vendo Buffon reconhecer o gramado de Gales. E eu também estava me reconhecendo como “goleiro” do Pinheiros, do Lourenço Castanho, do Dante, no Clube do Mé, na várzea, na São Francisco, Fiam, USP, Band, Placar. Onde brinquei sério de goleiro. Na meta onde Buffon sério brincava de defender o indefensável.

Só torci por Buffon pela Itália. E choro ainda mais de saber que não terei Itália para torcer na Rússia (quando ele seria o atleta a atuar por mais Copas -seis, justo no país onde estreara pela Nazionale, em 1997 – em 20 minutos levando um gol contra de Cannavaro, companheiro e craque do tetra em 2006). Mas só de ter visto um goleiro como ele jogar sei que sou privilegiado como tantos. Privilegiado por ter visto o mais privilegiado goleiro de todos. Um clássico como o mármore da cidade natal. Carrara. O mesmo brilho e resistência. A mesma segurança e beleza. O mesmo Buffon. Sempre ligado.

Buffon se despediu da Juventus aplaudido em pé pelos tifosi e pelos rivais. Com o mesmo carinho e respeito que se impôs e supera até as rivalidades. Porque um cara como ele é o melhor para mostrar o que é a vida: para defender não é preciso atacar. É necessário ser preciso. Leal a uma bandeira mesmo a meio pau. É preciso ser Buffon.


Aproveitamento. Palmeiras 3 x 0 Bahia
Comentários 1

Mauro Beting

Futebol também é aproveitamento. O que fez o Palmeiras na primeira etapa no embalo da noite de sábado. Teve cinco chances e marcou quatro gols – um deles anulado. O Bahia chegou quatro e nada fez a não ser uma bolada na trave de Jailson logo depois do gol inicial de Willian, aos 3, em bela enfiada de Keno como se fosse Lucas Lima para Borja arrancar como se fosse Keno e dar boa assistência ao companheiro.

Aos 32, Antonio Carlos fez mais um gol de artilheiro, aproveitando passe de Marcos Rocha depois de bom toque de Lucas Lima, beneficiado pela defesa do Bahia que não se tocava. E nem perto de Borja chegou aos 41, quando ele escapou na sua melhor maneira (a diagonal curta de Roger) e fuzilou o bom goleiro Douglas, em mais um toque de classe de Lucas Lima.

O Bahia talvez não merecesse levar tantos gols. O Palmeiras talvez não merecesse tamanha diferença pelo que fez nos 45 minutos.

Na segunda etapa, o Bahia veio pra cima mas pouco fez. Borja seguiu lutando e foi reconhecido merecidamente pelo esforço quando substituído. Administrou o jogo e sofreu pressão no final, com mais uma bola no travessão.

Mas nada foi maior que a infelicidade de Willian que, sem goleiro, perdeu um gol de Deivid contra Prass. Talvez o gol mais feito do Allianz Parque se transformou no mais perdido desde 2014.

O que não compromete mais uma boa partida dele. E mais uma opção de escalação pra Roger: Willian, Borja e Keno na frente.

No final, as equipes tiveram as mesmas chances. Mas o aproveitamento foi do nível do elenco que Roger tem. E pode e deve jogar mais do que tem feito.


Fica, Carille. Deportivo Lara 2 x 7 Corinthians.
Comentários 35

Mauro Beting

Quem tem que definir o que quer na vida é o profissional. Um cara correto como Carille que seja feliz onde quiser. Mas se quiser continuar sendo feliz, que permaneça no clube que há 9 anos dá muito a ele. E ele dá demais ao Corinthians.

Na Venezuela, com 10 minutos parecia que o tema do Lara era ajudar Carille. O Corinthians contragolpeou com quatro contra dois rivais como se fossem os últimos 10 minutos do mundo. E Jadson fez o primeiro belo gol. Faria mais um de pênalti até o bonito gol de desconto venezuelano.

Só para Jadson marcar o terceiro. E Sidcley o quarto como se fosse atacante, como ele já havia sido ponta no terceiro oferecido para o goleador da noite. Mais um gol com quatro alvinegros dentro da área rival para mostrar que esse time também sabe atacar. E nem precisar de atacantes de ofício para se manter bem na parada.

Ou tão lindo como o golaço de Romero. Outro que se supera. Se Corinthians. Como Júnior Dutra, que escapou fácil da pavorosa zaga adversária e fez outro gol de categoria e de Corinthians. Seis a dois.

Ou melhor. Sete. Teve mais de um de Júnior Dutra.

Parece conta de mentiroso. E foi tudo Corinthians.

Como se pedindo para Carille permanecer. O que e outra história. E economia.


Acabou o trauma. Flamengo 2 x 0 Emelec.
Comentários 4

Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Depois de eliminações traumáticas, o Flamengo conseguiu hoje, com uma rodada de antecedência, a classificação para as oitavas de finais da Taça Libertadores. O Maracanã não estava cheio como em outros jogos. Culpa dos cartolas e sua mania de de colocar o preço nas alturas.

Era óbvio que o time carioca era superior. E precisava apenas de uma vitória simples. Não de uma goleada. Com ótimas atuações de Cuellar, Renê, Réver e Everton Ribeiro, a equipe foi sempre superior. No entanto, empurrado pela grito da torcida, se lançou muito a frente. E deu espaços desnecessários a um limitado adversário. Rojas, sempre nas costas de Rodinei, levou sempre perigo.

Apesar do domínio e de quatro chances claras (dois em bola parada), o gol teimava em não sair. A bola parou pouco no meio de campo. E quando parava, parecia queimar nos pés de alguns jogadores, tal a pressa em resolver o lance. O desenho para a etapa final era dramático. Quanto mais tempo o gol demorasse a sair, mais a frente a equipe se lançaria. E mais nervosos jogadores e torcedores ficariam.

Felizmente, o gol saiu logo aos dois minutos. Renê e Vinícius Júnior combinaram pela esquerda. O perseguido lateral rolou. Diego se enrolou. Everton Ribeiro não. Acertou bonito e abriu o marcador. Mesmo assim o Flamengo não se acalmou. Seguiu com pressa. Ansioso. Errando e dando perigosos espaços. Por duas vezes o Emelec esteve próximo do empate. E de mais uma vez mandar os atletas Rubro-Negros para o divã do psicólogo.

Aos 47, veio o alívio. Paquetá sofreu falta. Everton Ribeiro cobrou com perfeição e coroou mais uma boa atuação. Acabou o trauma. O time avançou. Apesar da ansiedade. Agora é colocar a cabeça no lugar. Defender a liderança no Brasileirão. E acertar o time na parada para a Copa. Livre de fantasmas recentes, o Fla pode ir longe na Libertadores.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman


Fernando e Miguel. Palmeiras 3 x 1 Junior Barranquilla.
Comentários 4

Mauro Beting

Você já sabe o que aconteceu nessa cobrança de pênalti inexistente contra o Palmeiras quando Borja já havia marcado o primeiro dos seus três gols – que mereciam ser mais pelo ótimo segundo tempo de um time com apenas dois titulares. Mas de novo ficou a sensação de que você já sabia antes mesmo que Barrera batesse e a barragem verde defendesse o 13º pênalti dele no clube. Mais uma vez parecia que o Allianz Parque sabia que Prass defenderia muito bem sem dar rebote como já havia feito três grandes defesas num primeiro tempo fraco – mas que não merecia as vaias no intervalo, como Roger não merecia ter sido xingado pela Mancha antes de a bola rolar.

Fernando Prass não fez apenas mais uma grande atuação usual desde que chegou no final de 2012 a um clube que acabara de cair. Ele fez uma grande defesa, uma enorme celebração e ainda, na sequência, se anteciparia para aliviar um ataque colombiano dando um bico pra frente que cairia nos pés do sempre eficiente Willian, que daria no segundo gol de Borja – o de maior categoria, no primeiro hat-trick do colombiano, do Allianz Parque, e o primeiro do clube desde o de Barrios, no Rio, contra o Fluminense, em 2015.

Fernando Prass celebrou a defesa, a atuação e a condição de um cara de caráter. Um que seria a solução em muitos clubes, mas que suporta em silencio e trabalho a reserva de outro que se supera por tudo isso – Jailson. Feliz Palmeiras que, mais uma vez, tem goleiros que honram sua Academia. Como foram ao mesmo tempo Oberdan e Fábio Crippa, Valdir e Picasso, Valdir e Maidana, Leão e Benítez, Gilmar e João Marcos, Zetti e Velloso, Sérgio e Velloso, Gato Fernández e Sérgio, Velloso e Marcos, Marcos e Sérgio, Marcos e Diego Cavalieri, Prass e Jailson e, em 2018, também Weverton.

Se no miolo de zaga verde ainda se discute o companheiro de Edu Dracena, se Roger pudesse, escalaria Jailson e Prass no mesmo time. Não só pelos goleiros que são. Não apenas pelos caras que são. Mas pelos palmeirenses que nasceram como Jailson. Ou viraram como Prass, que celebrou de modo tocante o pênalti e a grande atuação do melhor time da fase de grupo da Libertadores.

O time de Borja. O que não vinha bem. E fez três em meia hora até ser sacado por Roger. O artilheiro de um Palmeiras que acertou belos lances com seus reservas comandados por um Guerra que merece a titularidade. Como esse Verdão merece mais aplausos do que críticas. Mais solos de guitarra que cornetas do apocalipse.


Calouros e campeões
Comentários 5

Mauro Beting

O Brasil campeão de 1958 tinha Gilmar, De Sordi, Mauro e Orlando na defesa onde só Nilton Santos estava em sua terceira Copa (a primeira como titular). Zito também era debutante. Didi jogara em 1954. Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo eram estreantes. Só Nilton Santos e Didi já tinham tarimba mundial.

Em 1962, o treinador foi trocado, mas 14 campeões de 1958 seriam bi no Chile. No time titular, Djalma Santos estava em sua terceira Copa, o capitão Mauro era titular pela primeira vez, Zózimo debutava. Como Amarildo substituindo muito bem Pelé a partir do terceiro jogo. Mesmo com a base mantida, três estreavam como titulares.

Em 1970, quase toda a zaga debutava. Félix, Carlos Alberto, Piazza (em nova função) e Everaldo. Brito era um dos seis remanescentes do fiasco de 1966.

Clodoaldo era calouro. Gerson voltava depois de péssima Copa. Jairzinho se salvara em 1966. Assim como Tostão. Pelé mal jogara. Rivellino não foi pra Inglaterra.

O maior campeão pelo Brasil tinha seis calouros.

No tetra, 10 dos 22 tinham jogado e mal em 1990. Calouros mesmo entre os titulares ao final de 1994 eram Márcio Santos, Mauro Silva e Zinho. Aldair tinha sido reserva em 1990. Como Mazinho (mas de lateral). Romário, por problemas físicos, estava reserva em 1990. Bebeto, por opção de Lazaroni na Itália, também.

Em 2002, debutantes em Copas eram Marcos, Lúcio, Edmilson, Roque Júnior, Gilberto Silva, Kleberson e Ronaldinho Gaúcho. Cafu (tetra em 1994) e Roberto Carlos tinham sido titulares e vice mundiais em 1998. Como Rivaldo e Ronaldo (que era reserva do reserva no tetra, nos EUA).

Em 2018, Alisson, Danilo ou Fagner, Marquinhos, Miranda, Casemiro, P.Coutinho e Gabriel Jesus são titulares que ainda não jogaram Copa. Na média, brasileira e histórica, não impede bom desempenho. E na comparação com o Mundial passado, este parece grupo mais rodado e melhor.