Blog do Mauro Beting

A Macaca é enorme. Palmeiras 1 x 0 Ponte Preta.
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Mauro Beting

Há um século e um dia, o Palestra Italia jogou pela primeira vez no Parque Antárctica que só seria dele em três anos. 5 a 1 contra o Internacional paulistano. O placar que 100 anos e um dia depois daria a classificação que a Macaca soube administrar em sua primeira derrota no Allianz Parque. Mas com o sabor da goleada que poderia ter sido maior em Campinas e definiu a passagem com imenso brilho da Ponte que, até agora, eliminou o campeão e o vice do BR-16. 

A arbitragem, como no Moises Lucarelli, deixou de marcar um pênalti claro para o mandante (sobre Dudu, quando estava 1 a 0). E poderia ter marcado outro no primeiro tempo, sobre Jean. Mas o Palmeiras, pelo investimento, e pela péssima atuação em Campinas, não pode reclamar. Só repensar. 

Mesmo criando 15 chances contra uma Ponte bem armada, mesmo atuando bem, o Palmeiras decepcionou. Se não na primeira vez em que enfim ganhou da Macaca em casa, certamente por tudo que se esperava. E foi investido. 
Eduardo inventou Felipe Melo na lateral-esquerda, Tchê Tchê como único volante, Egidio aberto pela esquerda no 4-1-4-1 avançado, e Róger Guedes entrando por todos os lados. FM começou dando pancada sem responsabilidade e foi amarelado. Mas depois reinou. Ganhou todas as bolas que Tchê Tchê perderia, Borja não acharia, e o time, mesmo bem, não se superou. 
Eduardo terminou o bom jogo com Willian na frente, uma inédita e inusitada linha com Michel Bastos, Róger Guedes, Dudu e Keno, Guerra como único volante, e Felipe Melo na lateral. Achou assim um gol lotérico – mas que fez jus ao melhor time em campo. Mas não em 180 minutos. 

A Ponte foi grande. E tem condição de ser ainda maior. O Palmeiras mereceu os aplausos finais e o abraço da torcida durante a semana. E merece a cobrança do tamanho da expectativa. Como Eduardo precisa ser cobrado pelo desempenho instável da equipe.  

Veja AQUI a análise de GUSTAVO ROMAN 


Zico. O que o mundo perdeu, ganhei. 35 anos depois.
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Mauro Beting

É uma honra, aula, alegria e prazer conviver e trabalhar com ele. Um sonho não delirado dividir microfone. Um delírio comentar Liga dos Campeões pelo Esporte Interativo com um ZIco de craque, um Zico de pessoa. Uma loucura estar in loco na véspera de Real Madrid x Bayern de Munique no gramado da Santiago Bernabéu. 

Pouco antes de tirar essa foto, perguntei já na madrugada avançada se Zico já havia atuado ali. 
– Não. Nem pelo Flamengo (onde ganhou tudo), nem pela Seleção (onde conquistou o mundo sem ganhar a Copa). 
– Era para a gente ter jogado aqui na final de 1982…
Não tinha pensado nisso. Fiquei passado pelo nosso passado dolorido. 

Copa na Espanha. Barcelona. Sarriá. Paolo Rossi. Zoff. Gentile. Bearzot. Zebra. Itália. 3 x 2. Futebol. A vida. 
Eles todos, e um pouco de todos nós, não deixaram Zico e companhia ilimitada jogarem a final mundial contra a Alemanha em Madri. Ficaram pelo caminho. Nem semifinal. A derrota do Brasil de Telê empatou e empacou o futebol planetário. Times e seleções passaram a jogar feio para ganhar horroroso. A praga pragmática travou e entrevou o jogo por anos. 

Zico não jogou no estádio do Madrid. O mais perto do campo campeoníssimo da Europa que o 10 do Maracanã ficou foi nessa foto. Não pedi licença para tirar, depois de entrar ao vivo no canal, e em lives dos nossos Instagrams. Não pedi para ele posar porque Zico não faz pose. Toma posse de quase todos os campos.

Menos esse. A bola não deixou. 

O futebol que o fez Zico e que também me trouxe no meu cantinho a Madri não quis que ele estivesse aqui. Meu irmão ficou mais de 10 anos não querendo mais jogo depois de 1982. Muitos nunca mais choraram por futebol. Alguns desistiram. 

Zico, não. Seguiu. Mais venceu que perdeu. Empatou muito até naquela noite de 2017 chegar ao gramado do Bernabéu. Sem pompa, que ele não é disso. Sem papo, que ele é de fazer, não falar. Sem bronca, que ele é de brincar. 

Eu trocaria minha felicidade de passar uma semana na Europa com amigos do canal (waaaallll!) só para ter 90 minutos de Zico lá dentro do Bernabéu, tabelando com Sócrates, lançando Chulapa, cabeceando cruzamento do Éder, trocando passe com Falcão, ajudando Cerezo, assistindo Júnior, assistindo a Leandro, defendendo Luisinho, orientando Oscar, segurando Valdir Peres, encantando com uma das melhores seleções não-campeãs. Melhor que algumas que ganharam Copas, mas não conquistaram o mundo. 

Eu e milhões trocaríamos nossas felicidades de uma semana de prazer por décadas de alegria e orgulho por um time que nos defendeu atacando. 

Zico, você não ficou à margem do campo na foto. Você o iluminou. Não tinha luz artificial ligada. Era a sua energia e a do Brasil de Telê que acenderam nossa memória. Não pudemos vê-los ali. Mas para sempre vou poder dizer que, numa noite de abril de 2017, 35 anos depois, o Santiago Bernabéu esteve como deveria ter estado em 1982. Aos seus pés, Galinho de Madri. 
Todo seu. 

Pela sua generosidade, todo nosso. 


Não costuma falhar. Santa Fé 0 x 0 Santos. 
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Mauro Beting

BARCELONA – AQUI você vê a análise do empate sem gols e sem grande futebol que não pude ver. Mas empate fora jamais será ruim. Embora não seja boa a equipe colombiano, nem possa ser comparada ao Santos. 
Assim como Gustavo Roman, confio na classificação santista. Em primeiro lugar. 


Gigante. Corinthians 1 x 1 Inter. 3 x 4 pênaltis.
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Mauro Beting

BARCELONA – O Inter quis atacar. Desde os 7 minutos perdendo, mais ainda. O Corinthians quis se defender. Joga em casa ou fora, dá a bola ao rival, mas não espaços. É o que tem Carille. É o que pensa do futebol. É o que se pode aceitar em Itaquera. 

Empate entre gigantes é normal. Pênaltis não são loteria e nem ''acidente'' como disse Jô. Corinthians não eliminou o Brusque por acidente. Nem caiu de novo em casa por acidente. Acontece. Mas não é acidente. E acontece ainda mais com elencos limitados e em reconstrução. Como o momento atual dos dois colossos. 

O Inter foi mais valente. Mais ousado. Acabou premiado. Não houve superioridade em 180 minutos. Foi tudo mais ou menos igual. Mas o Colorado precisava mais do sucesso. Momento de reafirmação paga Zago e os seus. Vitória saborosa por tudo que se sofreu no Beira-Rio em 2016, e pela enorme rivalidade cada vez maior desde 2005. 


Fora de casa a gente conversa. Cruzeiro 1 x 2 São Paulo. 
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Mauro Beting

BARCELONA – Não consegui ver nada além dos melhores momentos de Belo Horizonte. Mas passou o melhor time, ainda que perdendo a invencibilidade na temporada. Mérito dos melhores 30 minutos tricolores em 2017, no início de jogo. Ceni mexeu bem no time. Mas o melhor passou.  

Melhor análise de GUSTAVO ROMAN. AQUI


Estreia final. Real Madrid 4 x 2 Bayern. 
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Mauro Beting

MADRI – Nem Simeone perdeu tantas finais de Liga dos Campeões como eu. 2006. 2009. 2010. 2011. 2012. 2013. Todas eu iria pela BAND. Em cima da hora, por motivos econômicos, não fui. Sabia que não iria em nenhuma delas. Mas sempre ficava uma esperança… Comentei todas elas. Do estúdio. Até trocar a emissora pelo Fox Sports e não ir para Lisboa em 2014 como foi a equipe da BAND…

Paciência. Escolhas. Felizes escolhas. 
2017. Quartas-de-final. Nem final era. Mas para mim foi a decisão megablaster intergaláctica. 

Ou melhor. Foi a estreia. 

Estreia é tão importante que deveria ser a última coisa que a gente faz. 
Como não pode ser, vale como se fosse. 

E valeram todos os 50 anos de torcedor, os 44 aprendendo a ler com a PLACAR, os 43 estudando futebol, os 30 de jornalismo, os 27 como comentarista esportivo. 

Não aparece a minha boca na gravação que tem na minha fanoage. Mas lá eu agradeço minha Silvana Ramenzoni, meus Luca Beting, Gabriel Beting, Ricardo Sefrin Negro, Luigi Sefrin Negro, Manoela Sefrin Negro. Minha Lucila Zioni Beting. Meu pai. Todos os meus amigos e meus colegas. 

Todo o Esporte Interativo que sempre me fez mais do que sentir em casa. Faz do meu trabalho meu lar. 
Do meu amor o que faço mais e melhor. 

Chorei como sabia que iria chorar. Tá aí no vídeo. 

Arrepiei como imaginei que iria me emocionar. Fiquei até 15 minutos lacrimejando como tinha certeza. 

E ainda assim foi ainda mais maravilhoso. 
Pelo Zico, André Henning, Tati Mantovani, Marcelo Bechler, Clara Albuquerque, Diego Vieira, Gabriel Simões, Caio Cruz, Pedro Macedo, Leandro Kaliman. Todo o timaço do E+I que são mais amigos de excursão do que colegas de trampo. Os loucos que aturam in loco este maníaco. 

Este cara que vos escreve que teve um sonho que há algumas horas não virou realidade. Foi muito melhor do que um sonho. Até porque tem sonho que a gente sai pelado pra escola sob um céu laranja dirigindo uma guitarra. 

Prefiro desejo aos sonhos. E nem nos mais lindos eles foram tão belos. 

Obrigado, amigos. 
O Real Madrid se classificou. 

Mas quem ganhou mesmo fui eu.
Sei que preciso falar do jogo. Já é madrugada. Daqui a pouco pego trem pra Catalunha. Tem Barcelona x Juventus. Tem mais história para contar. 

E emocionar como a entrada dos times no Bernabéu. O Hino. Os primeiros 15 minutos de três chances do Bayern, mais forte com Lewandowski de volta, e Boateng e o impressionante Hummels se virando mesmo longe da melhor forma. A partir dos 22 minutos o Madrid teve oito chances. Neuer, um monstro, evitou algumas, no repaginado 4-3-1-2 sem Bale. E sem o melhor Isco. 

Segundo tempo. Martelo alemão até o pênalti cavado por Robben que enfim rodou o ataque. Lewandowiski. 1 a 0. Mais Bayern, mais contragolpes. Cristiano de cabeça. Um monstro aos 30. Aos 32, infelicidade de outro mito, em seu centésimo jogo pelo Madrid. Gol contra de Sérgio Ramos. Difícil precisar se havia impedimento na participação de Lewandowiski com Nacho. 

38, pelo conjunto da obra, e não pela falta que não fez, vermelho para Vidal. O Bayern que poderia remontar teve de ser remontado. Ficou no 4-4-1 contra o 4-1-4-1 bem fechado de ZZ, com Casemiro limpando tudo. 

Prorrogação. Bayern mais ousado até CR receber em impedimento. 2 x 2. Segundo tempo. Genial Marcelo em seu jogo 400, gol 100 na UCL de CR7. Ainda que impedido em lance que só vi depois. Como ninguém do Bayern viu Asensio escalar e escapar para o desmonte final. Como os 4 a 1 na prorrogação de Lisboa. Como parece sempre ser assim com o Madrid. 

O Bayern tinha bola para ser campeão. Mas o Madrid parece ter algo mais. 


Os Neymares querem o Flamengo. E a torcida precisa entender isso.
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Mauro Beting

MADRI – Na entrevista com Neymar para a primeira edição da Playboy, em abril de 2016, o pai dele me disse que o sonho que  tinha para o filho era encerrar a carreira no Brasil jogando e morando no Rio (onde compraram casa). Atuando pelo Flamengo do ídolo Zico. 

Na entrevista do domingo de Páscoa para o Esporte Interativo na mesma sala do papo de janeiro do ano passado, o próprio Neymar falou por ele, pelo pai, e ao lado do Zico. Quer um dia jogar no Maracanã lotado. No Flamengo. 

Brinquei, e foi uma brincadeira, que ele poderia jogar no Palmeiras que já foi do coração infantil dele.  Brinquei com a dona Leila para ela assinar um cheque para ele disputar posição com o Keno. Brinquei, torcida do Flamengo, que adora um chiste. Pena que alguns adoradores do Diabo tenham achado que eu pretendi levar o menino para o Allianz Parque… Como se eu pudesse. Como se ele quisesse. 

Não adianta dizer que essa informação fui eu quem passei em abril do ano passado (perdão pelo cabotinismo). Em junho, repercuti com o presidente do Flamengo no Fox Sports. Nem que Zico também tenha feito ''lobby'' por outro gênio na Gávea. Tem gente que viu clubismo meu… Só meu. 

Clubismo não é torcer por um time. O que eu faço. Clubismo é distorcer contra um clube. O que abomino. E jamais fiz. E quem quiser que leia 1981, meu livro e de André Rocha, sobre o melhor time que vi na vida no Brasil. O Flamengo de 1981-82. 

Até porque Neymar é um que decide pela cabeça dele. O filho. Em 2006, com 13 anos, não quis ficar no Real Madrid como muitos pretendiam. Já queria ser Barcelona. Como quis em 2011. E mesmo em 2013, quando o Real Madrid ofereceu mais, e o pai dele e o empresário Wagner Ribeiro quiseram muito mais Madri. Quando Manchester Unired e PSG ofereceram oceanos de dinheiro, Neymar Jr. insistiu em ser Barcelona. 

Nisso ele decide sozinho. Como botou na cabeça e no coração que quer Flamengo. 

Espero que os bons de coração entendam os que os ruins de cotovelo não compreendem. 


A defesa foi o melhor. São Paulo 0 x 2 Corinthians 
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Mauro Beting

MADRI – Jô vai fazer um gol em clássico. Goleiro do São Paulo vai tomar um gol discutível. O Tricolor vai tomar gol. 2017 em ''certezas''. O Corinthians é favorito em mata-mata contra o São Paulo. Essa é máxima dos últimos anos. 

Fechadinho, bem organizado, e desta vez letal no contragolpe. O Majestoso corintiano. Mesmo com Gilberto com Pratto, o São Paulo mais levantou bolas que o animo do torcedor. Aquele que, como tantos, ao final do clássico, chamou de ''time sem-vergonha'' a equipe que, se empatasse, seria chamada de ''guerreira'' pela mesma turma. 

Nem à guerra e nem à vergonha. É um São Paulo ainda instável no que propõe, também pela qualidade discutível de alguns, e pelo noviciado de outros. Contra um Corinthians que sabe melhor as suas limitações. Delas não foge muito para se superar mais uma vez. 

Em formação, melhor optar por se defender como Carille a atacar como pretende Ceni. Gosto mais do estilo, da escola e da escolha do treinador tricolor. Mas respeito a decisão do corintiano. Tanto quanto os resultados obtidos. 

PS: Consegui ver o clássico pelo Premiere com o amigo Milton Leite, no aplicativo do celular, daqui de Madri. A tecnologia é uma dádiva. Tanto nos aproxima que às vezes ainda choca.  


Com a Macaca. Ponte Preta 3 x 0 Palmeiras. 
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Mauro Beting

MADRI – Assim como o Palmeiras, não vi direito o jogo com a Ponte Preta, dentro de um trem vindo de Barcelona. Como disse um caro colega, o melhor time do SP-17 entrou se achando o Real Madrid e saiu do Moisés Lucarelli como se fosse o Barcelona das últimas visitas na Liga dos Campeões. 

Mérito maior da Macaca que entrou como a própria nos primeiros 10 minutos. Com menos de 40 segundos, Prass dava os rebotes que nenhum palmeirense acordou até ver Pottker, sempre ele, abrir a contagem. Não deu 10 e já estava dois. Proeza de Lucca às costas de Jean, depois de bote infeliz de Dracena. Três com Jeferson em nova falha de Zé Roberto, de uma defesa desprotegida, e comida com farofa por Clayson e pelos dois companheiros de frente do time bem armado por Kleina. Time que merecia pelo menos mais um no pênalti claríssimo de Prass não anotado pela arbitragem ruim como foi o Palmeiras. 

A virada verde seria improvável não fosse Palmeiras, esse elenco, aquele Allianz Parque. Mas parece que o jogo com o Peñarol não acabou mesmo. O Verdão foi a Campinas ainda na Libertadores. Pesou. Cansou. E a Ponte mais uma vez foi muito bem. Não foi zebra. Foi a lógica.