Blog do Mauro Beting

Tite convoca Parte 1, segunda temporada: EUA e El Salvador
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Mauro Beting

Tite está certo ao tentar minimizar o erro de ter semifinal de Data Fifa colada à semifinal de Copa do Brasil. Só convocar um de cada time é ótimo. Mas melhor seria chamar de todos os semifinalistas e não deixar o Palmeiras sem convocado. Ele citou Bruno Henrique que está mesmo jogando muito. Mas seria o caso? Tinha como não chamar Everton (o melhor gremista em 2018) e apostar em Malcon

. Ou Neres. Ou até Richarlison. Sem falar de Vinicius Jr. Poderia testar Rafinha ou Danilo em vez de Fagner. Paquetá já pode ser até titular do novo Brasil. Mas há opções para convocar para a função.

Melhor fez ao mesclar o grupo. Mesmo se fosse hexa, e poderia ter sido, já seria a hora de renovar. Agora, mais ainda.

GOLEIROS – Alisson segue titular. Neto é ótimo nome. Como seria Cássio, Grohe. Ederson já poderia ser titular. Não entendi o porquê da integração desse jeito do Sub-20. Não mesmo. Nada contra Hugo, que tem potencial. Mas não é o caso.

LATERAIS – Fabinho já merecia mais chances, até por atuar como volante. Fagner foi titular da Copa. Alex Sandro e Felipe também não se discute.

ZAGUEIROS – Levaria todos os chamados. Thiago Silva e Marquinhos, Dedé e Felipe – que já merecia oportunidade. Geromel também poderia estar na lista porque eu ainda não testaria Everton – pela limitação de chamados de clubes na Copa do Brasil.

VOLANTES – Casemiro e não se fala em outro nome. Arthur e Fred também merecem mais espaço. Especialmente Arthur. E Paquetá joga demais pelo Flamengo mais atrás e pode fazer o mesmo pelo Brasil.

EXTERNOS-DIREITOS – Willian e Douglas Costa.

MEIAS-CENTRAIS – Coutinho e Andreas

Pereira (enfim com a chance merecida).

EXTERNOS-ESQUERDOS – Neymar. E teria testado Malcon.

CENTROAVANTES – Firmino e Pedro. Descanso para Jesus.

(No lugar de Renato Augusto eu poderia levar mais uma opção de atacante pelos lados. Entre os jovens europeus, já testaria Vinicius Jr.).


Felipe & Dudu. Palmeiras 1 x 0 Bahia.
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Mauro Beting

ARTE MILTON TRAJANO no Instagram

Dudu subiu com a impulsão que velocistas como ele tem, aos 29 do segundo tempo menos bem jogado do que o equilibrado primeiro – pelos méritos do perigoso ataque do Bahia. Cabeceou o baixinho com a técnica e tempo de bola que grandes atacantes como ele tem no belo cruzamento de Mayke. Marcou o gol que o Palmeiras mereceu nas 10 chances criadas contra as 6 do Bahia. A partida do retorno de Felipão com mais futebol gerado. Ainda que longe do que pode e do que é preciso.

Mas já com aquele jeito que a gente sabe. Com aquele gene que ele sabe perpetuar. Faz 1 a 0 e se planta como aipim até o fim. O que poderiam ser 11 Lucas Limas viram 11 Thiagos Santos. Pernadas na bola e as pernadas despropositadas de Felipe Melo nas pernas alheias. Um sufoco só do rival.

Mas não pro palmeirense. Ele não sofremos quando atacado quando defendido por Felipão. Sofre, sim, para atacar. Mas quando acossado, sai como se estivesse abraçados defendendo a meta como se fosse única. Como se fossem por milhões.

Foi assim de novo no molhado Pacaembu com ótimo público para o horário e para a chuva. A torcida apoiou o time como a equipe parece apoiada pelo astral de Scolari. Não é mais o jogo apoiado que tanto se fala e nem sempre se vê. É uma equipe que mesmo quando pressionada consegue desanuviar esse sentimento.

Como? Pergunte a Felipão. Eu não entendo como ele faz. Só sei que de um jeito ou de outro sem jeito dá certo. O alviverde se sente protegido como se tivesse um pai como uma capa impermeável. Uma Copa possível.


E que golaço! Chapecoense 0 x 1 Corinthians.
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Mauro Beting

Repare na imagem da transmissão do Fox Sports: é dessa cobrança de falta lateral que se esperava um cruzamento na área da Chapecoense. Mais uma bola alçada num jogo de metade do tempo com ela parada. Parte da outra metade com ela mal passada ou tratada. Significativa porção dela disputado com fome. Ou com gula. Com faltas e antijogo. Muito mais anti que jogo. E não porque quem está escrevendo é “anti” para quem não é Corinthians. É porque esse jogo não foi do atual hepta brasileiro e bi paulista. Isso não pode ser o Corinthians.

Da Chape não se pode esperar demais. É o que tem. Do Timão e de todos os grandes é dever exigir mais. O futebol foi paupérrimo na Arena Condá. Sei que é reconstrução de elenco. Pedrinho fez falta. Mata-mata é outra história. Mas precisa jogar mais. Bem mais.

Ou jogar com a precisão e talento de Jadson na cobrança de falta. Que golaço. Não foi cruzamento errado que deu muito certo. Foi golaço pensado mesmo. Mas não basta bolar um lance assim. Precisa ter o talento que ele tem. A experiência que ele tem. A camisa que veste e que honra.

O futebol brasileiro é capaz de golaços como esse. O problema tem sido os outros 89 minutos.


Flamengo 1 x 0 Grêmio. O suficiente.
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Mauro Beting

Na última bola, na Arena do Grêmio, na ida, o Flamengo empatou com Lincoln, num segundo tempo todo rubro-negro. Na volta, no Maracanã, pressionado pela perda da liderança no BR-18 e pela provável perda do sonho maior de Libertadores, na primeira bola de perigo Everton Ribeiro acertou bela pancada de direita depois de involuntária assistência de Paquetá na sobra de erro feio de Cortez.

O gol mudou o jogo. Ou pior para o Grêmio: ficou igual. O Flamengo deu a bola mas não espaço ao Tricolor. O time de Renato ficou com ela, rodou de lá pra cá, teve até algum espaço com Luan às costas do sobrecarregado Cuellar. Mas pouco de fato criou. Nem com Everton que tanto faltou na ida no Sul, na segunda etapa sem saída na Arena.

No Maracanã, o jogo foi mais tenso e intenso do que qualquer coisa. Normal para um clássico e para tantos confrontos recentes. Mas, apesar da classificação merecida pelos 180 minutos, ainda fica a impressão de que o Flamengo não está como já esteve – muito à frente dos rivais. Está sofrendo demais. Desgastando-se muito. Rodando pouco o time em três frentes e muitos fronts.

Para o Grêmio vale pensar como Polyanna na eliminação para focar mais no que ainda é muito possível. Em duas batalhas. Mas também repensar que Arthur faz muita falta. E o melhor de Luan, também.

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman


Tapa com luva de goleiro de Fábio. Cruzeiro 1 x 2 Santos (3 x 0 nos pênaltis).
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Mauro Beting

Vou falar algo que não é novo. Já tem 785 vezes com a camisa 1. Nem Raul (que foi melhor, em época incomparável entre goleiros) jogou mais. Nem Dida (que foi mais goleiro) foi mais goleiro do Cruzeiro que ele. Gomes é outro de excelente nível. Talvez até superior. Mas, para o cruzeirense, que é o que de fato importa e é quem mais sabe e pode dizer, o goleiro que defendeu 24 pênaltis pelo clube – e todos os três batidos pelo Santos – é o maior da história.

A capacidade do goleiro de um time quem melhor sabe e sente é o torcedor. Ele é quem arrepia a espinha e congela a barriga quando o adversário bate o tiro de meta. Ele é quem não sofre quando o rival vai bater pênalti.

O cruzeirense não chega a sofrer nas disputas. Só não digo que o celeste tem sanha pelos pênaltis que seria masoquismo. Mas Fábio parece mesmo sádico. Sabe os cantos dos cobradores e não precisa cantar os lados. Espera o momento certo do bote de gato. É fato. Faz defesas difíceis com a facilidade de quem treina. Com a felicidade de quem reina.

Fábio não é só pra pênalti. É mão pra toda obra. É tapa com luva de goleiro nos críticos e de quem não dá bola ao talento e à história que deveria ser muito maior na Seleção.

Fábio é para este século o que Dirceu Lopes foi no passado. Um cara e um craque que merecia vestir mais a amarelinha do Brasil. Ou quase tanto quanto Fábio pode usar a amarelona de Raul no clube.

E não é por Fábio ter estrela – que o Cruzeiro tem todas no peito. É por ter Fábio para defendê-las.

PS: Ah, o jogo: O Cruzeiro segue instável demais pelo time e pelo treinador que tem. Mereceu a classificação mas o cruzeirense não merecia sofrer tanto depois depois de boa atuação com muitos gols perdidos. O Santos venceu a primeira com Cuca mas ficou pelo caminho – o que pode ser ótimo para se recuperar no BR-18 depois de mais de dois meses sem vitórias.

Mas não é do time de Thiago Neves que quero falar e do Cruzeiro de Mano que segue vivo em tudo. Não é do Gabriel que está voltando ao gol como o Santos pode voltar ao bom caminho.

Quero falar do Fábio. O que mais uma vez levou o Cruzeiro.

E, sim, a arbitragem que era boa teve a infelicidade de na escapada de Gabriel terminar o jogo que a regra 18 mandaria seguir. Ou terminar assim que a bola saísse da área do Santos. Ele teve azar e/ou falta de experiência ao não observar a posição de Gabriel ainda faltando poucos segundos do acréscimo concedido.


Jorginho, ex-Vasco
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Mauro Beting

Jorginho não é mais treinador do Vasco.

Mas quando alguém que treina por 10 jogos uma equipe pode ser considerado treinador de um clube, ainda mais jogando quarta e domingo?

Jorginho sabe das coisas como um dos melhores laterais e vencedores do Brasil. Jogou muito e por muito tempo no país e fora. Também no meio-campo. Já fez o meio-campo em Seleção como auxiliar de Dunga de 2006 a 2010. Já treinou times no Brasil e fora. Já trabalhou muito bem no Vasco. E também com sérias restrições orçamentárias. E não apenas elas. Também com sérias restrições pessoais de gente do Vasco que diz querer o bem do Vasco.

Mas gente que também falta com a palavra. E com o pulso. E falta demais com o Vasco.

Não consigo dizer se o trabalho de Jorginho foi bom ou o que seria daqui pra frente.

Só sei que não tem como nada dar certo mandando treinador embora a torto e sem o menor direito.


40 anos de escola e 28 perdendo de goleada: parabéns, rivais.
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Mauro Beting

Há 40 anos a gente praticamente só tinha como ver gols da quarta e da quinta ali. Chegando da escola acelerando pra não o perder. Porque nem videocassete tinha há 40 anos. Não tinha como deixar gravando no box da Sky. Ou ver no tablet ou no smartphone que era coisa do Maxwell Smart, o Agente 86. A gente em 78 estava puto de perder a Copa na Argentina sem perder um jogo. Mas meio que sem saber ganhava um programa para ver o meu Jorge Mendonça da noite de quarta, o nosso Zico de quinta, talvez até um gol na Itália que não tivesse passado nos Gols sem cavalinhos mas com zebrinha do Fantástico. Tinha entrevista com jogador sem camisa no meio do campo de treino, tinha essa gola de camisa do querido Luciano que dá um nó na goela de saudade do mestre, ídolo, colega que virou amigo. Como a gente é um pouco conhecido e se fez amigo de todos que entram em casa há 40 anos para dividir nosso almoço. Passando pela revolução do Leifert, passando pela nossa vida mais rápido a cada dia. Eu que já estive ou estou no ar no mesmo horário por rádio e TV nos últimos 28 anos, só posso agradecer pelas homéricas surras que levamos no Ibope. Perder pra gente que nos fez gente é sempre motivo de respeito. Em breve voltamos a concorrer com vocês. Mas não contra. Discordamos muitas vezes de como vocês fazem. Mas é como jogar contra o Real Madrid. Tem de aturar. Tem de respeitar. E, melhor ainda, tem de competir. Esporte é assim. GLOBO ESPORTE, mais ainda.


Uma casa Portuguesa
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Mauro Beting

A mãe de Fábio faz 98 anos hoje. Ele e os filhos sempre a visitam. Não é mais a mesma casa, com certeza. Quase ninguém vai. E, quando Fábio e os filhos, os amigos Flávio, Júlio e os deles chegam, olham para a casa vazia procurando algo além da saudade. Não de vitórias e títulos sem protesto. Apenas de vida. Que é muito mais do que isso.

Eles tocam a campainha quebrada:

– Já tô indo, meninos… Esperem que minhas pernas já não são as mesmas…

– Parabéns, vovó!!! (Quando ela abre as portas da casa no Canindé, Fábio e os filhos a abraçam como se fosse um gol de Enéas que só o pai viu, um drible de Julinho que ele leu, um passe do Djalma Santos que ele ouviu).

– Que saudades! A casa é de vocês. Venham sempre. E não só no meu aniversário. Aqui vai ser sempre o cantinho de vocês!

– Mãe, tá difícil vir aqui… Vida corrida… A senhora também não se cuida direito. Pior: acha que todo cara que apresenta uma cura vai te tratar bem… E os que são daqui o que fizeram com a senhora? E com a sua casa? Olha só: parece que todo dia tem um objeto a menos na sala. A fechadura arrombada. Janela aberta!

– Filho, eu sei que vocês não conseguem vir tantas vezes. Tô velhinha, cansada, já não dou tantos motivos e nem festa. Eu sei que tem gente que me quer assim. Até da família. Não posso pedir amor pra ninguém. Até porque eu sei que vocês que sempre me amaram me querem de um jeito sem condições. Eu só peço que vocês nem venham tanto pra casa. Mas façam algo por ela. Batam em outras portas antes que fechem as minhas. Conversem com amigos. Colegas. Com o pessoal que possa ajudar nosso canto que vai ficar pra vocês. Para que eu possa continuar sendo eterna. O meu presente é estar viva no centenário. E poder contar cada ano contando pro mundo que aqui vamos à luta.

– Mãe, precisamos recomeçar. Vender a casa. Construir outra. Reconstruir.

– Filho, faça o que for. Mas faça algo. Não quero ser só saudade. Uma foto na parede. Se o melhor for derrubar a parede e os muros, que seja.

– Mãe, não somos muitos. Mas podemos fazer muito se ainda lembrarmos quem nos fez o que somos: você! Obrigado, minha Portuguesa amada!


Quem segura? Quem esperava? Fluminense 0 x 3 Internacional.
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Mauro Beting

O Fluminense tem um centroavante que já pode ser convocado sexta-feira para o segundo ciclo de Tite: Pedro. Ele só não marcou um golaço porque Lomba fez uma baita defesa no segundo tempo. Mas não tão impressionante quanto a que negou um gol para Marcos Júnior logo no começo. O lance da Foto depois de ele espalmar.

Se sai aquele gol feito que o goleiro colorado desfez, o limitado Fluminense talvez tivesse outra sorte no clássico. A que faltou no belo sem-pulo de Sornoza que explodiu na trave esquerda quando já estava 3 x 0 para o visitante que marca e que joga e que vibra no Beira-Rio ou no Rio do mesmo modo. Treina como joga. Joga como ganha.

Como fez Nico López, que abriu e fechou o placar em falhas de Jadson e Digão. Em botes bem treinados e aplicados pelo Inter. Nico pelo menos uma vez voltou até atrás para acompanhar lateral. Jogou e não deixou jogar. Tem como fazer isso no futebol. Ou só tem isso para fazer, como destacou Odair. Jogar como joga e se joga Rodrigo Dourado, que marcou como volante e armou como meia o primeiro gol.

No segundo, o ótimo Iago foi ao fundo e ganhou de Gilberto para Alvez marcar. Com outra marcação de bobeira defensiva tricolor. Quase todos tiveram do sistema defensivo carioca ao menos uma falha feia cometeram que daria em chance de gol gaúcha. Não fosse Júlio César e teria sido mais.

Mas mais não é necessário para elogiar o Inter. Outro caso raro de time que volta muito bem da B. Não que seja o caso de cair para se levantar, como o próprio campeão de tudo aprendeu a partir de 2003 quando quase foi rebaixado no BR-02. Outro exemplo como o líder São Paulo. Sofreu no BR-17 para se encontrar agora quando poucos esperavam.

Eu, pelo menos, não dava essa bola toda a tricolores paulistas e colorados.