Blog do Mauro Beting

Ambições e falta delas. Santos 1 x 1 Palmeiras.
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Mauro Beting

Jair Ventura quis mostrar que não é só um treinador que extrai muito de quem tem pouco como o belíssimo trabalho que fez no limitado Botafogo que teve às mãos.. Quis tentar ser mais ofensivo. Em campo, o Santos dele era um 4-2-4. Na prática, Jean Mota estava mal para articular e se aproximar dos quatro da frente, Gabriel seguiu com problemas técnicos mesmo se mexendo bastante, Sasha ainda penando pela fase, Bruno Henrique longe do que é, e o excelente Rodrygo mais se jogando do que jogando, mais se irritando do que enervando os rivais.

O Palmeiras teve a felicidade de fazer um gol em belo lance de Willian para Lucas Lima finalizar e começar o festival de provocações de lado a lado com o relacionamento interrompido ano passado. A tranquilidade que deu o gol com 5 minutos depois seria confundida mais uma vez pelo time de Roger com incerta leniência. Aquela sensação de que o time faria gol quando quisesse. E quase ampliou em bons contragolpes desperdiçados contra um Santos que pouco criou. Como o que Alison salvou sobre a linha o gol de Hyoran.

Mesmo depois do intervalo, o time de Jair não foi bem. Em vez de jogar a bola que sabe e pode, o Santos, como tantos diabinho de todos os clubes, mais tentou cavar pênaltis que gols. Foi assim que Gabriel perdeu boa chance aos 8, dando a impressão de mais querer o pênalti que não foi do que empatar o jogo que só chegaria à igualdade numa bola tão parada quanto estava o clássico. Bate-rebate que deu no gol de Gustavo Henrique, aos 29.

Então o Palmeiras voltou a jogar. Mesmo com as mudanças que mais atraíam o Santos que buscavam o gol, só então o time de Roger foi ao ataque e criou três chances nos últimos cinco minutos (incluindo uma bola na trave de Vanderlei).

Ao final, as duas equipes saíram irritadas com o resultado. E os torcedores, mais ainda, com as ambições dos dois gigantes que deixaram o Pacaembu como chegaram: devendo.


Cássio e Sidão
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Mauro Beting

Ronaldo Giovanelli jogou 601 jogos pelo Corinthians dele. Nenhum goleiro foi mais corintiano do que ele. Melhor – em outra época – foi o bicampeão mundial Gilmar. Dida foi maior goleiro em menor período. Cássio é o maior de todos em tamanho.

Mas, nas reiteradas palavras de Ronaldo, Cássio já é o maior da história do clube onde chegou em 2012 para ganhar tudo. A Libertadores invicto graças a ele. Mais um Mundial muito devido à Muralha do Japão que foi contra o Chelsea. Brasileiros, Paulistas, Recopa. Só esta faltando Copa do Brasil.

Mas não parece faltar nada quando ele está lá não só como um goleiro grande. Mas um grande goleiro mesmo. Capaz das quatro defesas que fez contra o Botafogo que segue bravo mesmo perdendo atletas e treinadores. Fogão que merecia melhor sorte em Itaquera. Cássio que merece todos os elogios pelo que fez.

Aquela que defendeu no cantinho esquerdo e no rebote ainda salvou com o pé direito é lance para emoldurar na memória.

Defesas que compensaram deslizes em algumas saídas que não se pode admitir para o goleiro que é, pelo clube que defende, pelo tamanho que tem.

Mas Cássio tem feito tanto pelo Corinthians que já é algo maior do gigante que é na meta e em Itaquera.

Algo que Sidão a duras penas, bolas e defesas não consegue ser até quando vai bem como foi muito bem no Maracanã na baita vitória do São Paulo. Antes das duas importantes defesas que fez contra o líder Flamengo, saiu com os pés de modo inexplicável no fim da primeira etapa, e deixou bisonhamente chute de longe de Paquetá passar pelo corpo dele.

Toda a sensação de segurança que Cássio passa ao Corinthians o Sidão não consegue nem quando vai bem no São Paulo. Os nada do que fez muito errado acontece pior.

É algo que só o tempo conserta. Se conseguir.


Brasileirão voltou. Flamengo 0 x 1 São Paulo.
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Mauro Beting

Não se pode cobrar muita coisa de nenhuma equipe na volta da intertemporada. Mas se esperava mais do grande líder Flamengo e menos do São Paulo.

O que se viu mais uma vez foi um grande clássico. E uma enorme vitória paulista de um time que flertou com o placar maior e depois sofreu pela inconstância da zaga e da irregularidade de Sidão, que vai da insegurança ao céu de uma bola a outra. Mas, diferente de tantos jogos recentes, deu tudo muito certo ao São Paulo. Uma vitória daquelas que há muito tempo o Tricolor não tinha. Derrota daquelas que o Flamengo pouco teve nos últimos anos no Maracanã. Também pela ausência de Cuellar.

1º TEMPO – Aguirre não quis esperar. Foi ao ataque. E foi melhor do que o Flamengo no primeiro tempo. Fato que as duas primeiras chegadas foram faltas cruzadas na área carioca. Mas ainda assim foi um time que propôs mais com velocidade no contragolpe e mais uma boa prestação de Diego Souza e Nenê. Rojas também mostrou suas qualidades conhecidas no drible e para bater com os dois pés. O Flamengo não teve a fluência do excelente Paquetá, e nem com Everton Ribeiro rodando mais conseguiu compensar a discrição de Diego. Só apareceu para mandar bola na cabeça de Paquetá para atingir o travessão paulista. Mas foi pouco.

2º TEMPO  – Jucilei saiu lesionado aos 35 ainda da primeira etapa. Liziero dá mais ritmo. Mas perdeu o São Paulo a força na marcação na cabeça da área. O Flamengo cresceria naturalmente. Mas o gol que Rojas botou na cabeça de Everton aos 2 minutos deu a faca e a bola ao Tricolor. Enquanto Marlos seguia tropeçando na bola ou a deixando escapar mais do que Sidão, Everton seguia mostrando tudo que sempre exibiu pelo Flamengo. Com outra ótima estreia como a de Uribe, que entrou aos 16 para já ter a primeira chance aos 20, o Flamengo cresceu e foi empilhando oportunidades que a zaga paulista concedeu e Sidão ou defendia com reflexo ou se perdia no espasmo que dava ao torcedor ressabiado com ele e com o São Paulo. Mas tudo que vinha dando errado dessa vez voltou a dar certo. Tudo que o Flamengo vinha acertando deu errado. O campeonato voltou. E foi reaberto. Com emoção até o fim, com Matheus Sávio entrando bem.

CHANCES DE GOL – SÃO PAULO 5 x 3 primeiro tempo;  FLAMENGO 8 x 2 segundo tempo. TOTAL: FLAMENGO 11 x 7.

O LANCE – 20min do segundo tempo. O excelente Paquetá bate, Sidão espalma e, no rebote, Uribe perde sua primeira chance pelo Flamengo.

O CARA – Everton. Arruma qualquer time. E também faz gols.

TÁTICA – Flamengo no 4-2-3-1; São Paulo também, mas com os externos um pouco mais adiantados. Na segunda etapa, como já treinado, Uribe entrou bem ao lado de Guerrero, em um 4-2-2-2.

NOTAS DO JOGO –  FLAMENGO 6 X 8 SÃO PAULO  –  JOGO NOTA 8

BOTA-TEIMA – Eu não teria mostrado o segundo amarelo para Araruna.

Tem como discutir um pênalti para o São Paulo de Rômulo – eu não marcaria.

O CHUTE INICIAL – FLAMENGO 3 X 2 (palpite do bolão)

NO FRIGIR DAS BOLAS  – Talvez a mais preocupante atuação rubro-negra no BR-18. Certamente a melhor exibição do São Paulo em 2018.


As tendências do desfile primavera-verão na Rússia
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Mauro Beting

No mundo em que você pode estudar do seu quarto em Timbuctu como bate tiro de meta o goleiro de Vanuatu, a Copa do Mundo não dita mais tendências no futebol. Ela é apenas o melhor desfile da temporada primavera-verão no país-sede. (Quando não é outono-inverno no hemisfério Sul).

Já foi o tempo que o WM começou a ser enterrado pela Hungria de 1954. O 4-2-4 foi implementado pelo Brasil em 1958, já ensaindo o 4-3-3 de 1962 que daria no 4-4-2 de 1966. O inimitável Brasil de 1970 que antecipou o 4–2-3-1 de linha torta que seria esquecido até 1982, quando a Itália lançou um proto 4-1-4-1 em resposta a muitos 4-3-3 de Copas anteriores.

Os esquemas com três atrás de 1986 que viraram base de 19 das 24 seleções em 1990 até serem esquecidos no tetra com a versão brasileira do 4-4-2. Em 1998 já havia uma variedade de versões de sistemas com três ou quatro atrás, um ou dos na frente.

A partir de 2002, para não dizer um pouco antes, com os grandes torneios de clubes cada vez mais visíveis, seleções cada vez mais com atletas pulverizados em varias ligas nacionais, com menos tempo para treinamentos, os Mundiais são cada vez menos impactantes nas tendências táticas.

Em 1982, a derrota do Brasil entrevou o planeta numa praga pragmática. Reducionismo tacanho de que para ganhar não basta jogar bem e bonito. Como se a Itália também não fosse um ótimo time. Ali foi o último legado pesado de Copa. Também porque cada vez menos tempo havia para preparar equipes.

O Brasil de 1970 também foi tudo aquilo por ter ficado mais de 4 meses treinando sem parar até Zagallo escalar um volante de zagueiro, um meia como volante, um armador aberto pela esquerda, um ponta-de-lança como ponta, outro como falso 9.

Há tempos não há tempo para uma seleção revolucionar nada. Mesmo as equipes inovadoras não se fazem sempre ou se refazem tanto.

Esperar novas tendências numa Copa é como redescobrir algo além de um pretinho básico. Não rola.

Mas tem seus modelos que ditam alguma moda. No próximo post falamos do que bombou na Rússia. E talvez só por lá.


Ghiggia. O pai que nunca falou ao filho do Maracanazo.
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Mauro Beting

Fez 68 anos em 16 de julho. Você já sabe… Friaça 1 x 0 para os “campeões do mundo”… Schiaffino empatou para a seleção campeã mundial em 1930 e bicampeã olímpica em 1924 e 1928..: Ghiggia escapou pela direita e bateu no canto de Barbosa…

Maracanazo. 1950. A única derrota sem volta no futebol.

Tudo isso você já soube. Mas o que Alcides Ghiggia levou quando partiu há exatos 3 anos, quando completavam errados 65 anos do Maracanazo (e ele foi o último sobrevivente da maior vitória uruguaia e do mundo), nem o filho Arcadio soube.

Em um clássico entre o Peñarol dele e o Nacional, em 1952, sobrou um chute pelas costas do árbitro Latorre. Quando ele virou para ver o agressor, só viu Ghiggia por perto. Ele foi expulso e suspenso por 15 meses.

A suspensão só foi revista 8 meses depois, quando a Roma o levou para a Itália em 1953 para jogar por 8 temporadas, e ser campeão nacional no único ano pelo Milan. Também defendeu a Squadra Azzurra por 3 anos. Nos 9 na Itália teve de se defender dos paparazzi e do que adorava viver com paixões de todas as idades.

Jogando pela Roma não pôde jogar a Copa de 1954 pelo Uruguai onde atuou apenas 12 vezes e marcou 4 gols – todos na Copa de 1950. (Mundial que ele quase não jogou se tivesse acertado contrato com a Atalanta…)

Negócio com a Itália dos pais genoveses de Alcides (da terra da mãe que ele lembrava com uma foto que deixava no calção) só saiu mesmo em 1953. E só porque a federação uruguaia reduziu pela metade a pena de 15 meses. Discutida por muitos que disseram que não havia sido Ghiggia o agressor.

Anos mais tarde, o filho Arcadio (nomeado em homenagem ao colega e capitão da Roma Arcadio Venturi) perguntou a ele o porquê de o pai não ter se defendido da acusação de agressão. O homem que calou o Maracanã explicou: “vou levar para a tumba o nome do companheiro que chutou o árbitro”.

Faz três anos que não sabemos quem foi. Mas se imagina que não tenha sido quem chutou aquela bola entre Barbosa e a trave em 1950. A mais grave do futebol brasileiro.

A história que milhões conhecem. Mas Arcadio só foi saber mais velho, quando o pai voltou da Itália, em 1962, para jogar até os 42 anos pelo Danubio. Quando os novos colegas no Uruguai souberam que Arcadio era Ghiggia, perguntavam do Maracanazo. O filho de Alcides não soube responder. Um dia perguntou ao pai. A resposta: “Teve um Mundial em 1950 no Brasil. Eu joguei pelo Uruguai. Fizemos alguns gols. Eu fiz um gol”.

Não falou que era o da virada. O do título. Não falou que ele marcou nos quatro jogos uruguaios na Copa.

Alcides nunca mais falou a Arcadio sobre 1950.

Não por acaso nunca falou o nome do colega agressor em 1952.

Ghiggia aprontou muito. Mas nunca apontou para ninguém.


Nem sempre os ratos são os primeiros a abandonar a caravela. Infelizmente.
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Mauro Beting

Problema não foi aparecer um rato em São Januário em mais uma eliminação do Vasco. O que mata são os ratos que infestam a nau há uma década mais soçobrando que sobrando. Mais sangrando que singrando mares e fossas nunca dantes navegadas e naufragadas.

Um rato no campo é pinto perto de algumas ratazanas que ou fugiram na primeira tormenta ou atormentam e não largam o comando há péssimos tempos.

Antes fosse só um rato o que está errado no Vasco. Antes fossem só os primeiros que saíssem na primeira das enésimas crises.

É muito mais que um rato solto num futebol que volta a campo um dia depois do final da Copa. É muito mais que dois times que jogaram a primeira partida com treinadores diferentes dos que assumiram as equipes no jogo da volta.

Não é só um rato. Nem poucos burros.

A fauna é maior. A farra, também. Não é só no Vasco que tem animal que não deveria estar ali. Também teve rato na minha casa. Na porta dela. Não foi fácil tirar. Mas deu para desratizar. O problema é que em alguns lugares os ratos comem os gatos. Ninguém caça. Ou deixa todo tipo de bicho e de bico passear pelo terra sem lei e com um rei do lixo. Libera catracas para animais subirem às tribunas para fazerem seus ninhos. Criando filhotes. Ou alimentando alguns que nem são mas acabam virando crias.

Não adianta agora instalar ratoeiras pela casa. Elas são contaminadas como urnas. São desarmadas como coalizões. Às vezes até mudam as cores. Parecem esquilos. Mas acabam mesmo esquálidos ratos.

Não é só no Vasco. Mas um clube tão vencedor, tão pioneiro, tão popular, tão emblemático não pode ser tratado assim como se fosse o quintal dos posseiros.

A vassoura não deve ser usada para afugentar os ratos. Tem que limpar a casa.


Casagrande e alforria
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Mauro Beting

Casagrande, quando você vestia essa camisa, eu tinha todos os motivos para não gostar de um cara que fez três dos cinco gols num Derby, em agosto de 1982.

Mas meses depois você vestia uma camisa que atacava a falta de democracia no país e defendia a liberdade.

E não tinha como não torcer por você.

Você ainda defenderia a camisa do São Paulo em 1984. Mas ainda assim não tinha como não torcer por um ótimo atacante de raça, de rock, de cabeça, de coragem.

Em 1986, quando gritei “Justiça” no Derby que a gente merecia mesmo vencer, você não mereceu perder o jogo por 3 a 0.

Quando você era Flamengo em 1993 e a torcida gritou no Pacaembu “doutor, eu não me engano…”, não tinha como não torcer pela sua volta em 1994.

Quando em 1995 eu e Sócrates fizemos um jogo pelo SporTV com você de comentarista convidado, não tinha como não te ligar dois dias depois pra ser nosso comentarista.

Não rolou. Mas logo veio a ESPN. Mais um ano a Globo.

E não tinha como não torcer e aprender com você desde então – menos porcentagem…

Em 2006, quando você não pôde continuar o programa na Brasil 2000 FM com o Edu Afonso e o Nasi, não tinha como não te substituir – mesmo sem conseguir.

Em 2018, quando você chegou, ficou e saiu da Rússia invicto, com a força de assumir fraquezas e a vitória contra seus demônios, não tem como não celebrar mais uma vez.

Você que jogou por muitos partidas que nem eram suas, deixa que agora a gente te joga pra cima.

Parabéns, Casão. A Copa tem mais um grande campeão.


Belle Époque
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Mauro Beting

Foi em Lyon, em 1998, quando a Croácia marcou o terceiro gol contra a Alemanha, que disse ao saudoso locutor Marco Antonio (que faria ali sua última transmissão de Copa) que o Brasil acabava de se sagrar campeão mundial do século XX. A Itália tinha sido eliminada na véspera pela França e não poderia ser mais tetra (que seria em 2006). A Alemanha perdia ali a chance do tetra que viria em 2014. O Brasil não tinha mais como ser alcançado por nenhum país no século XX. Mesmo perdendo logo depois a final para a França.

Vinte anos depois, na Rússia, a França conquista a quinta Copa deste século que já teve Brasil ganhando o penta, a Itália o tetra, a Espanha a primeira, a Alemanha o tetra, a França o bi. A França que foi vice mundial em 2006. Vice da Europa em 2016. Era o melhor time do mundo em 2002 depois de ganhar a Euro-00 até perder Zidane e se perder na Copa na Ásia. A França que se perdeu em 2010 em crise entre treinador e atletas. Só perdeu em 2014 para a campeã Alemanha, nas quartas. Só empatou em 2018 com os reservas com a Dinamarca. Não passou por nenhuma prorrogação até o título como só o Brasil em 2002 e a Argentina em 1986 desde que a Copa tem jogo único desde a fase de grupos.

França que soube jogar o Mundial. Ganhar merecidamente a Copa. Embora, como o Brasil de 1994, pudesse ter entregado mais futebol. Preferiu na final dar a bola e o campo aos estafados croatas. Foi o único jogo em que criou menos oportunidades que o rival (5 x 10). Ainda assim marcou quatro gols – os dois primeiros em lances discutíveis de arbitragem. E só concedeu um gol na falha de um goleiraço que quis brincar onde não podia. Diferente da equipe que poderia ter brincado mais com a bola. Brindado o torcedor com o talento de seu jogo.

O torque, o turbo, o toque e os truques do Mbappé que parece ter 19 Copas e não apenas anos. A elegância do estilista Pogba que baila como se fosse um Zidane de passadas de Bolt e posse de bola. Griezmann que fica atrás dos atacantes ou aberto pela esquerda ou onde for necessário para compensar um Giroud que como Guivarc’h em 1998 não faz e nem chuta pro gol. Mas muito melhor que aquele medíocre centroavante de 1998 o de 2018 prende zagueiro, libera espaço no HD 4K pra quem vem de trás como Pogba, pra quem sai da frente como Mbappé, para Griezmann criar, Matuidi atacar como terceiro meia pela esquerda ou como terceiro volante.

Embora só bastasse na frente da zaga um Kanté para varrer a área de Varane e Umtiti. Bolões pelo alto na área alheia. Balões dirigíveis na própria defesa. Ainda melhor com Lloris. O capitão necessário. Discreto sob as traves quase sempre só uma hora foi brincar e deu o gol aos croatas. Nas outras horas foi o goleiro que quase sempre esquecem de citar entre os grandes. Capaz de milagre contra Cáceres.

Como foram enormes Pavard e Hernandez. Dois laterais que imaginava reservas e que são zagueiros nos clubes onde mal conseguem ser titulares. Dois que podem ser titulares de qualquer seleção da aCopa.

Ainda mais uma que não teve Benzema no ataque pelos tropeços fora de campo feios como os de Giroud lá dentro. Não teve Rabiot que tinha bola para ser titular. Como já foi Payet. Não pôde ser Coman. E alguns convocados que tiveram minutos e têm bola como Dembelé, Tolisso, Lemar.

Grande armeé da França. Time que era para ser campeão a partir de 2019. E já reconquistou o mundo em 2018.

França de 15 filhos da África e do Caribe e outros com ascendência de outros países da Europa. França com mais de três cores.

Exemplo em campo e fora dele. Para todos os campos da vida.


Precisamos aprender a perder
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Mauro Beting

A foto dos campeões. Opa, vices. Melhor: vencedores mesmo perdendo a final. Mas sem perder o juízo e nem o respeito. Não quero o Brasil perdendo títulos e celebrando. Quero, antes de tudo, voltar a uma final. E, se perder o jogo que é do jogo, não perder a compostura e nem a esportiva. Os croatas reclamaram da falta cavada por Griezmann no primeiro gol e da mão na bola/bola na mão discutível do segundo. Ponto. Celebraram muito mais o feito de chegar até onde foram. Quero o Brasil assim. Com raiva da derrota. Não com vergonha. Reclamando quando prejudicado. Mas reconhecendo os méritos alheios. Sabendo perder como ninguém ainda sabe ganhar mais do que a gente.


O campeão é um nove falso
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Mauro Beting

O centroavante campeão do mundo não chutou uma bola na direção da meta adversária em 546 minutos.

Em pouco mais de seis partidas, nenhuma finalização contra 2m44 x 7m32. E uma bisonha em que Giroud, sozinho, mais tropeçou que finalizou pra fora um passe de Mbappé. O goleador que vem da ponta.

Ainda assim o comandante de ataque (ou comandante de defesa) foi importante taticamente para abrir espaços para quem sabe demais como Mbappé e Griezmann. E até para o todocampista Pogba. Fez paredes importantes. Além de algumas vergonhas.

O centroempreteiro que faz paredes merece alguns elogios por segurar zagueiros. Mas não todos.

Só em 1958, em seis partidas, o centroavante francês Fontaine marcou 13 gols. Dois a menos do que toda a França do pavoroso Guivarc’h (e dois ainda imaturos Henry e Trezeguet) em 7 jogos com duas prorrogações em 1998. Um a menos que a França do inerme Giroud em 7 partidas bicampeãs em 2018.

Depois de tanto pensarmos em falsos 9, enfim chegamos aos verdadeiros noves falsos.

Noves fora, os centroavantes sem bola e sem gols estão na moda.

Aceitemos ou não.