Blog do Mauro Beting

Viva a Libertadores maior! Vamos aproveitar e unificar o calendário com o da Europa?
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Mauro Beting

Melhor para a Libertadores uma competição espichada e com o interesse ampliado e amplificado. Deixando o vencedor em ponto de bala inclusive para chegar com mais foco e fogo na disputa do Mundial. 
Excelente para a Conmebol para manter a entidade mais acesa que no atual segundo semestre murcho pela Sul-Americana. Ótimo para clubes, torcida e mídia. 

Melhor ainda se o calendário brasileiro for atrelado ao europeu. Evitando a sangria desatada pela abertura do mercado no meio do ano. 

Tem como jogar no Brasil em qualquer mês. O que não tem mais como é seguir do jeito que está. 


Cobranças de lateral e cobranças paralelas. Jornalismo, futebol e paixão
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Mauro Beting

O Mauro que mais aprecio no jornalista esportivo é o Mauro Pinheiro, o senador que era grande e elegante comentarista, excelente pesquisador e historiador do futebol. Mauro Naves é outro grande parceiro e amigo e senhor repórter. Mauro Júnior é outro baita tudo isso. Como Mauro Cézar Pereira, dos mais respeitáveis, sérios (até demais), competentes e completos jornalistas esportivos do Brasil. Conheço o xará desde 2000. Gosto dele desde então. Discordo muito, como discordo demais do Mauro Beting jornalista. Eu, como meus filhos, corneto demais o comentarista que é pai deles. Faz parte.

Temos muitos amigos em comum, MB e MCP. Ele tem muitos desafetos que são meus amigos. Tínhamos até junho um amigo queridíssimo em comum, Daniel Barud, que meu xará tanto ajudou. É do coração do Mauro. Sim, alguns acham que ele não tem, que é duro demais, exigente demais, quer as coisas sempre muito certas. O que jamais será defeito. É questão de jeito, de estilo. É característica – e, diga-se, das mais louváveis e corajosas em país tão injusto e errado como o nosso.  Aprecio demais esse jeito dele. Mas sou diferente. Eu sou mais, digamos, complacente, mais na minha, um tanto mais aberto ao diálogo que o xará que é das Organizações Bloque. Não a Bloch da falida Manchete, mas a de bloquear nas redes sociais quem ele não quer papo. Com ou sem motivos. Outro cracaço como o Flávio Gomes é assim. Jeito de dois caras que admiro demais como pessoas e como jornalistas.

Sou diferente. Prefiro seguir quem ''merece'' bloqueio. Prefiro conversar e/ou sacanear quem chega chutando. Não é defeito ou virtude minha. É característica. Mas acho, também, que como jornalista, preciso aturar, entender, compreender e respeitar a corneta, a crítica, a cobrança lateral, a paralela, a direta, a sacanagem, a trollada, a stalkeada e a detonada do público do mesmo jeito que o jornalista faz isso desde que começou. Mas, infelizmente, muitos queridos colegas já partem para o bloqueio direto. Honestamente, não entendo. José Kalil, outro amigo que prezo e que adoro como jornalista mesmo não concordando muitas vezes com ele, também segue pelo mesmo caminho. Tenho outra rota. Mas quem diz qual é a certa?

O ideal é o equilíbrio. Sempre. Para o jornalista chega a ser dever subir no muro para ver os dois lados. Buscar a melhor versão possível dos fatos. Entender as vários cores e credos. Buscar a maior imparcialidade, isenção e independência possíveis. O ideal seria alguém por vezes tão ácido, azedo, crítico e exigente quanto o Maurão (quase um Garoto Enxaqueca) mixado com este Mauro (quase um Guga) por vezes tão doce, complacente, ''romântico'', amigão, bonzinho e palhaço.

Talvez por isso o MCP enxergue tantas coisas ruins no Palmeiras que já foi melhor no BR-16. Talvez por isso o MB enxergue quase as mesmas coisas mas de um modo menos duro. Questão de gosto e de estilo. Segue o jogo. E ele pode seguir erguendo bolas na área rival nas cobranças laterais do ótimo Moisés sem que seja crime lesa-bola, lesa-pátria, lesa-paixão, lesa-legado. Como também pode seguir o mesmo Palmeiras que tem alternativas técnicas e táticas, já jogou melhor e mais bonito no BR-16. E quase tão bem quanto tem jogado o Flamengo, hoje dono do melhor futebol do Brasil. Da melhor sequência de desempenho e resultados (também contra rivais menos complicados que os enfrentados pelo Palmeiras).

Também nisso concordamos. A questão, insisto, é que MCP é mais exigente que MB. É mais contundente. Se você quiser analisar que muitas das críticas e elogios dos Mauros se devem às cores dos corações de ambos, você tem todo o direito. Somos assumidamente torcedores. E por isso mesmo somos assumidamente jornalistas. Só pode trabalhar com futebol quem torce por um time. Quem não torce não entende o torcedor e, por tabela, o futebol. Quem segue torcendo por uma paixão incondicional entende mais o próprio time e o dos outros. Quem esconde o time esconde o ouro e o chumbo. Quem deixa de torcer deixa de entender o espirito. Quem troca de time, então…

MCP cobra demais o tal Cucabol pelos laterais cobrados dentro da área… Se eu fosse treinador e descobrisse o lateral que Moisés joga lá na muvuca (e que o bicampeão mundial Djalma Santos também jogava muitas vezes na área rival na Era de Ouro do Futebol Brasileiro e da Primeira Academia…), eu bateria quase todos lá. Ou, então, cobraria curto, como todos, e sofreria como todos a marcação cerrada, em vez de inverter o lance, a bola, espaçar a marcação alheia, e criar lances inegavelmente poderosos e perigosos. Laterais que os adversários agora evitam conceder pelo perigo que criam nas cobranças de Moisés e casquinhas dos zagueiros verdes. Jogadas que os rivais evitam dar um bico para lateral. E, então, tentam sair jogando, trocar passes, e acabam perdendo essa bola – muitas vezes no pressing bem treinado e executado por um Palmeiras que abafa bastante a saída rival, na base do Porco Louco (versão 2016 do Galo Doido de 2013, que tinha os laterais de Marcos Rocha na área alheia…)

Feios laterais? Feio também é não fazer gol. É bater um lateral para um armador que nem sempre esse Palmeiras tem para prender a bola e gerar outro tipo de jogo. Feio e, mais que tudo, BURRO, é não usar a arma que você tem. Ainda mais com Mina e Vítor Hugo para subir à área, ao ataque, e onde nenhum rival tem conseguido marcá-los.

Guardiola só tinha Piqué e Busquets com 1m90 para cabecear no Barcelona. Por isso tinha várias jogadas de escanteios e faltas combinadas para sair jogando com Messi, Iniesta, Xavi, Villa e Pedro. Todos pelos 1m70 de baixura. Tivesse um Moisés para jogar na área para essas Minas aéreas, o campo minado terrestre seria menos utilizado. São armas de destruição e construção em massa que devem ser usadas. Não é crime. É artifício legítimo. É burrice não aproveitar.

Guardiola saía com o pé por ter time absurdamente qualificado e bastante baixo. Cuca vai por cima por ter time absurdamente capaz na força aérea e não tão qualificado para tocar bola. Como jornalista e pesquisador do jogo, não vejo problema algum – e, no sábado, a primeira das 13 maiores chances palmeirenses contra o Coritiba nasceu de um lateral de Moisés. Como torcedor, xará, só vejo solução. Como, em 1983, no time de Rubens Minelli, a gente comemorava escanteio para Jorginho Putinatti bater e Luís Pereira e Vagner Bacharel serem o que são Mina e VH em 2016.

É tudo questão de gosto. E nada que tire os inegáveis méritos de Cuca. Outro amigo querido que o futebol, o jornalismo e a vida me deram. Talvez eu não seja tão exigente com o tal do Cucabol por ser Cuca e ser Palmeiras. Talvez. Do mesmo modo que eu não seja tão exigente como são os críticos do Maurão por ser o Mauro que conheço e por ser o baita jornalista que ele é. Certamente.

Ou talvez seja mesmo por uma questão de estilo e de trabalho. Todos são respeitáveis. Muitas vezes elogiáveis. É só querer enxergar os méritos quando eles existem, e criticar os deméritos quando eles aparecem. Ninguém precisa ser amigo de ninguém. Mas precisa menos ainda ser inimigo para exercer seu trabalho. Antes de ser jornalista, somos pessoas. E, como tal, conversamos sem bloqueios. Como Cuca e Mauro conversaram no domingo. E como espero que todas as partes falem mais de futebol e menos de intrigas. Mais ou menos como amizades e famílias se separaram no Fla-Flu de coxinhas e mortadelas, joices e zés de abreu. Gente que ataca para se defender. Gente que não tolera e não conversa. Dá para ganhar de todo jeito, até sem muito jeito. E dá para perder tudo quando não se aceita a própria derrota, ou a vitória alheia.

Bola pra frente. Por baixo ou pelo alto.
P.S: recado do Maurão via WhatsApp:
''Caro xará, acabo de ler seu texto. Só para não ficar dúvida: bloqueio haters e quem ofende pela rede social porque não sou obrigado e ter qualquer tipo de contato, mesmo que virtual, com pessoas desse tipo. Infelizmente elas não são poucas e, consequentemente, os blocks batem a casa dos 20 mil. Paciência. Não sou contra maneiras de jogar, mas não acho que um time seja isento de críticas por liderar um certame, ainda mais o nosso (futebolisticamente) pobre campeonato. O Corinthians do ano passado era melhor que o atual líder, não só pela Liderança com L maiúsculo, com mais pontos de vantagem sobre os perseguidores mais próximos(?), como pelo futebol jogado. O futebol que se vê, não o futebol das estatísticas, que tanto utilizo, mas são como óculos, elas ajudam a enxergar, mas não servem para nada sozinhas. O Palmeiras tem elenco para jogar mais do que isso e Cuca está no clube há tempo bastante. Infelizmente regrediu em seu repertório, virou, sim, o ''mestre'' de um prato apenas. Minha cobrança, e disse isso a ele, é pela volta do Cuca de 2007. Com a experiência que ele tem hoje, seria um técnico melhor. E o Palmeiras, ouso afirmar, seria Líder com L maiúsculo como seu maior rival era há um ano. Saudações''

 

 

 


Opostos e apostas. Atlético Mineiro 3 X 1 Internacional
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Mauro Beting

Antes de a bola rolar no BR-16, meus maiores favoritos ao título eram pela ordem Galo (ainda o melhor elenco) e Palmeiras (então projetando o time que tem). Também citava Corinthians, Flamengo, Grêmio, Santos e São Paulo com chance de G-4. 

Depois de anos não colocava o Inter. Eu e o Brasil. Não parecia time, elenco e futebol aquele de Argel com pinta de brigar como vinha acontecendo desde 2005. Foi líder, mas não convencia. Caiu Argel, e não se achou e nem ganhou com Falcão. Vai com Roth na teima. E teima em não sair da rabeira onde já esteve o próprio Galo, depenado por lesões e cartões e convocações por todo o campeonato. 

Já está menos desfalcado o time mineiro. E sobe na tabela. Só não sobra por méritos maiores de Palmeiras e Flamengo, ainda com pontos e futebol mais confiável. Mas dois rivais que serão confrontados pelo Galo. A diferença pode cair. Como o rival da noite no Horto, também. 

Veste a camisa colorada, mas não joga como tal. Nem como aquele time que já teve a defesa mais eficiente do BR-16. A mesma que não ganha bolas pelo alto e leva gol de esporada de Fred. Aquela que cede a bola para Clayton achar bela canhotada para ampliar. Ferrareis descontou depois de lance nascido de arremesso lateral (deixa eu falar baixo que é capaz do STJD anular o gol por motivos estéticos…), e, no fim, depois do sufoco em lances de tiros logos, mais um gol sofrido em bola bem trabalhada pelo rival pouco acossado pelo sistema defensivo. 

Achava até a derrota para o América no mesmo Horto que o Inter escaparia – pelos deméritos alheios. Mas o time insiste em cair pela tabela. Em repetir erros. Em não se encontrar. 

Só não desisto que isso não existe e não pode se pensar. Mas eu, se fosse dirigente colorado, faria como eles: não saberia o que fazer. 

O oposto Galo ainda merece a aposta. Está vivo. 


Maracariacicanã! Flamengo 2 X 1 Cruzeiro
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Mauro Beting

Se tudo der muito certo, e pode dar certo nessa fase brilhante e com esse futebol eficiente, apesar da liderança palmeirense, e da falta de um confronto direto entre ambos, o Flamengo vai lembrar desse 2 a 1 em Cariacica. A casa 100% rubro-negra. 

O primeiro tempo foi do melhor time. Ao menos cinco chances cariocas contra duas celestes. Rafael negando linda bicicleta de Guerrero. O Flamengo com mais bola e ideias. Mas menos jogo que em partidas anteriores. Muitos chuveiros de Pará, e as incursões menos felizes do excelente Jorge. 

Na segunda etapa, o Cruzeiro tratou de não apenas destruir. Quis jogo. E conseguiu equilibrá-lo. Ainda que com Arrascaeta apagado, Robinho dando pouca velocidade. Aos 17, os treinadores resolveram mexer no marasmo. Mancuello foi a opção ousada de Zé Ricardo. Arão foi marcar por dentro no lugar do incansável Marcio Araujo. Mancuello foi articular com Diego. Rafinha deu vida ao Cruzeiro no lugar de Arrascaeta. 

Aos 29 deu o gol. Um belo gol. Também pela entrada da área rubro-negra mais vulnerável pela ausência de Marcio Araújo. A ousadia de Zé Ricardo cobrou preço salgado. E sem grandes resultados. O Flamengo não se acertava. E dava ainda mais espaços aos contragolpes mineiros. 
As chances eram dos dois lados. Mas o Cruzeiro parecia mais encorpado até um tiro forçado de Guerrero bater em Bruno Rodrigo e vencer Rafael. 1 a 1 aos 38. 
Ó que era alívio rubro-negro parecia desespero com dois gols claros perdidos na sequência por Ábila. Um por mérito de Muralha. O outro ''defendido'' pela torcida. Só a conjunção de almas do Flamengo, somado ao cansaço do artilheiro, para ele perder um gol tão só. Como sozinho estava Mancuello para mais uma vez sair do banco e fechar uma vitória espetacular e emocionante, aos 43. 

Gol no time que vai sofrer mais do que o esperado na luta contra o rebaixamento. Gol de time que vai lutar além do imaginado em busca do hepta. 

O Flamengo perdia e via naqueles quase 10 minutos de agonia a distância para o Palmeiras abrir para quatro pontos. O empate também não refrescava muito. Seriam três. 

Mas o gol de Mancuello, pelo tempo que foi, pela luta que ensejou, é daqueles que tão cedo não se esquece. 

O Flamengo segue fazendo do BR-16, junto com o Palmeiras, um dos mais emocionantes campeonatos dos últimos anos. 


A Invasão Corintiana foi de cinema. Agora é filme
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Mauro Beting

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Corinthians entrando em campo em 5 de dezembro de 1976

 

Dizem que foram 70 mil corintianos para o Rio de Janeiro naquele domingo, 5 de dezembro de 1976. Disse um dos entrevistados tricolores de ''1976 – O Ano da Invasão Corinthiana'' (quinta-feira estreia nos cinemas) que a cada dia são milhares a mais de alvinegros no Maracanã, e que a capital paulista virou cidade fantasma naquela semifinal do BR-76: todas as almas corintianas estavam ou foram ao Rio, empataram por 1 a 1 o clássico no aguaceiro com a Máquina do Fluminense na puxeta de Ruço, e defenderam os pênaltis vencidos pelo Timão por 4 a 1 pelas mãos de Tobias.

Mas tenham sido mais que 70 mil, ou provavelmente menos (também por rubro-negros, vascaínos e botafoguenses que ajudaram o Corinthians a dividir as arquibancadas), o que houve então, na invasão por ponte aérea, terrestre, e se fosse possível marítima ou intergaláctica, é coisa de outra dimensão. Não se tinha na época. Agora é possível captar a essência e tamanho do que foi 1976 no belo e tocante trabalho dos diretores Ricardo Aidar e Alexandre Boechat.

''Tobias or not Tobias''! como estava escrito na faixa levada por um dos 10 mil torcedores que foram receber a delegação em Congonhas depois da classificação para a final do BR-76. Tobias que lembra não imaginar jamais o que foi visto quando o Timão entrou em campo no gramado. ''O Basílio subiu um pouco antes ao gramado e viu que tinha bastante gente. Mas jamais imaginávamos aquilo. Nem quando eu e Moisés vimos no ônibus a caminho do Maracanã um ônibus, dois ônibus, três ônibus, um monte de ônibus do Corinthians, a gente imaginava a emoção que tivemos quando entramos em campo. Até hoje fico arrepiado de ver o estádio cheio e dividido. E levou mesmo uns cinco minutos para a gente conseguir controlar aquela emoção''.

Sensação que o documentário mostra em esmerada reconstituição de época. E na bela sacada que foi refazer de Kombi-69 a jornada de três torcedores que invadiram o Maracanã ao lado de um dos maiores personagens daquela vitória épica. O Fluminense era muito mais time, jogava em casa (ou nem tanto…). Mas São Pedro tabelou com São Jorge e empoçou o gramado impraticável no segundo tempo. Levando para os pênaltis defendidos por Tobias, e treinados durante a semana pelo Corinthians. O Tricolor achou que definiria em 90 minutos jogados – não molhados. O Corinthians de Duque sabia ser inferior. Marcou direitinho, aproveitou-se do dilúvio, e ganhou nos quatro pênaltis bem batidos, e três bem defendidos por Tobias (um dos de Rodrigues Neto foi repetido). São Jorge que também tabelou com entidades e guias escalados pelo Pai Guarantan, em história muito bem contada pelos personagens presentes.

Você pode achar exagero isso tudo – e foi mesmo um exagero histórico. Pode lembrar que a invasão também se deveu aos então 22 anos de fila, às carências corintianas na época. Ok. Mas isso tudo amplia ainda mais o mérito e a marca. Não havia rede social para marcar nada. Só havia presidentes geniais como Francisco Horta (Fluminense) e Vicente Matheus (Corinthians) para animar e atiçar torcidas. Mas tudo aquilo vai muito além de jogadas de marketing que não existiam – e jamais se repetirá o que aconteceu.

Nem se outra vez o Corinthians ficar na fila. Nem se o Fluminense montar outro senhor time. Nem se.

O mais lindo de tudo é que tudo que aconteceu foi em paz. Tudo.

Não houve briga antes, durante ou depois. Apenas alegria. De todos os lados.

Emoção que o documentário consegue contar a quem não viu – e jamais verá igual. Sentimentos que quem não viu passará a conhecer pela obra. E quem, como eu, viu, e depois soube muita coisa, muito mesmo eu só fui aprender com essa aula de futebol e de cinema da produtora Canal Azul (a mesma que assina outros títulos oficiais do Corinthians, Santos, e os que fiz em parceria com eles, do Palmeiras e da Seleção Brasileira). Mais que tudo, podemos aprender muito com essa lição fidelíssima de paixão.

Como disse um dos entrevistados, e como já escrevi por aqui algumas vezes:

''O Timão entrar em campo é mais emocionante que um gol do Corinthians''.

''1976 – O Ano da Invasão Corinthians'' é retrato em preto e branco disso. Não precisou ser campeão em 1976 contra o campeão com melhor desempenho na história do Brasileiro – o Inter de Falcão e Minelli. Precisou estar presente. Precisou ser Corinthians.

 

 


Cuca legal. Palmeiras 2 X 1 Coritiba 
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Mauro Beting

34 do segundo tempo. Dudu dribla e desvia de cinco rivais e acha Gabriel Jesus livre. O jovem atacante finta com facilidade mais um, mas pega mal na bola. Perde uma das 13 chances do líder do BR-16. Onze delas no ótimo segundo tempo no Allianz Parque. 
Um dos mais belos lances do Palmeiras e do BR-16. Do time que mais gols fez e de saldo além do dobro do vice. O Flamengo que tem jogado melhor e até mais bonito que o melhor do campeonato. Merece elogios e vai continuar até o fim lutando pelo hepta. Mas terá de torcer contra o Palmeiras do jeito que muita gente torce o nariz contra o futebol de Cuca. 
O Galo Doido de 2013 era emocionante e eficiente e muitas vezes talentoso. O Porco Louco de 2016 afoga o rival muitas vezes na saída de cada tempo e na saída de bola rival. Quatro vezes o ataque palmeirense ganhou bolas na saída errada alheia. Abafa treinado pelo técnico. 
Mas chance boa no primeiro tempo só aos 46 minutos. Wilson foi bem como sairia mal no primeiro gol de Leandro Pereira em um ano, aos 5. Quando já poderia estar o 2 a 0 que saiu com Mina. Ótimo zagueiro e grande atacante. Concluindo belo lance ensaiado. Jogada de bola parada de pé em pé. No chão. Bonito. E não é crime se fosse pelo alto. 
O Coritiba só saiu pro jogo com as mexidas. Iago descontou aos 30, em falha rara de Mina, e saída precipitada de Jailson. O Coxa ainda criou algo. Mas não buscou melhor sorte. Fortuna que o Palmeiras tem tido este ano. 

Se será o que já foi oito vezes, ainda não se sabe. Mas que esse time também sabe jogar com a bola no chão (apesar do gramado ruim do Allianz), só quem não quer dar bola para o líder pode torcer algo além do nariz. 


Tudo quase igual na Copa do Brasil 
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Mauro Beting

Santos X Internacional – Campeão de 2010 X Campeão de 1992. Na Ida, o bicampeão paulista e mandante é favorito. Na volta, no Beira-Rio, o hexacampeão gaúcho precisa jogar o que não conquista desde a oitava rodada com Argel. O que não houve tempo de conseguir com Falcão. O que Roth parece distante de obter. Até por não ser propriedade no Colorado a conquista do bi. Foco deve ser a cada vez mais complicada permanência na Série A. 
Santos favorito. 
Atlético Mineiro X Juventude – Campeão de 2014 X Campeão de 1999. Galo que pensa mais na luta possível pelo título brasileiro que no bi da Copa X Juventude que dispute equilibrado acesso para a Série B. Mas é possível seguir sem se perder. Atlético tem mais elenco e precisa fazer a diferença na ida, em casa, para a dureza da volta. 
Galo favorito. 

Grêmio X Palmeiras – Tetracampeão de 1989, 1994, 1997 e 2001 X Tricampeão de 1998, 2012 e 2015. Duelo mais equilibrado. Renato deixou a pista na apresentação e também na emocionante classificação nos pênaltis contra o bravo Furacão. O penta é prioridade depois da inesperada queda de produção e também de Roger no comando. Precisa fazer na Arena o resultado para voltar classificado do Allianz Parque. Como atual campeão e líder do BR-16, o Palmeiras pensa diferente. Tem elenco maior e futebol melhor. Mas vai mesmo com tudo? O duelo vale mais para o time gaúcho.  

Disputa de pênaltis é a favorita.  

Corinthians X Cruzeiro – Tricampeão de 1995, 2002 e 2009 X Tetracampeão de 1993, 1996, 2000 e 2003. Timão passou em decisão polêmica contra o Tricolor mas ainda devendo bola. Como a Raposa passou muito bem pelo Botafogo, mas se preocupa mais com a muito provável sobrevivência na Série A.  Um ano melhor para os dois gigantes passa pela Copa do Brasil. A chance paulista de voltar à disputa da Libertadores parece ser por aqui. 

Corinthians favorito. 


Governo por esporte. Sem física, sem educação
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Mauro Beting

Então o presidente não eleito quer acabar no ensino médio abaixo da média com a educação física? 

Então o governo quer não fazer mais obrigatório o ensino da atividade que ensina, educa, orienta, entretém, anima, suaviza, e dá mais vida e saúda aos jovens de todas as idades?

Então o novo presidente pretende tirar das quadras os jovens que precisam cada vez mais de esporte não só para ganhar as medalhas de Nuzman. Precisam de atividades para ocupar a mente, viver melhor, aprender a conviver, e focar em vez de se afogar em outras coisas e casos. 

Nem o pior opositor criaria medida tão estúpida – com respeito aos estultos. 

Não votei na presidente – anulei. Também não votei pelo vice que ela carregava – um nulo. 

Mas os que queriam a saída da presidente já podem botar os burrinhos na tornenta. A pátria educadora foi subtraída pela pária deseducadora de um projeto de lei que não é projeto e não pode ser lei. 

P.S.: MEC corrigiu a própria prova e divulgou que enviou MP errada. Educação Física segue obrigatória no ensino médio. 

Revisão de prova também é obrigatória. Mas que MEC!


A pé e de mãos dadas pelo Maracanã
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Mauro Beting

ESCREVE DIOGO ALMEIDA
Marcharemos pelo Maraca 
Por Diogo Almeida (Twitter: @DidaZico)

 
Como cidadãos, ficamos orgulhosos em fazer do Maracanã o palco de Abertura e de Encerramento da 31ª Olimpíada da Era Moderna, a Rio 2016, assim como nos emocionamos com as festas da Paralimpíada no mais democrático estádio do mundo.
Foi inesquecível receber os atletas, paratletas e milhares de pessoas de todo o mundo, que se apaixonaram, claro, pela nossa cidade.
Entendemos que o mesmo esforço em fazer os Jogos Rio 2016 deve ser empreendido para deixar o Maracanã em condições de receber jogos do Brasileiro e da Copa Sul-Americana o mais rápido possível.
Comitê Olímpico Internacional, presidente Thomas Bach.

Comitê Olímpico Brasileiro, presidente Carlos Arthur Nuzman.

Governo Federal, presidente Michel Temer.

Governo Estadual, governador interino Francisco Dornelles.

Prefeitura do Rio, prefeito Eduardo Paes.

Vocês, juntos, viabilizaram a Rio 2016. Agora queremos saber por que o Maracanã precisa ficar fechado por 40 dias, quando existe necessidade urgente de uso do estádio para os jogos do Flamengo no Campeonato Brasileiro, clube que disputa o título e que pode ajudar a movimentar a combalida economia da cidade?
Qual a real dificuldade em apressar as condições para o Maracanã receber o Flamengo?
Para a torcida do Flamengo o Maracanã é mais que um “equipamento”. Mesmo depois de uma reforma de mais de UM BILHÃO DE REAIS, que lhe retirou os anéis e muito da mística de outrora, o Maracanã continua sendo a Terra Sagrada de todos os Rubro-Negros que ali viveram suas maiores emoções.
Políticos não devem dizer o que será feito. Políticos precisam mostrar o motivo das coisas estarem sendo feitas.
Não queremos saber se vocês alugaram o Maracanã, estádio construído, mantido e reformado por três vezes com muito dinheiro (e boa parte deste dinheiro veio de flamenguistas) do povo do Rio de Janeiro até 30 de outubro de 2016.
Sabemos que o Maracanã pode ficar em condições antes.
Precisam contratar mais trabalhadores? Que contratem.
Precisam de voluntários? Nos convoquem.
Queremos as bandeiras do Clube de Regatas do Flamengo desfraldadas, os cantos ecoando, a festa em vermelho e preto pelos arredores, a alegria do futebol do nosso clube de novo no seu mais perfeito habitat.
Ou será que o problema de vocês é justamente este cenário: as bandeiras do Clube de Regatas do Flamengo desfraldadas, os cantos ecoando, a festa em vermelho e preto pelos arredores, a alegria do futebol do nosso clube de novo no seu mais perfeito habitat.
Estamos começando a desconfiar.
No próximo dia 24, às 11h, vamos nos concentrar na Central do Brasil para uma marcha. O povo rubro-negro irá marchar até o Maracanã para protestar e exigir que este prazo preguiçoso não seja realmente o nosso compasso de espera.
Queremos atitude dos homens citados acima.
Marcharemos. Será um ato grandioso da Maior Torcida do Brasil. Porque Futebol, sim, Futebol e Política se misturam.
Quase sempre é a Política que impõe sua agenda.
Dessa vez quem vai se impôr é o Futebol.
 
clique no link abaixo, confirme presença e convide mais pessoas
https://www.facebook.com/events/194376530985336/?ti=icl

ESCREVEU DIOGO ALMEIDA


Arrancada Heróica é coisa de cinema. Hoje ela entra em cartaz
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Mauro Beting

Fazia um frio daqueles de Pacaembu em má fase. BR-10. Pouca gente para ver o Palmeiras que deixara escapar pelos pés o BR-09 enfrentando o time que nos tomara o título naquele ano. O Flamengo de Vagner Love. Artilheiro enxotado do Palestra pelas barbaridades intolerantes no final de 2009. 

Luca, 11, Gabriel, 8, estavam comigo. O caçula ainda não havia visto o nosso time perder no estádio. O mais velho, já. Mas não comigo, com o Nonno, em 2007. Derrota amenizada pelo rebaixamento do rival minutos depois. 

Nós estávamos invictos como trio. Não sei se Luca e Gabriel sabiam que um dia a gente perderia um jogo como dois anos depois perderíamos o Nonno. Mas essas coisas a gente só fala depois do apito final. Ou nem fala. Aperta o cachecol. Enfia o gorro o mais fundo que der. Sai pelas arquibancadas e pelas ruas duras de asfalto e quebradas de buracos e não se fala mais nisso. 

Vagner, quem diria, Love, justo ele, fez o gol no fim de um clássico ruim. Ainda pior de olhar e comentar pela rádio, com meus filhos ali debaixo da cabine. Logo depois a bola parou no BR-10, teve Copa na África do Sul, o mais velho foi pra Israel, o caçula estava sozinho quando a Holanda virou e eliminou o Brasil. O Palestra foi fechado para a reforma que durou quatro anos. Meu pai não viu a reabertura. 

Meus filhos estavam comigo em outras derrotas. Na Copa do Brasil-12 receberam os campeões na Academia. Na volta para A em 2013 estavam comigo. Na quase queda de 2014 oraram no Allianz. Na Copa do Brasil-15 estavam juntos gritando campeão com o Jaiminho. 

Eles estavam em 2014 na abertura do Allianz Parque comigo na estreia do meu primeiro documentário dirigido com o Jaime Queiroz. Hoje estarão comigo na primeira apresentação do novo documentário dirigido por mim junto com Kim Teixeira: PALMEIRAS – O CAMPEÃO DO SÉCULO, que estreia nesta quinta nos cinemas de São Paulo, Jundiaí, São Bernardo e Ribeirão Preto. Salas e horários no ingresso.com. 

Luca agora tem barba, tem 18. O Gabriel vai fazer 15, já tem bigode. Mas sempre vão ser esses dois pequenos palmeirenses que eu preciso encher de roupas de frio. Sempre vão ser esses sonhos. Esses caras que estavam na foto no alambrado vendo nada em 2010 – e veriam pouca coisa depois em 90 minutos. Mas ali eu via algo. Quando tirei a foto, sabia que não precisava tê-la tirado para guardar na memória. Aquela imagem sempre estaria como eles. Comigo. 

Foi a visão de um sonho eterno. De uma partida que sempre verei com eles. Com os filhos deles. Com os filhos dos meus novos filhotes que minha mulher me deu no novo casamento. 

Visão que não sabia então. Mas que meses depois se materializaria quando convidado pelo Ricardo Aidar para dirigir a trilogia oficial de filmes do Palmeiras da Canal Azul. Não sou de ter visões e muito menos planejar futuros. Mas foi ali de pensar nos velhos vestiários do Pacaembu que tive a ideia da sequência inicial do novo filme – PALMEIRAS – O CAMPEÃO DO SÉCULO. Abertura realizada pela sensibilidade do Kim Teixeira e do Fernando Teshainer, na trilha do Paulinho Corcione. 

Eu não sabia nada disso em 2010. Mas a segunda parte da minha Odisseia no cinema talvez tenha começado nessa foto. Ou melhor: nessa ideia para uma imagem eterna como a nossa paixão incondicional pelo filme que estreia nesta semana.

Hoje foi a data que escolhi com o clube. Dia da Arrancada Heróica no Pacaembu de 1942. Do Palestra que morreu líder e do Palmeiras que nasceu campeão. Dos meus meninos que cresceram naquela noite fria da primeira derrota em 2010. Dos adultos lindos que nasceram mais palmeirenses desde então.

Obrigado a todos que ajudaram a fazer a vida do meu filme o filme da minha vida.