Blog do Mauro Beting

Clássico das pás de cal na paz
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Mauro Beting

Bahia e Vitória, Vitória e Bahia, torcedores e jogadores, cartolas e treinadores, cidadãos e bípedes, imprensa e políticos, brasileiros e brasileiras, todos temos nossas digitais no grotesco Ba-Vi que não acabou. O Clássico da Paz da foto antes do jogo que não terminou por expulsões em excesso, simulações além da conta, provocações desmedidas, reações destemperadas, infantilidades explícitas, machezas despropositadas.

Todos somos responsáveis pela irresponsabilidade no Barradão. Todos. A mídia sem modo e abaixo da média que insufla e depois quer sair debaixo do insufilm. Profissionais que são mais remunerados que adoram dizer que o “futebol tá chato” e não aguentam a bronca ou pilham além da conta e dos contras. Treinadores que não conseguem ou não podem treinar e que são levados pelo mercado insano é intenso. Indisciplinas que não são punidas e que são mesmo incentivadas por baixo dos panos ou acima dos trapos.

O resultado lastimável é esse clássico aos trancos e barracos depois de uma celebração que é tanto gif prévio do goleador quanto provocação prévia da batalha. É tanto brincadeira quanto baixaria. Tanto pertence ao futebol quanto à falta de decoro.

Saudades do Dario que defendia o dele sem atacar o do outro. Do humor que era humorado e não humilhava. Da alegria compreendida e da tristeza respeitada. Quando não tinha mimimi – e, se tivessem, se aturavam os memes. Quando se resolvia em campo e sem chororô e chatice.

Sei que no futebol é válido gostar mais da derrota alheia do que do próprio triunfo. É mais gostoso berrar “chupa” a gritar “gol” muitas vezes. É gostar do seu e não gostar do outro. Tudo isso é futebol. Inclusive as cenas lamentáveis.

Mas num mundo sob intervenção, melhor usar minimamente o espaço entre as orelhas. Melhor puxar algumas delas a levar alguns pés nelas.

Ter mais responsabilidade não é tirar a zoação. É não colocar gasolina na fornalha da inquisição de nossos tempos. Difícil dizer quem errou mais no Ba-Vi das pás de cal na paz. Todos têm suas responsas e respostas.

Todos. Sem exceção. E não vou julgar ninguém aqui e nem jogar às bestas e bostas no ventilador. Só vou pedir um pouco mais do que tem faltado a todos.

Paz de espírito. E espírito de paz.


O futebol não confia em goleiros negros. Uma pena.
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Mauro Beting

Jaguaré era estivador do porto no Rio de Janeiro. Aos 22 foi convidado a treinar no Vasco pelo zagueiro Espanhol que o viu catando todas as bolas na várzea como carregava todos os sacos no cais. Na época do amadorismo, 1927, teve de aprender a escrever para assinar o próprio nome para ser goleiro vascaíno. Em um ano já estava na Seleção. Em 1931, jogou tanto contra o Barcelona, na Espanha, que ficou na Catalunha, contratado para a reserva do mítico Zamora. Não gostou e voltou ao Vasco, onde não o quiseram de volta. ''Traidor''! Foi jogar no Corinthians mantendo o mesmo estilo provocador dos rivais. Ficou com saudades da Europa e descolou um lugar em Marselha. No Olympique virou O Jaguar e foi campeão francês, em 1937. Em 1939 voltou ao Brasil com medo da guerra. Perdeu todo o dinheiro nas noites e nas lutas. Morreu de modo violento, só não se sabe se em briga ou se no manicômio. Enterrado como indigente, em 1940.

Goleiro. Negro.

Veludo era estivador do porto no Rio de Janeiro. Jogava na várzea no Harmonia até ser levado ao Fluminense em 1951 pelo árbitro Armando Marques para ser reserva do mítico Castilho, da Seleção, em 1950. Lesões do titular deram chance a ele. Como excelente arqueiro que foi, as agarrou. As atuações o levaram à Seleção para as Eliminatórias da Copa de 1954. Jogou tanto que foi convocado para o Mundial na Suíça mesmo na reserva de Castilho, no Flu e no Brasil. Um ano depois, jogou muito mal um Fla-Flu. Levou seis gols. E disseram que ele estava ''na gaveta'', vendido, subornado. Foi parar no Atlético onde foi campeão em Minas. No Santos jogou pouco. No Madureira, ainda menos. O de cisne foi no Canto do Rio. Quando a bebida tomou de vez o corpo que ele afogava em álcool ainda no Fluminense. A cirrose levou o ex-atleta que era só pele, em 1970.

Goleiro. Negro.

Barbosa foi o melhor goleiro do Brasil entre 1945 e 1950. Titular absoluto do Expresso da Vitória que foi base da Seleção, em 1950. Brasil favorito também pelas seguras atuações dele na Copa. Onde nada pôde fazer na decisão no gol de empate de Schiaffino. Onde poucos poderiam imaginar que Ghiggia do Uruguai chutaria aquela bola entre ele e a trave esquerda do Maracanã. Não foi frango, ele não teve culpa. Mas a marca ficou. ''A pena máxima para um crime no Brasil é de 30 anos. Mas a minha punição já passou dos 40 anos…'' lamentava, em 1990. E mais ainda em 1994, antes do tetra, quando a comissão técnica da CBF não deixou que ele se aproximasse dos goleiros do Brasil para a Copa dos Estados Unidos. ''Daria azar'' a presença de Barbosa…

Goleiro. Negro.

São três histórias. Três casos reais com alguns componentes irreais. Muitos deles injustos.

São três carreiras descarriladas que ajudaram a criar a fama, com alguns outros lances terríveis como os do negro goleiro corintiano Barbosinha (que levou dois gols de falta estranhos do palmeirense Tupãzinho, em 1967).

Goleiros negros que falharam. Ou nem isso. Goleiros que falham independente da cor de pele. Mas que no Brasil são marcados na pele e na alma.

Não sei se a origem do preconceito explicitado pelo negro Edilson no Fox Sports é essa. A mesma sensação que Vampeta também tem. Outros atletas afrodescendentes também pensam igual. Muitos jogadores que não são negros ou mulatos analisam do mesmo jeito. Mesmo vendo e jogando com e contra Dida. Mesmo elogiando Jailson hoje na meta palmeirense. Jefferson há quase uma década no Botafogo. Mesmo vendo bons goleiros como o camaronês N'Kono, nos anos 80. Ou alguns goleiros mais antigos que chegaram à Seleção como o grande Jairo e o mulato Manga (cuja data de nascimento deu origem ao Dia do Goleiro no Brasil). Hélton e Gomes neste século também são ótimos exemplos.

É fato: o mundo do futebol não ''confia'' em goleiros negros. Também é preconceito, claro que é. Mas é o que temos em todas as cores e credos.

Uma pena que não se sustenta. Uma pena que é mais antiga que a ''punição'' a Barbosa.

ADENDO: Nem deveria, mas lamento profundamente os hominídeos que conseguiram enxergar neste texto um ''lobby'' pela convocação de Jailson. Meus pêsames.

Lamento também os que queriam um ataque ainda maior a quem pensa assim. Os fatos são explicativos. Não precisam maiores comentários.

Lamento também os que acham ser uma questão menor. Claro que não é.

Lamento os que não entendem que isso merece ser debatido. E insisto na informação: MUITA GENTE PENSA ASSIM NO FUTEBOL. MAS POUCOS FALAM ABERTAMENTE COMO FALOU EDILSON.


E tinha como ter sido pior: Palmeiras 2 x 2 Linense
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Mauro Beting

O Linense que vai mal das bolas e dos pontos no SP-18 criou mais chances (7 x 6) que o Palmeiras 100% em seis partidas. Acontece. E é bom que seja em um ''amistoso'' no Allianz Parque para o Palmeiras entender que ainda não é o que será.

Melhor ainda ao líder do SP-18 que Borja vai adquirindo gosto pelo gol e vai enfim merecendo a confiança e a titularidade. Na primeira bola muito bem enfiada por Guerra em tabelinha dos tempos de Medellín, ele bateu cruzado e Victor Golas aceitou, aos 3 minutos.

O Palmeiras de novo passou a sensação de que ganharia quando, como e por quanto quisesse. Lucas Lima não rodou tanto em campo, Dudu mais uma vez deveu, e apenas Marcos Rocha jogou mais do que vinha jogando (Felipe Melo manteve o ótimo nível de 2018). O lateral fez belo lance aos 10 e foi a melhor saída pela direita. Mas pouco mais fez o Palmeiras. Diferentemente do Linense que foi botando as chuteiras de fora e mereceu o empate, aos 43, em bela cabeçada de Adalberto, depois de falta desnecessária de Borja na linha lateral.

O Palmeiras mais uma vez retornou bem do vestiário e desempatou aos 6, em belo passe de Marcos Rocha e ainda melhor limpada e finalização de Borja. Até criou mais no segundo tempo o time de Roger. Mas não mais que o Linense que empatou merecidamente aos 30, em desatenção da zaga alviverde ainda não devidamente testada, num tiro longo de Murilo.

O Palmeiras acordou com as necessidades de busca da sétima vitória. Mas as mexidas (tardias) de Roger não rolaram desta vez. Scarpa, Willian e Keno produziram pouco como os titulares que pareciam que de novo ganhariam como queriam.

E futebol nunca foi assim. E como esse Palmeiras ainda não é o que será, fica propenso a tropeços como esse.


Neymar não foi mal, mas pode ser muito melhor
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Mauro Beting

Neymar não jogou mal contra o Real em Madrid na virada espetacular merengue de placar, de expectativas e de favoritismo.

Mas o 10 de Paris não foi tudo aquilo. Apanhou demais de novo. Cavou faltas demais também. Criou tretas além da conta em lances em zonas mortas. Por isso recebeu amarelo segundos depois de ser advertido por mão na bola pelo árbitro. Precisa ficar mais ligado como ele sempre fica em campo. Não pode reagir tanto. Não pode responder ao antijogo jogando igual. Ele também é visado pelo apito. Está exposto. E precisa se resguardar.

Pode não ter sido letal como segue sendo esse Cristiano que nasceu para fazer gols decisivos em Champions – e muitas coisas mais. Mas Neymar não se esconde. Ele aparece demais na mídia, nas redes sociais e no que mais importa: dentro de campo.

É o jogador que mais fica com a bola na Liga francesa desde que há um acompanhamento estatístico a respeito. Segue sendo o jogador que mais sofre faltas na Europa. Tanta as que acontecem quanto as que ele inventa.

Neymar não se esconde. Pede a bola. Sabe fazer com ela o que poucos no mundo nos últimos anos conseguiram. E faz cada vez melhor. Está cada vez maior.

Mas ainda precisa soltar mais essa bola. Ser mais solidário como é outro monstro como Mbappé. Olhar mais os companheiros que tanto ajuda com seu imenso talento. Procurar não só mais o gol. Também achar mais vezes os parceiros que estão livres.

Para ele ser ainda mais seminal. Ainda mais letal.

Se agora falta muito para passar pelo colossal Real Madrid, falta pouco para Neymar ser ainda mais completo.

E o encontro marcado para virar essa página será em Paris.

Um real desafio.


Já que não tem, vai sem 9. Corinthians 0 x 1 São Bento.
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Mauro Beting

O Corinthians sem Jô e um substituto em alto nível de um atacante como ele, sem Arana e um substituto, sem Pablo – e com um do mesmo nível se não melhor para subtituí-lo – já perdeu na temporada o que só foi perder no segundo semestre do ano passado. A campanha de 2017 foi muito acima de qualquer média e muito além de qualquer expectativa. Mas o hepta brasileiro não pode jogar só isso. Perder mais uma sem contestação para o bravo São Bento – fruto de trabalho bem feito, planejado e com a paciência que não se tem mais no Brasil.

Se nunca foi Kazim o 9, se Júnior Dutra pode compor o elenco mas não necessariamente como o 9, se Sheik e Danilo merecem todo o respeito e já ganharam muito até com a 9, se Matheus tem bola mas ainda não corpo e milhagem para tanto, se Carlinhos ainda não se sabe se pode ser o que pintou na base, Carille pode adaptar taticamente a equipe para não depender tanto desse centroavante que não tem no mercado. E talvez até em Itaquera.

Pelos lados, o Corinthians tem Romero, Clayson, Lucca, mesmo Sheik, tem boas opções que podem dar gols e velocidade pelas bandas. Tem Jadson e Rodriguinho para armar. Tem gente. Tem jogo além do 4-1-4-1 ou 4-2-3-1. Como o Real Madrid se reinventou com Isco flutuando atrás de Benzema (Bale) e Cristiano desde a temporada passada. Ora Isco como meia-atacante em um 4-3-1-2, ora mesmo em um 4-3-3. Mas com mobilidade do ''falso 9'' tão real. Tão Madrid.

Tão óbvio quanto falar que hoje são equipes incomparáveis tanto quanto não tem nem como falar de 9 e Kazim na mesma sentença, o exemplo tático de lá (e que tem muitas variantes e exemplos do passado recente por aqui) pode e deve inspirar um Corinthians que precisa ser repensado.

Se não tem 9, joga com dois na frente, três por dentro, e Gabriel na cabeça da área. Espeta Romero e Clayson no ataque, arma com um meia mais próximo a eles (pode ser Vital), coloca Rodriguinho e Jadson como interiores dando um pé mais à frente e outro próximo a Gabriel, e repagina o Corinthians. Tem tempo hábil. Porque não tem tanta gente apta para a 9.


Navegadores. Vasco 4 x 0 Jorge Wilstermann
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Mauro Beting

O aviador x o navegante no Rio de Janeiro na quarta-feira alagada de Cinzas não teve como. Deu a camisa que pesa e que está sendo vestida com o talento, o saber e o suor da casa. Paulinho na esperteza, velocidade e raça fez 2 a 0 no primeiro tempo mesmo levando tapa na cara sem responsabilidade do goleiro boliviano. Rildo fechou o placar e a conta ainda que impedido no quarto gol também no fim do tempo, em mais uma boa e segura apresentação do Vasco de Evander. Outro que sobe e sabe com qualidade e maturidade para tão pouca idade.

Imagino se esses dois ainda pudessem ter ao lado Douglas e Matheus Vital e as gerações dos últimos ótimos anos da base vascaína. Nem sempre aproveitada no time de cima que nem sempre pôde estar em cima. Por cima. Pelo Vasco.

A casa está longe de estar estruturada. Mas o time vai ficando. Está se encaixando. Vai encarando quem vem pela frente – ainda que não sejam aqueles times temíveis. Mérito do Zé Ricardo que teve seu nome cantado na Colina. Merecidamente.

Comandante dessa nau que ainda não passou pelo Cabo da Tormenta. Mas deixa no horizonte boa esperança de um 2018 sem sustos. Quem sabe com mais boas alegrias como essa caminhada que dará na fase de grupos da Libertadores.


Respeito. Real Madrid 3 x 1 PSG.
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Mauro Beting

Nada ainda está perdido para o PSG. Mas nunca nada estará perdido para o maior campeão do mundo e da Europa. Para o atual campeão. Bicampeão continental. Time que não vinha nada bem na Liga Espanhola – embora melhore a jogos vistos. Equipe que foi defenestrada em casa na Copa do Rei por frágil rival. Mas time que muda o chip nas noites europeias. Joga no Bernabéu ou em qualquer casa como se fosse sempre a finale da Champions.

Foi o que fez contra o badalado e agora abalado PSG. Time que só não estava sendo vencido em Madri na primeira etapa por mais uma ótima atuação de Aréola. Muito mais goleiro do que eu imaginava. Mas que defende uma equipe que ainda está devendo em grandes jogos. Como o de Madri. Como foi em Munique, em dezembro.

Unai quis armar um time mais leve com Lo Celso na cabeça da área no lugar do necessário Thiago Motta para qualificar o passe. O problema é que o ótimo argentino não foi bem na construção e foi infantil no pênalti cometido sobre Kroos – quando o PSG vencia em gol de Rabiot, em grande jogada de Mbappé (um que pode mudar também o patamar do clube francês tamanho é o talento e o potencial dele pra tão pouca idade).

Quando o Madrid tomou o gol, melhor time era ele. Quando empatou, o jogo parecia igual. E viraria na segunda etapa. O PSG estava melhor. Poderia ter desempatado na discutida bola no braço do monstruoso Sérgio Ramos. Eu não marcaria o pênalti. Ele não teve intenção de ampliar a área do corpo. O movimento do braço foi natural. Mas é tudo interpretação. Discutível. Como a alteração de Unai quando quase nada molestava o Madrid. Sacou o discreto Cavani, passou Mbappé para o comando do ataque, avançou o incansável Daniel Alves como ponta pela direita, e resolveu proteger a defesa que vinha bem com Meunier pela lateral direita.

Zidane, diferente de Unai, resolveu jogar o time à frente. Com ao menos 22 minutos de atraso (para não dizer 67…) sacou um Benzema em má fase e apostou em Bale com Cristiano na frente, com Isco flutuando. Seguiu sem fluência e criatividade no segundo tempo até a cartada final de Zizou. Sacou Casemiro e Isco, abriu Lucas Vásquez e Asensio pelos lados, plantou Modric e Kroos, e tentou nos 15 finais a blitz para jogar a pressão para Paris.

Conseguiu na primeira que Asensio criou sobre Meunier e Cristiano finalizou com a coxa para marcar seu absurdo 21º gol nos últimos 12 jogos  de Liga (ele marcou pelo menos um nos últimos oito) !!! E tinha mais. Dois minutos depois foi Marcelo quem aproveitou outro lance de Asensio para cima de Meunier e com ninguém perseguindo o espetacular lateral brasileiro.

3 a 1 ainda reversível. Não fosse o Madrid o time daquilo que Marcelo mostrou ao celebrar o gol – a equipe que veste essa camisa com 12 orelhudas. A mais poderia do mundo. E ainda da Europa.

Claro que ainda dá para um PSG que era melhor do que o Madrid até hoje – em 2017-2018. Mas não é maior do que ele na história.

E não só o PSG. Isso pesa. Demais.

Ainda mais quando, na ida, só agora falo de Neymar. Quem fez as mais bonitas jogadas da partida. Quem mais foi parado a botinadas. Quem quase se perdeu com uma pancada desnecessária amarelada aos 15. Quem mais reclamou com e sem razão da arbitragem. Quem ainda pode desequilibrar. Desde que passe e solte um pouco mais essa bola que poucos têm. Mas não só ele.

Neymar ainda pode ser o cara da remontada como foi na temporada passada pelo Barcelona contra o próprio PSG. Mas precisa ser esse cara um pouco mais solidário.


O maior espetáculo da terra. Basel 0 x 4 Manchester City
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Mauro Beting

Guardiola é seco, por vezes duro, mas real quando fala que o City ainda não tem a história dos rivais. Mas está a construindo de modo brilhante em 2017-18. São 16 pontos à frente do segundo colocado na Inglaterra. E hoje nem o PSG tem jogado tanto quanto a turma de Pep. Cada vez mais Guardiola.

O Basel mudou muito de dezembro para cá. Manteve o 3-4-2-1 que foi um 5-4-1 na Basiléia. Perdeu Akanji na zaga e Steffen na frente. Mas se perdeu mesmo bobeando no primeiro gol de cabeça do múltiplo Gundogan. Foi infeliz na falha do bom goleiro Vaclick no bom voleio do excelente Bernardo Silva. Dois reservas que mostram o enorme potencial do City. Time que fez 3 a 0 com Aguero cada vez mais artilheiro e se mexendo demais por todo o ataque. Dando brechas e bolas como a do quarto gol de Gundogan.

Também isso o City faz escola. Faz quatro fora de casa e quer fazer mais. E sem precisar de seu melhor jogador na temporada (dos três melhores do mundo desde setembro: De Bruyne).

O City sobra e pode ganhar a primeira Champions League pela força e beleza do futebol jogado, pelo legado que deixa, e pelos reservas que hoje não conseguem espaço como Bernardo Silva e Gundogan. E mesmo Gabriel Jesus, quando voltar, não tem lugar assegurado. Sterling vive sua melhor e mais goleadora fase. Sané voltou de lesão cinco semanas antes e segue correndo e jogando muito.

Só a falta de camisa pode parar esse City de conquistar a Europa. Claro que ainda tem muito jogo, tempo, camisas e equipes. Mas ninguém tem jogado mais. E poucos nos últimos anos jogaram tanto quanto o time que tem um goleiro excelente como Ederson e, nesta temporada, zagueiros mais confiáveis.


Deu a lógica. Flamengo 3 x 1 Botafogo.
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Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Que o favoritismo era quase que total do Flamengo ninguém poderia negar. No entanto, o que se viu nos primeiros 45 minutos da segunda semifinal da Taça Guanabara, disputada em Volta Redonda, passou um pouco dos limites. Parecia um jogo de time grande contra um time pequeno,tal a superioridade Rubro-Negra. E a desorganização do adversário.

Taticamente, ambos jogaram num 4-1-4-1. E as semelhanças pararam por aí. Enquanto Diego e Éverton Ribeiro por um lado e Everton e Paquetá pelo outro trocavam constantemente de posições, o Botafogo parecia um time de totó (ou pebolim). Jogadores estáticos. Parados em suas posições. Some-se a isso o número elevado de ligações diretas e chega-se facilmente a conclusão de porque o Bota não ter finalizado uma única vez durante todo o primeiro tempo.

Enquanto isso, o Mengo controlava o jogo a seu bel prazer. Levava vantagem em praticamente todas as bolas cruzadas. Dourado, o estreante da tarde, quase abriu o marcador dessa forma. Porém, quem tirou o zero do placar foi um jogador de um metro e setenta (se muito). Éverton, se antecipou a marcação de Igor Rabello e testou livre para vencer Jefferson. Depois, o Fla ainda perdeu pelo menos três ou quatro boas chances de ampliar antes que o árbitro encerrasse o primeiro tempo. E desse fim ao suplício botafoguense.

Ambos voltaram do intervalo com mudanças. Juan saiu para a entrada de Rhodolfo. Leo Valencia foi substituído por Renatinho. Só que o panorama da partida permaneceu o mesmo. Com menos de um minuto, o Flamengo já perdia boa oportunidade. Aos três, Éverton Ribeiro recebeu de Cuellar e deu bom passe para Diego na direita. O centro saiu na segunda trave e achou Paquetá, que só ajeitou para que Dourado ceifasse pela primeira vez pelo novo clube.

Com dois a zero, o Flamengo diminuiu o ritmo. O que era normal e lógico, afinal, esta é apenas a segunda partida do onze titular na temporada. O Botafogo mesmo sem muita vontade, foi a frente. Aos 24, Renatinho achou Kieza (dois que precisam ser titulares). O atacante bateu e vazou  a meta Rubro-Negra pela primeira vez na temporada.

Quando se esperava uma pressão maior do Alvinegro, o time murchou de vez. Nem mesmo a improvisação do volante Jonas na zaga (na vaga de Réver) ajudou o time da Estrela Solitária. Carpegiani sentiu que precisava de fôlego novo para os contragolpes. Colocou Vinícius Júnior no lugar de Paquetá. A jovem joia desperdiçou a primeira chance na pequena área. No entanto, já nos acréscimos, marcou um belo gol de fora da área e definiu o três a um a favor do time de melhor campanha na Taça Guanabara.

O resultado foi justo e escancara a diferença que existe nesse momento entre o Flamengo e seus principais rivais no Rio de Janeiro. Diante do Boavista, a equipe é ainda mais favorita para levantar mais uma vez a Taça Guanabara. Ou seja, deu a lógica em Volta Redonda.

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN


Pontuando. São Paulo 1 x 0 Bragantino.
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Mauro Beting

Não é o futebol dos sonhos até porque nem mesmo os mais favoritos, mais entrosados é mais qualificados também não estão jogando essa bola toda. Hernanes e Pratto não se substituem assim facilmente. Diego Souza só agora começa a estar melhor fisicamente e ainda se ajustando taticamente. Cueva ainda não é aquele e Nenê nem duas partidas fez – mas já sofreu o pênalti tolo que muito bem converteu.

Bom é que Sidão mais uma vez foi bem. Melhor é que de novo quando o Tricolor não jogou bem , o goleiro salvou ou os rivais perderam o pé e os gols. Muito melhor que as atuações foram os pontos que dão um pouco mais de tranquilidade para trabalhar. Mas não para confiar na remontagem da equipe.

Até porque Jucilei, Nenê e Diego Souza são ótimos e têm a necessária rodagem para virar a fase. Mas todos juntos podem deixar o time lento demais.