Blog do Mauro Beting

Não pintou o 7. Grêmio 0 x 1 Real Madrid (hexa mundial)
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Mauro Beting

Sete minutos do segundo tempo na decisão mundial. Falta sofrida pelo maior camisa 7 do mundo. Um dos maiores da história do futebol do planeta onde já foi cinco vezes o melhor.

Ele bate com o efeito e a potência de costume. A bola passa entre o 18 Barrios e o 7 Luan depois da falta cometida pelo 25 Jailson. Marcelo Grohe não consegue fazer o que fez em Guaiaquil, na decisão na Arena contra o Lanús, pelo menos mais três vezes das 11 chances merengues em 20 finalizações contra apenas uma gaúcha (uma bela cobrança de longe de Edilson).

Era a sétima oportunidade de gol madridista. Não teve para Grohe com o buraco aberto na barreira. 1 a 0 Madrid.

O sétimo gol mundialista de CR7. O maior artilheiro da versão Fifa do torneio.

Pintou ali o merecido e esperado hexa do Real Madrid depois dos sustos do jogo absurdo contra o Al Jazira de Romarinho.

Enquanto não pintou o 7 que bordou a terceira conquista tricolor da América. Tudo que Luan foi determinante na reconquista da América, deixou de ser nos Emirados Árabes. Não porque engolido por Casemiro ou cercado pelo MVP Modric. Mas por tudo que Luan tentou e deu errado. Diferente do cada vez melhor Isco, que flutua por dentro, abre pela esquerda, inverte com Cristiano, inventa com todos, e flutua valendo o 21 do Real três vezes o que não jogou o excelente 7 gremista.

Ausência tão sentida como foi Arthur mais uma vez fora por lesão. Sem o motorzinho turbinado e o pé pensante tricolor, Jailson e Michel apenas marcaram. Luan nem isso. Fernandinho fechava como quinto na zaga com Carvajal bem espetado. Ramiro ajudava atrás. Mas não deu um pé a Barrios que só apareceu quando a bola passou entre ele e Luan.

Então o Grêmio tentou jogar depois do gol. Everton para dar amplitude. E não deu. Jael para emular tantas conquistas inacreditáveis tricolores. E Maicon entrando tarde. Mas dando o mote da falta de tesão, pegada e até o bumba-meu-tricolor. Posse de bola, jogo apoiado, troca de passes e posições. Mais nada. Nem um imenso Geromel lá no ataque. Um cruzamento qualquer. Nada. Só estéril posse em mono. Monótona. Inodora. Insípida. Nada inspirada. Sem aspiração.

Um Grêmio aceitando os fatos.

E quando o Grêmio se fez assim?

O Grêmio é o do 7 Renato. Desse mito e monstro tricolor.

Não deu para ganhar de Cristiano. E não dá mesmo.

Foi de pouco. Mas falta muito. Ainda mais quando não se quis arriscar quando só sobrava acreditar.

Não há como criticar. Claro que não.

Mas havia como ser mais Grêmio no final.

Campeão contra o maior campeão continental e mundial foi impossível.

Mas havia como ter sido mais Grêmio. Era possível.

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

 


Pedimos fora Marco Polo há exatos dois anos. A Fifa só ouviu agora.
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Mauro Beting

Eu assinei embaixo e ao lado de muitos o manifesto abaixo. Há exatos dois anos:

Brasil, dezembro de 2015.

A Confederação Brasileira de Futebol vive a maior crise de sua história.

Seus últimos três presidentes são réus em investigação policial internacional por fraude na CBF e na FIFA. José Maria Marin está preso desde maio, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero estão indiciados pela Justiça dos EUA desde o dia 3 de dezembro.

Compreendemos que a sucessão determinada por um estatuto viciado, que foi arquitetado e aperfeiçoado para a manutenção do poder nas mãos dessa mesma linhagem, é ilegítima e imoral.

Exigimos a renúncia definitiva de Marco Polo Del Nero e sua diretoria, seguida da convocação de eleições livres e democráticas para o comando da CBF, sem a atual cláusula de barreira, mecanismo que impede a aparição de posições independentes ao sistema vigente, pois exige oito assinaturas de federações e mais cinco de clubes para candidaturas.

A crise de corrupção é a face mais vísivel de um profundo problema estrutural, que travou o desenvolvimento do futebol brasileiro em todas as suas dimensões.

Conclamamos a Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal e a Receita Federal a não deixar impunes quem corrompeu ou quer continuar a corromper o futebol pentacampeão mundial.

Aos clubes e federações, pedimos que se paute e vote a alteração de pontos estatutários necessários para a democratização e desenvolvimento de nossa maior paixão, inexorável e sem volta.

De nossa parte, signatários deste manifesto, acreditamos que, caso as mudanças sejam iniciadas, os novos mandatários da CBF, juntamente com os muitos personagens capacitados e honrados da comunidade do futebol saberão criar as condições para a reconstrução da credibilidade, confiança e retomada do protagonismo esportivo do futebol brasileiro, de seus jogadores, da alegria do jogo e, principalmente, dos torcedores.''

Demorou.

Mas começou.


Papai Noel apedrejado por crianças. E você se espanta com violência no futebol?
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Mauro Beting

Domingo passado. Papai Noel é apedrejado em cidade do interior brasileiro por ter ficado sem doces para distribuir para crianças de 9 a 12 anos. Entre gritos de VSF e VTNC, o Bom Velhinho é apedrejado. Pelas crianças de menos de 12 anos.

Terça, quarta e quinta-feira no Rio. Todo tipo de delinquência e crime é cometida antes, durante e depois da partida decisiva da Sul-Americana. Independe se era Flamengo ou Independiente.

Problema é que não há solução. Vai muito além do futebol e aquém da falta de educação. A intolerância que é coliforme mental da ignorância levou a isso.

Mais não escrevo.

Apenas falo abaixo, na Jovem Pan.

Não ouvi pela segunda vez o desabafo do

cidadão antes do torcedor e do jornalista.

Mas, como os bandoleiros que fizeram o que foi feito no estádio e no Estado que tem três dos quatro ex-governadores presos, não pensei no que falei.

Às vezes vale.

Meu desabafo na Jovem Pan

https://twitter.com/portaljovempan/status/941332972313108480


Não foi. Mas vai. Flamengo 1 x 1 Independiente.
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Mauro Beting

Foi num 13 de dezembro que o maior time que vi jogar no Brasil ganhou do Liverpool no Japão como se fosse brincadeira de criança. E foi há 36 anos.

Foi num 13 de dezembro que o time com nominalmente os melhores jogadores juntos possíveis ganhou um campeonato “organizado” como se fosse brincadeira de adulto. E foi há 30 anos.

No mesmo Maracanã onde neste 13 de dezembro o Rey de Copas Independiente foi novamente coroado. Com Meza se virando muito bem em campo até ser derrubado infantilmente para o niño Barco empatar ainda no primeiro tempo.

Logo depois do gol de Paquetá. O menino maluquinho pelo Mengo que abriu o placar na noite de festa e loucura no bom sentido. Não o nonsense bárbaro da madrugada não dormida, dos gases espargidos pela polícia que tem tanta coisa a fazer que não consegue também porque estúpidos entopem as ruas com a bobagem entorpecida da intolerância torcedora.

A baixaria no hotel até a entrada da decisão não pode conspurcar o que se viu em campo. Um bom jogo. Quase sempre leal. Quase sempre com o Flamengo com mais bola como tinha de ser. Criando mais chances como era necessário acontecer. Mas sem conseguir nem mesmo a vantagem mínima para mais 30 minutos de bola correndo. Quem sabe mais pênaltis sem Muralha.

Mas tudo isso com quase mais 30 jogos na temporada que o rival. Isso pesa. Em 1981 era diferente tudo. O Flamengo jogava direto. E jogava mais que todos. Em 21 dias ganhou a Libertadores, RJ-81 e Mundial. Jogando mais do que correndo. Agora o mundo mais corre que joga. E nem sempre consegue na correria.

Para tanto investimento o 2017 acabou sendo mais frustrante que ruim. Libertadores veio pelo BR-17. Estadual tem caneco na galeria. Copa do Brasil perdida nos pênaltis. Sul-Americana (consolação pela eliminação prematura na Libertadoresz) ficou por pelo menos um gol. E gol não dos tantos medalhões comprados a peso de Flamengo. Veio pela canhota afiada de Paquetá. Como os gols de Vizeu foram importantes. O pênalti de César em Barranquilla. O talento em desenvolvimento de Vinicius Júnior. Tudo da base. Boa base de tudo.

Não tem Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Tita, Zico e Nunes feitos na Gávea como em 1981. Zé Carlos, Leandro, Leonardo, Andrade, Ailton, Zinho e Zico como em 1987 também Made in Flamengo. Mas tem em casa quem não precisa ser comprado no mercado.

Vai ter mais Flamengo em 2018. Frustra como foi decepcionante também em 2016. Mas o caminho é esse.


São Paulo campeão mundial em 1992. A mudança de patamar do futebol brasileiro.
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Mauro Beting

Até a falta que nunca dera certo em seis meses de treino entrar no ângulo do Zubizarreta do Dream Team do Barcelona de Cruyff, em 1992, o futebol brasileiro não ganhava um Mundial desde o Grêmio de Renato, em 1983. Nem a América conquistava. E com campeões continentais virgens como Argentinos Juniors, Nacional de Medellín, Colo-Colo…

Até o empate anterior de púbis de Raí contra o Barcelona em lindo lance de Muller, em Tóquio, o futebol brasileiro parecia que desaprendera a ser brasileiro e ser futebol. Nada dava certo. Nada parecia certo. E ainda mais com o Telê Santana “pé-frio” para os pais da imprensa imediatista de hoje.

Quando Stoichkov abriu o placar que seria justamente 2 a 1 para o São Paulo contra o enorme Barcelona campeão da Europa pela primeira vez, todo o esforço empreendido pelo São Paulo desde o BR-91 não parecia em vão. Porque aquele time jogava e muitas vezes encantava. Merecera a conquista da Libertadores-92 contra o Newell’s. Mereceria o bicampeonato paulista no retorno triunfal do Japão.

E faria ainda mais história com o golaço de falta da virada de Raí na ajeitada de Cafu. Lance que só Telê queria ver. Jogada que todo tricolor sabe que é a maior da história do SPFC. Mais do que o gol sem querer de calcanhar de Muller contra o Milan em 1993. O de Mineiro em 2005 ou a defesa da falta de Gerard no jogo do tri contra o Liverpool. Os pênaltis defendidos por Zetti na Liberta de 1992 ou os milagres dele em 1993. Qualquer um dos quatro gols contra o Furacão em 2005. Os pênaltis fora contra o Galo em 1977. O gol de Careca para levar para os pênaltis em 1986 contra o Guarani. O de Tilico na primeira final de 1991 contra o Bragantino. Mesmo a emoção do tri nacional sem decisões.

Nenhum gol na história tricolor é maior que o de falta de Raí. E, hoje, quanta falta ele faz em campo ainda que de volta ao clube. E, sempre, quanta falta faz no Morumbi, no CCT e no Brasil o mestre Telê.

O que deu os maiores títulos entre tantos ao São Paulo. O que resgatou a estima do futebol brasileiro em 1992-93. Não por acaso projetando e dando à seleção do tetra nomes como Raí, Cafu, Leonardo, Muller, Zetti, Ronaldão. Ao futebol vencedores campeoníssimos em 1991-93 como Antônio Carlos, Válber, Vítor, André Luiz, Ronaldo Luís, Pintado, Doriva, Dinho, Goiano, Palhinha, Macedo, Elivelton.

Resgatando um campeão do mundo como Cerezo em 1993. Um que deveria ter ganhado a Copa de 1982 com o Brasil que conquistou o mundo na Espanha. Um que já vovô voltou do Japão bicampeão contra o Milan, em 1993.

Mas tudo começou mesmo em 1992. Há 25 anos. O maior gol e ainda a maior conquista da história do São Paulo. Contra o maior time que já enfrentou em Mundiais. Justamente a equipe que ele melhor encarou e jogou.

Faz 25 anos e parece que foi ontem.

Faz 25 anos e tudo que aconteceu de bom desde então no Morumbi e em muitos momentos de todo o futebol brasileiro passa pelo trabalho de Telê, Moraci Santana, Valdir de Morais, Altair Ramos, Turibio Leite, doutor Rosan, Mesquita Pimenta, Fernando Casal de Rey, Kalef João Francisco.

Um São Paulo do tamanho do São Paulo. Sem precisar se dizer maior que o universo para o mundo como tem se perdido. Apenas sendo o que o mundo conheceu e ainda reconhece. Por mais que esteja vivendo anos irreconhecíveis.


Ora, Bolinhas! Copa União 1987 – Um ano negro no vermelho: edição revista e ampliada
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Mauro Beting

 

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Ora, Bolinhas! Por MILTON TRAJANO

 

O campeão brasileiro de 1987 é rubro-negro.

É a única certeza que se tem.

 

Para o bem dos fatos tão deturpados desde então, melhor seria se fossem dois os vencedores: o campeão do Módulo Verde – Flamengo – e o campeão do Módulo Amarelo – Sport.

O campeão de fato da ''elite'' – Flamengo – e o campeão de direito do ano mais torto entre tantos do Brasil – o Sport.

Já nem uso mais o termo ''campeão legítimo'' para o Flamengo e ''campeão legal'' para o Sport que, veremos aqui, todas as partes erraram. Algumas mais, outras menos.

Melhor (ou menos pior) deixar 1987 com dois campeões – apesar das goleadas jurídicas em todas as instâncias do Sport.

Aqui vamos tentar entender o porquê. Sem levantar as tantas liminares, ações e pareceres desde os anos 1990. Muitas deles com interesses esportivos e comerciais inconfessáveis.

Eu sei.

É chato. Mas não acabou. Nem vai acabar.

É preciso ser ainda mais chato. Tentar mostrar a linha do tempo de quem perdeu a linha, mas não o dinheiro.

O levantamento leva em conta o dia a dia da questão, com algumas questões que a distância do tempo permite observar melhor.

(Este texto foi primeiro editado no LANCENET!, em 2011. Depois foi republicado e ampliado em 2016, no UOL. E, agora, tem uma nova versão para os 30 anos do caso. Ampliada pela edição de dois ótimos livros a respeito:

 

 

É OBRIGATÓRIA a leitura de ambos para entender o que aqui se resume desde 2011.

Duas obras muito bem escritas, apuradas, com rigor histórico e factual.

As duas com conclusões absolutamente opostas. Ambas absolutamente defensáveis. Para ver o nível abissal e abismal do debate-embate.

Apesar da capa mais explícita pró-Sport, o livro de Gallindo e Zírpoli (1987 – DE FATO, DE DIREITO E DE CABEÇA) é menos apaixonado que o de Pablo (1987 – A HISTÓRIA DEFINITIVA), cuja capa é rubro-negra. Mas o conteúdo é mais Flamengo que Zico. É tão bem defendido como se fosse um Zico a contar a história.

Tivessem cartolas de todos os lados e togados menos partidários com o discernimento dos autores das duas obras diametralmente opostas, a questão não seria essa querela tão quizilenta.

Embate sem vestais, como se verá a seguir.

Esta linha do tempo é assinada por um palmeirense que está jornalista, mas não é um jornalista palmeirense.

Não torço contra ninguém abaixo citado. Nem a favor.

Também tento não distorcer como muitos lados pró-Flamengo, pró-Sport, pró-Clube dos 13, pró-CBF, pró-CND, pró-Globo, pró-Abril, pró-SBT, pró-Coca Cola, pró-legalidade, pró-legitimidade, pró-futebol, pró-eles mesmos.

Pro jogo e pras jogadas. Vamos.

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QUANDO TUDO COMEÇOU A DESANDAR…

Tudo começa em 16 de janeiro de 1986, quando Octávio Pinto Guimarães, ex-presidente da Federação do Rio, e Nabi Abi Chedid, ex-presidente da Federação Paulista, concorrem juntos à presidência da CBF, em oposição a Medrado Dias, candidato apoiado por Giulite Coutinho (de elogiável atuação, entre 1980 e 1986). A disputa acirrada foi vencida pela oposição. Com uma jogada típica da parelha que assumiria (ou não) o comando (ou não) do futebol brasileiro. Como o estatuto da entidade previa, em caso de empate, a posse do candidato mais velho (velhaco?), o que daria vantagem a Medrado Dias, Nabi e Octávio inverteram a ordem da chapa horas antes da votação. O vice Octávio virou presidente. O ''presidente'' Nabi virou vice. E assim venceram.

Sem, na prática, precisar da manobra. Ganharam por um voto. 13 a 12. Um voto de presidente de federação estadual foi anulado por estar rasurado.

Giulite Coutinho presidiu a CBF com notável correção de 1980 a 1986

 

A trapalhada da gestão Nabi-Octávio-OctávioXNabi começou no dia da posse. Octávio não cedeu o comando do futebol totalmente como era previsto. Gostou do cargo, e não apenas das questões administrativas, financeiras e políticas. Nabi, raposa da política partidária, líder do PFL na Assembleia Legislativa paulista, estrilou, e começou a mandar do seu jeito. A duplicidade de poder ajudou a enxovalhar um futebol que perderia de vez o rumo no BR-86.

Octávio Pinto Guimarães presidiu a CBF de 16 de janeiro de 1986 a 16 de janeiro de 1989

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BRASILEIRÃO DE 1986

A confusão é ainda maior e mais chata que a da Copa União e da criação do Clube dos 13. Melhor que GUSTAVO POLI, em seu blog no globoesporte.com, resuma com a categoria usual:

“Em 1986, a CBF conseguiu (des) organizar o mais bagunçado Campeonato da história (e isso, amigos, é um feito). Era um monstrengo com 80 clubes divididos em 8 grupos de 10 – quatro de elite, quatro menos votados. Classificavam-se para a segunda fase os sete primeiros dos quatro primeiros grupos (28 clubes) e mais os vencedores dos grupos inferiores (4).  E, para  temperar com ácido a feiúra deste rostinho, ali pelo fim da primeira fase uma decisão do STJD (ele já existia) deu ao Joinville pontos de um jogo contra o Sergipe (por causa de doping). O Vasco, eliminado por isso, entrou na justiça comum para cassar a decisão. E conseguiu.

Para evitar uma guerra de liminares, a CBF tentou desclassificar a Portuguesa, por conta de um problema com ingressos. Os clubes paulistas reagiram solidários e ameaçaram boicotar a segunda fase. A entidade máxima, pois, encontrou uma solução salomônico-genial: botar todo mundo pra dentro. A segunda fase passou a ter 33 times. O problema é que com número ímpar de equipes ficou difícil fazer a tabela. A saída foi convidar mais três equipes pela janela – Santa Cruz, Sobradinho e Náutico. Essa vergonhosa zona – no primeiro ano de uma polêmica nova gestão na CBF (a dupla Otávio Pinto Guimarães – Nabi Abi Chedid) – plantou a “revolução” do ano seguinte.  No fim, o São Paulo foi campeão, derrotando o Guarani de Ricardo Rocha em Campinas e nos pênaltis. O América-RJ ficou em terceiro (depois de eliminar o Corinthians) e o Atlético-MG em quarto.

O detalhe a observar:  antes do Campeonato, e por pressão dos clubes, o Conselho Nacional de Desportos (CND) e a CBF acertaram que 1986 seria “classificatório” para 1987. Dos 44 times dos módulos de “cima” do torneio – 24 seriam classificados para a primeira divisão do ano seguinte. A confusão jurídica implodiu essa combinação – e evitou que dois times grandes disputassem a segundona num suposto campeonato de 1987 (Botafogo e Coritiba).”

http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli 

 

 

E TEM MAIS!!!

Não era só a bagunça no BR-86. Era um Brasil que se ensaiava diferente, depois da ditadura militar. A eleição indireta de Tancredo Neves, em janeiro de 1985, iniciava a Nova República. Não tão nova assim quando o ex-(para sempre) situacionista José Sarney assumiu o poder, com a morte do presidente que nem posse chegou a tomar, em 21 de abril de 1985. A eleição do Congresso constituinte, em novembro de 1986, botou tudo no caldeirão político. Era hora de reformar o país. O futebol, ainda atrelado ao Ministério da Educação via Conselho Nacional dos Desportos (CND), também era pauta do dia. E plataforma de votos.

0 sarne

José Sarney presidiu o Brasil de 1985 a 1990. Mas ainda parece presidir

Melhor explica o jornalista UBIRATAN LEAL, titular do imperdível Balípodo.

“Enquanto a CBF estava à deriva, os clubes já se organizavam para fazerem valer seus interesses. No caso, a maior preocupação era fazer lobby para incluir na pauta da Assembleia Constituinte um artigo que lhes desse autonomia de organização e funcionamento. A campanha foi bem sucedida e a união de clubes ganhou força. Em abril de 1987, Flamengo e São Paulo se negaram a ceder seus jogadores para uma excursão da Seleção Brasileira à Europa e tiveram respaldo do CND. Márcio Braga, presidente do Flamengo na época, saiu da reunião que anulou a convocação da Seleção dizendo, triunfante, que era o “fim do autoritarismo no futebol brasileiro”.

Em julho de 1987, Octávio Pinto Guimarães anunciou: “a CBF não tem condições de organizar o Campeonato Brasileiro deste ano”. O motivo era a falta de dinheiro para arcar com as viagens dos times e outras despesas da competição. Sob o risco de ficar sem a competição que já era a mais importante do calendário, os grandes clubes resolveram tomar as rédeas da situação. “Liguei para o Nabi e perguntei se era sério o que o Octávio falava. Ele disse que era e ‘deu a bênção’ para que organizássemos o campeonato se quiséssemos”, conta Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo e do Clube dos 13″

 http://www.balipodo.com.br/

 


 

PONTAPÉ INICIAL

* 15/01/87 – Clubes cariocas defendem Brasileiro de 1987 com 20 equipes.

Castor de Andrade mandava no Bangu. E no Carnaval. E no jogo do bicho.

* 16/01/87 – Completando um ano de mandato, o vice da CBF Nabi Abi Chedid pretende 16 clubes no BR-88. Só não diz como.

* 05/02/87 – Márcio Braga, presidente do Flamengo, e também deputado federal constituinte pelo PMDB fluminense, quer a extinção das federações estaduais. Justamente o colégio eleitoral da CBF. Ganha mais inimigos declarados. Mas começa a arregimentar aliados entre os grandes clubes para mudar e modernizar o futebol brasileiro.

* 25/02/87 – São Paulo vence o Guarani nos pênaltis e é campeão brasileiro de 1986, no campeonato que acabou quase três meses depois pela virada de mesa e acomodação política de interesses. Bagunça que levaria também às mudanças não menos controvertidas para o Brasileiro de 1987. Ou “Brasileiros” de 1987…

* 17/03/87 – CBF anuncia os 28 clubes que disputarão o BR-87 (chamado oficialmente desde 1975 de ''Copa Brasil''): Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Portuguesa, Guarani e Inter de Limeira (7 de SP); Flamengo, Fluminense, Vasco, América e Bangu (5 do RJ, e sem o Botafogo, que não conseguira classificação pelo BR-86); Grêmio e Internacional (2 do RS); Atlético Mineiro e Cruzeiro (2 de MG); Náutico e Santa Cruz (2 de PE); Goiás e Atlético Goianiense (2 de GO); Criciúma e Joinville (2 de SC); Atlético Paranaense (1 do PR); Bahia (1 da BA); Ceará (1 do CE); CSA (1 de AL); Treze (1 da PB); Rio Branco (1 do ES)

* 30/03/87 – Botafogo vai à Justiça para ficar com a vaga que o Joinville havia conquistado em 1986 para disputar o BR-87 (depois de ganhar os pontos do jogo com o Sergipe, pelo BR-86, por doping de atleta sergipano).

* 04/06/87 – STJD atende pedido do Botafogo e decide incluir o clube no BR-87. São 29 clubes agora na primeira divisão nacional.

* 09/06/87 – Justiça Federal do Paraná determina participação do Coritiba no BR-87. Campeonato passa a ter 30 clubes.

* 22/06/87 – Carta de Curitiba:  26 federações estaduais pedem à CBF que o BR-87 tenha 28 clubes. Problema é que justiça comum incluiu o Coritiba e a esportiva, o Botafogo. Já são 30 clubes no BR-87. E contando…

* 07/07/87 – Presidente da CBF Octávio Pinto Guimarães afirma que CBF não tem dinheiro para fazer BR-87… Está tentando patrocínio de 100 milhões de cruzados para bancar despesas. Se não conseguir, clubes teriam de se virar com passagens e hospedagens. Outra opção seria um torneio regionalizado. Falência financeira tem a ver também com a queda na arrecadação da Loteria Esportiva. Explica – ou não – o presidente da CBF:

Em 1986, o Brasileirão custou 35 milhões de cruzados. 28 deles vieram da Loteca.

Se arrumar a grana, Octávio pensa num torneio com 28 clubes e mais um time paulista: presidente José Sarney pede que Octávio Pinto Guimarães considere a presença do Botafogo de Ribeirão Preto no BR-87… Clube tentava na Justiça a sua inclusão no campeonato da “elite”.

Isto é: não apenas não havia dinheiro e competência. Não se sabia quantos clubes seriam. E quantos a Justiça Esportiva (ou não) enfiaria no campeonato.

* 08/07/87 – José Maria Marin, presidente da FPF, quer um BR-87 com no máximo 29 clubes. E prevê a torrente de liminares em todas as esferas.

Vai ser um campeonato mais disputado na Justiça comum do que no campo…

 

E, de Justiça, se sabe, Marin conhece bem.

José Maria Marin, presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), seria presidente da CBF de 2012 a 2015. Foi preso em 2015, acusado de uma série de crimes enquanto presidente da entidade. Na foto, ele à direita do último presidente do regime militar – João Figueiredo.

 

* 09/07/87 – Nabi Abi Chedid – quem de fato apitava no futebol da CBF – afirma que pretende um BR-87 com 44 clubes. Um tanto diferente da promessa eleitoral feita em 1986: 20 clubes. NO MÁXIMO! Ainda em 1986, pouco antes do início do confuso BR-86, a entidade determinara 24 equipes no BR-87… Durante a querela jurídica daquele ano, ampliaram de 24 para 28 clubes o BR-87. Dias antes de falar em 44 clubes, Nabi cogitava dois módulos de 32 clubes… Coerência matemática não era o forte do cartola patrono do Bragantino.

Já o presidente Octávio informava que 16 clubes bancariam as próprias despesas de viagens e hospedagem. (Na prática, na surdina, ele pretendia enxugar o campeonato e ''elitizá-lo'' com menos clubes, e mais poderosos, dando mais lucro – ou menos prejuízo). Já adotava o jogo duplo que ele e o cartola vascaíno Eurico Miranda foram mestres em todo processo.

* 10/07/87 – Presidente do Flamengo Márcio Braga aceita pagar as despesas. E não se opõe a 28 clubes para o BR-87. Desde que o número não fosse aumentado. Mas o cartola rubro-negro já havia preparado o esquema para tentar revolucionar o futebol. Já estava marcada a reunião no dia seguinte na sede do São Paulo FC.

* 11/07/87 – Depois de reunião no Morumbi, em São Paulo, por iniciativa de Márcio Braga em conversa com o presidente são-paulino Carlos Miguel Aidar, fundada a União dos Grandes Clubes Brasileiros. Para os íntimos, Clube dos 13. Os quatro maiores do Rio (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco), os quatro maiores de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo), os dois maiores de Minas Gerais (Atlético e Cruzeiro), os dois grandes do Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional) e o Bahia como único representante do futebol nordestino.

Fala Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo e eleito também do Clube dos 13:

Nós queremos o poder. Chega de pagar para jogar.

000 aidar

José Maria Marin chegou a jogar pelo São Paulo, nos anos 1950. Na foto ele está com o então presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, em 1986, sendo entrevistado pela repórter Regiane Ritter. FOTO BLOG DO PAULINHO

PROPOSTAS BÁSICAS DO CLUBE DOS 13 – AO MENOS NA ATA DE FUNDAÇÃO…

1. BR-87 com 13 clubes, turno e returno, campeões se enfrentam em finais com o time que fizer mais pontos, num triangular. (Modelo semelhante ao campeonato do Rio de então).

2. C13 abre mão da verba da Loteria Esportiva em 1987 – principal fonte de receita na época.

3. Querem Divisão A com 16 clubes em 1988. Divisão B com 16. Série C regionalizada. Acesso e descenso entre as divisões a partir de 1989. (No máximo aceitam 20 clubes na primeira divisão em 1988).

4. Diminuir o número de clubes nos nacionais e estaduais a partir de 1988.

5. Jogos só no fim de semana em 1988. No máximo seriam cinco rodadas nas quartas-feiras – ALELUIA!

6. Conselho  Arbitral nas séries A e B. Conselho dos clubes decidiria fórmulas de disputa dos campeonatos – uma novidade aprovada um ano antes pelo CND.

7. Só os clubes votariam nas eleições na CBF – até então, SÓ os presidente das federações estaduais compunham o colégio eleitoral.

8. Voto qualitativo – determinado pela classificação das equipes nos campeonatos. Desse modo, teoricamente, os grandes clubes de maior torcida teriam maioria de votos contra os clubes menores.

9. Convocação de jogadores para a Seleção seria facultativa, e clubes teriam de ser previamente consultados antes da divulgação da lista – UM ABSURDO EM QUALQUER ÉPOCA.

10. Calendário planejado e fixo a partir de 1988- utopia desde então.

 


 

* 12/07/87 – Clubes pernambucanos são os primeiros a se posicionarem contrários ao C13. Portuguesa e Guarani também não gostam, em São Paulo. América se posiciona a favor da CBF, no Rio. Oswaldo Teixeira Duarte, presidente da Portuguesa, se irrita por não ser chamado a participar do C13:

É o clube dos enforcados! É um desrespeito aos demais coirmãos. É uma traição, uma deselegância, uma afronta à CBF!

 

 

000 OTD

Presidente da Lusa nos anos 70 e 80, é o nome do estádio no Canindé

Aidar rebate dizendo que “Portuguesa, América e Bangu não são clubes grandes. Nem pequenos. São médios”.

* 14/07/87 – Nabi Abi Chedid ameaça desfiliar todos os membros do Clube dos 13 caso não participem do BR-87 (embora não se soubesse qual seria o campeonato da CBF…). Só as Federações de Minas e Rio estão apoiando C13. Rio Grande do Sul e Bahia são frontalmente contrários aos próprios clubes rebeldes.  Ministro da Educação Jorge Bornhausen (PFL-SC) diz que o ministério “não vai se envolver no assunto”. Governo lava as mãos que não estavam muito limpas. Como ainda não existia o Ministério do Esporte, o futebol brasileiro estava atrelado à pasta, via CND (Conselho Nacional de Desportos).

* 15/07/87 – CBF apresenta proposta para o BR-87: 20 clubes na primeira divisão. Doze deles do C13 (menos o Bahia), e os 8 restantes sairiam de uma fase eliminatória composta por 48 clubes (incluindo o Bahia). C13 não deu a menor pelota à proposta.

16/07/87 – C13 aceita incluir mais três clubes no BR-87. Eurico Miranda fala em nome do clube:

Mas só 16. Não mais que isso!

00 EURICO MIRANDA

Eurico Miranda, em 1987, na época em que o diretor de futebol vascaíno dizia que o campeão do Brasil era o Flamengo

VEJA: Eurico Miranda afirma na Globo no final de 1987 que o campeão do Brasil era o Flamengo

 

VEJA: Eurico Miranda afirma em 2012 no Esporte Interativo que o campeão de 1987 foi o Sport

O cartola vascaíno também defende o Bahia no grupo, diferentemente de Caixa D'Água, o apelido de Eduardo Viana, presidente da Federação do Rio.

O que levou ao comentário do cartolão Paulo Maracajá, do Bahia:

Somente um desqualificado como esse tal Caixa D'Água poderia fazer tal proposta.

                                                                               Paulo Maracajá presidiu o EC Bahia de 1991 a 1994

* 20/07/87 – Nabi Abi Chedid pede bom senso ao C13 e propõe acordo de cavaleiros para evitar ações na Justiça dos clubes que não estivessem no torneio bolado pela nova entidade dos grandes clubes.

Não podemos esquecer que qualquer um dos 28 clubes pode entrar na justiça comum e, com isso, ganharia o direito de participar do campeonato [de 1987].

Clube dos 13 admite a entrada de mais três clubes para a disputa do BR-87 e apresenta pesquisa que mostra apoio do torcedor paulista e carioca para nova proposta de campeonato. Pelo menos 10 federações estaduais pretendem impeachment de Octávio por estar beneficiando o Clube dos 13. Ainda que não estivesse. Alegam contas que não fecham na CBF. E nessa questão têm toda razão.

* 21/07/87 – Conselho Consultivo da CBF (composto pelas federações estaduais) aprova BR-87 com 28 clubes. E mais Botafogo e Coritiba. E mais clubes que conseguissem entrar na Justiça. Aceitavam um torneio com até 33 clubes. Aceitavam tudo! Menos o Clube dos 13 e suas ideias.

* 22/07/87 – C13 aceita proposta da CBF e de algumas federações estaduais para o BR-87: seriam 16 clubes e não apenas os 13 fundadores do Clube. C13 gostaria de convidar os três participantes do novo torneio. Guarani (vice do BR-86), América do Rio (terceiro colocado em 1986), além de Santa Cruz (de grande torcida de outro Estado não participante da ideia original e com boa colocação no ranking histórico do Brasileirão), Goiás (idem) e Coritiba (idem e também campeão brasileiro de 1985) eram alguns dos candidatos aos três convites do Clube dos 13.

C13 quer negociar convocação da Seleção para Pan-Americano de 1987 e também o Brasileirão. Nabi não quer jogo e nem papo.

* 23/07/87 – Márcio Braga e Carlos Miguel Aidar batem o pé quanto ao número de 16 clubes na primeira divisão. Eurico Miranda aceita a ideia de ter mais clubes. Primeiro racha ente Miranda e os demais cartolas do C13. Mas ainda sem maiores consequências. Seguindo a praxe daqueles dias de muitas brigas em todas as esferas da Justiça, Nabi ameaça clubes que não cederem jogadores para a Seleção dirigida por Carlos Alberto Silva. A convocação para o Brasil era um negócio absurdo, e Fifa não se metia.

Manoel Tubino, presidente do Conselho Nacional de Desportos, órgão normativo, apoia a ideia do C13 para o BR-87.

C13 CHUTA O BALDE MARROM: SE CBF JOGASSE DURO, A CONFEDERAÇÃO PODERIA FAZER UM TORNEIO NOS EUA EM HOMENAGEM AO PRESIDENTE RONALD REAGAN!?

WTF!

 

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Nancy e Ronald Reagan. Casal esteve na Casa Branca entre 1981 e 1989, mas não soube da ideia do BR-87 nos EUA

* 24/07/87 – CBF apresenta pela primeira vez a ideia de cruzar os dois primeiros de cada módulo para definição do campeão brasileiro de 1987: no Verde, os fundadores do C13 e mais os convidados ENFIM definidos pela entidade, com anuência do Clube dos 13: Coritiba, Goiás e Santa Cruz. No mesmo grupo (divisão?) do campeonato, mas no Módulo Amarelo, outros 16 clubes: Portuguesa, Guarani e Inter de Limeira (3 de SP), América e Bangu (2 do RJ), Sport e Náutico (2 de PE), Criciúma e Joinville (2 de SC), Atlético Paranaense (1 do PR), Vitória (1 da BA), Atlético Goianiense (1 de GO), Ceará (1 do CE), CSA (1 de AL), Treze (1 da PB) e Rio Branco (1 do ES).

Quem vencesse o quadrangular final de cruzamento dos módulos seria o campeão nacional de 1987, pela proposta da entidade. C13 aceita BR-87 com dois módulos de 16 clubes.

Mas não libera atletas para a Seleção.

Quanto ao cruzamento, c13 não se pronuncia formalmente. Mas não gosta da ideia.

* 25/07/87 – Nabi e o presidente da Federação Paulista de Futebol (José Maria Marin, futuro presidente da CBF entre 2012 e 2015) querem o Guarani (vice-campeão brasileiro de 1986, e 14º no ranking da entidade) no lugar do Goiás. Octávio defende a permanência de clubes de outros Estados no Módulo Verde. C13 também considera importante outras praças na competição. Quanto ao caráter político e comercial, entidades falam a mesma língua: grego.

* 28/07/87 – Guarani e Atlético Paranaense estudam entrar na Justiça Esportiva e também na comum para participarem do Módulo Verde.

* 29/07/87 – América e Ponte Preta entram na Justiça Comum querendo participar do Módulo Verde. Nabi em fúria: diz que Módulo Amarelo não é “segunda divisão”, que são 32 clubes na elite, e todos com chance de disputarem o título brasileiro de 1987. Para ele, haveria cruzamento dos módulos dentro de um mesmo campeonato e de uma só divisão. Ele diz que Clube dos 13 é ilegal, que vai punir clubes que ingressarem na justiça comum, e que só a CBF manda no futebol brasileiro.

Então tá…

* 31/07/87 – Bangu entra na justiça comum para conseguir vaga no Módulo Verde – o da elite do C13.

* 06/08/87 – 24 cartolas de federações estaduais vão a Brasília, liderados por Eduardo Viana, o Caixa D’Água da Ferj, para conversar com Jorge Bornhausen (PFL-SC), ministro da Educação – não havia Ministério do Esporte. Eles defendem BR-87 com 80 clubes divididos em 4 módulos. Os vencedores de cada Módulo disputariam o título brasileiro de 1987. Octávio Pinto Guimarães pretende a mesma fórmula. Mas com menos clubes: 64 ao todo.

Cartolas ainda querem que o ministro Bornhausen destitua Manoel Tubino do CND (órgão do ministério que regia o desporto brasileiro). Tubino estava alinhado com o Clube dos 13 e com as ideias mais arejadas na administração do futebol.

* 07/08/17 – C13 anuncia rompimento “definitivo” com a CBF. Aidar e Márcio Braga anunciam volta atrás no que havia sido ''acordado''. Eles farão um campeonato com 13 e não mais 16 clubes. Santa Cruz, Coritiba e Goiás ficariam fora da festa. C13 não se importaria com as duas vagas para a Libertadores-88 (competição então deficitária). Nabi reage e diz que não haverá campeonato paralelo no Brasil.

* 10/08/87 – Nabi bate pesado mais uma vez:

Não aceito o campeonato ilegal dos clubes rebeldes. O futebol brasileiro é feito por 200 clubes, não por apenas 13. Esses clubes na verdade querem eleger o futuro presidente da CBF, numa eleição que só vai acontecer daqui um ano e meio.

Nabi afirma que clubes rebeldes não poderão jogar nem amistosos pelo Brasil ou fora do país. Em nome do C13, Carlos Miguel Aidar diz que clubes irão à justiça comum para poder organizar o BR-87.

* 12/08/87 – C13 se reúne com ministro da Educação, em Brasília. Jorge Bornhausen pretende intermediar solução entre os rebeldes e CBF para realizar apenas um campeonato consensual.
* 13/08/87 – Nabi anuncia a primeira rodada do BR-87 para 30 de agosto. Diferente da ideia do C13. Na proposta, CBF defende cruzamento entre os vencedores do Módulo Verde (que corresponderia à primeira divisão) e do Módulo Amarelo (mais 16 clubes, entre eles o vice de 1986,o Guarani, e o 3o. colocado do BR-86, o América do Rio). No Verde estão os membros do Clube dos 13 mais Santa Cruz (time do senador Marco Maciel, PFL-PE), Coritiba e Goiás.

Ministro Jorge Bornhausen propõe aos presidentes da CBF e C13 o cruzamento dos módulos (ideia encampada pela CBF). C13 não quer.

Jorge Bornhausen. Ministro da Educação (PFL-SC) do governo José Sarney

* 17/08/87 – Federações querem destituir a dupla Octávio e Nabi do comando da CBF. Das 26 federações que votam na CBF, 21 querem impeachment de Octávio e Nabi. Mesmo com a parelha defendendo os direitos delas mais do que o C13 – nova entidade tem como ''inimigas'' mais as federações que a própria CBF.

* 18/08/87 – Clube dos 13 divulga a sua tabela para o BR-87. Ela difere da tabela da CBF. E não conta com Coritiba, Santa Cruz e Goiás…

Presidente do CND, Manoel Tubino, descarta intervenção na CBF.

* 19/08/87 – CBF chama campeonato com 16 clubes de Módulo Verde.

C13 insiste no nome escolhido pelo grupo: Copa União.

* 23/08/87 – Batalha de liminares e mandados na Justiça Esportiva e comum entre presidentes das federações estaduais pedindo a convocação de Assembleia Geral da entidade. Algo que não está diretamente ligado ao BR-87. Mas que também reflete em tudo.

* 26/08/87 – Nabi anuncia que BR-87 começa em 5 de setembro. Clube dos 13 não dá a mínima.

* 27/08/87 – Caixa Econômica Federal, a  dona da famigerada Taça das Bolinhas (a Copa Brasil instituída em 1975), decide não incluir jogos do Clube dos 13 na Loteria Esportiva. Clube dos 13 entra em campo e na arquibancada pedindo apoio da torcida ao campeonato por eles proposto.

Portuguesa pretende entrar na Justiça. Foi a 11a. colocada no BR-86 e não admite ter sido excluída do C13 e do campeonato organizado por ele.

* 28/08/87  – CBF divulga tabela dos dois módulos. Afirma que já definiu o regulamento da competição. Mas estranhamente não o divulga nem mesmo para os clubes… Ninguém vê o regulamento. Nenhum clube sabe ainda como será OFICIALMENTE o BR-87. ESTA SERÁ QUESTÃO DECISIVA PARA TODAS AS DECISÕES POSTERIORES A FAVOR DO SPORT EM TODAS AS INSTÂNCIAS DE JUSTIÇA.

* 30/08/87 – Nabi ameaça com punição os clubes que não forem a campo na primeira rodada do Brasileiro. Aquele da tabela do campeonato da CBF anunciada dois dias antes . AINDA SEM REGULAMENTO CONHECIDO PELOS CLUBES… Uma vergonha. Um absurdo.

31/08/87 – Na sede do Flamengo, numa reunião numa segunda-feira, Clube dos 13 decide definitivamente não participar do BR-87 que começaria no sábado seguinte. Eles pretendem começar em 12 de setembro a Copa União, um torneio organizado por eles, independente da CBF. Nabi ameaça com suspensão de dois anos os clubes que não participarem do BR-87 organizado pela CBF. O torneio que ainda não tem O REGULAMENTO DIVULGADO…

C13 enviou ao presidente da CEF, Maurício Viotti, documento dizendo que clubes membros não participarão dos jogos e da arrecadação da Loteria Esportiva. CEF, sempre ótimo lembrar, criadora em 1975 da COPA BRASIL. A TAÇA DAS BOLINHAS…

* 01/09/87 – Nabi afirma que não haveria um campeonato paralelo ao BR-87.

Esse torneio é pirata. Não existe, não é oficial.

 

Nabi Abi Chedid entrou para a política depois de entrar para o futebol, em 1966. Não largou mais

O cartolão paulista tentava acabar com o Clube dos 13 e, ao mesmo tempo, estava costurando um acordo com o governador paulista Orestes Quércia (PMDB), em seu primeiro ano de mandato. O plano de Nabi: quando saísse da CBF, em janeiro de 1989, ele voltaria a comandar a FPF, presidida pelo presidente paulista de seu partido, José Maria Marin. Como líder do PFL na Assembleia Legislativa, Nabi trabalhava nos bastidores por Quércia no primeiro ano do mandato, um ano antes da eleição para a prefeitura paulistana, em 1988, para a sucessão de Jânio Quadros.

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Janio Quadros era o prefeito paulistano em 1987, embora mais vivesse em Londres que em São Paulo

As principais federações se manifestam fortemente contra Copa União.

Comissão Brasileira de Árbitros, a princípio, e atrelada ao poder constituído, também é contra a Copa bolada pelo C13.

Carlos Miguel Aidar admite pela primeira vez negociar vagas na Libertadores-88 com clubes de outro módulo, o Amarelo, na teoria a segunda divisão do BR-87. C13 pensa mesmo em abrir mão da Libertadores.

Clube dos 13 trabalha com resolução do CND que fixava em no máximo 28 clubes por divisão. Por isso não haveria como o BR-87 ter dois módulos de 16 clubes. O campeão brasileiro teria de sair do campeonato idealizado pelo Clube dos 13. Manoel Tubino está alinhado com C13.

CBF proíbe amistosos no Brasil a partir do dia seguinte (mais um modo de forçar os clubes a disputarem o campeonato por ela organizado). Além disso, árbitros estavam proibidos de trabalhar em qualquer partida sem a autorização formal da Comissão de Arbitragem da CBF.

Naquele momento, também pelo jogo duro de Nabi mais do que de Octávio, o C13 não tinha outras alternativas além da composição com a CBF. Sob o risco de inviabilizar qualquer torneio sem árbitros e sem a mínima chancela legal. Ainda que bastante legítima.

* 02/09/87 – Cartolas de 16 dos 19 clubes dos módulos verdes e amarelos apoiam a CBF contra o clube dos 13. Reunidos na Portuguesa, entendem que o C13 é radical. E que os clubes chamados grandes temem enfrentar clubes menores.

* 03/09/87 – Quinta-feira, antevéspera do início do BR-87 idealizado pela CBF… ACORDO SELADO. UFA!

Octávio Pinto Guimarães, presidente da CBF, aceitou proposta das federações do Rio, São Paulo, Minas, Rio e Bahia. A proposta conciliatória de Eduardo Viana, o Caixa D’Água. Em vez de um campeonato só do C13, mais três clubes convidados (voltam à ''elite'' Santa Cruz, Coritiba e Goiás).

O BR-87 teria quatro módulos de 16 clubes.

O campeão brasileiro de 1987 seria o vencedor do Módulo Verde, com os 13 do Clube, mais os três convidados.

As duas vagas da Libertadores de 1988 seriam decididas em janeiro do mesmo ano, num quadrangular entre os dois primeiros colocados do Módulo Verde (na prática a primeira divisão) e os dois primeiros do Módulo Amarelo (na prática, a segunda divisão). O C13 aceitava isso.

Os demais clubes, não. 

A princípio, a fórmula que o bom senso mandaria acolher…

Eurico Miranda (Vasco) e Eduardo Viana (Ferj) costuraram acordo para viabilizar um campeonato apenas que fosse tanto do C13 quanto da CBF, analisa Pablo Duarte Cardoso em seu livro. Para isso acontecer, os rebeldes aceitariam o cruzamento dos módulos APENAS PARA DEFINIÇÃO DOS DOIS BRASILEIROS NA LIBERTADORES-88. Para a CBF, porém, era a chance de fazer do quadrangular final com o cruzamento dos Módulos o campeonato nacional que ela desejava: isto é, com 32 clubes com chances de título.

 

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REVISTA PLACAR. Abril foi uma das empresas que ajudaram a bancar o torneio. 180 mil exemplares do álbum de figurinhas foram vendidos só na primeira semana. 480 mil final do ano. 20 milhões de pacotinhos vendidos.

Acordo fechado no Copacabana Palace, no Rio, na quinta-feira, 22h30. Federações queriam chamar Troféu João Havelange o Módulo Verde. C13 prefere Copa União.

Rodada que seria no sábado foi cancelada. Seria reformulada para o outro fim de semana.

* 04/09/87 – Rede Globo de Televisão vai pagar US$ 3,4 milhões para transmitir com exclusividade a Copa União. Quase 166 milhões de cruzados. Cotas iguais para os 13 membros do C13. O que daria 12,8 milhões de cruzados. Os três clubes convidados ganhariam metade da cota de cada membro fundador do C13. TV transmitiria 42 dos 78 jogos da Copa União. Três vezes por semana. Na época não havia televisão por assinatura.

Um jogo seria exibido ao vivo na noite de sexta-feira. Até para a cidade da partida. Mais um jogo na tarde de sábado. No domingo, um sorteio seria realizado 15 minutos antes das quatro partidas previstas para as 17 horas. A partida que fosse sorteada seria transmitida ao vivo para todo o país, inclusive para a própria praça. Areias contou no livro “1987 – De Fato, De Direito e de Cabeça”, de André Galindo e Cássio Zírpoli (Onze Cultural), que o valor foi calculado pelo preço que a Globo pagara pelo jogo decisivo do SP-87: 70 mil dólares.

 

Ibope divulga pesquisa: 92% dos cariocas e paulistanos aprovam a Copa União com 16 clubes.

Sport Recife avisa por intermédio de seu vice, Luciano Bivar, que os clubes do módulo amarelo NÃO ACEITAM DISPUTAR BRASILEIRÃO SEM CRUZAMENTO DOS MÓDULOS. ELES ENTENDEM QUE O MÓDULO AMARELO ACABOU VIRANDO A SEGUNDA DIVISÃO, PELA PROPOSTA DO C13.

Eduardo Viana foi o designado para levar a tabela elaborada pelo Clube dos 13 para a CBF.

C13 pretende acesso e descenso em 1988. Cairiam dois clubes da Copa União e subiriam outros dois para 1989.

Para o vice do Guarani, José Carlos Hernandes, mais conformado com o rumo das coisas:

Balela dizer que haverá cruzamento dos módulos Verde e Amarelo… O campeão brasileiro será o vencedor do Módulo Verde. Não tem jeito.

* 05/09/87 – Sport quer evitar que TV Globo transmita partidas no mesmo horário de jogos dos outros módulos do Brasileirão. E pretende negociar partidas do clube pernambucano com outras emissoras. Luta encampada por muitos presidentes de clubes de menor investimento e por presidentes das federações estaduais. Desde os anos 60 clubes e federações brigavam com transmissão ao vivo de grandes jogos com o receio (justificado) de que pudesse tirar público dos estádios. O torcedor iria preferia assistir pela TV ao Zico jogando em algum canto do Brasil a ir ao estádio torcer pelos clubes locais.

* 06/09/87 – Antonio Castro-Gil, secretario-executivo do Módulo Verde, acredita que 90 milhões de cruzados serão gastos com hospedagem e avião na Copa União. O secretário-executivo do C13, José Carlos Villela, pretende o fim do acúmulo de cartões amarelos e a instituição de um tribunal de penas na Copa União para substituir a morosidade e uma suspeita parcialidade da Justiça Esportiva, onde Villela deitou e rolou nos anos 60 e 70 como dirigente do Fluminense. Inspirados indireto do termo ''tapetão''.

* 07/09/87 – A companhia aérea Varig (a principal do Brasil e uma das melhores do mundo) será parceira do C13. O matemático Oswald de Souza fará a tabela da Copa União. Em poucas semanas o departamento de marketing do Clube dos 13, tocado por Celso Grellet (São Paulo) e João Henrique Areias (Flamengo) fechou com Globo e Varig. Algo que nem em sonho a CBF conseguia fazer. A ruptura mais que se justificava. Varig pagaria 20 milhões de cruzados (desconto de 50% no preço das passagens).

O publicitário João Carlos Areias

* 08/09/87 – Nabi não divulgou tabela do BR-87 como se esperava. Também porque houve novo racha. C13 não quer acesso e descenso em 1987. Clubes do Módulo Amarelo querem já este ano. Nabi quer jogar tudo pelos ares:

A TV ficou mais importante que a CBF. Jogo aos domingos ao vivo é a morte do futebol

Clubes do Módulo Amarelo propõe na sede do América carioca o modelo de campeonato para o ano seguinte: Os 12 primeiros do Módulo Verde de 1987 + 6 primeiros do Módulo Amarelo de 1987. Um playoff entre o 13o. e 14o. do Verde contra o 7o. e 8o. do Amarelo definiria mais duas vagas para fechar o BR-88 com 20 clubes. A segunda divisão teria 24 clubes em 1988.

Era um modo de o Módulo Amarelo minimizar prejuízos. E também entender que eles realmente se sentiam disputando a segunda divisão do BR-87… A proposta foi encabeçada por Fred Oliveira, presidente da Federação de Pernambucano.

Fred Oliveira, presidente da Federação Pernambucana de Futebol em 1987

Em outra reunião, no mesmo dia, mas na sede da Federação do Rio, clubes do Módulo Amarelo se encontram com Eurico Miranda (representante do C13). Brigam pelo cruzamento dos módulos e, de preferência, antes do final de 1987, e não em janeiro de 1988.

Na terceira reunião, na sede da CBF, clubes se surpreendem com nova posição de Eurico, ACEITANDO O CRUZAMENTO DOS MÓDULOS PARA DEFINIÇÃO DO BR-87… OUTRO PONTO FUNDAMENTAL PARA TENTAR ENTENDER – OU NÃO – TODO O ENROSCO DE 1987.

* 09/09/87 – O BR-87 começaria na sexta-feira. E só na quarta-feira a tabela foi apresentada…

Clubes do Módulo Amarelo insistem no cruzamento entre os Módulos para definição do campeão brasileiro de 1987. Eurico Miranda, diretor de futebol do Vasco, dos mais atuantes membros do C13, responde, resumindo a ideia e os modos da nova entidade:

Esses caras [do Módulo Amarelo] estão malucos. Eles querem tudo!

(Essa foi a declaração pública de Eurico. Mas, ao que se sabe, ele já havia acertado e aceitado o cruzamento dos módulos, à revelia dos outros membros do C13).

Presidente do Sport, Homero Lacerda, disse que iria ao presidente José Sarney para denunciar venda irregular dos direitos de TV:

O Clube dos 13 vendeu para a TV Globo algo que não é deles.

 

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Homero Lacerda, presidente do Sport, em 1987

 

Nabi Abi Chedid deu de ombros:

Não sei nada disso dos direitos da TV.

 

Fred de Oliveira, da Federação de Pernambuco, disse que times do módulo amarelo “NÃO ENTRARÃO O EM CAMPO ATÉ QUE SE DEFINA O CRUZAMENTO DOS MÓDULOS AINDA EM 1987”.

 


 

OFICIALMENTE (PARA O CLUBE DOS 13…) foi definido o regulamento pelo C13, no Hotel Transamérica, em São Paulo, em 9 de setembro:

1. Não haverá rebaixamento no BR-87.

2. Clubes do Módulo Amarelo poderão subir para a elite, mas apenas no BR-88. Seriam os 4 primeiros.

3. CRUZAMENTO COM CAMPEÃO E VICE DO VERDE COM CAMPEÃO E VICE DO AMARELO SERIA APENAS EM JANEIRO DE 1988. MAS SÓ – E SOMENTE SÓ – PARA DEFINIR OS DOIS BRASILEIROS NA LIBERTADORES-88. NÃO O CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987. C13 INSISTIA QUE O CAMPEÃO DE 1987 SERIA CONHECIDO EM 13 DE DEZEMBRO. SEM CRUZAMENTO ENTRE OS MÓDULOS. IDEIA DIFERENTE DAQUELA DA CBF E, CLARO, DOS 16 CLUBES DO MÓDULO AMARELO.

* 10/09/87 – HOMERO LACERDA, PRESIDENTE DO SPORT, AFIRMA QUE AINDA AGUARDA TER EM MÃOS O REGULAMENTO DOS DOIS MÓDULOS QUE FOI ACORDADO, EMBORA AINDA NÃO ESTEJA DIVULGADO. O BR-87 COMEÇARIA SEM UM REGULAMENTO REGISTRADO. (A informação é de Cassio Zírpoli, em blog no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, em 2015).

* 11/09/87 – 21H30. Pacaembu. Palmeiras 2 x 0 Cruzeiro. Jogo inaugural da Copa União. Com TV Globo transmitindo também para São Paulo.

VEJA: O primeiro jogo da Copa União de 1987

José Maria Marin diz que vai entrar na Justiça contra TV ao vivo quando tiver jogos de outras divisões do futebol paulista. “O futebol não pode ficar subordinado aos caprichos de uma emissora de televisão”. Nabi concorda com o presidente da Federação Paulista. Também não queria televisionamento ao vivo. Chegou a dizer que Octávio Pinto era “safado e que aceitou pressão da TV”. Octávio teria retrucado:

Nabi, você acha que eu vou brigar com a Globo?

 

Rede Globo fechou contrato de cinco anos por US$ 18, 5 milhões. Algo em torno de 925 milhões de cruzados.

Preço dos ingressos definido: geral 50 cruzados, arquibancada 100, numerada descoberta 250, numerada coberta 500 cruzados.

Guarani entra na Justiça para ser incluído no Módulo Verde. Como vice de 1986, e terceiro colocado em arrecadação.

Enquanto Palmeiras x Cruzeiro começavam o campeonato no Pacaembu, DIRETORIA DA CBF ANUNCIOU OFICIALMENTE QUE HAVERIA CRUZAMENTO ENTRE MÓDULOS VERDE E AMARELO AINDA NO FINAL DE 1987.

E OS CLUBES QUE SE RECUSASSEM A JOGAR NO FIM DE SEMANA SERIAM SUSPENSOS…

ISTO É: NA NOITE EM QUE COMEÇOU O CAMPEONATO, CBF DEFINIU QUE HAVERIA CRUZAMENTO ENTRE OS MÓDULOS.

ISTO É: O CAMPEONATO  COMEÇOU NA PRÁTICA SEM O REGULAMENTO DEFINIDO. ELE SÓ FOI DIVULGADO COM 30 MINUTOS DO PRIMEIRO JOGO.

OU SEJA: JÁ COMEÇOU ERRADO TUDO QUE JÁ ESTAVA MUITO TORTO.

POR CULPA DA CBF E DO PRÓPRIO CLUBE DOS 13, QUE CONFIOU DEMAIS NA ENTIDADE. OU DEMAIS EM EURICO MIRANDA, O CARTOLA ESCALADO PARA A TAREFA DE NEGOCIAR O REGULAMENTO. PARA ALGUNS PARES DO C13, EURICO FEZ JOGO DUPLO. PARA ELE, ''NINGUÉM NUNCA MANDOU EM MIM''.

Isto é…

Na mesma tarde, antes de a bola rolar no BR-87 (Copa União), CND decidiu voto qualitativo nas federações, conselhos arbitrais dos clubes, e limitações de clubes nas divisões… Inegáveis avanços num meio apodrecido.

Uma das resoluções do CND ajudava o C13 na luta contra o cruzamento dos módulos para definição do campeão brasileiro de 1987: A cota máxima de clubes por divisão, em tese, impediria que os 16 do Módulo Verde se “juntassem” aos 16 do Módulo Amarelo para definir o campeão. Na prática, seria um campeonato de 32 clubes na Primeira Divisão. Algo vetado pelo CND.

* 10/09/87 – Guarani entra com mandado de segurança exigindo a participação no Módulo Verde.

* 11/09/1987 – Eis o maior ponto da discórdia eterna: Artigo 6º, parágrafo 2 (do regulamento do BR-87, onde quase todas as decisões da Justiça Comum se baseariam para dar o título de 1987 ao Sport): “O campeão e o vice-campeão das Taças João Havelange e Roberto Gomes Pedrosa disputarão, em quadrangular, o título de campeão e vice-campeão brasileiro de 1987, ficando de posse da Copa Brasil-1987 e classificados para representar a CBF na Taça Libertadores da América-1988”.

No livro 1987 – A HISTÓRIA DEFINITIVA (Maquinária Editora), de Pablo Duarte Cardoso, o autor observa que o regulamento enfim apresentado (apenas com a bola rolando na primeira rodada…) teria sido “aprovado” pela CBF em 28 de agosto de 1987. Isto é: dias antes da malfadada reunião entre Eurico Miranda (“representante do C13) e a entidade…

Como assim?

Por que o regulamento só foi divulgado depois do início do campeonato?

E como ele foi oficialmente produzido tanto tempo antes e não divulgado pela CBF?

* 12/09/87 – Ato público na Praça da Independência,no Recife, contra Copa União. Sport e Náutico prometem não disputar o Módulo Amarelo.

Nabi afirma aos revoltosos que quer fazer fazer o cruzamento dos dois módulos ainda em 1987.

Oito dos 16 clubes do Módulo Amarelo decidem não entrar em campo num campeonato em QUE DESCONHECEM O REGULAMENTO. NO QUE TINHAM TODA A RAZÃO.

*13/09/87 – Média de público de 19 mil na primeira rodada da Copa União. A melhor desde 1983. No primeiro sorteio do jogo das 17h, deu bola 2. E deu a melhor partida. Atlético Mineiro 5 x 1 Santos foi o jogo transmitido para todo o país, inclusive para Belo Horizonte. O sorteio foi realizado no estádio do Morumbi. Equipes de repórteres da Globo ficavam em cada estádio. O locutor Galvão Bueno e o comentarista Carlos Alberto Torres estavam no estúdio, no Rio. O Ibope da Globo foi de 32%. O SBT, com o Programa Silvio Santos, deu 28%. A Bandeirantes, com o “Show do Esporte”, teve 2%. 

VEJA: O primeiro jogo televisado depois do sorteio. ATLÉTICO MINEIRO 5 X 1 SANTOS

As partidas dos campeonatos de divisões inferiores em São Paulo tiveram uma queda de 40% de bilheteria com a transmissão do jogo ao vivo da Copa União, que iniciou no segundo tempo das partidas paulistas.

Só um jogo foi realizado no Módulo Amarelo. CSA 0 X 1 Guarani. Outros sete não foram realizados por W.O. dos times que querem conhecer o regulamento do Módulo antes de entrar em campo. INEGÁVEL BOM SENSO.

 

* 15/09/87 –  Reunidos no América, no Rio, clubes do Módulo Amarelo decidem entrar no STJD querendo interrupção do BR-87 e convocação do Conselho Arbitral.

* 16/09/87 – Octávio pensa em renunciar à presidência da CBF porque Nabi estaria extrapolando no comando do futebol. Marin ameaça Globo e C13 com medidas na Justiça contra televisionamento ao vivo. Eurico Miranda rebate e diz que Copa União e TV estão garantidos independendo de ameaças. Federações e até a própria CBF querem jogos no domingo uma hora mais tarde, às 18h. Mas Globo não quer negócio para não atrapalhar exibição de “Os Trapalhões”…

VEJA: OS TRAPALHÕES. E não só na ficção

SBT deverá transmitir jogos do Módulo Amarelo. Executivos da emissora Guilherme Stoliar e Walter Zagari negociam com os clubes. Emissora é a segunda do país.

* 17/09/87 – 21 federações estaduais querem votar impeachment de Octávio e Nabi. Motivo não é apenas a bagunça no BR-87. Também as dívidas que vieram da gestão anterior, e se multiplicaram. O saldo devedor é de 22 milhões de cruzados. Mesmo com os 36 milhões faturados na Copa-86, os 4,8 milhões pela Copa América-87, e os 17 milhões pagos pela Topper, fornecedora de material esportivo da Seleção.

* 18/09/87 – Carlos Miguel Aidar defende calendário brasileiro atrelado ao europeu. Apesar de alguns abusos e absurdos, do verniz elitista e do diálogo restrito, de joelhos para os parceiros e patrocinadores, os líderes do C13 eram muito avançados para a época. Também pelo ranço dos cartolas de antanho que ainda deixavam CBF e federações entrevados na Idade da Bola Lascada.

CND apresenta moção no Tribunal Federal de Recursos para que CBF convocasse Conselho Arbitral para regularizar o regulamento apresentado DEPOIS DE INICIADO O CAMPEONATO. Ela foi rejeitada. Octávio Pinto Guimarães ganhava mais tempo. Ele tentaria ao máximo procrastinar o Arbitral. Ao menos até janeiro de 1988, quando houvesse a Assembleia Geral na entidade para a aprovação das contas da CBF. Outro problema tão sério na entidade quanto a fórmula de disputa do BR-87. E tão mal tratado do mesmo modo pelos próceres da Confederação.

* 19/09/87 – TV Globo e C13 (com o aval discreto de Octávio) marcam jogos da segunda rodada para 17h. CBF (isto é, Nabi) e a Federação Paulista querem 18h. Eurico Miranda euriqueia:

 O Octávio deveria ir para a casa. A CBF acabou. Os jogos vão ser 17h e acabou.

* 20/09/97 –Palmeiras x Santos jogam no Pacaembu. Times entram em campo 16h50 para não perderem cota da TV Globo, que programa partida para as 17h. Mas árbitro da partida se recusa a iniciar jogo no horário da grade da TV. Na escala da CBF, a partida começa 18h. Clubes, treinadores, atletas e torcedores presentes reclamam. Mas o jogo só teve início sob vaias e frio às 18h. E ficou num empate sem gols melancólico como o jogo de empurra o relógio.

Um jogo apenas na rodada começou 17h. Bahia x São Paulo. O presidente da federação baiana Antonio Pithon, também integrante da Cobraf, deu força ao árbitro Arnaldo César Coelho para iniciar a partida no horário dileto da Globo e do C13. Arnaldo (comentarista da TV Globo ate hoje) poderia ser punido pela CBF por isso.

No Módulo Amarelo, desta vez, rodada completa. Só o América carioca não quis ir a campo. O clube se recusa a participar do campeonato, sentido-se preterido como terceiro colocado no BR-86. Os 15 clubes que enfiam jogar o Módulo Amarelo: Sport, Náutico, Vitória, Atlético Paranaense, Bangu, Guarani, Portuguesa, Internacional de Limeira, Criciúma, Joinville, Atlético Goianiense, Ceará, Treze, CSA e Rio Branco-ES.

TV Manchete não chama o torneio de Copa União. Outras emissoras de TV e rádio têm problemas comerciais com a exposição excessiva da Coca-Cola. Pepsi-Cola contra-ataca em várias frentes, mídias e clubes. Não havia vestais no mercado.

*21/09/87 –Reunido da Toca da Raposa, C13 dá ultimato a CBF”: Não quer dar mais 5% da renda das partidas pra entidade. Quer contrato de merchandising. Quer o regulamento definido na Copa União – e sem cruzamento de módulos (embora ele já estivesse definido, mesmo que anunciado apenas com a bola rolando. Entidade definiu grana da TV para os convidados Santa Cruz, Coritiba e Goiás.

Octávio convoca Assembleia Geral de Clubes da CBF. ALELUIA!

José Maria Marin rompe formalmente a Federação Paulista com a CBF – o que não significava lhufas.

* 22/09/87 – Selada paz armada entre presidente da CBF e do C13. Depois de três horas de reunião no Rio de Janeiro.

Definido horário das 17h pros jogos de domingo, e 21h30 pras partidas de meio de semana. Clubes não precisam mais repassar 5% pras federações. C13 dará parte da grana da TV pra CBF.

CBF divulga regulamento para a impresansa. ALELUIA! Módulo Verde se chama Troféu João Havelange. Módulo amarelo se chama Troféu Roberto Gomes Pedrosa (como o Rio-São Paulo, e o Robertão, de 1967 a 1970).

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Roberto Gomes Pedrosa, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol

O cruzamento dos dois módulos se chama Copa Brasil. Nome do torneio instituído a partir de 1975. O da Taça das Bolinhas. ENTIDADE DEIXA CLARO QUE O CRUZAMENTO É QUE VALE – DE FATO E DE DIREITO PARA A ENTIDADE, NÃO PARA O C13 – PARA DEFINIR O CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987. O CLUBE QUE RECEBERÁ A TAÇA DAS BOLINHAS DA CEF.

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A Taça das Bolinhas, instituída em 1975, e que desde 1992 não foi mais entregue ao campeão brasileiro

AQUI ESTÁ A SACADA QUE PODER SER USADA TANTO PELO SPORT PARA SER O ÚNICO CAMPEÃO TANTO PELO SÃO PAULO NA LUTA LEGAL – PORÉM ILEGÍTIMA – PELA POSSE DEFINITIVA DA TAÇA DAS BOLINHAS: APENAS O CRUZAMENTO DOS MÓDULOS SE CHAMA ''COPA BRASIL''. O PRIMEIRO NOME OFICIAL DO TORNEIO EM QUE FOI INSTITUÍDA A TAÇA, EM 1975. LOGO, O FLAMENGO NÃO TERIA DISPUTADO A COPA BRASIL POR W.O. 

 

Pela ideia expressa pelo regulamento, HAVERIA O CRUZAMENTO DOS MÓDULOS PARA DEFINIÇÃO DO CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987. É O QUE ESTÁ NO REGULAMENTO. MAS NÃO O QUE HAVIA SIDO PREVIAMENTE ACORDADO.

ISTO É: APENAS DEPOIS DA SEGUNDA RODADA O REGULAMENTO DA COPA UNIÃO FOI DEFINIDO. E SOB SUSPEITAS. E TEVE DIGITAIS DE EURICO MIRANDA NESSA PARADA.

Márcio Braga, presidente do Flamengo, vice do C13, quer Carlos Miguel Aidar como presidente da CBF a partir de 1989. Deputado federal constituinte pelo PMBD-RJ, Braga pretende se lançar candidato a prefeito carioca em 1988. E quer o comando do futebol até lá nas mãos de Octávio, e não do paulista Nabi.

Márcio Braga era presidente do Flamengo e um dos principais cabeças do C13

 

 * 23/09/87 – 20 federações estaduais se reúnem em São Paulo e formalizam documento pedindo saída da cúpula da CBF.

* 25/09/87 – Presidente José Sarney envia carta à Fifa confirmando interesse do Brasil em sediar a Copa de 1994.

* 28/09/87 – Genro de João Havelange confirma que é candidato à presidência da CBF, em janeiro de 1989. O empresário Ricardo Teixeira disse ser favorável ao impeachment de Octávio “assim como 22 dos 26 presidentes de federações”.

Ricardo Teixeira assumiu a presidência da CBF em 16 de janeiro de 1989 e só largou o osso em 12 de março de 2012, quando renunciou ao cargo, atolado em denúncias de corrupção

 

C13 volta a exigir reunião do Conselho Arbitral da CBF. Quer aprovar o regulamento acordado e evitar o quadrangular final valendo o título nacional – COMO ESTÁ NBO REGULAMENTO DEFINIDO APÓS A BOLA ROLAR. Federações estaduais protocolam pedido à Fifa exigindo a convocação de Assembleia Geral da CBF. A entidade de Octávio e Nabi conseguia a proeza de ser detonada por todos os lados, por motivos distintos, quase todos eles com muitas razões.

Caiu a média de público da Copa União.

CBF apresenta caderno de encargos para tentar sediar a copa de 1994. Estados Unidos e Marrocos são os principais concorrentes.

* 30/09/87 – América-RJ não quer jogar Módulo Amarelo. CBF ameaça suspendê-lo por um ano.  Módulos Azul (com clubes de Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e Branco (Norte e Nordeste), que correspondem à terceira divisão, ainda não começaram. Falta dinheiro e definição do número de clubes. Devem ser 48 ao todo.

C13 vende por US$ 17 milhões (867 milhões de cruzados no câmbio oficial) e por cinco anos o meio-campo dos gramados para a Coca-Cola. O símbolo da marca será pintado no cento do campo (!?). Os atletas terão de dar entrevistas na frente de um painel da companhia. Coca-Cola queria que equipes entrassem juntas no gramado pisando num tapete vermelho com o logo do refrigerante. Nove dos 16 clubes vão ser patrocinados pela marca: Fluminense, Vasco, Botafogo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Bahia, Goiás e Santa Cruz. Vão ganhar 3 milhões. Flamengo (Petrobras), Corinthians (Kalunga, 1 milhão de cruzados), São Paulo (Bic), Palmeiras (Agip, num contrato de 400 mil cruzados), Santos (Suvinil), Internacional (Aplub), Santa Cruz (Banorte) deverão vestir Coca-Cola no BR-88.

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Grêmio em 1987. Coca-Cola mais preta que nunca

Pouco antes da assinatura co acordo coletivo, um problema: o presidente gremista Paulo Odone diz que não haveria a menor condição de um painel VERMELHO da Coca-Cola ser colocado no Olímpico. A questão é levada até a sede da empresa, em Atlanta. O Grêmio sai vencedor: o primeiro painel publicitário preto e branco da empresa no mundo fica em Porto Alegre, no estádio tricolor.

Nas palavras do presidente da Coca-Cola no Brasil, Jorge Giganti, ao ótimo documentário COPA UNIÃO:

O presidente de um clube é um papa. Ele precisa defender o dogma de sua religião.

 


 

Editora Abril vai fazer álbum de figurinhas por 28 milhões de cruzados.

Dover (indústria de materiais plásticos) fará produtos com emblemas do C13 e dos clubes.

Previsão de renda global de US$ 40 milhões em 5 anos (4 bilhões de cruzados).

C13 fechou participação dos 4 primeiros colocados da Copa União-87 em torneios de verão na Espanha, em agosto de 1988.

Globo e Abril viraram sócias do Clube dos 13. Defenderão além da conta os interesses dos clubes e cartolas envolvidos no torneio que ajudaram a viabilizar. Em contrapartida, a mídia do contra também partiu para um ataque desmedido contra o torneio, clubes e cartolas. Quem não era ''oficial'' fez de quase tudo para falar mal. Quem era de dentro fez de conta que não eram com eles os erros dos condutores do Clube dos 13 – mas, sempre bom frisar, menos errados que os da CBF.

Virou um campeonato com a mídia dividida por interesses comerciais, políticos e institucionais.


 

01/10/87 -Nabi reitera que HAVERÁ CRUZAMENTO DOS MÓDULOS VERDE E AMARELO EM JANEIRO DE 1988.

O quadrangular com os dois finalistas do Módulo Verde e os dois do Módulo Amarelo definirá o campeão brasileiro de 1987 e os dois representantes brasileiros na Libertadores-88. Fala Nabi:

O regulamento é o mesmo para os dois Módulos.

Enquanto isso, governo brasileiro propõe 17 estádios para a Copa de 1994… Meu Deus…

02/10/87 – Genro de João Havelange oficializa candidatura à presidência da CBF, em eleição marcada para janeiro de 1989. Ricardo Teixeira já se movia como nome possível desde 1986.

05/10/87- Clube dos 8 é formado e desiste de participar dos Módulo Azul e Branco (a terceira divisão). Americano é o ííder. Comercial-MS é mais um clube que desiste da terceira divisão. Pedro Lopes, diretor de futebol da CBF, anuncia que campeonato começa no outro fim de semana.

* 06/10/87 – Clube dos 8 recua e diz que vai participar da Terceirona…

* 09/10/87 – Morumbi tem centro do gramado pintado de Coca-Cola em tinta branca de látex. Outros estádios também terão de pintar logotipo da empresa. Mas como alguns deles pertencem a Estados ou municípios, o processo é mais complicado.

Eurico Miranda defende 20 clubes no BR-88 (os 16 do Módulo Verde do BR-87 + 4 que subiriam do Módulo Amarelo). A explicação do cartola vascaíno:

Os grandes clubes precisam jogar contra times menores num campeonato para darem uma respirada.

* 10/10/87 – Pesquisa Datafolha: 67% dos paulistanos apoiam Copa União.

América do Rio desiste do Módulo Amarelo e faz amistosos pelo Norte e Nordeste.

Ricardo Teixeira corre o Brasil articulando apoios das federações para a eleição de janeiro de 1989 na CBF.

Carlos Eduardo Moreira Ferreira, vice da Federação das Indústrias de São Paulo, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, diz que Copa União é um sucesso:

Não se pode expor um Muller [atacante do São Paulo e da Seleção] a uma botinada de um Zezinho da Silva, do Arapiraca.

* 12/10/87 – Clube dos 13 articula lançar Aidar à presidência em oposição a Ricardo Teixeira, que seria apoiado pelas 22 federações que querem impeachment de Octávio-Nabi.

* 14/10/87 – Fifa (presidida pelo brasileiro João Havelange desde 1974) proíbe publicidade da Coca-Cola no centro de campo. Como até as baratas da CBF poderiam imaginar, como nenhuma das boas cabeças do C13 ousou questionar e averiguar o mercantilismo explícito e invasivo. Além do total desrespeito à regra do jogo.

Tribunal Federal de Recursos determina reunião na CBF para análise de impeachment do presidente.

* 15/10/87 – C13 peita a Fifa e resolve manter merchandising abusivo da Coca-Cola no centro dos gramados. Também porque parceira avisa que reduziria 50% da cota paga ao Clube dos 13 se o logotipo do refrigerante não fosse mais pintado dentro de campo. Carlos Miguel Aidar, presidente do C13 e do São Paulo, respondeu no melhor do pior estilo do neocartolismo:

No Morumbi mando eu, não o Havelange.

Aidar defende o fim dos estaduais, que passariam a ser, a partir de 1989, apenas classificatórios para os diversos módulos brasileiros.

CBF consegue liminar contra a Assembléia Geral da entidade.

* 16/10/87 – Última rodada da primeira fase do Módulo Verde. Oito clubes do Grupo A jogaram contra os 8 clubes do grupo B. Ao vencer o Fluminense por 3 a 1 no Mineirão, o Atlético Mineiro de Telê Santana encerrou a primeira fase como melhor do campeonato. Foram 6 vitórias e dois empates. O único invicto. Líder do Grupo A, classificou-se automaticamente para a fase decisiva do Módulo Verde (a Copa União). No Grupo B, mesmo perdendo para o Corinthians em São Paulo, o Internacional assegurou a passagem para as semifinais como campeão do turno.

 * 17/10/87 – Olímpico, Mineirão e Couto Pereira mantém o símbolo da Coca-Cola no gramado apesar da proibição da Fifa. José Carlos Villela, diretor-executivo do Clube dos 13, apela como qualquer cartola de antanho – e de sempre – contra a proibição da Fifa que, de fato, apenas reitera o que está escrito na regra do jogo, e ninguém do C13 quis ler, ou mesmo imaginar, rebaixando-se ao mesmo nível abissal dos cartolas que tentavam expurgar:

Interferir no Campeonato Brasileiro é interferir na soberania nacional!

E o triste é que a burritzia nacional aplaudia qualquer patacoada do C13 que havia tomado o poder de quem mal o exercia e, em nome da modernidade, rasgava o livro de regras, e, ainda pior, iniciara um campeonato sem regulamento.

* 19/10/87 – C13 apresenta alternativa à proibição da Fifa e decide pintar dentro das metas a marca da Coca-Cola.

C13 apresenta proposta de calendário para 1988: BR-88 de fevereiro a junho.  Julho para a Seleção. Agosto para excursões de clubes. Setembro a dezembro os estaduais. Tão boa e tão simples que, claro, não poderia dar certo.

* 20/10/87 – C13 desiste de pintar dentro da meta logo da Coca-Cola quando alguém mais inteligente e menos prepotente resolve ler o livro de regras do futebol …

Eduardo José Farah, vice-presidente da FPF,  é o candidato de José Maria Marin para a presidência da Federação Paulista. Farah quer acabar com a Copa União e com todos os campeonatos brasileiros!!!

Eduardo Farah assumiria a FPF em janeiro de 1988 e sempre tentou ser candidato à presidência da CBF

 Editora Abril lança álbum de figurinhas do Brasileirão no final do primeiro turno. Um sucesso estrondoso de vendas.

* 21/10/87 – Coca-Cola insiste em só pagar 50% do acordo sem a pintura no centro do gramado. Não aceita logotipo nem dentro da meta ou atrás dos gols.

* 22/10/87 – CBF exige e C13 pinta de verde logotipo da Coca-Cola no centro dos gramados.

* 25/10/87 – C13 insiste  e Morumbi e Olímpico têm logotipo da Coca-Cola pintado dentro das metas.

* 27/10/87 – C13 desiste de Coca-Cola dentro dos gols e vai testar logotipo atrás da meta. Equipes de transmissão da Globo fazem testes de viabilidade e visibilidade.

* 28/10/87 – CBF consegue nova vitória na Justiça e veta Assembléia Geral pedida pelas federações estaduais.

* 30/10/87 – Nabi se alia a Carlos Miguel Aidar e José Ferreira Pinto (presidente do Juventus) na eleição para FPF. O governador Orestes Quércia deve apoiar a chapa de oposição a José Maria Marin. Nabi ficou bravo pela indicação de Eduardo Farah como sucessor de Marin. Briga vai além do poder no futebol paulista. Tem a ver com a eleição para prefeito de 1988 e questões de comando do PFL paulista.

Orestes Quércia foi governador paulista de 1987 a 1990.

* 02/11/87 – CBF cada vez ganha mais elogios pela desastrada condução de todos os negócios… Fala Paulo Maracajá, presidente do Bahia:

Octávio e Nabi deveriam ser jogados dentro de uma privada e depois apertaríamos a descarga.

Coca-Cola já não paga os 50% pela exposição menor da marca no gramado. Garrafas de 1m80 atrás do gol e pinturas atrás da meta não satisfazem empresa.

* 03/11/87 – Deputado federal centrista Francisco Amaral (PMDB-SP) quer instituir CPI no Congresso sobre os negócios da CBF. Requerimento tem assinatura de 180 deputados e 29 senadores. Ele acha que CBF está sendo levada pelo C13.

Aidar pretende criar a Federação de Futebol Profissional do Brasil no lugar da CBF.

Carlos Eugênio Lopes, diretor de finanças da CBF, diz que dívidas da entidade podem chegar a 100 milhões de cruzados.

* 06/11/87 – C13 propõe “publicidade elétrica” na rede das metas. Quando ela balançasse com um gol, acenderia um luminoso da Coca-Cola…

*09/11/87 – C13 estuda criação de uma loteria exclusiva para seus jogos.

Coca-Cola e C13 se acertam. Em troca da não-exposição do logotipo no centro do gramado, clubes vão vestir Coca-Cola também nos estaduais de 88. Menos Flamengo (Petrobras), Inter (Aplub), Palmeiras (Agip) e Corinthians (Kalunga).

* 10/11/87 – Márcio Braga (PMDB-RJ) e demais deputados ligados ao C13 pedem ao (novo) ministro da Educação Hugo Napoleão a permanência de Manoel Tubino à frente do CND. Ele era um esportista comprometido com a mudança necessária no futebol brasileiro.

Hugo Napoleão (PFL-PI) foi ministro da Educação de José Sarney

* 17/11/87 – C13 se reúne com CND em Brasília e quer BR-88 com 20 clubes. E no primeiro semestre. C13 pede para que CND consiga exigir que CBF convoque o Conselho Arbitral dos clubes para discutir o regulamento do BR-87 – que só foi divulgado depois do início da competição. E com o cruzamento indesejado pelo C13. Mas costurado por Eurico Miranda (sem mandato do Clube dos 13) para viabilizar o torneio.

* 18/11/87 – Nabi não aceita mudar período do BR-88 e reafirma  QUE HAVERÁ CRUZAMENTO DE MÓDULOS EM JANEIRO de 1988 PARA DEFINIÇÃO DO BR-87 E TAMBÉM DAS DUAS VAGAS NA LIBERTADORES-88.

*19/11/87 – Homero Lacerda, presidente do Sport, fomenta campanha “RUBRO-NEGRO NÃO BEBE COCA-COLA”. Pepsi-Cola passa a fornecer produtos na Ilha do Retiro.

*20/11/87- CBF apresenta calendário de 1988 contrário ao do C13. BR-88 continuaria no segundo semestre.

* 22/11/87 – Vencendo o Palmeiras no Mineirão por 1 a 0, o Atlético Mineiro voltou a ser o melhor do Grupo A. No returno, as equipes jogavam entre si no mesmo grupo. O Galo ficou um ponto à frente do Flamengo. O time da Gávea foi rebocado para a semifinal pelo regulamento. O Galo levou o Mengo adiante. A única vantagem que teve o Atlético foi um pontinho de bonificação. A vitória na época valia dois pontos. No Grupo B, o Cruzeiro terminou invicto o returno, com 5 vitórias e dois empates, e chegou um ponto à frente do São Paulo. Eliminou o rival paulista com um gol polêmico do meia-atacante Careca, na vitória sobre o Santos, no Pacaembu.

* 25/11/87 – Em jogo de ida conturbado em Moça Bonita pela semifinal do Módulo Amarelo, Bangu 3 x 2 Sport. Jogadores pernambucanos reclamaram de pressão na entrada dos vestiários. Na tribuna de honra, porém, cartolas rubro-negros e o presidente da Federação Pernambucana (Fred de Oliveira) agradeceram o carinho do patrono do clube carioca, o bicheiro Castor de Andrade. Eles foram recebidos com uísque, camarões e lagostas.

* 26/11/87 – Cruzeiro reclama que não está recebendo “nada” da Coca-Cola. Pepsi-Cola procurou Vicente Matheus, presidente do Corinthians.

Vicente Matheus era presidente do Corinthians em 1987

* 27/11/87 – Coca-Cola reduz a multa de 50% dos clubes. Mas ainda mantém desconto por não ter o logotipo pintado no centro do gramado.

Trio de arbitragem do jogo de volta entre Sport x Bangu pela semifinal do Módulo Amarelo foi mudado na antevéspera da partida decisiva. Árbitro Fifa José de Assis Aragão, de duas péssimas atuações nas decisões do BR-80 e BR-86, foi o escalado.

* 29/11/87 – Flamengo venceu o Atlético no Maracanã por 1 a 0, gol de Bebeto. Inter x Cruzeiro empataram sem gols no primeiro jogo da semifinal. Torcedores do Galo apanharam no Maracanã. Prometem troco.

Pelo Módulo Amarelo, André Gallindo e Cássio Zírpoli relatam no livro 1987 – DE FATO, DE DIREITO E DE CABEÇA (Onze Cultural) que o árbitro paulista José de Assis Aragão teria sido “sequestrado” ao chegar no Recife pelo presidente do Sport e pelo presidente da Federação Pernambucana. O “cárcere” seria para evitar que Aragão armasse o jogo de volta a favor do Bangu de Castor de Andrade (com quem o árbitro teria ótimas relações pessoais). Aragão negou a história contada por Homero Lacerda aos jornalistas. Disse que não teria sido intimidado pelos cartolas pernambucanos no dia da partida que acabaria vencida pelo Sport (3 x 1).

O jogo que acabou classificando o rubro-negro para a decisão do Módulo Amarelo foi conturbado antes, durante e depois da partida. A delegação carioca foi recebida a pedras e objetos atirados na chegada na Ilha do Retiro. O patrono do Bangu teve a testa cortada por objeto não identificado. Bola rolando, numa das tantas paralisações da partida, o árbitro chegou a falar com o chefe do policiamento no gramado que suspenderia a partida se mais pilhas fossem atiradas no gramado. O coronel Falcão, responsável pela segurança em campo, teria dito a Aragão que não terminasse antes da hora o jogo. Ele teria ameaçado o árbitro dizendo que o deixaria “sozinho dentro de campo” se suspendesse o jogo. No apito final, repórteres de rádio brigaram com o goleiro carioca Gilmar. Aragão teria trocado tapas com uma pessoa no gramado. No vestiário, atletas do Bangu se recusaram a fazer exame antidoping. Presidente da Federação Pernambucana teria dado um tapa em Castor de Andrade, no relato de Pablo Duarte Cardoso, em 1987 – A HISTÓRIA DEFINITIVA. No campo, e também um tanto fora dele, Sport classificado para a decisão do Módulo Amarelo contra o Guarani.

* 01/12/87 – Eduardo José Farah é eleito por 148 votos a 2 contra candidato de protesto da Federação Paulista. Vitória de José Maria Marin x Nabi & Aidar & José Ferreira Pinto. A frente ampla contra a continuidade em São Paulo foi o primeiro revés eleitoral do C13, embora não tenha entrado de cabeça no pleito.

* 02/11/87 – Numa partida tumultuada, com o troco de torcedores do Galo contra os rubro-negros, e com ameaças e denúncias de todos os lados, o Flamengo venceu o Atlético Mineiro por 3 a 2 e se classificou para a decisão contra o Internacional, que bateu o Cruzeiro na prorrogação, com gol de Amarildo, depois de outro empate sem gols no tempo normal.

* 04/12/87- Rubens Hoffmeister, presidente da Federação Gaúcha, agride a socos Marcio Braga, que o havia chamado de “bichona” na TV Manchete. Eles se reuniam no Rio para tentar corrigir erro do regulamento da CBF e C13 para o BR-87. Flamengo e Inter definiram que haveria prorrogação e pênaltis para desempate da igualdade. CBF foi avisada da correção do regulamento. Os clubes definiam tudo…

O nível do debate era realmente altíssimo.

 

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Rubens Hoffmeister, presidente da FGF

Benito Masci, presidente do Cruzeiro, diz que acabou o C13 e que está agora ao lado do Módulo Amarelo. Tudo porque Carlos Miguel Aidar reclamou muito da má arbitragem de José Roberto Wright, na vitória do Cruzeiro, no Pacaembu, sobre o Santos, que eliminou o São Paulo  da fase decisiva do BR-87.

Enquanto isso… Eduardo Viana, o Caixa D’Água, é reeleito para mais três anos de mandato na Federação do Rio.

* 06/12/87 – Internacional 1 x 1 Flamengo abrem a decisão do Módulo Verde, no Beira-Rio. No Brinco, Guarani vence Sport por 2 a 0 na primeira decisão do Módulo Amarelo, em Campinas. Liminar na Justiça garantiu jogo, já que o Bangu protestara da partida que perdera pro Sport, na Ilha do Retiro, na semifinal. Teria havido invasão de campo e agressão ao patrono do clube fluminense, o bicheiro Castor de Andrade. Parte da confusão em Recife se deveu aos incidentes semelhantes na partida de ida, em Moça Bonita.

Sport quer CBF em Brasília. Clube pernambucano e Guarani assinaram “PROTESTO CONTRA A MENTIRA”. Contra a CBF, Globo e C13.

 Eles massificaram a ideia de que a Copa União é o BR-87. Não é!

Octávio Pinto Guimarães reaparece depois de longa e tenebrosa primavera e reafirma que Flamengo x Internacional não disputam o título brasileiro. “Apenas o Troféu João Havelange. (…). Em janeiro terão que enfrentar os vencedores do Módulo Amarelo. Aí sim os dois clubes estarão lutando pelo seu quarto título nacional”. Octávio também estava fora da CBF para tratar um câncer bastante agressivo.

* 07/12/87 – Márcio Braga, como vice-presidente do C13 e presidente do Flamengo, afirma  que só aceita CRUZAMENTO DE MÓDULOS se for convocado o Conselho Arbitral da CBF para deliberar a questão. O conselho seria formado por 32 clubes dos dois módulos.

ISTO É: JÁ ESTAVA DETERMINADO O CRUZAMENTO. Márcio Braga disse que o C13 não quis CRUZAMENTO, e que isso “foi acrescentado pela CBF, não pelo C13”.

NA PRÁTICA: TIMES DO C13 ACEITARAM REGULAMENTO COM O CAMPEONATO EM ANDAMENTO PARA DESCUMPRI-LO. PRATICAMENTE NENHUMA DAS PARTES TEVE PALAVRA. NEM MESMO OS MOCINHOS DO C13.

NAS ENTRELINHAS: ACORDO “SECRETO” SELADO POR EURICO MIRANDA COM A BOLA ROLANDO ENROLOU DE VEZ A QUESTÃO.

* 08/12/87 – Flamengo e Internacional são finalistas da Copa União-87. Dois dos sete clubes que não eram patrocinados pela megaparceira Coca-Cola… Em termos de visibilidade, deu tudo errado. Mas a credibilidade da competição não foi atacada por isso. Ao menos por isso.

* 09/12/87 – Nabi Abi Chedid insiste que só convocará Conselho Arbitral do BR-87  “depois do final do campeonato”. E deixa a entender que esse “final” seria depois do cruzamento dos Módulos. O vice da CBF reitera que não reconhece a Copa União como o autêntico campeonato brasileiro de 1987. Apenas como um Módulo classificatório da competição…

* 10/12/87 – Como se precisasse mais alguma coisa, Fred Oliveira, presidente da Federação Pernambucana, é agredido perto da sede da CBF por Rui Esteves, presidente do Bangu, e por quatro seguranças (entre eles Miúdo, ex-PM de mais de dois metros de altura, segundo o livro 1987 – A HISTÓRIA DEFINITIVA). Fred Porreta, como era carinhosamente conhecido, jura vingança. “Em homem não se bate: mata-se”. Ainda rescaldo e recalques das baixarias nas duas partidas entre Bangu e Sport, pelas semifinais do Módulo Amarelo.

* 11/12/87 – Escoteiros ligados à CBF se digladiaram com freiras carmelitas simpatizantes do Clube dos 13 numa quermesse beneficente na Paróquia São Miguel. Monges budistas atrelados às federações tentaram apartar mas acabaram saindo no tapa com grupo da Terceira Idade do CND… [Esta mentira é só para descontrair. E lamentar que possivelmente o fato fosse verdade pelo nível abissal das discussões e querelas que infelicitaram o futebol brasileiro por aqueles anos]  

* 13/12/87 – Sport decide final do Módulo Amarelo contra o Guarani, no jogo de volta em Recife. Clube estava irritado com CBF também pela correção (não mudança) no regulamento. Pelo texto anterior, qualquer vitória por qualquer placar daria o título do Módulo Amarelo ao Sport. Flamengo e Internacional se acertaram melhor quanto a mais um erro da CBF e do C13 na confecção do regulamento. O Sport pretendia manter o erro que poderia favorecê-lo.

No tempo normal da decisão, 3 x 0 Sport contra o Guarani. Na prorrogação, empate sem gols. Na disputa de pênaltis, as equipes chegaram ao absurdo empate por 11 x 11. As direções dos clubes (Homero Lacerda, pelo Sport, e Beto Zini, presidente eleito do Guarani), resolveram então suspender a série de cobranças. Não houve um vencedor. Pela primeira uma disputa de pênaltis terminava EMPATADA (!?). Praticamente dividindo na marra o título do Módulo Amarelo. Quase que um artifício para indicar que Sport e Guarani não se importavam tanto com aquele título. Aguardavam, de fato, o que estava previsto no regulamento, para o bem ou para o mal: o cruzamento dos módulos num quadrangular em janeiro de 1988.

O árbitro Josenil Souza aguardou por 15 minutos as duas equipes que foram ao vestiário da Ilha do Retiro e não voltaram. Ele encerrou a disputa. A partida durou 3h50!, atrasando e depois cancelando o SHOW DE CALOUROS apresentado por Silvio Santos, no SBT. 

No livro de Gallindo e Zírpoli, 30 anos depois, Lacerda se arrependeu do arranjo para manter o empate nos pênaltis: ''Eu não queria que o Sport perdesse''.

Betão, Estevam, Flávio, Rogério, Marco Antonio e Zé Carlos Macaé; agachados: Robertinho, Ribamar, Nando, Zico e Neco. O Sport de Emerson Leão, finalista do Módulo Verde (seria declarado posteriormente campeão, por ter campanha melhor que o Guarani).

 

VEJA: A disputa sem fim de pênaltis entre Sport x Guarani, em 1987

 

No Maracanã, na mesma tarde de domingo, o Flamengo venceu o Inter por 1 a 0 e ganhou o Módulo Verde, com um gol de Bebeto. A festa não foi pelo título do Módulo. Foi festa de campeão brasileiro de 1987. Da Copa União. De tetracampeão, como quase toda a imprensa publicou na segunda-feira seguinte.

VEJA: A decisão do BR-87. Flamengo 1 x 0 Internacional

 

00 zico flamengo

Como os cartolas do C13 também  imaginavam. Até porque trabalhavam com o fato de que, por terem maioria no voto qualitativo no Conselho Arbitral que se reuniria em breve, seria deliberado que não haveria o cruzamento dos Módulos, em janeiro de 1988. A questão seria votada, e a maioria acabaria definindo que o cruzamento não aconteceria, que o Flamengo era o campeão…

O tetra, como todos os membros do C13 entendiam.

Carlos Miguel Aidar, em entrevista a “Folha de S.Paulo”, deu o mote do C13 e do pensamento dos pares:

 Não podemos por em risco um título contra um Sport Recife da vida, um Guarani da vida.

O campeão de 1987: em pé – Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho; Bebeto, Aílton, Renato Portaluppi, Zico e Zinho, O timaço dirigido por Carlinhos. Quatro campeões mundiais (e mais o reserva Aldair) pelo Brasil. Mais quatro que mereciam ter sido (incluindo Andrade, não chamado em 1982). Renato Gaúcho que foi campeão mundial pelo Grêmio, em 1983, Zinho e Andrade, megacampeões nacionais. Aílton, sempre um cara decisivo em jogos finais. Zé Carlos, uma Copa como terceiro goleiro. Um time espetacular em nomes, e que engrenou na reta de chegada do BR-87

* 14/12/87 – Leonel Martins de Oliveira, presidente do Guarani, diz que abre mão do título do Módulo Amarelo em favor do Sport, depois do empate nos pênaltis por 11 x 11. Mais um modo de minimizar a importância da decisão do Módulo e forçar a realização do quadrangular final, em janeiro de 1988, cruzando os dois módulos.

Nabi Abi Chedid insiste em cumprir o regulamento acordado depois de a bola rolar no BR-87:

O Flamengo foi campeão da primeira fase do Campeonato Brasileiro e mais nada. Vai ter de disputar o cruzamento dos Módulos num quadrangular em janeiro.

Gilberto Medeiros, presidente do Internacional, fecha questão com seus 12 “coirmãos”:

O MUNDO INTEIRO SABE QUE O FLAMENGO FOI O CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987. MESMO SE NÓS TIVÉSSEMOS SIDO OS CAMPEÕES, NÃO DISPUTARÍAMOS O QUADRANGULAR COM O MÓDULO AMARELO.

Eduardo Viana, presidente da Federação do Rio, pede a desclassificação de Sport e Guarani do cruzamento final por “abandono da competição” pelo fato de as equipes se recusarem a continuar a disputa de pênaltis na Ilha do Retiro, na decisão do Módulo Amarelo.

Zico é operado no joelho esquerdo pelo médico Neylor Lasmar, em Belo Horizonte.

* 16/12/87 – Em reunião oficial, C13 insiste no fato de que regulamento foi alterado depois do início da Copa União. Presidente da entidade e do São Paulo diz a frase que todo flamenguista quer ouvir quando os mesmos dirigentes tricolores de então esquecem em 2011 o que disseram e pensaram. Quando, agora, defendem empedernidamente a posse da Taça das Bolinhas:

NINGUÉM TIRA O TETRA DO FLAMENGO.

Palavras de Carlos Miguel Aidar. Presidente do São Paulo, cujo diretor de futebol era Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo desde 2006.

[Aqui, um teletransporte para 2011, quando escrevi este texto que atualizei em 2016 e depois, em 2017, na celebração dos 30 anos da quizomba: O são-paulino tem mais é de se orgulhar por tudo que conquistou no Brasil, na América e no mundo desde a década de 1980. Muito pelo que plantaram e semearam Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio, a partir de 1984. MAS AS ÚNICAS PESSOAS FÍSICAS QUE JAMAIS  PODERIAM RECEBER A TAÇA DAS BOLINHAS DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL FORAM OS QUE LÁ ESTIVERAM EM FEVEREIRO DE 2011. JUVENAL E AIDAR. Porque como cartolas tricolores em 1987, e como membros atuantes do Clube dos 13, eles sabiam que não foram Flamengo e Internacional que tiraram os times de campo no quadrangular decisivo de janeiro de 1988. FOI O CLUBE DOS 13 QUE DECIDIU NÃO PARTICIPAR DO CRUZAMENTO DOS MÓDULOS. Se fossem Vasco e Corinthians, seria o mesmo. Cruzeiro e Grêmio, a mesma coisa. FOI UMA DECISÃO CONJUNTA. MAIS UMA DISCUTÍVEL. Melhor seria decidir tudo no campo de jogo. Mas não foi assim que se decidiu. AO MENOS NISSO OS COIRMÃOS ESTIVERAM JUNTOS EM 1987. Mas só em 1987. O São Paulo FC até pode pleitear o justo reconhecimento por não ter asteriscos nas seis primeiras conquistas nacionais. Foi o primeiro clube cinco vezes campeão brasileiro – sem contestação judicial – na Era da Taça das Bolinhas (desde 1975). Mas AIDAR E JUVENAL JAMAIS PODERIAM TER RECEBIDO O TROFÉU. Quaisquer outros presidentes, sim. O clube, há como discutir. Eles, porém, jamais. 

 

Voltando a 1987…

Aidar ainda defende 20 clubes no BR-88. Os 16 do Módulo Verde do BR-87 e mais os quatro melhores do Módulo Amarelo de 87: Sport, Guarani, Bangu e Atlético Paranaense.

Pesquisa do Ibope aponta que 95% dos torcedores brasileiros querem estaduais – diferentemente do C13.

Mais da pesquisa do Ibope: 72% dos torcedores viram jogos da Copa União pela TV.

60% não vão aos estádios.

Carlos Miguel Aidar acabou sendo reeleito presidente do C13, com reforma nos estatutos.

 Cruzeiro e Corinthians foram oposição. Corinthians votou em branco, porque não gostou do acordo com a Coca-Cola.

* 18/12/87 – Cada um dos membros do C13 ganhou 20 milhões de cruzados na Copa União. O dobro de Santa Cruz, Goiás e Coritiba. Quantia é boa, mas menor do que esperavam em setembro. TV Globo admite lucro com evento.

20/12/87 – CBF se antecipa ao Conselho Arbitral e determina BR-88 com 20 clubes: os 16 da Copa União de 1987 e mais os semifinalistas do Módulo Amarelo do mesmo ano: Bangu, Atlético Paranaense, Guarani e Sport.

* 21/12/87 – OCTÁVIO CONFIRMA QUADRANGULAR DECISIVO EM JANEIRO DE 1988. E não dá bola ao jogo sem fim nos pênaltis na decisão do Módulo Amarelo:

O que realmente importa é o cruzamento dos Módulos. 

* 23/12/87 – AIDAR REAFIRMA QUE NÃO HAVERÁ CRUZAMENTO PARA DECIDIR CAMPEÃO BRASILEIRO DE 87.

* 26/12/87 – CBF não sabe para quem dar o Troféu Roberto Gomes Pedrosa, que deveria ficar com o campeão do Módulo Amarelo. Pensam até em sorteio!?

* 04/01/88 – Eduardo Farah assume a FPF.

* 06/01/88 – Nabi ameaça um ano de punição para os clubes que não participarem do quadrangular final do BR-87.

* 07/01/88 – Aidar não quer saber de conversa:

O Flamengo é o legítimo campeão brasileiro de 1987. Não há discussão no Clube dos 13. Nem haverá cruzamento com o Módulo Amarelo.

Fifa multa CBF em 10 mil francos suíços pela inscrição de Coca-Cola no centro do gramado…

* 08/01/88– A contragosto, e por exigência do CND, CBF antecipa Conselho Arbitral do BR-87. Os 32 clubes dos dois módulos participam.

Pedro Lopes, diretor de futebol da CBF, que cuidava mais da Seleção, se demite. Não tinha apoio de Nabi e de Octávio, e havia se cansado da bagunça na entidade.

* 14/01/88– Em reunião no Rio, C13 reitera POR UNANIMIDADE que não participa do quadrangular em janeiro, e que Flamengo e Inter até abrem mão da Libertadores-88. Entidade defende triangular entre Inter, Sport e Cruzeiro para definir os dois clubes na Libertadores. O Flamengo declina participar do torneio continental. Considera pouco rentável. Márcio Braga dá motivos:

Ganho mais dinheiro com o Flamengo fazendo amistosos. A Libertadores tem despesas altas  e só dá prejuízo. É um jogo de ladrões. 

* 15/01/88 – Conselho arbitral dos Módulos Verde e Amarelo enfim se reúne na CBF. Depois de mais de cinco horas de reunião, decide, por 375 votos contra 104, QUE NÃO HAVERÁ CRUZAMENTO ENTRE OS MÓDULOS PARA DEFINIR O CAMPEÃO DO BR-87 QUE, PARA ELES, É O VENCEDOR DA COPA UNIÃO: O FLAMENGO.

29 DOS 32 CLUBES VOTARAM NO CONSELHO ARBITRAL DA CBF. VOTO QUALITATIVO DO MÓDULO VERDE DEFINIU PARADA A FAVOR DO CLUBE DOS 13. Vasco, Fluminense, Sport e Náutico foram contrários.

Sport foi à reunião do Conselho com liminar obrigando UNANIMIDADE para mudar regulamento. DE FATO, PARA MUDAR UM REGULAMENTO COM A BOLA ROLANDO, CERTO OU ERRADO, MAIS CORRETO SERIA 100% DOS VOTOS. MAS COMO, DESDE O INÍCIO, ESTAVA TUDO MUITO ERRADO…

C13 não quis saber da unanimidade, e abusou do fato de não ter havido decisão no Módulo Amarelo, com disputa de pênaltis sem vencedor entre Sport e Guarani. Para a tropa da elite, era prova de que era um torneio menor…

Nabi diz que vai consultar CND sobre falta de unanimidade no Conselho Arbitral para mudar regulamento do BR-87. CBF considera que regra não pode ser alterada por maioria de votos, como foi decidido pelo Conselho Arbitral.

No livro DE FATO, DE DIREITO E DE CABEÇA, Homero Lacerda, presidente do Sport, admite que outro dirigente rubro-negro (o vice Luciano Bivar) falsificou a procuração do Náutico para votar a favor dos cruzamento dos módulos (pela manutenção do regulamento da CBF). A mesma obra relata que cartolas do Sport, juntamente com o senador pernambucano Marco Maciel (PFL), teriam convencido dias depois o ministro da Educação Hugo Napoleão (PFL-PI) a não assinar portaria do CND que desobrigaria a unanimidade de votos no Conselho Arbitral. Vitória do Sport em Brasília. Já o livro 1987 – A HISTÓRIA DEFINITIVA ouviu em 2016 do então deputado Hugo Napoleão que tal encontro não teria acontecido.

* 18/01/88 –  CBF pede aO CND para estender BR-87 até janeiro de 1988 (determinação do órgão proibia que campeonatos avançassem suas decisões para o outro ano).

* 21/01/88 – CBF ignora Conselho Arbitral e marca primeira rodada do quadrangular em turno e returno: Guarani x Flamengo no Brinco de Ouro, Sport x Internacional na Ilha do Retiro. Márcio Braga diz que CBF não tem o que fazer:

Uma liminar diz que precisava ter havido unanimidade no Conselho Arbitral para mudar o regulamento do BR-87… Outra que precisa ter o cruzamento dos Módulos na justiça de Pernambuco…

* 22/01/88 – Beto Zini, novo presidente do Guarani, envia telex para a CBF abdicando do título do Módulo Amarelo, dividido com o Sport depois da paralisação da disputa de pênaltis na Ilha do Retiro. Entidade então oficializa clube pernambucano como campeão do Módulo “por ter mais pontos” – 26 a 24 -, como explica o livro de André Gallindo e Cássio Zírpoli.

Flamengo consegue liminar na Justiça do Rio e não joga contra Guarani, em Campinas. Clube defende tese de que Conselho Arbitral definiu que não haveria cruzamento, e que também não foi definido o campeão do Módulo Amarelo, um campeonato que estaria em aberto. MAS CBF CONTRA-ATACA E APRESENTA TELEX DO GUARANI…

Sport denuncia que teria sido cooptado pelo C13 para entrar no clube em troco de não haver cruzamento dos Módulos. Direção do C13 nega.

* 24/01/88 – Flamengo, na hora em que deveria estrear no quadrangular contra o Guarani, em Campinas, no domingo, vence Costa do Marfim, no amistoso das faixas, na Gávea. No Brinco de Ouro, cerca de 20 pessoas viram o árbitro Renato Marsiglia, às 17h30, ENCERRAR O JOGO, sob chuva. O Guarani de Carbone ficou treinando escanteios. Sérgio Neri; Giba, Luciano, Nei e Baiano; Júnior, Boiadeiro e Serginho; Catatau, Mário e Carlinhos era a equipe bugrina para enfrentar o Flamengo que não apareceu em Campinas.

O SPORT APROVEITOU o W.O. do Inter na Ilha PARA TAMBÉM FAZER FESTA PELO TÍTULO DO MÓDULO AMARELO.

* 25/01/88 – Márcio Braga acusa Ricardo Teixeira de corrupção em eleições das federações estaduais. O genro de João Havelange  admitiu ter dado dinheiro a alguns candidatos.

* 26/01/88 – Nabi diz que deixa CBF se anarquia persistir e se Octávio não punir Flamengo e Internacional pelo W.O. na primeira rodada do quadrangular do BR-87. Torcedores do Flamengo fazem manifestação à frente da Rua da Alfândega, sede da CBF,  pedindo ''FORA NABI''.

* 27/01/88 – João Havelange, presidente da FIFA, diz que Brasil pode ficar fora da Copa-90 se continuar a enxurrada de liminares na Justiça comum, praga e prática que deu o ar da desgraça em definitivo desde o BR-86.

João Havelange presidiu a Fifa de 1974 a 1998

 

CBF DETERMINA que Flamengo e Internacional perderam por W.O. 1 x 0 na primeira rodada do quadrangular. Porém, o Flamengo ainda tinha liminar. O Inter, nem isso. Pode ser punido e ficar um ano fora das competições.

Pedro Paulo Zachia, presidente do Inter:

 Não temo ser rebaixado junto com o Flamengo. Se isso acontecer, os outros 11 do C13 VEM COM A GENTE PARA A SEGUNDA DIVISÃO. ESTAMOS UNIDOS.

* 28/01/88 – Internacional obtém liminar na Justiça do Rio contra a homologação do título brasileiro para o vencedor do cruzamento dos Módulos – ou Sport ou Guarani.

* 29/01/88 –Federações estaduais não aprovam contas da CBF. Pela primeira vez o presidente da entidade não esteve numa assembleia ordinária. Federações estaduais reiteram que o cruzamento dos Módulos precisa acontecer.

C13 protesta por intermédio de seu presidente. Aidar fala:

SE A CBF PUNIR FLAMENGO E INTERNACIONAL, OS DEMAIS 11 MEMBROS DO C13 SE SENTIRÃO PUNIDOS E NÃO PARTICIPARÃO DO BR-88.

* 31/01/88 – 4.627 pagantes apenas no Brinco de Ouro para o que seria o terceiro jogo do quadrangular final e acabou se transformando na primeira partida decisiva do cruzamento entre os Módulos. Betão abriu o placar para o Sport. Também de pênalti, Catatau empatou para o Guarani. Mais uma vez, Sport x Guarani empatavam em pênaltis.

No mesmo horário deveriam jogar no Beira-Rio Inter x Flamengo, mas, na mesma hora, Flamengo estreava na Taça Guanabara, contra o Vasco, no Maracanã (em partida que terminou antes por falta de luz…). O presidente da federação fluminense, Eduardo Viana, o Caixa D’Água, era outro que não estava nem aí com o cruzamento dos módulos.

 

                                                                                         Eduardo Viana, o Caixa D’Água, talvez o pior cartola da história da humanidade

 

* 06/02/88 – Taça das Bolinhas desembarca no Recife, protegida por 20 seguranças. Troféu instituído pela Caixa Econômica Federal em 1975 era de posse transitória. O clube que ganhasse três vezes consecutivas ou cinco alternadas ficaria em definitivo com o troféu

*07/02/88 – Jogo de volta decisivo do quadrangular do BR-87. Ilha do Retiro. SBT transmitiu. 26.282 público oficial para uma presença muito maior do que a anunciada. Vinte minutos de atraso para começar a partida (sem a presença de Octávio e Nabi). Marco Antonio de cabeça aproveitou de cabeça um cruzamento do lateral  Betão. 1 x 0 Sport. Campeão do quadrangular decisivo do BR-87. Campeão de direito do BR-87.

 

VEJA: Sport 1 x 0 Guarani – Final do quadrangular

 

O time dirigido por Jair Picerni, que substituíra Emerson Leão, que deixara o clube em dezembro: Flávio; Betão, Estevam, Marco Antonio e Zé Carlos Macaé; Rogério, Ribamar e Zico; Robertinho, Nando e Neco.

O Guarani vice-campeão de direito: Sérgio Neri; Baiano (o titular Giba estava machucado), Luciano, Ricardo Rocha e Albéris; Nei, Paulo Isidoro e Marco Antonio Boiadeiro; Catatau, Evair (com problema no tornozelo, atuou no sacrifício) e João Paulo.

* 08/02/88 – C13 ganha apoio de Manoel Tubino, presidente do CND, contra título outorgado ao Sport pela CBF.

Manoel Tubino, presidente do CND

* 09/02/88 – Ponte Preta e Bandeirante de Birigui devem entrar na Justiça comum para evitar rebaixamento no SP-87… Nunca trabalharam tanto os advogados de porta de vestiário.

* 11/02/1988 – Consultado pelo Flamengo, CND afirma que não deu autorização para a CBF para o quadrangular final com o cruzamento dos módulos ser disputado no ano seguinte ao início do torneio (1987).

* 12/02/88 – Octávio Poncio Pilatos Guimarães passa a bola para o jurídico da entidade definir quem é o campeão do BR-87…

* 13/02/88 – Resolução 16/81 DO CND OBRIGA QUE CAMPEONATOS COMECEM E TERMINEM NO MESMO ANO. EXCEÇÕES SÓ QUANDO NOTIFICADAS PELAS FEDERAÇÕES, O QUE NÃO TERIA FEITO A CBF AO ESTENDER O BR-87 ATÉ JANEIRO DE 1988… Mas Nabi apareceu no dia seguinte mostrando documento de que teria notificado o CND….

CND também não permite Brasileirão disputado ao mesmo tempo com os torneios estaduais, e alguns deles já tinham começado em 1988 durante o CRUZAMENTO dos módulos…

Confederação Sul-Americana avisa que espera apenas até o final de fevereiro para que a CBF determine os clubes brasileiros na Libertadores-88. Pela CBF, por ora, são Sport e Guarani. Mas Conmebol, pelo imbróglio, pensa em se decidir pelos representantes do ano anterior, São Paulo (campeão brasileiro de 1986) e Guarani (vice).

* 14/2/1988. Morre o lateral Zé Carlos Macaé do Sport, em acidente automobilístico perto do Recife.

* 23/02/88 – Liminares no Rio, Pernambuco e Distrito Federal sobre os mais variados assuntos quase paralisam tudo no futebol brasileiro.

* 24/02/88 – Várias medidas na Justiça impedem CBF de homologar campeão do BR-87. *

26/04/88 – Braço direito do presidente da Fifa João Havelange, Sepp Blatter vem ao Rio exigir que CBF desse um jeito de parar com tantas ações na Justiça Comum. Ele também trouxe ofício assinado pelo cartolão brasileiro: se a CBF não oficializasse Sport e Guarani como representantes do país na Libertadores-88, o futebol nacional seria suspenso por um ano pela Fifa. Vitória dos dirigentes do Sport, que convenceram o genro de Havelange, Ricardo Teixeira, a interceder com o sogrão na questão. Ele seria candidato à sucessão de Octávio Pinto Guimarães na CBF, e ganharia o pleito, em 16 de janeiro de 1989.

Sepp Blatter, presidente da Fifa de 1998 até renunciar em 2015, afogado em denúncias

* 30/04/88 – Fifa dá ultimato: CBF teria até o dia 19 de junho para definir os representantes brasileiros na Libertadores-88. E ameaçava mais uma vez o país pela sucessão de liminares dos clubes na Justiça Comum.

* 03/05/88 – Carlos Miguel Aidar se reúne com Octávio para definir Copa União de 1988 e exigir que CBF homologue Flamengo e Inter como representantes do país na Libertadores-88.

* 17/05/88 – CBF responde à Fifa que Sport é o campeão brasileiro de 1987.

 * 24/05/88 – Acossada pela Fifa, pressionada pela Conmebol para definir os dois representantes na Libertadores-88, CBF homologa Sport e Guarani como campeão e vice do BR-87 e também como os clubes do país na competição continental de 1988. Entidade alerta federações estaduais para que coíbam ações na Justiça Comum dos clubes. Eles seriam “automaticamente desfiliados” se recorressem a outras esferas além da esportiva.

* 20/05/88 – Reunião na CBF entre cartolas da entidade e do C13 definem que SPORT E GUARANI são os representantes brasileiros na Libertadores. Telex da Conmebol para a CBF avisava que a confederação sul-americana não aceitaria outros clubes no lugar de SPORT e GUARANI. C13 pensa em boicotar próximas convocações da Seleção.

*02/06/88 – Flamengo e Internacional entram no STJD exigindo que CBF não homologue título brasileiro do Sport.

*03/06/88 – C13 se reúne e abre discussão para BR-88 com 20 clubes. Apenas Vasco não compareceu. Eurico Miranda cada vez mais se aproximava da CBF e do candidato à presidência pela oposição: Ricardo Teixeira.

*09/06/88 – STJD decide por 4 a 3 que é nula a decisão da CBF de homologar o Sport campeão brasileiro de 1987.

*20/06/88 – CBF ignora decisão do STJD e também despacha no mesmo sentido do CND e declara Sport e Guarani os representantes brasileiros na Libertadores-88.

* 24/06/88 – Cartolas do C13 anunciam a criação da Federação Brasileira de Futebol Profissional. A intenção deles seria substitui a CBF pela nova entidade.

* 24/06/88 – C13 decide liberar jogadores convocados para a Seleção.

* 29/06/88 – Em Minas, 20 presidentes de federações estaduais lançam candidatura do genro de João Havelange à presidência a CBF. Ricardo Teixeira também ganhou o apoio de cartolas ligados a clubes. No manifesto, dirigentes estaduais dizem que CBF está sem credibilidade.

* 29/06/88 – Ricardo Teixeira oficializa candidatura à presidência da CBF. Tem o apoio de 22 presidentes das 26 federações que votam. Os clubes não tinham direito a voto na entidade.

*01/07/1988 – Flamengo obtém liminar na Justiça do Rio contra a CBF impedindo a estreia de Sport e Guarani na Libertadores. Mas como a partida era organizada pela Conmebol, não pela CBF, a liminar não surtiu efeito.

*02/07/1988 – Na Ilha do Retiro, Sport 0 x 1 Guarani, na primeira rodada dos brasileiros pela Libertadores-88.

 

COMO FICOU TEMPORADA DE 1988:

LIBERTADORES-88 – Campeão e vice do quadrangular final do BR-87, Sport e Guarani foram os representantes brasileiros na Libertadores, que começou em julho.

COPA UNIÃO II ou BR-88 – Além dos 16 do Módulo Verde de 1987, os sete primeiros do Módulo Amarelo de 1987 (Sport, Guarani, Bangu, Atlético Paranaense, Criciúma, Vitória e Portuguesa) e mais o América carioca, convidado pela CBF, mesmo depois de ter desistido de participar do Módulo Amarelo em 1987. Foram os 24 clubes do novamente inchado Brasileirão. O torneio começou em setembro de 1988 e só terminou em fevereiro de 1989, com triunfo do Bahia. Bangu, Santa Cruz, Criciúma e América do Rio foram rebaixados.

* 20/07/88 – CBF quer 24 clubes no BR-88. Clube dos 13 acena com 20. No final das contas, CBF ganharia a queda de braço. Junto com as federações, que já faziam o jogo do presidente que seria eleito na CBF em janeiro de 1989: Ricardo Teixeira.

* 02/08/88 – CBF acenou com 24 clubes para fechar com os 20 que foram aceitos pelo C13. Maioria dos clubes pretende que BR-88 vá até maio de 1989, para equiparar o calendário brasileiro com o europeu. Federações estrilam por tirar espaço e atenção dos campeonatos estaduais.

* 19/08/88 – C13, CBF e algumas federações se arranjam e incham o BR-88: torneio teria quatro clubes a mais além dos 20 já ampliados. América, Portuguesa, Vitória e Criciúma seriam os beneficiados. Mas, para a fórmula ser aceita por todos, o torneio terminaria só em maio de 1989 (como pretendia o C13). Federações chiam e trabalham forte nos bastidores contra a ideia.

* 22/08/88 – Eurico Miranda detona intenção do C13 de o BR-88 ser disputado até maio de 1989. Ele pondera que estaduais seriam desvalorizados e contratos com atletas teriam de ser estendidos. O cartola vascaíno cada vez mais colidia com Aidar e Márcio Braga e se aproximava de Eduardo Viana. E de Teixeira…

* 25/8/88 – Assembleia Geral na CBF. 20 federações estaduais querem BR-88 com 20 clubes. E ninguém quer que ele vá até maio de 1989.

* 30/08/88 – Nabi divulga primeira rodada do BR-88 com 24 clubes. Mas não define se o campeonato termina em dezembro de 1988 ou em maio de 1989…

* 02/09/88 – Evolução na CBF!!! Em vez de anunciar o regulamento do Brasileiro 30 minutos depois de a bola rolar (como foi na Copa União de 1987), entidade libera as regras uma hora antes de começar o torneio… Incluindo a mais polêmica das mudanças: todo jogo que terminasse empatado teria um ponto extra definido na disputa de pênaltis. Como aconteceu com as duas partidas da rodada dupla na Fonte Nova: triunfo nos pênaltis de Bahia e Vitória.

* 22/11/88 – Sentindo-se eleito com 22 dos 26 votos para o pleito de janeiro de 1989 na CBF, o oposicionista Ricardo Teixeira defende Brasileiro com 20 clubes em 1989. E a Copa do Mundo no Brasil. Em 1998…

* 30/11/88 – Octávio Pinto Guimarães lança sua candidatura à reeleição na CBF. Beto Zini, presidente do Guarani, seria seu vice.

* 20/12/88 – Rompido com Octávio, Nabi Abi Chedid também se lança candidato para a eleição de 16 de janeiro de 1989. Seriam três chapas distintas. Uma de oposição (Teixeira), uma de situação (Octávio), e uma que era situação até aquele dia (Nabi).

* 01/01/89 – Eurico Miranda enfim admite o que se suspeitava: será o diretor de futebol da CBF se Teixeira for eleito.

* 04/01/89 – O presidente da CBF Octávio Pinto Guimarães desiste de tentar a reeleição e apoia o candidato da oposição – Ricardo Teixeira, genro do presidente da Fifa, João Havelange. Mas oficialmente mantém a chapa “só para tirar votos de Nabi” (ainda seu vice)… O cartola paulista acusa Octávio de ser o “criador de todos os males do futebol brasileiro…”. O grupo estava rachado na CBF! E todos tinham razão para se espinafrarem.

* 05/01/89 – Eduardo Viana registra candidatura de Teixeira com assinatura de 23 federações. Só as da Bahia, Alagoas e Rondônia não assinam. Caixa D’Água afirma que eleição de Teixeira será a derrota dos que levaram “o futebol brasileiro ao caos: Octávio, Nabi, Aidar, Márcio Braga e Manoel Tubino”.

* 06/01/89 – O vice-presidente da CBF Nabi Abi Chedid também retira a sua candidatura à presidência da entidade. Ricardo Teixeira é candidato único. Nabi será eleito anos depois como um dos vices de Teixeira…

* 16/01/89 – Por aclamação, Ricardo Teixeira é eleito presidente da CBF. Deixará o cargo apenas em 12 de março de 2012, depois de uma série de denúncias de irregularidades e corrupção em nível nacional e internacional.

Octávio Pinto Guimarães é eleito presidente do Conselho Fiscal da CBF. Nabi deixa por enquanto a entidade. Por enquanto…

* 19/02/89 – Inter 0 x 0 Bahia, no Beira-Rio, garante o título da Copa União de 1988 ao Tricolor.

 

E TEM MAIS…

* 24/08/90 – Juiz Federal pede para que Sport e Flamengo apresentem razões finais no processo que corre na Justiça comum para homologar o campeão de direito do BR-87. Clubes têm prazo de 5 dias. Sport apresenta suas razões com atraso, em 14 de setembro. Flamengo não dá bola e não entrega nada no prazo. Por soberba ou negligência, clube se lixa para a questão.

* 19/07/92 – Flamengo empata com Botafogo (2 x 2) e é campeão brasileiro. Recebe e ergue no Maracanã a Taça das Bolinhas que some de circulação depois da conquista rubro-negra. Se considerado o Flamengo como campeão em 1987, o título de 1992 seria o quinto, e o clube ficaria em definitivo com o troféu ofertado pela CEF.

Em 19 de dezembro de 1993, o Palmeiras é campeão brasileiro. E já não recebe a Taça das Bolinhas… Há um novo troféu em disputa.

* 02/05/94 – Sentença da Justiça Federal de Primeira Instância garante título de 1987 ao Sport. Decisão baseada no respeito ao regulamento da competição “tacitamente aceito” pelos clubes, que só poderia ser modificado se houvesse unanimidade no Conselho Arbitral Extraordinário, de janeiro de 1988. O que não houve.

15/08/97 – Recurso da União Federal defende que o Flamengo é o único campeão brasileiro de 1987: “O MAIS QUERIDO DO BRASIL”, cita o nobre togado, que ainda se refere à Copa do Brasil de 1994, declarando o Ceará como “campeão moral” do torneio (!?)… A Justiça não era das mais equilibradas e imparciais…

* 09/09/97 – Sport é aceito no Clube dos 13 junto com outros clubes. Queria participar dos direitos de televisão que haviam subido bastante naquela temporada. Porem, na reunião para aceitação dos novos membros do C13, Kleber Leite, presidente do Flamengo, afirma que só aceitaria inclusão do clube pernambucano se o Sport também aceitasse a divisão do título de 1987. Cartola Luciano Bivar disse que consultaria lideranças do clube – e ganhou tempo. C13 enviou ofício para a CBF com a resolução, mas Teixeira não se pronunciou. E o Clube dos 13 também lavou eternamente as mãos sobre o pedido do Flamengo.

* 10/03/99 – STJ nega agravo manifestado pela União Federal. Caso transitado em julgado a favor do Sport. O Flamengo, de fato, ate então, nunca havia brigado na Justiça pelo reconhecimento do título de 1987.

* 05/04/99 – Sentença transitou em julgado. É imutável a decisão no campo jurídico. O Sport é o único campeão em 1987 na Justiça.

16/04/01 – Fim do prazo de apelação para a decisão da Justiça. O Sport seguiu como único campeão brasileiro de 1987 – de direito.

31/10/07 – São Paulo 3 x 0 América de Natal. Tricolor campeão brasileiro de 2007. Pentacampeão nacional desde 1977.

14/04/10 – Ricardo Teixeira confirma São Paulo como primeiro pentacampeão brasileiro (pela conquista de 2007), desconsiderando para a CBF o título do Flamengo na Copa União de 1987. Para o cartola, a Taça das Bolinhas, guardada desde 1992 em um cofre da Caixa Econômica Federal, seria entregue em definitivo para o São Paulo pelas cinco conquistas alternadas (1977, 1986, 1991, 2006-07) desde a instituição do troféu, em 1975.

22/12/10 – CBF acata dossiê preparado por Santos, Palmeiras, Bahia, Cruzeiro, Botafogo e Fluminense e equipara títulos de Taça Brasil (1959-1968) e Robertão (1967-1970) com os títulos brasileiros disputados desde 1971. É a discutível unificação dos títulos nacionais. Ricardo Teixeira diz que só não reconhece a Copa União de 1987 como conquista do Flamengo por força da decisão da Justiça comum, em 1994, que declara o Sport como único campeão de 1987.

14/02/11 – Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, esquece o que havia feito e defendido como diretor do Clube dos 13 em 1987 e recebe em definitivo a Taça das Bolinhas como “penta único” em 2007. (São Paulo seria hexa em 2008). No mesmo dia, Flamengo consegue liminar que reverte a decisão da entrega da taça. Mas a presidente da CEF só foi notificada depois da cerimônia. Troféu já estava no Morumbi.

21/02/11 – Ricardo Teixeira decide em reunião na CBF com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, dividir o título de 1987 entre Sport e Flamengo. Justo ele que fora fundamental para o reconhecimento do Sport como único campeão, nas gestões que fez na Fifa, em 1988… Novo entendimento do departamento jurídico da CBF foi de que sentença judicial de 1994 não dizia que Sport era o “único” campeão de 1987. Para a CBF, não havia problema em também declarar o Flamengo como campeão. Como mandava o bom senso desde então. *

27/05/11 – A 10a. Vara da Justiça Federal de Pernambuco revoga decisão da CBF de fevereiro. Sport volta a ser o único campeão de direito para a Justiça. E, por tabela, para a CBF. Sob pena de multa para a entidade se ela se recusasse a atender a decisão da Justiça Federal.

14/06/11 – Nova resolução da CBF. Para atender às determinações da Justiça instada pelo Sport, entidade afirma que o “ÚNICO CAMPEÃO” DE 1987 é o Sport. Teixeira reitera que, por ele, os dois clubes seriam declarados campeões. Mudando pela enésima vez de opinião a respeito do tema. E das tramas de todos os lados. Inclusive dele.

Dezembro de 2012 – Depois de muitas idas, vindas e ficadas, Taça das Bolinhas deixa o Morumbi e volta aos cofres da CEF.

08/04/14 – STJ decide por 4 a 1 a questão do título a favor do Sport a contra Flamengo e CBF. O único campeão brasileiro de 1987 seguia sendo na Justiça o clube pernambucano.

18/04/2017 – STF decide por 3 a 1 não acolher recurso extraordinário do Flamengo. Sport segue como único campeão de 1987.

 

 

NO FRIGIR DA TAÇA DAS BOLINHAS:

 

CBF – Incompetente em todas as acepções e planos, com todos os presidentes e vices mais do que presidentes, deixou os clubes tomarem conta de tudo em 1987. Mostrou força do modo errado e no timing incerto. Só acertou ao apelar – em todas as acepções – pela legalidade.  A mais bandida no enredo sem mocinhos. 

CLUBE DOS 13 – Ideias inovadoras e arrojadas. Não sairia campeonato sem ele. Não entraria tanto dinheiro. Mas criou um campeonato iniciado sem regulamento.  Tentou forçar tudo goela  abaixo. Quis mandar na Fifa  e na regra do jogo. Prepotente e arrogante, em vez de só atacar a CBF, não deu pelota aos clubes de menor torcida e investimento. Brigo a ótima briga com as federações. Mas logo se perdeu pelo ego e inconsistência e desentendimentos internos.

FLAMENGO E INTERNACIONAL – Fizeram no quadrangular de cruzamento dos módulos o que foi acordado pelo Clube dos 13: nenhum membro do C13 participaria do quadrangular em janeiro de 1988, perderia os jogos por W.O. Acordo de cavaleiros nem sempre respeitado… Como campeão de 1987, o Flamengo está no jogo dele de brigar até o fim pelo título, embora, muitas vezes, sem querer o diálogo e o respeito necessário ao Sport. Na área estritamente jurídica. entrou tarde em campo. Por empáfia ou negligência, vem sendo goleado nos tribunais.

SPORT – Fez de tudo pelos direitos dele. Até o que não deveria – Justiça fora da Esportiva. Foi esperto, junto com o Guarani, ao empatar os pênaltis na decisão do Módulo Amarelo, demonstrando que o que interessava mesmo era o cruzamento dos módulos, em janeiro de 1988. Para entrar no C13, em 1997, quase negociou o título dividido. Segue na luta. E vai ganhando tudo nos tribunais, pela estratégia ousada e inteligente. 

SÃO PAULO – Lamentável Juvenal Juvêncio (diretor do C13 em 1987) e Carlos Miguel Aidar (presidente do clube e do C13 em 1987) esquecerem o acordo de cavaleiros de 1987 e saírem com a camiseta ''penta único'', com a conquista do BR-07 pelo São Paulo. Deplorável os dois receberem de CEF a Taça das Bolinhas, em 2011. O São Paulo até poderia receber, e com imenso orgulho, pelo título controvertido de 1987 que, pela Justiça, não é do Flamengo. Mas os dois dirigentes deveriam ser o primeiros a não aceitar o troféu, por terem declarado publicamente – e ainda assinado documentos – de que o campeão de 1987 (para o C13 e para quase todos) era o Flamengo que eles esqueceriam em 2007 e, depois, em 2011.

TAÇA DAS BOLINHAS – O ideal seria entregá-la em definitivo ao Flamengo, por ter sido um dos campeões de 1987, e penta, por tabela, em 1992. Mas o pleito do São Paulo também se justifica pela indefinição esportiva de 1987, e pelas seguidas vitórias do Sport na Justiça, desde 1990.

 CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987 – Como todas as partes erraram (ou se aproveitaram dos erros, desacertos, incertezas, omissões, ações, tudo isso e menos um pouco), o melhor seria declarar Flamengo e Sport como campeões brasileiros de 1987. 

E reticências…

Isso jamais vai ter um ponto final. 

Muito menos um dono da discussão.

VEJA:  COPA UNIÃO – O FILME. Parte do enrosco, e a campanha rubro-negra

 

 


Sofrido? Não. Só o Grêmio.
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Mauro Beting

Quem achou que seria fácil a vida do Grêmio na estreia no Mundial? Só quem não viu todos os brasileiros desde 2005 na primeira partida. Só quem não vê o Grêmio desde 1903.

Nisso se parecem tricolores e os nossos palmeirenses. Sofrem. Mas não gostam de sofrer. E por isso sofrem ainda mais.

Arthur comentou muito bem o justo 1 x 0 contra o Pachuca. Golaço de Everton. Outro que saiu do banco como Cícero para fazer festa. Arthur estava comentando na Globo por não pode comandar o jogo tricolor em campo. Fez muita falta. A atuação tricolor também não foi aquela pela ausência do ótimo todocampista.

Ruim que foram 30 minutos a mais de desgaste e bola rolando. Hoje não é só secar o insecável Real Madrid x Al Jazira. Duro também é torcer para mais meia hora de prorrogação para tentar cansar o campeão europeu. Ainda o maior favorito. Mesmo que não venha sendo aquele na Espanha e na Champions onde ninguém é maior. Mesmo que pense demais no clássico contra o Barcelona em 23 de dezembro.

Ainda é possível o que parecia impossível. Não só pela instabilidade madridista. Também por ser o Grêmio o clube que é e o time que tem sido. Até quando não joga bem. Mas se classifica mesmo assim para a decisão do Mundial.


Rumo a Abu Dhabi. Grêmio 1 x 0 Pachuca.
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Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Não foi fácil como muitos imaginaram. E como nunca tem sido desde que o Mundial de Clubes passou a ter esse formato. Jogo pegado. Falado. Nervoso. Digno de acabar com as unhas do torcedor. O Grêmio repetiu o 4-4-2 da decisão contra o Lanús. Michel e Jaílson centralizados, tentando compensar a ausência de Arthur. Não conseguiram. Fernandinho pela esquerda e Ramiro na direita. Luan flutuando e encostando em Barrios, o paraguaio que mais uma vez esteve muito abaixo do que pode render.

A equipe mexicana veio num 4-1-4-1. Hernandez, que bateu até na sombra e ficou em campo até o fim atuando entre as linhas. Jara como solitário atacante. Guzman (muito bom jogador) e Honda (bem enquanto teve pernas) por dentro. Aguirre e Urretaviscaya nas extremas. O primeiro tempo teve o Pachuca mais com a bola. E o Tricolor finalizando mais. Ainda que só tenha assustado em bolas paradas. E ainda viu Cortez travar duas finalizações que poderiam ter entrado e mudado a história da partida.

Na etapa complementar, Ramiro veio definitivamente jogar por dentro. Abrindo assim o corredor para o apoio de Edílson. Luan voltava para tentar criar e compensar a ausência do jovem Arthur. O Grêmio adiantou a marcação do time e suas linhas, forçando os mexicanos a rifar a bola. Até pela questão física (o Pachuca vinha de uma prorrogação no sábado) o Grêmio começou a ser melhor. No entanto, ainda era um tive nervoso, que sentia o jogo. Jaílson e Michel erraram passes fáceis na saída de bola e proporcionaram boas chances ao oponente. Renato mexeu no time. Tirou Barrios e Michel. Colocou Jael e Everton, este na esquerda. Passou Fernandinho para a direita. Centralizou Luan de vez como armador central. Prendeu mais Ramiro para dar um pé a Jaílson na marcação. O gol poderia ter vindo aos 30, numa cobrança de falta de Edílson que tirou tinta da trave do veterano Oscar Perez. Como também poderia ter saído em cabeçada de Guzman, aos 34.

Como a igualdade persistiu, fomos a prorrogação. Renato sacou Edílson e pôs Léo Moura em campo. Diego Alonso, treinador do Pachuca sentindo o time extenuado tirou o atacante Jara para a entrada do zagueiro Herrera. Se fechou num 5-3-2. Por vezes um 5-4-1. Era claro e óbvio que queria levar a disputa da vaga para os pênaltis.

Mas o Brasil ainda tem o talento. Aos cinco minutos, Cortez bateu lateral. Éverton se livrou de dois marcadores e finalizou colocado, no alto. Com seu 1,72 metros e 44 anos nas costas Oscar Perez saltou. Mas não alcançou. Um belo gol e excelente jogada individual. Uma das pouca chances que o Grêmio tinha diante do ferrolho a sua frente.

Só cinco minutos depois de levar o gol Alonso desfez o esquema. Tirou o lateral-esquerdo Manny Garcia para a entrada do atacante Sagal. As coisas ficaram ainda mais complicadas para os mexicanos quando Guzman foi expulso no começo do segundo tempo do tempo extra. O Pachuca se lançou a frente. Se abriu. O Grêmio poderia ter matado o jogo nos contragolpes. Luan e Éverton desperdiçaram as chances, contudo.

No fim, a vitória veio. Suada. Sofrida. Como gosta o torcedor do time mais copeiro do Brasil. Agora é arrumar as malas e partir para Abu Dhabi. Provavelmente para enfrentar o Real Madrid na decisão. É óbvio que para vencer, o time vai precisar jogar mais do que hoje. Mas se o futebol nos ensinou algo é de nunca duvidar do Imortal Tricolor. Afinal, quem tem uma torcida que vai até a pé para onde quer que seja acompanhar e apoiar o time pode muito bem fazer o mundo mais uma vez ser azul, preto e branco. Acredita, Grêmio!

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman


A Liga pega fogo já no sorteio
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Mauro Beting

HOJE, dezembro, que costuma ser DIFERENTE de fevereiro e março na Liga dos Campeões, meus palpites:

PSG 51% x 49% REAL MADRID – Os cheques do xeique não conseguem comprar sorte pro PSG em Champions. Se o Madrid não tem sido o mesmo, ainda é o campeão da Europa. Ou melhor: o primeiro bi desde 1990. O maior de todos os vencedores. Mas tem como o melhor ataque da história da fase de grupos se sair melhor no confronto que se decide em Paris.

TOTTENHAM 51% x 49% JUVENTUS – O calendário inglês apertado tem cobrado fatura dos clubes a partir de fevereiro. Mas o Tottenham tem time e treinador jovens e competentes para superar a Juve como já fez à frente do Madrid. O time de Allegri não tem sido aquele. Apesar da camisa e de dois vices europeus em três anos, não chega tão forte. HOJE.

ROMA 49% x 51% SHAKHTAR DONETSK – A esquadra giallorossa costuma dar as romadas dela. Mas o time de Di Francesco parece mais sólido. Confiável. Como também tem sido a equipe ucraniana, que se classificou em grupo dificílimo. A parada invernal muda coisas com as equipes. Às vezes para melhor. Esperemos. Duelo dos mais imprevisíveis.

LIVERPOOL 65% x 35% PORTO – O clube português tem rateado até na liga local. Enfrenta um Liverpool de dois 7 x 0 na fase de grupos. Equipe bonita de ver, de grande velocidade na frente, mas com uma defesa indefensável. Se Coutinho permanecer (pode reforçar o Barcelona em janeiro), pode fazer bela Champions. Não só pela camisa belíssima cinco vezes campeã europeia.

MANCHESTER UNITED 65% x 35% SEVILLA – O clube espanhol é outro de grandes emoções. Bobeia atrás mas responde como toureiro à frente. Mas tem camisa e qualidade do outro lado. Ainda não é o time que pode ser o de Mourinho. Mas é bem melhor que o Sevilla. Pogba, Matic, Mkkhitaryan e mesmo Lukaku merecem mais do que respeito.

MANCHESTER CITY 99% x 1% BASEL – Time arrumadinho o suíço. Ponto. Contra o futuro campeão inglês que nunca jogou tão bem quanto agora. Hoje é a melhor equipe do mundo. Não sei se levanta a Champions na Ucrânia. Mas sei que pelo Basel passa. Só não digo 100% de chance por respeito ao futebol.

BARCELONA 55% x CHELSEA – O campeão inglês ainda é muito competitivo. Mas não tanto como foi na temporada passada. O Barça ainda não é aquele. Mas Messi está. Por isso se classifica.

BESIKTAS 20% x 80% BAYERN DE MUNIQUE – O time turco fez ótima fase de grupo e decide em casa. Mas o Bayern começa a se ajeitar na Bundesliga e se arrumar em campo na Champions. Deve suar. Mas deve ainda mais se classificar.


É possível, Grêmio
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Mauro Beting

Desta vez não será aquela expectativa lancinante durante o dia, a tarde, a noite até a explosão da madrugada de Portaluppi. O Grêmio campeão do mundo azul em 1983 vencendo o Hamburgo no Japão.

Desta vez não será aquela angústia da madrugada não dormida para acordar do sonho e quase o fazer realidade contra o espetacular Ajax em 1995. Um dos melhores times dos últimos 30 anos no planeta só ganhou o mundo do Grêmio de Scolari nos pênaltis. Com um jogador a mais. Com muito mais time. Mas não mais superação.

Desta vez é no meio de uma tarde de terça. Contra o campeão da Concacaf. Parece cacófato. Mal parece um campeão. Tem Honda que já foi bom. Tem um goleiro de 1m72 e 44 anos que não é ruim. Jogou pedrinha na fase anterior e com um a mais também só ganhou na prorrogação do rival africano Wydad Casablanca.

O Grêmio não terá Arthur. Mas terá o Grêmio. Para se classificar. Para ainda sonhar contra o Real Madrid que não tem sido aquele. Mas é ainda Madrid.

O sonho tricolor é real. Acredite. Como normalmente acredita além da conta o gremista. O Ajax de 1995 estava mais time e jogava mais bola que o atual momento merengue. É possível. É Grêmio. Sem pachequismo.

Mas, antes, tem Pachuca. Tem de respeitar. Tem de tomar cuidado. Tem de fazer tudo que normalmente o Grêmio faz. Acreditar mais do que torcer. O que não significa empáfia. Jactância. Confiança excessiva.

É preciso jogar o jogo. É preciso ser o Grêmio que copa.