Blog do Mauro Beting

Milagre de Sampaoli no Sevilla. 
Comentários Comente

Mauro Beting

Você gostaria de ter o razoável goleiro Rico na sua meta? O bom e incansável lateral Mariano pela direita?  O veloz Rami fazendo parelha defensiva com o eficiente Pareja? O ofensivo Escudero na outra lateral? O múltiplo N'Zonzi fazendo de tudo zurzindo na cabeça da área?  Iborra fazendo o dele no meio?  O discreto Vázquez fazendo o mesmo o tempo todo? Vitolo jogando pelos lados o que nem ele sabia que conseguiria jogar? Nasri fazendo o que se sabe que ele faz, e algo mais? Jovetic iluminado com gols decivos na frente? Vietto entrando e atacando e cercando, como primeiro defensor e último atacante do time que pode ousar sonhar em ser campeão da Liga das Estrelas. Mesmo com nenhuma deles vestindo a camisa do Sevilla de Jorge Sampaoli. Mesmo que esse time mude a cada jogo. Mas dificilmente troque o desempenho e a tal da intensidade tão falada.  E nem sempre vista. 
Treinador que revolucionou o melhor Chile de todos os tempos. Fez uma grande campanha na Universidad de Chile em 2011. Faz um enorme Sevilla logo na primeira temporada. Ainda não conseguiu incutir em Ganso o dom de saber que o jogo é outro.  Que atleta algum pode ficar de costas para a bola e não focar o jogo. Milagre ainda não fez Sampaoli. Mas, ao final da Liga, ele pode mais uma vez mostrar ao mundo da bola que quase tudo é possível. 
Até Guardiola estar longe de um título… E ainda mais longe de achar um time e um jogo para o Manchester City. 
Mas isso é papo pra outro post. Afinal, como diria o Zé Simão, quem fica parado é poste. 


“Os pitbulls amam”. Recado de Felipe Melo. Com responsabilidade
Comentários 10

Mauro Beting

Felipe Melo não é tão espetacular volante quanto ele diz ser. Mas não é apenas um carniceiro caça-canelas como os muitos detratores e detonadores adoram odiá-lo.

FM é um meia que virou volante e aprendeu demais em mais de uma década na Europa. É o cara que pode desarmar um rival como fez contra o Peru, no Beira-Rio, pelo Brasil de Dunga, quase criar um conflito continental na dividida seguinte, e seguir no lance para marcar um belo gol de categoria e raça, com o pé menos qualificado.

Felipe é o cara que enfia aquele belíssima bola contra a Holanda, nas quartas-de-final de 2010, para o gol de Robinho. E também foi incapaz de manter o equilíbrio psicológico durante as partidas, e mesmo tático. Bobeou com menos de um minuto no segundo tempo (mais uma vez fazendo o que não podia e nem devia), atrapalhou-se com Júlio César na falha feia do goleiro no empate, não marcou Sneijder no desempate, e ainda chutou duas vezes Robben antes de pisá-lo, caído no gramado de Port Elisabeth. E o pior é que Felipe Melo ainda disse que não merecia ser expulso… Infelizmente, Felipe Melou o sonho do hexa. Mas não se pode demonizá-lo. Se não era mesmo a melhor opção como volante pela esquerda do Brasil (outra responsabilidade de Dunga), também não era o horror com que ele maltratava os rivais e, por vezes, a Jabulani. Teve ótimos momentos com a Seleção. Mas foi se perdendo (e a cabeça também) pela Juventus, em 2009-10. Chegou mal das pernas e da bola. E manteve o mau momento pelo Brasil.

Mas foi inegável achado de Dunga, em 2009. E deverá ser também do Palmeiras em 2017. Eleva o sarrafo (no bom e no mau sentido) dentro e fora de campo. Vai “ajudar e ser ajudado” como bem disse na ótima entrevista de apresentação dele e da família. É 100% FM. Capaz de dizer que o “cara que tem maldade no coração não serve para a humanidade” com a mesma simplicidade e sinceridade com que fala que “se for dar tapa na cara de uruguaio eu vou dar. Sempre com responsabilidade…”. Os pitbulls amam, disse bem ele.

É um cara que qualquer torcedor quer ver no próprio time. Pelo que joga, pelo que briga, pelo que fala e, no caso do Palmeiras, pelo que peita a imprensa. Muita vezes com razão e inteligência e coragem. Outras vezes baixando o nível e o pau como também fazemos com ele e com outros. “Parece que tem gente que ganha dinheiro para falar mal. Não respeitam a família, não respeitam o homem”.

E ele tem razão. Erramos feio.

Como ele também se equivoca ao achar “normal” um recuperador de bolas como ele ter o número de cartões que tem. Os números dele melhoraram, fato. Mas ainda são altos para o padrão europeu. E deverão ser mais altos com a arbitragem brasileira e sul-americana com o nome dele na caderneta. Também pela entrevista inicial. Inegavelmente sincera e inteligente tanto quanto perigosa e no limite. Como ele.

 “Se eu tiver que comer alguém vivo pelo Palmeiras eu como”, encerrou o “pitbull que também ama”, com um humor próprio e afiado como as chuteiras sempre ensarilhadas. Até para criticar quem escolheu outros nomes no Brasil: “faltou um treinador na Seleção com colhão para me convocar”.

Questão de gosto.

Gosto que alguém assim levante essas questões e bolas mais do que levante adversários e poeira.

 Felipe Melo é sempre um combo complexo e completo. Para o Palmeiras, vale a aposta.


O novo Vasco. Não tão novo assim.
Comentários 12

Mauro Beting

É preciso melhorar, e muito.

Deverão chegar novidades. E precisam mesmo.

É começo de temporada, e isso precisa ser entendido, tanto quando o recomeço do treinador em São Januário – Cristóvão Borges.

O adversário não era grande coisa na Florida Cup – Barcelona de Guaiaquil -, e também está em ritmo de volta às aulas. O problema é que, hoje, o Vasco está longe de dar palestra como já foi doutor honoris causa.

Mas algumas coisas boas aconteceram. Nenê tem de seguir mais solto. Evander, com jogos, pode ser interessante em um meio-campo mais lento. Guilherme Costa, enfim, acendeu algumas lamparinas de esperança, como Eder Luiz também entrou bem, no segundo tempo. Escudero e Muriqui sentiram muito a estreia, e, evidentemente, merecem mais oportunidades.

Com muita paciência e calma, De todos os lados.

 


Ídolo não precisa ser craque. Moisés é 10.
Comentários 38

Mauro Beting

''Para quem já teve Jair Rosa Pinto, Chinesinho, Ademir da Guia, Zinho, Djalminha e Alex, celebrar Moisés com a camisa 10 é muita carência de ídolos e de craques''!

Alguém vai escrever isso. Ou pensar isso. Pode procurar em algum comentário aí embaixo. ''Geração 7 x 1″ ''Cucabol''. ''Palmeiras não tem Mundial''. ''Vendo Monza 87″. Algo do género e de sub-espécie. 

O futebol é assim. Nossa vida tem sido assim. Além de bisbilhotar quem amamos, ainda xeretam como gostamos. Futricam quanto apreciamos. Fuxicam o que devemos apreciar ou não. 

É paixão, estúpido. Tenha a sua. E respeite a do outro. Sei que, às vezes, você desdenha por não entender nem desenhando. Outra você detona por, no fundo, shippar a relação do outro. Você adoraria ter com as suas cores e sua camisa quem se deu tão bem com a nossa. E se dar tão bem, às vezes, é se doar e ser uma figura como o Cristaldo. É chorar tanto e deixar tudo no gramado como o Gabriel. É ser Tonhão, Tonhão, Tonhãããão!

É ser o que foi Cleiton Xavier na Libertadores de 2009, que nem título deu ao Palmeiras: 

– Não chuta! 

11 em 10 palmeirenses… Ok. 9 em 10 não queriam que CX10 chutasse lá do meio da cordilheira a bola que voou até os Andes do Colo-Colo. 

Marcos entre eles. O santo soltou o verbo antes do berro que ecoou do Chile ao Brasil. O gol que classificou o Palmeiras na Libertadores para a outra fase quando tudo parecia perdido. Quando mais uma vez o Palmeiras que odiamos amar tanto nos faz cornetar ao inferno e elevar aos céus em segundos quem insiste em nos fazer primeiros e Palmeiras. 

Cleiton se lesionou no BR-09 e o Palmeiras se perdeu. Cleiton se lesionou demais e não ajudou como gostaria em 2015. Não foi falta de vontade. Foi de condição. 

Porque vontade e condição ele mostrou em momentos decisivos em 2016. Na primeira bola dele em campo fez o gol da vitória no dérbi no Allianz Parque, no turno do BR-16. Marcou o gol decisivo de pênalti contra o Sport, na Ilha. Cavou o penal que empataria o jogo em Chapecó. Fez o gol que abriu a vantagem contra o Vitória no jogo do título do turno. Deu o passe no Recife para o gol da dura vitória contra o Santa Cruz. Marcou o gol da vitória fundamental para encaminhar o título contra o Inter. 

Marcou nas duas passagens. Mas hoje lutaria apenas por um lugar no banco com muito crédito do Palmeiras. O custo-benefício não bate mais. É hora de sair do clube. Mas não da nossa esperança. Muito menos da lembrança. 

Não por acaso fiz questão de mostrar no filme PALMEIRAS – O CAMPEÃO DO SÉCULO o gol que ninguém chutaria em 2009. Ele está no clipe final do documentário dirigido por mim e pelo Kim Teixeira. 

CX10 não precisaria ter sido campeão brasileiro e da Copa do Brasil. Pro meu coração, bastaria aquele chute que eu não mandaria. Bastaria acreditar quando eu não acreditava mais. Bastaria ele crer. Bastou, Cleiton. 

Obrigado e seja feliz como você nos fez.  Como o volante Ezequiel, com muito menos bola, foi referência corintiana, nos anos 90. Não adianta querer explicar. É sentimento. É química. Disposição física. Superação anímica. Empatia. Iúra, do Grêmio dos anos 70, por exemplo. Lugano no São Paulo. Ronaldo Angelim no Flamengo.  

Ídolo de um time não precisa ser craque. E não depende diretamente de conquistas, ou mesmo de carências. Ídolo pode ser o cara que vem da Croácia sem lembrança. Quebra o pé e volta sobre as nuvens e gramados. Marcando, armando, criando, chutando, suando, batendo lateral, criando, jogando, amando, cuidando de uma filha que é uma gracinha palmeirense, cuidando de milhões que se sentem muito bem representados pelo jogador, pelo profissional, pela pessoa, pelo palmeirense nota 10 que é Moisés. 
Ele já disse e a gente já sabe que ele não tem a bola daqueles 10 nota 1000 lá de cima. Mas em 2016, e espero que por muitos anos ainda, ele honrou não só o número que vai vestir, fazendo funções de 8, de 5, de 7, de 11, pelos milhões. Ele foi o melhor jogador do BR-16. Com os pés e com as mãos. Mas muito mais com o coração que transborda. Com aquilo que alguns que não amam nossas cores não entendem. E desconfio que até não sabem amar os próprios ídolos deles. Não só por falta de conhecimento de bola e de boleiros. Mas por falta de órgão vital. 
Consulte um cardiologista, amigo. Espero que você não tenha problema. Mas temo que você não tenha mesmo é coração. 


A quadra é sua, Bernardinho 
Comentários 8

Mauro Beting

Bronze feminino, em 1996 e 2000. Assumiu o comando dos homens em 2001. Conquistou mais de 30 títulos em 16 anos. Dois ouros olímpicos (2004 e 2016), duas medalhas de prata (2008 e 2012), e três títulos mundiais (2002, 2006 e 2010). Mais oito Ligas Mundiais. 

Mudando o time. O jogo. O jeito. A cabeça. Os cabeças. As práticas. As peças. Os parceiros. Os métodos. Ensinando e cobrando. Exigindo e participando. Exagerando e exacerbando. Criando e copiando. Levantando, defendendo, atacando. Cortando bolas e asas. Participando dentro e fora. Vivendo. Sobrevivendo. Suando. Sabendo. Ganhando. Vencendo. Conquistando. 
E quase nunca perdendo. Na base da vontade de se preparar para a disputa sendo mais importante que a própria vontade de vencer. O resultado seria consequência desse profissionalismo passional. Desse amadorismo saudável ainda que doentio para quem vê de fora. E fica mesmo por fora. Difícil captar tudo que um sujeito que vai além do perfeccionismo pretende. Nas palavras dele:

– Sou um perfeccionista que sabe que a perfeição jamais será atingida. E, se isso fosse possível, também não gostaria de alcançá-la. Seria o fim dos objetivos e eu não conseguiria viver sem eles.
Não é o fim dos objetivos esta nova fase, Bernardinho. Mas saiba que todos nós não conseguiremos viver sem você para buscar o que você conseguiu com seus atletas: a perfeição no vôlei que foi muito além dos títulos em quadra. Virou exemplo de um Brasil capaz de ganhar também pelo planejamento e esforço, não apenas por jeito e talento.  

Obrigado. A quadra é sua. Volte quando e se quiser. 


Maracanã, aquele abraço
Comentários 1

Mauro Beting

Derreteram a Taça Jules Rimet no país que a conquistou. Furtaram busto de Mario Filho no estádio Mario Filho.  

O jornalista que idealizou o desfile de Carnaval. O agitador que mais defendeu a construção do estádio do Maracanã e que ganhou o naming right quando morreu. 

Furtaram e devem derreter o bronze do busto de Mario. Irmão de Nelson Rodrigues. Quem melhor descreveu o que se passou no Maracanã 40 minutos antes do nada até 36 anos depois da morte. 

Nem Nelson faria uma tragédia como as peças que vão sendo levadas nesse quebra-cabeça, coração, cofre levado por bandidos desconhecidos. Mas menos perigosos que os sabidos. Alguns já presos. Outros ameaçados como o patrimônio histórico do esporte mundial. 

Maracanã, que lindo, que viu a colossal festa de abertura olímpica, em agosto de 2016. Maraca, que belo, que reviu a bola rolando no final da temporada. Mario Filho que foi furtado o busto. Foi roubada a alma. 

O Rio-16 é um choro-171 de contas não pagas. A Copa-14 é um oceano de dívidas e dúvidas. O consórcio que administra (SIC) o complexo é ócio com azar da economia. E com alergia a fazer direito. Fazer o certo. 

O estádio custou os olhos da cara de tão caro. A manutenção é mero detalhe. Os clubes não se acertam. A FERJ se borra. A bola se ferra. Clubes sem estádios, estado com estádio sem clubes, Maracanã às merdas. Que as moscas já sobrevoam outros coliformes formados nos gabinetes. 

O geraldino expulso no New Maracanã agora se vê no mesmo campo do futebol despejado pela nova arena de velhos problemas e velhacas soluções. Sofremos de camarote a expropriação e espoliação de nosso palco. Picadeiro de picaretas. 

Furtaram aparelhos de TV. Fios. Cabos. Objetos. Mangueiras. Bustos. Muita coisa foi levada nesses últimos dias de Maracanã entregue aos amigos do alheio. Muita coisa tem sido tirada do Mario Filho e dos netos da Geral. Do Maracanã templo do futebol, patrimônio esportivo da humanidade, altar de imolação de autoridades desautorizadas, despudor público e impotência administrativa de décadas. Dos ''quadros móveis'' da Suderj mais móveis que as peças furtadas aos imóveis gestores da coisa pública que virou sucata que não cabe em privada alguma. 

O Brasil onde só o amor e a Odebrecht constroem mudou de mãos. Mas as digitais seguem iguais. Impressões deixadas nas antigas arquibancadas viraram códigos de barra modernos que alguns atrás das barras já não conseguem tungar. E quem deveria cuidar desse gigante de concreto amado só consegue arquitetar negociatas estranhas que não conseguem minimizar o pus que carcome as entranhas. Nem com o plus que por décadas fez reformas no estádio e no complexo do Maracanã. Mais complexo que Maracanã. 
''Vamos derrubar tudo de novo para ganhar mais cascalho novo'' é a tradução em Tupi-Guarani de Maracanã. Estádio de recordes que levou um ano para ser construído e 66 para ser desconstruído, detonado, depredado, detonado. 

Não é só a crise que fez o consórcio entregar as contas. É a incapacidade administrativa. Brigas pessoais e picuinhas clubistas. Estratégias eleitorais e picardias políticas que inviabilizam o ex-maior do mundo. Atual logradouro de um dos maiores problemas do mundo da bola.
 

Planeta que daria a alma para jogar no Maracanã. Desalmados armados que dariam a mãe para seguir ganhando com o estádio que não parece ser do estado e nem do consórcio. 

Dinheiro público sepultado em uma arena cara demais para um poder pobre demais. Estado e município falidos nos cofres e nos tronos com o futuro celado. De cela de ex-governantes. De sela para quadrúpedes estupidos que merecem as esporas e esporros do cidadão lesado e do torcedor derrotado. 

Os clubes nem sempre conseguem ajudar. Ou não ajudam mesmo. Pensam apenas neles. Esquecem que ninguém ganha sozinho. Ninguém joga sozinho. Para alguém vencer no futebol alguém precisa perder. Mas dentro de campo. Não da tribuna nem sempre de honra. Para o tribuno apenas da hora. Administrador que não deixa legado. A não ser um delegado de porta de vestiário. 

O Maracanã precisa ser abraçado pelo seu dono, o torcedor. O cidadão contribuinte do Rio de Janeiro precisa cobrar solução. As contas da Copa e da Olimpíada chegaram. E as dívidas do dia a dia são as mesmas. 

 


Vamo, vamo, Chape!
Comentários Comente

Mauro Beting

O São Paulo é o maior vencedor sub-2o paulista, brasileiro e sul-americano em 2016. Apresentou o melhor futebol e a melhor campanha entre 120 clubes na Copa São Paulo de 2017 – mesmo com um time modificado. Enfrentou a Chapecoense em Capivari e toda a torcida não-são-paulina que dava força a Chapecoense, e não apenas pela rivalidade natural. Também pela ainda mais natural simpatia pelo clube catarinense.

Nos 90 minutos, o Tricolor não jogou o que sabe, e parou na forte marcação catarinense, mesmo com atletas a menos por expulsão.

Nos pênaltis, o goleiro Tiepo defendeu muito bem as cobranças como se fosse Danilo, com quem treinou há um ano em Chapecó.

A Chape venceu o campeão da Libertadores Sub-20 de 2016.

Ganhou ainda mais o carinho da arquibancada e a audiência da TV e o primeiro lugar nos TTs do Brasil.

E vai fazer dos próximos tempos o que se viu em Capivari. Todo um estádio com ela. E até os adversários ''confortados'' na derrota por perder para o time de todos.

Vamos, Chape.

Danilo e todos eles continuam com vocês.

 

 

 


O ar condicionado e o futebol condicionado 
Comentários 2

Mauro Beting

O ar condicionado é a melhor invenção do ser humano depois (ou um pouco antes) do parmesão. Por estes dias, como o queijo vira fondue em 5 minutos durante o horário de verão brasileiro, o ar condicionado é Fifa The Best de todas as temporadas. Concordam fãs de Lionel e Cristiano. 
Mas como tudo que os bípedes vez e outra acertam, raios gumertizadores e complicator mode ON costumam ferrar quase tudo. Para que simplificar se podemos complicar? Pegue agora seu controle remoto do ar condicionado na firma. Ou mesmo no seu carro. Veja a quantidade de setas, ícones, modos, cool, fan, modes, timers, e desenhinhos ininteligíveis. Mais fácil entender o último capítulo de LOST ou fazer a

árvore genealógica de GAME OF THRONES do que fazer o inverno enfim chegar no seu veículo ou recinto. 

Não dá para voltar aos tempos românticos do aparelho? Liga, gela. Pronto! Desliga, torra. Acabou! Não preciso ligar por tempo determinado. Ou na hora programada. Ou, pior ainda, ligar o modo ''fan''. Ventilador eu uso jornal para abanar, Fujitsu! O seu Springer, por obséquio, eu quero WINTER no meu quarto! Estalactites no meu carro. Estalagmites no computador da empresa. É isso. Não compliquem. Por favor. Modo Sibéria. Ou esposa contrariada. Só isso. 
E não me peçam para esperar gelar. Não dá pra pedir para ficar frio enquanto esfria. É PRA ISSO QUE VENDI MEUS FILHOS, VENTISILVA! Eu quero meus ossos gelados. Pago o que for. Eu quero me sentir o Leonardo di Caprio de mãos dadas a Kate Winslet no oceano. 
Todo esse meu desabafo no meio do bafo senegalês do Hell de Janeiro (como se alguém soubesse como é o calor no Senegal…) só pra dizer que um time de futebol dos últimos anos é como o controle remoto do ar condicionado. Você aperta um monte de botões e se irrita e ele não funciona direito. Ou não fica do jeito que você quer quando mais precisa dele. 

Sei que é preciso estar frio. Dar um tempo. Uma hora a temperatura regula. Fica bom. As coisas se ajeitam. Mas para que tanto botão? Sei que não é de uma hora para a outra. E também não é no auge do calor que tudo se conserta. Nem deveria ser como tem sido nos últimos anos. Um monte de frescura que não refresca. Muita informação e não tanto conhecimento. Mas simplificar as coisas facilita para tudo e para todos. Aperta UM botão e pronto. Não precisa dar tanta opção e função. Basta gelar geral. Só isso. 
O pranchetor mode on é praga que infecta e infesta e atrapalha tanto quanto o sungator do Renato Portaluppi. Não precisa abusar das tecnicalidades a linguagem. E nem achar que tudo se resolver pelo dom que vem no DNA. Claro que Renato assumidamente cutucava mais a imprensa que os colegas quando elogiava à praia mais que a prancheta, mas estudo nunca será demais. Será sempre um ar fresco em mentes mais cozidas. 
Mas o gênio de fato é quem descomplica. O futebol é fácil. Nós é que adoramos esquentar a discussão e jogar óleo na frigideira.