Blog do Mauro Beting

A única torcida única possível 

Mauro Beting

Torcida única é essa. Nuno Pantarotto só está abraçando o Nonno Bernardi porque o amor não tem clube, embora nosso time seja um amor incondicional. 

Nuno fez de tudo para levar o vô Antonio ao estádio do Palmeiras pela primeira vez em 80 anos. Oito dias depois de colocar mais três stents no coação. São 12 agora. Recorde no HCor. Como disse o Paulo Calabar, mais uma primazia palmeirense. O coração mais stentado é verde. 

Seu Antonio não conseguiu ver sentado o teste para cardíaco de quarta. Na próxima REVISTA DO PALMEIRAS eu conto melhor na minha coluna. Mas só queria contar que tudo isso só aconteceu porque a TVPalmeiras, o Jefferson Yassuda e muitos palmeirenses correram atrás para realizar o sonho do seu Antonio. Professor por 40 anos em Bilac. Terra de poesia. Distrito que pouco antes de nascer seu Antonio se chamava Nipolândia. Por causa da Guerra, como o Palestra, a intolerância mudou de nome. 

Mas não de coração e formação. A religião que é muito forte na grande família Bernardi ensina a respeitar quem acredita em outras fés. Como a do Nuno, o neto do Bernardi de Bilac. ''Meu herói'', nas palavras do seu Antonio, quando ele conseguiu os ingressos para a estreia no último minuto. O tempo do gol do Mina que foi fundo na noite que não era escura da vida do Bernardi. 

Nuno chora na foto celebrando com o avô que chora no último minuto. Nuno de regata verde. Nuno que foi por 90, ou melhor, 96 minutos palmeirense no coração sem stent. No coração alvinegro. 

Doutor, não houve engano. O coração do neto do Bernardi é corintiano. 

O único corintiano que torceu pelo Palmeiras contra o Wilstermann. Ou muito melhor: torcida única pela maior noite da vida do Bernardi. 

Torcida única pela família do futebol. Levante essa bandeira (já que também não podemos levar bandeira ao estádio).