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Brasil 0 x 0,1 Equador

Mauro Beting

05/06/2016 01h56

MUHAMMAD ALI: A luta é vencida ou perdida muito longe dos espectadores. É nos bastidores, na academia, e lá fora na rua, muito antes de eu dançar debaixo dessas luzes.

 

Deus pode até não ser brasileiro, mas a arbitragem, na maioria das vezes, ela é brasileira, com muito orgulho, com muito amoooooooooor.

 

A bola estava escapando pela linha de fundo quando Miller Bolaños correu para evitar que ela saísse e bateu cruzado. O ótimo Alisson emulou o mestre Taffarel quando não deveria: tomou um gol bizarro. Pior que o do seu preparador em La Paz, na altitude, na derrota para a Bolívia por 2 a 0, nas Eliminatórias-93.

 
Alisson que, no primeiro tempo, havia feito bela defesa exatamente por não querer fazer aquela "defesaça" que locutor adora narrar, e que goleiros como Felipe, Bruno e Fernando Henrique adoram pular sem necessidade.

 

MUHAMMAD ALI: Quando você está certo, ninguém se lembra; mas quando você está errado, aí ninguém se esquece.

 

(E ele não estava falando de Dunga).

 


Mas o (fran)gol não concedido ao Equador talvez tenha sido algo tão inexplicável e imponderável que remeta à decisão da Copa de 1994 no mesmo Rose Bowl. Quando, na mesma meta, à direita da transmissão, Taffarel viu o pênalti de Roberto Baggio (o jogador com melhor índice de aproveitamento da Série A italiana em cobranças de pênaltis!) ser chutado aos céus.

O Brasil era TETRA! depois de 120 minutos tétricos no mesmo estádio, também pelo calor criminoso do meio-dia. O Brasil agora não tinha a temperatura para lutar contra. Mas talvez tenha emulado o Brasil de 1994 na troca improdutiva de zilhões de passes laterais, de poucas infiltrações, quase nenhuma criação, raras finalizações, e total enfado de comentaristas e cornetaristas.

 

MUHAMMAD ALI: Apenas um homem que sabe o que é ser derrotado pode chegar ao fundo da sua alma e retornar com uma tonelada a mais de força para vencer um confronto que está igual.

 


Esse foi o segundo tempo muito ruim e muito chato. O primeiro tempo até que foi bom. Seis boas chances, triangulações e aproximações. Poucas bolas rifadas. Zaga bem protegida pelo ótimo Casemiro, ataque dinâmico com Jonas saindo da área para a entrada em facão de P.Coutinho, para algumas incursões de Elias, e bom início de Willian e Renato Augusto. O 4-1-4-1 possível para o atual elenco de Dunga.

 

MUHAMMAD ALI: O homem sem imaginação não tem asas.


Mas veio o segundo tempo e acabou. Não teve mais jogo. Ou teve o espírito do twitter quando ele começou. Com 16 minutos de partida, o primeiro lugar no TT do Brasil era #bakeoffbrasil. Seja lá o que for. #BielNoProgramaDaSabrina é autoexplicativo da TV do nosso país. #Equador era o quinto tema da hora. #VamosBrasil era só o 17o. Com alguma alusão ao time. E alguma ilusão de que o bom primeiro tempo pudesse se repetir.

 

MUHAMMAD ALI: É a falta de fé que faz as pessoas ficarem com medo de enfrentar desafios. Eu acredito em mim. Eu preciso acreditar em mim.

 

Foi uma sucessão de memes e alguns mimimis. Jeremias Los Anjos pontuou bem que o nocaute de P.Coutinho em Filipe Luís em videocassetada na lateral do campo foi a única homenagem da Seleção à memória de Muhammad Ali. Pataquada só menos infeliz que um dos maiores frangos que vi em vida, e na Seleção. Quando a linha imaginária do Equador foi mesmo invisível para o árbitro que mais torceu que apitou.

 

Como Justin Bieber fazendo selfies com Neymar no estádio.

 

Era isso mesmo. Bieber & Neymar na arquibancada se divertindo mais que os torcedores.

 

The show must go on.

 

Ou como disse Muhammad Ali:

As pessoas não suportam fanfarronices. Mas adoram vê-las

 


O Brasil ainda pode e deve se classificar. Mas precisa criar mais, se movimentar mais e, sobretudo, finalizar mais.

 

MUHAMMAD ALI: Se os seus sonhos não o amendrontarem, eles não são grandes o suficiente.

 

E tem como melhorar? O maior campeão do boxe, e uma das personalidades mais campeãs, explica:

 

MUHAMMAD ALI: Eu odiei cada minuto dos meus treinos. Mas eu me dizia: Não desista! Sofra agora e viva o resto da sua vida como um campeão.

 

E tem como ir além?

MUHAMMAD ALI: Os campeões são feitos de algo que eles têm lá dentro deles: um desejo, um sonho, uma visão. Eles precisam ter o dom, e também a vontade. Mas a vontade tem de ser sempre maior que o talento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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