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Blog do Mauro Beting

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Corinthians tricampeão paulista (2017, 2018 e 2019)

Mauro Beting

2022-04-20T19:07:25

22/04/2019 07h25

Tem como discutir muito a qualidade do que se joga no Brasil. Mas não tem como discutir um tricampeão paulista.

Treze anos inexatos após a partida do mestre multicampeão no Morumbi, nestes dias de raras vitórias do São Paulo desde 2012, e também em noites de dores tricolores como aconteceu mais uma vez em Itaquera (e em quase todos os locais desde a conquista da Sul-Americana), o coro "olê, olê, olê, olê, Telê, Telê" toma as tribunas e corações tricolores.

Neste domingo, depois de 23 anos da despedida de Telê do São Paulo, 14 anos sem títulos no Paulistão, 13 sem Telê, 6 sem canecos erguidos, e há 4 sem vitórias em Itaquera, parecia que ao menos até os pênaltis os bravos meninos de Cuca e Mancini iriam levar mais uma decisão nivelada abaixo da história dos Estaduais.

Mas como aconteceu na semifinal do SP-18, o São Paulo se segurou até o gol de cabeça de Rodriguinho em Itaquera que levou aos pênaltis, e depois elevou Cássio.

Os mais bravos corintianos tetratris de Carille mais uma vez fizeram a diferença e a festa com a bola rolando – mas não muito – em jogo igual. Porém abaixo da média histórica em 89 anos de Majestoso. Infelizmente dentro do pouco futebol que se vê há péssimo tempo no Brasil com campeões como os corintianos e outras conquistadores de canecos, não de corações.

Foi clássico para mais uma vez pouco jogo e ainda menos gols. Dá para elogiar que o aproveitamento de oportunidades foi ótimo. Foram apenas quatro chances alvinegras e três tricolores em sofridos e sofríveis 90 minutos.

No final das contas que pareciam pênaltis, novamente a penalidade máxima caiu sobre ombros e joelhos prostrados tricolores. A bola longa de Sornoza achou o pé calibrado e experiente de Love aos 43 minutos para superar Arboleda, Volpi e o São Paulo que foi além do planejado (SIC). Mas que segue muito aquém do São Paulo.

Derrubado em Itaquera pela oitava vez em 11 jogos. Tricolor que não ganhou clássico no SP-19 e foi ao menos vibrante com os meninos. Não melhor do que o Corinthians que irrita críticos e torcedores pelo jogo amuado e abaixo da crítica.

Mas que quando precisa decidir, nos pênaltis de Cássio, ou na bola parada ou lançada, dá Corinthians. Do Carille.

Com ou sem jeito. Com ou sem jogo. Com ou com Carille em clássicos.

Bola rolando na Arena Corinthians, tudo o que se esperava: muito pouco. Final é assim nervosa. Mas não pode ser assim mal passada. Cuca armou o Tricolor para tentar algo no primeiro ataque. E quase mais nada fez. O primeiro lance de perigo só aos 27, quando um chutão sobrou para Everton bater pra fora.

Até então, um workshop de passes errados e muito nervosismo.

Corinthians no esperado 4-3-3 com os pontas mais atrás. Pedrinho e Clayson discretos, Gustavo pouco recebendo as bolas que perdeu, Ramiro e Sornoza mais correndo do que jogando, muito bem blindados pelo inesgotável Ralf.

Mas quando Fagner e Avelar saíram um pouco mais, o gol corintiano, aos 30. O lateral-esquerdo aproveitou a bola viajante que Ralf cabeceou depois de escanteio da direita, e Avelar se antecipou ao próprio companheiro Manoel e abriu o placar. Predestinado Avelar do não menos Corinthians. Logo a armada de Carille se fechou toda, como o esperado, ainda mais nesse momento dr reconstrução de elenco muito mexido.

Fagner quase ampliou aos 42, no raro bom lance técnico de mais um jogo muito pobre. No final, aos 47, Antony aproveitou muito bem um contragolpe de um contra-ataque alvinegro e empatou sem chances para Cássio, na única jogada similar ao seu ótimo nível técnico.

Cuca mudou como se esperneava. Sem Liziero, iniciara pesado com Jucilei e Luan no 4-2-3-1, com Everton Felipe como falso 9 e falsa esperança. Voltou o São Paulo com Hernanes que não tinha caixa pra mais de 45. Também por isso foi atuar mais à frente , como centroavante que havia sido no Santo André em 2006. Cuca fez algo mais próximo de um 4-1-4-1 e a partida conseguiu ter ainda menos oportunidades.

Os técnicos mexeram. Enfim Carille apostou em Love que merecia ter iniciado. Foi pragmático. Sacou aos 20 Pedrinho que não vinha mal. Era dos poucos que tentavam algo diferente. Cuca mexeu ao mesmo tempo sacando Jucilei, abrindo Leo na lateral-esquerda, Reinaldo adiantado no lugar de Everton mais centralizado, Luan marcando mais atrás. Logo depois fecharia mais o time com Willian Farias marcando mais do que Everton, aos 28. Esperando os pênaltis meio que desejados e muito prováveis.

Pouco antes Carille trocou Gustavo que completava 6 jogos sem gols por Boselli mais pela direita, centralizando Love. Aos 31 teve que trocar Henrique lesionado por Pedro Henrique.

Mas tudo parecia mesmo ir para os pênaltis. Porque fora um tiro de Leo na rede de Cássio, nada se via de oportunidades até a bela bola longa de Sornoza para o belo sem-pulo de Love.

Gol de campeão. De TriCorinthians. De um Timão que parece fadado e fardado a ser campeão. Contra um Tricolor que parece ferrado e aferrado a não ser campeão.

Festa em Itaquera. Muito mais linda que mais um jogo feio de um futebol brasileiro que precisa ser repensado. Precisa ser melhor jogado.

Mas isso tudo se discute de como jogar melhor e mais à frente mais pra frente. Agora é hora de o campeão celebrar.

E de o vice saber que ao menos voltou a disputar títulos. Como ganhava quase todos com o mestre que partiu há 13 anos. E não deve estar gostando do futebol que aqui se vê nos últimos.

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Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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