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Deve gritar. Flamengo 3 x 1 Bahia.

Mauro Beting

10/11/2019 22h01

Os times de Zico ajudaram a criar a partir dos anos 1980 a mística do "deixaram chegar" do Flamengo. O título brasileiro de 1992 também foi assim, a partir da última partida do quadrangular semifinal. O de 2009, a mesma história. Ainda mais inesperada e emocionante pela arrancada até a conquista do hexa.

Essas espetaculares reviravoltas ajudaram a criar no torcedor rubro-negro um sentimento de que tudo no final daria certo. Mesmo que longe do final. No BR-16, o cheirinho era uma zoação que ficou séria demais e jogou contra, afinal o time so foi líder do campeonato nos 19 minutos em que esteve à frente do Palmeiras no Allianz Parque. Em outros anos, as decepções acabaram sendo maiores pelas expectativas desmedidas sobre elencos não tão estelares, equipes não tão ricas.

Em 2019, o jogo virou. O torcedor do melhor time deste Brasileiro, para não dizer da melhor equipe no século, tem todo o direito de fazer o que fez na grande virada sobre o bom Bahia de Roger. Não só o direito. Tem toda a segurança de gritar antes da hora que é "campeão" faltando 18 pontos em disputa para quem ampliou para 10 pontos a vantagem sobre o vice-líder (e atual campeão brasileiro).

O Flamengo está ganhando lindo o jogo e o BR-19. Fazendo festa em campo e na arquibancada. Exemplo para os rivais e para ele mesmo.

Completou um turno invicto em jogo mais complicado do que a encomenda. O Bahia aproveitou as boas qualidades do seu contragolpe e teve a sorte de em duas bolas caramboladas Arão marcar contra.

Na segunda etapa, Reinier substituiu Vitinho e entrou muito bem para empatar. Com Everton Ribeiro armando bonito, Gabriel Barbosa relembrando bons momentos no Santos pela direita, e mais uma joia da base carioca empatando. O da virada seria mais um belo gol de um time acostumado a fazer belos lances e gols. Desta vez foi uma trivela de Filipe Luís que achou Gabriel para servir Bruno Henrique.

Faltava o do artilheiro que se igualou às marcas históricas de Zico no Brasileirão. E foi numa falta de Galinho de Arão que bateu na trave que ela sobrou para Gabriel liberar o grito merecido de "campeão".

Tão evidente como aquelas passagens de Regis Rosing na Globo antes dos gols. Parece tudo decorado. Tanto que o goleador foi beijar a testa do repórter global depois do gol da virada da vitória do time que merece toda a festa que faz em campo.

Parece um roteiro de ficção. E é tudo Flamengo.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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