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Saudades da Copa América... E da Seleção. Brasil 0 x 1 Argentina.

Mauro Beting

15/11/2019 16h02

Tite é conservador na maioria das vezes. O que não é crime. Em qualquer área. Não é a minha, mas respeito. O que falta em outros campos para quem é conservador e para quem é progressista. Respeito. Mas esse é outro assunto.

No Brasil, no campo de jogo, tem que ser um pouco mais ousado. É o o Custo Brasil. Ainda mais com a Seleção. E ela precisando ganhar jogos. Ainda mais contra a Argentina.

Tite optou por deixar o melhor jogador do Real Madrid hoje (o debutante Rodrygo, 18) no banco. Compreensível para o peso do adversário em Ryad. Mas pela necessidade da vitória contra Messi e companhia realmente limitada, melhor seria apostar no atacante madridista pela esquerda, mais confiável e adaptável que o experiente Willian por ali, mantendo Gabriel Jesus pela direita, e Firmino por dentro.

No meio, Tite veio novamente com Paquetá mesmo longe de ser aquele de 2018 (também porque o seu Milan não é o mesmo desde a fundação…). Uma ideia até para preparar terreno para a provável chegada de Gerson. Mas o resultado mais uma vez foi pálido. O 4-3-3 pouco produziu contra o 4-4-2 platino, com Lautaro e Messi à frente, e nove apenas esforçados atrás da bola e do Brasil.

O time de Tite começou atacando e Gabriel Jesus foi derrubado depois de mais um perde-pressiona da Seleção. O atacante repetiu o pênalti mal batido pelo City contra a Atalanta e chutou fora. Só mudou o lado, aos 8.

O lado mudou na resposta da Argentina. Messi foi tocado por trás por Alex Sandro. Pênalti discutível. Messi bateu, Alisson foi enorme, mas no rebote foi Messi. 1 a 0, aos 12.

Tite só mudaria nos minutos finais da primeira etapa. Paquetá foi pra direita, Gabriel Jesus assumiu o ataque, Firmino ficou pouco atrás. Do 4-3-3 ao 4-2-3-1. Deu na mesma.

Na segunda etapa, mais do mesmo. Paquetá saiu sem entrar. Coutinho veio pro jogo no 4-2-3-1 usual. Onde ele rendeu mais com Tite, em 2016-17. Ele deu mais vida. Aos 9, o treinador quis dar mais força no meio com Fabinho no lugar do Artur de novo repetitivo. Como Tite.

A Argentina estava mais perigosa mesmo mais atrás. O contragolpe era mais criativo contra um Brasil carente do ausente Neymar, de opções nacionais como Bruno Henrique, Everton Cebolinha e Gabriel Barbosa, e até mesmo da melhor forma dos presentes na Arábia Saudita.

O Brasil parecia o GP Brasil de F-1. Já foi enorme. Hoje só se fala de outra coisa. Ou se fala mal.

Coutinho começou a rodar o ataque. Mas ainda era muito pouco. Como a Seleção depois da Copa América.

Aos 18, Renan Lodi merecidamente ganhou mais uma chance. Um que tem muito potencial para ficar muito tempo na Seleção. Como o próprio Tite. Desde que seja mais brasileiro. Mais ousado. Até para não ser tão cornetado como foi na Globo. Como tem sido em quase todo o Brasil.

As poucas chegadas perigosas na segunda etapa foram em inversões para a esquerda dos que entraram: Coutinho pra Jesus, Fabinho para Lodi. Aproximação entre os atletas? Dinâmica de jogo? Troca de bola e posições?

Só na prancheta, não na prática.

Com 70 minutos de atraso, Rodrygo em campo. Richarlison também. Gabriel Jesus e Willian substituídos. Cada um na sua? Não. Rodrygo foi pra direita onde joga menos… Richarlison como centroavante, com Firmino saindo mais da área, mas nem de longe sendo o que é no Liverpool. Coutinho seguiu rodando mais. Mas…

Quem seguiu melhor foram os co-hermanos de Scaloni. Não fosse Alisson teria sido ainda pior.

A Argentina teve 10 chances de gol, em sua melhor apresentação desde… Não lembro quando. O Brasil, com a boa vontade que costumo ter – e os apedeutas chamam de "passar o pano" (SIC), teve duas.

É pouco. Quase nada. Mais uma vez.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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