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La Máquina do River - de 1942 a 1946

Mauro Beting

22/11/2019 13h19

La Máquina do River Plate

De 1942 a 1946, o time que desmontava os rivais

Domingo, 7 de junho de 1942. Norte-americanos e japoneses contavam os quase três mil mortos na maior batalha naval da Segunda Guerra Mundial, no atol de Midway. A vitória inflaria o moral da tropa e dos Estados Unidos no conflito. A máquina de guerra norte-americana começava a virar o jogo.

Muito mais ao Sul, na Buenos Aires que se expandia como a próspera Argentina dos anos 1940, um cronista uruguaio da revista El Gráfico criava um termo para definir ao que assistira na cancha do Chacarita Juniors. A sétima vitória em oito jogos do Club Atlético River Plate no campeonato argentino de 1942. A terceira goleada. Seis a dois. Eram 24 jogos sem perder, desde 1941. A base da equipe, quase toda formada no clube, era a mesma. O futebol, maravilhoso. Toque de bola constante, troca de posições entre os cinco de frente, volúpia ofensiva, o apreço pela boa técnica, a vontade de jogar bonito, até se perder em dribles. Mas sem perder o domínio da bola e do placar. Tinha tudo isso em campo com a camisa branca de seda italiana, com botões de madrepérola, calções negros e curtos para a época, meias cinzas de lã, chuteiras de cromo alemão. E a faixa vermelha transversal, da esquerda para a direita.

La Banda Roja.

Faixa que parecia coroar eternamente um time que, mais que todos no Monumental de Núñez, igual a poucos no mundo, jogou um futebol campeão. Espetacular. Elegante. Técnico. Inventivo. Qualquer imagem valeria para definir aquele time. A que ficou foi obra do engenho do cronista uruguaio:

La Máquina.

Explica Borocotó:

– O bom treinamento e entendimento, o moral que possui essa equipe, e o valor individual de cada um de seus componentes. Tudo isso contribui para que o River de hoje dê a sensação de ser uma máquina. Não é infalível e, no futebol, estamos acostumados às coisas mais raras. Mas a verdade é que [o River] funciona com um grande conjunto e ganha os jogos sem um grande esforço aparente.

Sem grande esforço, Borocotó botou no papel o nome de um esquadrão que, de 1941 até 1946, ganhou três títulos nacionais, foi duas vezes vice, e acabou em terceiro uma vez. Com velocidade pelas pontas, dinâmica na troca de passes e funções, beleza no toque de bola e nos dribles. Uma atitude vencedora sob distintas situações, objetividade cirúrgica na conclusão de obras de arte e de futebol, contundência cínica no modo como moía seus rivais. Uma das tantas explicações para o outro apelido que pegou:

Los caballeros de la angustia

Um de seus craques explica algo que, pelos dias de hoje, se assemelha um tanto ao tiki-taka do Barcelona de Pep Guardiola. Outro timaço histórico.

– Sentíamos durante os jogos que podíamos fazer o gol a qualquer momento. Não nos preocupávamos em fazê-lo rapidamente. Então jogávamos, tocávamos a bola com tranquilidade. Até mesmo recomeçando o jogo desde a defesa várias vezes por partida. Isso fazia a torcida e os jornalistas se impacientarem fora de campo. Por isso inventaram esse termo. "Os cavaleiros da angústia"… Mas nós não nos preocupávamos com isso. Até porque sabíamos quando fazer o nosso jogo e os gols. Era algo natural. E até meio que de propósito. Ficava mais gostoso ganhar vários jogos no final.

Juan Carlos Múñoz se divertia com a história do jeito que fazia rir pela ponta direita do River. Ele era o mais baixo e dos mais velozes dos jogadores que causavam angústia, temor e respeito aos rivais. Hábil e veloz com suas gambetas (dribles), jogou de 1942 a 45 pela excelente seleção argentina do período. Não era o melhor da equipe. Mas era o primeiro nome da linha de frente sem igual no clube, no país e, possivelmente, comparável apenas aos incomparáveis Dorval, Mengálvio, Coutinho, Ele e Pepe, do Santos dos anos 1960.

Ou Múñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Lostau, do River de 1942 a 1946.

Os componentes

Múñoz, o ponta-direita. O meia-direita no tradicional WM da época (ou, em números, um 3-2-2-3) era Juan Manuel Moreno. O centroavante Adolfo Pedernera. O meia-esquerda Ángel Labruna. O ponta-esquerda Félix Lostau.

Começava assim o jogo. Mas normalmente terminava cada um fazendo a do outro. Quase um tango a la parrilla, sem partitura e arranjos musicais, mais à base da sensibilidade e técnica. Todos fazendo das suas e de mais ninguém por aqueles campos e tempos. El Maestro Pedernera havia jogado em todas da frente e se movia por todo campo, como Moreno entrava e saía da área com força e técnica, ainda voltando para armar o jogo com os dois médios. Labruna vinha de todos os lados, batendo com os dois pés, com raça e graça. Lostau corria e driblava como Múñoz pela esquerda, e ainda dava um pé atrás, no meio.

Um esquadrão que poderia ser um precursor tático, técnico e físico de seleções espetaculares como a de ouro da Hungria, na primeira metade dos anos 50, e a Laranja Mecânica holandesa da Copa de 1974.

Para o saudoso Don Alfredo Di Stéfano, que iniciaria a carreira vitoriosa e não menos espetacular naquele mesmo clube, em 1944, "Múñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Lostau formaram o melhor ataque de todos os tempos". Di Stéfano pentacampeão europeu pelo Real Madrid, de 1956 a 1960, sabia o que era jogar em equipes históricas. E nem ele, muito jovem, conseguiu um lugar entre tantas feras e peças daquela engrenagem. Só foi jogar – e muito – em 1947. O futebol veloz, goleador, sábio, técnico, tático, físico, objetivo, craque todocampista foi desenvolvido em Núñez. Vendo o jogo que aquela banda roja tocava, encantava e fazia jorrar e chorar nos anos 40.

Projeto inicial

Os anos 1930 começaram na Argentina com um golpe militar, em seis de setembro de 1930. Depressão econômica e desemprego facilitaram a adoção do profissionalismo no futebol, já em 1931. Mas não a permanência de pé-de-obra qualificado. Quatro oriundi (de origem italiana) deixaram o país e foram campeões do mundo pela Itália, na Copa de 1934: Monti, Orsi, Guaita e Demaría. Por problemas políticos, a seleção argentina enviada para o Mundial era composta por amadores que atuavam em clubes menores, e foi eliminada na primeira fase.

O melhor do futebol platino não pôde defender a albiceleste na Europa. Era hora de o River tentar ser maior, honrando o apelido que ganharia: El Más Grande. Em 1933, formou o primeiro time de base do clube. Em 1935, lançava a pedra fundamental do Monumental que inauguraria em Núnez, em 1938. Ao mesmo tempo, projetava duas estrelas eternas. Uma delas com coração partido: "Sempre fui Boca Juniors. Mas, por questões de vida, fui brilhar em outra vereda".

Era o armador José Manuel Moreno.

Estreou no time de cima do River numa excursão pelo Brasil. Goleada de 4 a 1 no Vasco. Um gol dele. Pela meia esquerda. Não na meia direita onde entraria para a história. Debutou numa não menos célebre linha de frente formada por Carlos Peucelle na ponta direita, Renato Cesarini na meia direita, o excepcional artilheiro La Fiera Bernabé Ferreyra (o maior incentivador da escalação do jovem armador), Moreno e o companheiro de jovem data, Pedernera, na ponta esquerda.

Linha espetacular que foi bicampeã argentina em 1936 e 1937. Com os 11 gols de Moreno em 16 jogos na primeira temporada quase igualando o primeiro grande ídolo do clube – Ferreyra, que marcou 14 em 12 partidas. E superando a própria idolatria dele pelo Boca. Moreno chegara a treinar na Bombonera. Fez dois gols no treinamento. Mas não quiseram ficar com aquele meia-atacante alto para a época (1m72), muito forte e veloz. Mesmo tendo nascido no bairro da Boca, mesmo xeneize de alma, não foi aceito onde brincava e jogava de criança.

"Eles vão ver", amaldiçoou, antes mesmo de acertar com o rival, aos 18 anos.

A outra bandeira içada pelo River em 1935 foi Pedernera: "Eu só quis jogar futebol na minha vida. Não saberia fazer mais nada". Pelos campos, El Maestro fez quase tudo. Jogou, e muito, em quase todas as posições de frente. Nascido em Avellaneda, poderia ser Independiente ou Racing. Foi Huracán até os 14 anos, quando chegou à base do River, em 1933. Aos 16, já estava no time de cima. Onde mandou muito bem, de 1935 a 1946. A saída dele do clube coincide com o fim da Máquina. Em 258 jogos, Adolfo Pedernera marcou 131 gols. Primeiro na ponta direita. Depois na ponta esquerda da grande linha bicampeã de 1936-37. No segundo título, o River Plate conquistou 85% dos pontos. Marcou 106 gols em 34 jogos. O companheiro Moreno marcou 32 gols em 32 jogos. Pedernera, na ponta esquerda, anotou 12.

Mas quando se fixou como centroavante, em 1941, ele e o River ajustaram ponteiros e a precisão de relógio de seu jogo. Se é que se pode dizer que Pedernera era "apenas" um centroavante. Saía da área, tabelava com os armadores Moreno e Labruna, deixava os dois entrarem na área, caía pelos lados. Cerebral, não era tão potente quanto Moreno, nem tão explosivo quanto Labruna. "Era o jogador mais científico que já existiu. Estava em todos os lugares do campo. Jogando sempre o fino, com elegância e inteligência", assim o descreveu o jornalista uruguaio Diego Lucero, que cobriu as Copas de 1930 a 1994.

A parceria de força e luz entre Moreno e Pedernera também teve, a partir de 1935, uma ótima opção, um pé para toda obra. Aristóbulo Deambrossi era um ponta esquerda (e também direita) com faro de gol e completava o ataque quando preciso. E seria necessário a partir de 1937. Dois campeonatos perdidos para o grande Independiente de Arsenio Erico e Antonio Sastre doeram tanto quando a aposentadoria prematura de Ferreyra, moído em 30 anos de vida e de pancadas, autor de absurdos 187 gols em 185 pelo River. Logo depois Peucelle pendurou as chancas. Abrindo espaço para Múñoz na ponta direita. E para o mais diabólico Ángel da história do futebol: Labruna.

O Campeonato Argentino de 1940 ficou aos pés do Boca Juniors, que estreava a mítica Bombonera. Nunca o River havia iniciado tão mal um campeonato. Mas se recuperou no returno, chegou a ficar 11 jogos invicto, mas terminou o campeonato na terceira colocação, a 13 pontos do campeão. O substituto de Bernabé Ferreyra no comando de ataque do River era D'Alessandro. Bom jogador. Anotou impressionante 25 gols em 30 jogos. Mas não era a fera Ferreyra.

Em 1941, o treinador Renato Cesarini, ex-meia campeão do timaço de 1936-37, resolveu tirar Pedernera da ponta esquerda e encaixá-lo no comando de ataque.

Ligaram a máquina.

Por música

Começava em 1940 a melhor década do River Plate e da história argentina. Ainda que com as complicações de praxe e de farda. Um golpe militar em 1943 estabelecera um rodízio de três generais até a posse do presidente eleito Juan Domingo Perón, em 1946. Independente de quem abria os balcões da Casa Rosada, foram anos de prosperidade e crescimento, sobretudo da região metropolitana de Buenos Aires. Onde cresceu o melhor time argentino de todos os tempos. Não existiam competições continentais e internacionais para medir forças. Mas a qualidade de jogo e os passeios dados nas turnês do período driblam os mais ranhetas detratores.

Era um time que jogava por música. A expressão não é figura barata de linguagem. É fato. Era o auge do tango. Foi o apogeu de um que se garantia em qualquer templo. Moreno. El Charro Moreno. O apelido também se deve ao bigode preto que usava o meia argentino. Na época, bigodudo era "mexicano" para os argentinos. Um charro. Moreno era da Boca. Era Boca. Por tabela, amante do tango que tinha no bairro um de seus berços e vários templos. Carismático e simpático, populista e popular ("jogo para a gente simples. Sei o sacrifício deles para virem até o estádio"), era na madrugada que Moreno melhor treinava, e se divertia como agradava nas canchas. Jogava tanto futebol quanto fumava e jogava cartas. Passava a noite em claro e voltava elegante para o hotel onde o River se encontrava para jogar. Tomava um caldo de galinha e desempenhava no campo com o mesmo vigor e graça com que saía pela noite, nas quintas e sextas-feiras, no Tibidabo e Chantecler, batendo bola com bambas do tango como D'Arienzo e Centaya.

Moreno não se escondia jamais em campo. Abria o jogo das noitadas que fazia do jeito que armava La Máquina na cancha. Para ele, as noitadas eram autênticos treinos:

– O tango é o melhor treinamento que existe para um futebolista. Ensina você a ser levado pelo ritmo, a mudar tudo durante uma corrida, a trabalhar a cintura e as pernas.

Moreno se garantia em campo. Também pela paixão pelo boxe. Em 1947, torcedores do Estudiantes invadiram o campo de La Plata para agredir o árbitro. Moreno não deixou. Saiu no braço e nos punhos com vários. No mesmo ano, em jogo no campo do Tigre, levou uma pedrada na cabeça. Seguiu sem dar um grito ou se atirar no gramado. Explicou o porquê aos companheiros que só souberam da agressão quando chegaram ao vestiário e viram sangue na camisa de Moreno:

– Por que vou me deixar abater e me atirar ao gramado? Para dar a eles o gosto de dizer que atingiram Moreno? No, viejo! Só saio de campo de ambulância!

Era um vencedor nato. Clássico em campo e fora dele. Espetacular nos dribles e nas cabeçadas poderosas. Rápido e resistente nos rushs. "O maior jogador que vi jogar", dizia Pedernera, amigo e companheiro desde 27 de setembro de 1936, sexta rodada, empate por dois gols com o Chacarita Juniors, quando atuaram juntos pela primeira vez, fazendo a ala esquerda ofensiva. "Ele tinha tudo. E sempre fazia muito mais". Para Di Stéfano, "Moreno comandava todo o time o jogo todo". Para Lostau, um gênio que facilitava tudo. "A gente se entendia até por assobios, dentro de campo".

Mas a liga Anti-Moreno era barulhenta. Diziam que não tinha essa garra toda, que não era o líder, o caudilho necessário. Chegava a afinar em jogos mais duros e violentos (e não eram poucos). Mesmo o mito das muitas mulheres e dos tangos sem fim não se garantia… Que a imagem de galã só se passava de fato nas telas do cinema, onde estrelou o filme El Crack…

Podia até ser. Mas não era só Moreno quem bailava no gramado no compasso de quatro quartos do tango. O centroavante Pedernera era outro apaixonado. Muito amigo do diretor de orquestra Aníbal Troilo, não era boêmio como o parceiro. Mas parecia entender que a estrutura binária das composições, uma tabelinha rítmica ao mesmo tempo simples e harmoniosa também poderia se refletir no gramado, na troca sincopada de passes, no bailado com a bola e no gambetear (driblar) próprio do futebol.

Os passos básicos do tango parecem até jogadas ensaiadas: cambios de dirección, caminata sincopada, giro con traspié y boleo, giro y salida a la izquierda, vaivén. É dança? É fútbol? Foi o auge do River durante a explosão do tango.

A todo vapor

O meia-direita Renato Cesarini era um trotamundo. Nascera na Itália em 1906, viera menino para Buenos Aires, cresceu jogando bola, e foi parar na Juventus de Turim, em 1930. Tetracampeão italiano, voltou para a Argentina para encerrar a carreira faturando o bicampeonato argentino de 1936-37 pelo River. Tornou-se um treinador campeoníssimo, criando métodos e escolas de futebol, incluindo o próprio viveiro de Núñez. Onde foi fundamental para cultivar as cobras que moveram a Máquina.

No Argentino de 1941, uma vitória, um empate e três derrotas não animaram o início do River. Mas uma sequência de seis vitórias mudou o ritmo. A corrida pelo título contra San Lorenzo e Newell's Old Boys se acirrou. No returno, foram 10 vitórias e cinco empates. Entre elas, um baita 4 a 0 no Independiente, em Avellaneda, em 21 de setembro. Quando Pedernera foi o centroavante pela primeira vez. Marcou três gols e se achou na função.

Na penúltima rodada, em casa, um Boca que não se encontrava bem na tabela. E não se achou naquele 19 de outubro. Muito por conta do que fizeram Barrios; Yácono, Vaghi e Cadilla; Rodolfi e Ramos; Múñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Deambrossi.

No turno, na 14ª, rodada, o Boca venceu na Bombonera. 2 a 1. Até pênalti perdeu Pedernera, então na ponta esquerda. O goleiro Estrada defendeu. Na revanche, em Núñez, o ataque era outro. Quase o mítico da Máquina. E o resultado foi o maior do Superclássico. Labruna abriu o placar, aos 11 minutos. Moreno ampliou aos 39. Deambrossi fechou o primeiro tempo aos 43. Reabriu a contagem e o nocaute do Boca aos 11 do segundo tempo. Pedernera fez o dele aos 30. Teve mais um gol anulado logo depois. Boyé ainda descontou antes do apito final.

Cinco a um, em Núñez.

Um gol para cada dedo da mão. Música para a hinchada do River eternizar a vitória: "¡Qué linda manita que tengo yo!". Uma canção de ninar. Para embalar os sonhos que começavam a se tornar realidade.

Carlos Peucelle não jogou o Superclássico. Mas esteve em campo, agora na ponta esquerda, para conquistar o título contra o Estudiantes, na última rodada. Vitória de 3 a 1, em La Plata. Seu último jogo. Aposentou-se e, ao lado de Cesarini, foi apertar os últimos parafusos e ajustar as últimas peças da Máquina que entrou em 1942 a pleno vapor para a história.

Força total

Peucelle foi um dos primeiros polifuncionais na Argentina. Jogava em todas. E bem. Era mais um ponta-esquerda que qualquer outra coisa. Foi um dos primeiros do mundo a recuar para armar e ajudar no combate. Queria o mesmo de seu time. Não se importava tanto com números e nomes. Para ele, com a bola, todos eram ataque. E deveriam se mexer bastante, buscando espaços vazios. "Meu esquema é o 1-10". Brincava – falando sério. O time do River fazia quase o mesmo. Parecia brincar. Mas era sério. Fazia muitos gols. Mas se preocupava em se organizar e não os tomar. O que era facilitado pela técnica e inteligência. Além da velocidade e dinâmica da equipe. O próprio Peucelle era exemplo. Quando jogador, quando o time perdia alguém por expulsão ou por lesão (não havia substituição), era ele quem ajudava atrás.

O espírito combativo e vencedor iluminava a equipe. Conta Pedernera:

–Alguém pode até não gostar do jeito que Peucelle joga ou como as equipes dele atuam. Mas tem de ser uma pessoa muito ruim um companheiro dele que não sinta vergonha de não ter a mesma vontade de ganhar que ele tem.

Também não foi por acaso que um de seus pupilos se transformou num mito no campo e no banco do River Plate. O meia-esquerda Ángel Labruna foi River de 1939 a 1959. Jogava tanto que obrigou Moreno a sair da meia esquerda para a direita, ainda em 1940. Ganhou nove campeonatos nacionais pelo clube. Quando assumiu o comando do time, em 1975, acabou com um jejum de 18 anos sem título nacional. Só não é o maior goleador da história do futebol argentino porque o impressionante paraguaio Arsenio Erico (Independiente) anotou um gol a mais. Mas não existiu nenhum argentino mais goleador. Marcou 293 gols em 515 jogos pelo River (artilheiro dos campeonatos de 1943 e 1945). Só vestiu menos vezes a banda roja que o mítico e genial goleiro Amadeo Carrizzo, que atuou de 1945 a 1968. Pela seleção albiceleste, Labruna atuou de 1942 até a Copa de 1958. Foram 17 gols em 37 jogos. Uma lenda do verde césped, como adorava chamar o gramado. Mesmo aquele onde fazia questão de não pisar. A Bombonera.

El Feo parecia um elfo. Labruna fazia questão de ficar mais feio e fazendo careta quando entrava no campo do Boca. Sem a menor cerimônia, erguia o queixo e tapava o nariz, fazendo alusão ao "mau cheiro" do terreno onde, antes de um estádio, havia fábrica de ladrilhos que usava estrume. Por isso o apelido bostero para o torcedor xeneize. Por isso o ato pouco educado de Ángel. Menino cujo pai relojoeiro não o queria ver chutando bola pelas calles. Mas que a mãe fez persistir, costurando pelotas de trapos. A vida de Labruna era jogar (também basquete) e ver o ídolo Bernabé Ferreyra fazer gols pelo River. Quando o veterano artilheiro o viu jogando entre meninos, não teve dúvida em dar a Labruna uma foto autografada com uma mensagem: "Para um craque que está surgindo".

E estourou ainda em 1939. Logo tomando um lugar no time com seu estilo sanguíneo. Veloz como o capeta, diabólico nas conclusões de todos os jeitos e com os dois pés. Craque que resumia o jogo e o pensamento num conceito: "Não há segredos no futebol. Basta lutar sempre e apenas pensar em vencer". Rapidamente se entendeu com o outro armador (Moreno) e com o centroavante (Pedernera). O velocíssimo Múñoz fazia o inferno pela banda direita. Deambrossi também mandava bem à esquerda. Tanto jogava quanto era boa pessoa. Em junho de 1942, pediu ao treinador Peucelle que desse uma chance àquele ponta-esquerda quieto e tímido. Mas muito rápido, que cruzava com perfeição, ajudava na contenção atrás, e tinha uma inteligência tática e solidariedade semelhante a do próprio Peucelle. Um ponta de drible largo e longo, que gostava de se infiltrar em diagonal e bater cruzado. O treinador atendeu. E botou para jogar Félix Lostau.

Era 28 de junho de 1942. Em Núñez, 1 a 0 River Plate contra o Platense. Em campo, a delantera mítica pela primeira vez perfilada: Múñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Lostau. La Máquina em pleno funcionamento. Já apelidada assim por Borocotó, antes mesmo de Lostau se encaixar com perfeição.

Tanto jogou aquele quinteto que pareceram décadas. De fato, entre 1942 e 1946, apenas 17 vezes estiveram os cinco juntos com a camisa do River. Já no segundo jogo deixaram o Estudiantes de quatro, em La Plata. Em seguida, mais uma goleada no Boca: 4 a 0. Um concerto: Deambrossi voltou ao time e fez 1 a 0 em lance em que todo o ataque tocou na bola, trocando de posições. Na volta do intervalo, só um time em campo até o dois a zero: no apito do árbitro, o primeiro adversário a tocar na bola foi o goleiro Estrada – depois do gol. Moreno e Pedernera saíram tabelando sem que o Boca chegasse perto e serviram Labruna para fazer dois a zero. Ele (o maior artilheiro do Superclássico, com 16 gols em 35 jogos) ampliaria para três. Moreno faria o quarto.

No returno, na Bombonera, faltavam três rodadas para acabar o campeonato. Um inexplicável 6 a 1 para o Racing, fora de casa, deixara a tabela mais embolada. O armador Bernardo Gandulla fez 2 a 0 para o Boca. O River precisava do empate para ser campeão por antecipação. Aos três minutos do segundo tempo, com seu característico torpedo, Pedernera diminuiu. Aos 26, Pachá Yácono foi ferido por um objeto atirado em sua cabeça. O River ficou com dez. Labruna teve de recuar para ajudar na defesa, na função do companheiro lesionado. Por ali, aos 34, avançou driblando e cruzou do outro lado para Lostau emendar uma bomba que Estrada não segurou. No rebote, Pedernera empatou. Por mais 10 minutos o River se aguentou com 10 e saiu campeão por antecipação com o empate.

Na volta olímpica, o maior reconhecimento pela qualidade e brio da equipe. Torcedores do Boca aplaudiram o adversário figadal. Para a maior rivalidade dos campos sul-americanos, não há consagração maior.

A banda albiceleste

Talvez o único time capaz de derrotar a Máquina por aqueles anos fosse a seleção argentina. Até porque nem mesmo a base do River era plenamente utilizada pelo treinador da albiceleste Guillermo Stabile. Artilheiro da Copa de 1930, dirigiu a seleção por 20 anos, a partir de 1940. Nela adotava a filosofia que desenvolvera nos quase dez anos em que atuou como atacante na Europa: uma equipe mais objetiva e rápida que virtuosa e técnica. Também por isso nem sempre usou a excepcional base do River. O que não fez muita falta: nos anos 40, os argentinos ganharam quatro das cinco Copas América disputadas.

Em 1941, com Moreno e Pedernera entre os titulares, e sem a presença do Brasil, o título veio sem derrotas. Em 1942, com apenas a dupla infernal do River entre os titulares, o Uruguai ganhou a decisão. Mas Moreno fez história: no 12 a 0 sobre o Equador, marcou cinco dos 19 gols que anotaria, ao todo, pela seleção, em 34 jogos disputados, entre 1936 e 1950.

Em 1945, a Argentina voltou a ser campeã invicta, ganhando cinco dos seis jogos, desta vez com Múñoz e Lostau nas pontas como únicos titulares do River. Em 1946, 100% de aproveitamento em cinco partidas. Pedernera, Labruna e Lostau deram o ar da graça. Em 1947, mais um caneco, desta vez sem a concorrência brasileira, empatando um jogo, e ganhando os outros seis. Pedernera já havia aposentado as chancas campeãs, depois de 21 jogos e sete gols argentinos, entre 1940 e 1946. Mas cinco da banda roja se revezaram entre os titulares: Yácono, Moreno e Lostau jogaram quase todas. Dois jovens talentos mostraram parte do muito que sabiam: o centromédio Néstor Rossi, possivelmente o melhor volante de todos os tempos na Argentina, e o artilheiro Alfredo Di Stéfano, que só jogou na carreira genial esses seis jogos pela albiceleste, marcando seis gols.

No total, contando todas as partidas da seleção, de 1941 a 1950, a Argentina ganhou 36 vezes, empatou nove, e perdeu apenas cinco partidas. Marcou 3,2 gols por jogo. Talvez fizesse mais se Stabile tivesse aproveitado melhor o engenho e entrosamento do River. Mas como deixar de fora um centroavante técnico e elegante como René Pontoni (Newell's e Rosario), prematuramente aposentado de tanto que apanhou? Como desprezar um talentoso armador que não corria, mas excedia em técnica e no chute colocado como Rinaldo Martino (San Lorenzo)? E Enrique Chueco García, el poeta de la zurda, ponta-esquerda genial, um demônio canhoto do Racing? E Norberto Tucho Méndez, máximo goleador argentino em Copas América, craque do Racing?

Era um desperdício. Mas é dever reconhecer que o mérito de La Máquina era do meio para frente. A defesa do River poderia ser contestada individualmente, ainda que coletivamente estivesse entre as melhores, também por orientação dos treinadores. Da base bicampeã argentina em 1941-42, o goleiro Julio Barrios não comprometia. Mas nem à seleção chegou. A trinca de zagueiros tinha valor pelo entrosamento que precede qualquer grande equipe. O beque pela direita era Norberto Pacha Yácono, um baixinho que era um carrapato. Apelidado de estampilla (selo) por grudar sem dó no rival. Jogou de 1942 a 1951 pela seleção, e por 14 anos no clube. Um dos precursores da marcação homem a alma. O zagueiro-central era Ricardo Vaghi (14 anos de clube, um defensor bruto e bronco). Na esquerda, em 1941, o titular foi Cadilla; em 1942, o eficiente e discreto Luiz Ferreyra; a linha média era formada por dois homens de labuta e bom passe: Bruno Rodolfi (selecionado entre 1937 e 1942). Mais à esquerda, no tradicional WM de então, o médio José Ramos (11 participações pela Argentina em quatro anos). Dupla que recebia a ajuda de Moreno, que recuava para pensar o jogo do River.

Em 1941, o time-base teve Barrios (26 dos 30 jogos pelo campeonato nacional); Yácono (27), Vaghi (29) e Cadilla (26); Rodolfi (26) e Ramos (27); Moreno (29 e 14 gols) e Labruna (28 e 11); Peucelle (os últimos 15 jogos da carreira, anotando 4 gols), Pedernera (21 e 13 gols) e Deambrossi (20 e 7 gols). O River ganhou 19 vezes, empatou seis, e perdeu cinco. Terminou o campeonato quatro pontos à frente do San Lorenzo, ostentando a defesa menos vazada (35 gols).

Proeza que se repetiria em 1942 (37 gols). Desta vez, porém, também com o ataque mais positivo (79 gols), e com seis pontos de vantagem sobre o vice (novamente o San Lorenzo). Mérito de uma equipe que venceu 20 dos 30 jogos, e só perdeu quatro. No início do campeonato foram sete vitórias em oito partidas. Um time que mudou dois titulares – para melhor: Barrios jogou 26 dos 30 jogos do bicampeonato argentino; Yácono (30), Vaghi (30) e agora Luiz Ferreyra (27) fizeram a linha defensiva; Rodolfi (30) e Ramos (26) continuaram como os dois médios; Moreno (28 jogos e 10 gols) e Labruna (28 e 15 gols) na armação; Múñoz entrou como titular em 20 partidas (anotando 5 gols), Pedernera fez 24 jogos e marcou 23 gols, e Deambrossi participou de 28 (8 gols) em várias posições. O jovem Lostau (11 partidas e 3 gols) já pedia passagem pela ponta esquerda.

Troca das peças

A temporada de 1943 começou como de costume por aqueles anos. Na quinta rodada, 3 a 1 no Boca, em Núñez. Mas duas derrotas estranhas para o Lanús e uma grande campanha xeneize deram o título ao rival, que ficou um ponto apenas à frente, conquistado nos últimos 10 minutos do jogo decisivo contra o Ferro Carril Oeste. Mesmo vice-campeão, mais uma peça de antologia foi desenhada pela Máquina: no returno, na Bombonera, o Boca venceu o primeiro tempo por um gol. Na segunda etapa, a bola saiu da zaga com Vaghi, passou pelo médio Rodolfi, chegou como sempre ao meia Moreno, que tabelou com Deambrossi. El Charro recebeu de volta e achou o centroavante Pedernera. Este emendou um lançamento monumental para o meia Labruna. Em vez de bater em gol, Ángel abriu as pernas para um cortaluz que fez a clareira para o ponta Lostau encher o pé e estufar o alto do gol xeneize. Até a torcida rival aplaudiu a obra de arte. Insuficiente, porém, para evitar a derrota por 2 a 1.

O vice-campeonato de 1943 seria repetido em 1944. Ainda pior: o Boca seria bicampeão, com dois pontos à frente. Na Bombonera, no turno, empate por um gol. Pedernera. Foi a primeira vez no profissionalismo que uma equipe não foi derrotada na primeira parte do campeonato. A derrota em casa, no returno, por 1 a 0, abriu o caminho para o título celebrado pelo Boca como se fosse o fim daquele time fabuloso. Também pela saída de Moreno e Rodolfi, no início do campeonato, que foram jogar no México. Porém, ainda em 1944, debutava um moleque insolente de 16 anos no time principal. A princípio na meia direita. Naquele timaço não tinha espaço. Foi emprestado ao Huracán. Voltou com fome e sede. Na reestreia, em 15 segundos marcou o primeiro gol. Já como centroavante, substituindo Pedernera (vendido ao Atlanta), em 1947. Um atacante veloz, objetivo, técnico, predestinado. Di Stéfano. Alfredo Di Stéfano.

Se ele, La Saeta Rubia, começava a carreira espetacular em 1944, no mesmo ano o River perdia Moreno e Rodolfi. Mas a base se mantinha e mais dois mitos começavam a dar o ar da graça: o goleiro Amadeo Carrizo, precursor dos que jogavam mais adiantados e saíam com os pés, era um gigante de 1m90, com tempo de resposta apuradíssimo, e uma confiança que, por vezes, exalava prepotência. Um colosso. Jogou apenas duas partidas da campanha de 1945. Sete a menos que outro ídolo que surgia em Núñez. O centromédido Néstor Pipo Rossi. Técnico, raçudo, forte, imponente, temperamental e mesmo violento.

Pipo Rossi desde os 20 anos foi assumindo um lugar na equipe principal do River. Chegara ao clube em 1942. Estreou em 24 de junho de 1945, contra o Racing, em Avellaneda. Seria fundamental na campanha vencedora de 1947. Deixaria o clube em 1949, juntando-se a Di Stéfano e Pederna no Millonarios colombiano. Voltaria ao River para ser tricampeão nacional, de 1955 a 1957.

Rossi e Carrizo nem precisaram jogar muito e o tanto que jogaram no campeonato argentino de 1945. A derrota na estreia para o Newell's Old Boys por 3 a 2 foi respondida com nove vitórias seguidas. No Superclássico, no turno, em casa, 1 a 0 River, gol de Lostau. A goleada acachapante de 4 a 1 na Bombonera não impediu o título, conquistado na rodada seguinte, num 2 a 0 sobre o Chacarita Juniors. A equipe-base era formada pelo goleiro Soriano (26 dos 30 jogos). Yácono (28), Vaghi e Eduardo Rodríguez (29 jogos, também da seleção argentina) compunham a defesa menos vazada do campeonato, com 34 gols sofridos. Manuel Giúdice (ex-Huracán) era o substituto de Rodolfi, fazendo dupla com José Ramos na intermediária. Sem Moreno, a armação pela direita ficou para Alberto Gallo, que jogou as 30 partidas do campeonato e marcou 10 gols, e Labruna (29 jogos e 25 gols). Na frente, Múñoz (14 jogos e 4 gols), Pedernera (29 e 11) e Lostau (29 e 9 gols). Esse River ganhou 20 jogos, empatou seis e perdeu apenas quatro. Chegou quatro pontos à frente do Boca.

Em 1946, o desempenho não foi o mesmo. Ainda que com a melhor defesa do campeonato, acabou em terceiro, cinco ponto atrás do campeão San Lorenzo. Valeu a vitória por 2 a 0 contra o Boca, devolvida na mesma moeda no returno, na Bombonera. Já com o retorno do lendário Moreno. Recebido com impressionante festa em Buenos Aires, em 28 de julho.

Estava armada a ideia para a retomada de 1947. Quando, já sob o comando do treinador José Maria Minella, o River de Grisetti (jogou todos os 30 jogos); Yácono (28), Vaghi (30) e Luiz Ferreyra (23); Néstor Rossi (29) e Ramos (29); Moreno (28 jogos e 10 gols) e Labruna (18 e 16 gols); Reyes (30 e 8 gols), Di Stéfano (30 e 27 gols) e Lostau (30 e 13) venceu 22 jogos, empatou quatro e perdeu outros quatro. Abriu seis pontos sobre o vice (Boca), e marcou absurdos 90 gols, sofrendo apenas 37. Melhor em tudo. Mesmo sem Pedernera, Deambrossi e Gallo, a equipe encantou. Usando apenas 18 atletas. Apenas um não formado no clube.

O de 1947 era um time brilhante. Diferente. Mais jovem e objetivo. Não tão técnico, inteligente e cínico. Já não tinha um centroavante que saía da área e criava espaços para os que vinham de trás como Pedernera. Um precursor daquilo que brilhantemente faria Hidekguti na Hungria, a partir de 1953. Já não tinha a velocidade e eficiência de Múñoz, pela ponta direita. Já não era mais a Máquina mítica. Que, de fato, de 1942 a 1946, só jogou 17 vezes junta. Nenhuma delas contra o Boca. A última vez, em 17 de novembro de 1946, um empate por dois gols com o Huracán. O último jogo de Pedernera com Múñoz, Moreno, Labruna e Lostau. A parada final da Máquina.

Desligando os motores

Moreno deixaria o clube em 1948. Ano da greve geral dos atletas. Queriam melhores salários, assistência médica aos familiares, melhores condições de trabalho e passe livre. A AFA não quis jogo. Em 1949, a Colômbia rompeu com a Fifa e criou uma liga pirata. Pedernera já estava por lá. Di Stéfano e Néstor Rossi se juntaram a ele. O River era história. Mas a mais bela delas.

Múñoz sairia de vez em 1951. Lostau, apenas em 1958. Labruna penduraria as chuteiras um ano depois. Encerrando um ciclo vitorioso de uma linha de frente que mostrou que nem sempre a linha reta é o melhor caminho entre os pontas. O impressionante daquela fábrica de alegrias é que nem foi preciso escalar por mais vezes jovens craques como Carrizo na meta, o centromédio Pipo Rossi e o atacante Di Stéfano. Trio que poderia elevar ainda mais tudo que fizeram Múñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Lostau. Ou o que melhor definiu um dos principais rivais, o médio Ernesto Lazzatti, do Boca Juniors:

– Sempre enfrentei La Máquina com a maior intenção de derrotá-la. Mas, como fã do futebol bem jogado, eu gostaria mesmo era de ter ficado sentado nas arquibancadas, admirando o quanto jogava aquele time.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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