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A maior virada do Flamengo

Mauro Beting

23/11/2019 22h54

Eu contei 15 dos 21 policiais atrás da meta de Armani olhando Gabriel Barbosa virar o jogo e história. Os 15 não prestando atenção na torcida do River naquele exato instante. Naquele único erro de Pinola no jogo espetacular como a virada histórica em Lima.

Pinola não errou quase nada no jogo em que o River foi melhor por 88 minutos. A falha foi humana. Os 15 policiais também não erraram ao não cumprir o serviço. Eles são humanos. Têm que ver com os próprios olhos o que o rubro-negro ainda não acredita de tão lindo e de tão fantástico.

Hoje não só teve gol de Gabigol. Teve dois. Como são agora as plaquinhas do clube na base da Copa. Hoje quase não teve gol e nem futebol do Flamengo e de Gabigol.

Mas aos 88 teve empate. Aos 91 a virada. 3min08s entre eles. Exatos 38 anos depois de Zico e companhia ilimitada ganhar do Cobreloa. Com Júnior celebrando o segundo gol de Zico como se fosse criança. O menino que voltou a ser no abraço com Gabigol e Pet na hora da virada mágica de Lima.

Às favas nessa hora o comentarista. Ali era o Capacete do Fla de 1981 e sempre celebrando o 2019 para sempre.

Uma virada como essa não tem isenção, imparcialidade, objetividade, crítica. Não tem policial protegendo ninguém. Não tem orientação da chefia.

Tem gol do Flamengoool. Tem a vitória mais emocionante em 124 anos do clube. Teve a maior torcida de todas as cores da maior torcida do Brasil: a ContraFlamengo.

A que não faria como os 15 dos policiais peruanos. Eles não queriam ver o que os olhos rubro-negros ainda não acreditam.

Até mesmo os próprios atletas pareciam não acreditar mais.

E, no final, a gente não acredita mesmo como é que a gente deixa de acreditar.

Não sou Flamengo. E, nesse instante, não houve nada pior na América do que não ser Flamengo.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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