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Flamengo é bi. É hepta. É tudo ao mesmo tempo como nunca.

Mauro Beting

24/11/2019 18h12

Em menos de 24 horas, graças ao absurdo calendário brasileiro, e à absurda campanha do Flamengo desde a Copa América e a chegada de Jorge Jesus, Gerson, Filipe Luís, Rafinha e Pablo Marí, nessa reunificação da Coroa Ibérica representada por Jesus e Marí, o rubro-negro conseguiu a proeza absurda: heptacampeão antecipado com a melhor campanha dos pontos corridos (com a derrota do atual campeão e vice líder Palmeiras para o Grêmio) no dia seguinte ao bicampeonato da Libertadores.

Nem em sonho.

Até pelo nível dos adversários. Como o de Lima.

Maior vencedor da década na Libertadores, o River Plate era o campeão da América até a bola rolar no Peru. No intervalo, depois de fazer 1 a 0 e não ver o Flamengo chegar próximo da meta de Armani, o bi estava encaminhado. Confirmado até 88 minutos, quando Pratto errou tudo mais uma vez até a bola sobrar para Gabriel Barbosa, em seu primeiro lance certo na decisão.

Empate milagroso no dia da beatificação do padre Donizetti. Virada sem palavras quando o Diego 10 como Zico mandou um bumba-meu-urubu para Gabriel contra dois do River. Ele ganhou deles e conquistou o bi do tetra River. O bi do Flamengo.

3min08s depois do empate incerto. Exatos 38 anos depois do ferro no Cobreloa também em campo neutro.

Se é que existe campo neutro com o Flamengo. Análise isenta com o futebol. Ainda mais esse futebolaço do Flamengo renascido por Jesus. Futebolzinho amuado até o empate no Peru.

O jogo vira. Ainda mais para quem saber jogar. Tem que ter mais do que paciência e persistência e resiliência.

Saber que um talento como Diego pode numa bola mudar tudo, como estava mudado como único volante para a provável e dificílima prorrogação.

Saber que Gabriel, mesmo quase tão mal quanto Pratto, pode ser o que é. Gol.

Um querido e brilhante amigo tinha toda razão e ainda mais emoção ao tuitar no intervalo que era um absurdo o Flamengo não ter tido chance "NENHUMA" de gol no primeiro tempo. E logo depois dizer na rede social que Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabriel precisavam acordar. Era fato.

Quando Diego entrou, a súplica pelo Twitter: "essa camisa 10 já nos deu a Libertadores. Incorpora aí, Zico!" Seria um feito.

Foi feito.

Aos quase 40, quando Gabriel perdeu um lance que costuma dar em gol de Bruno Henrique, meu amigo foi duro. Mas não deixava de ter tanta razão quanto emoção (por mais que JAMAIS se tire de campo um artilheiro de equipe): "Tira essa porra do Gabriel e bota o Reinier, o Lincoln, o Vitinho, o que for!"

Logo depois teve um passe errado que não é comum de Filipe Luís, em jornada infeliz. Outra corneta: "ele tá um desastre hoje". Não era desfeita.

Teve mais um erro do Gabriel lá pela direita. Outra tuitada nele: "Gabriel não acerta UMA!". E era tudo isso mesmo. Ou nada daquilo.

Mas foi tudo isso mesmo segundos depois no Twitter do meu colega. Na alma de quem ama futebol:

"MILAGRE!!! MILAGRE!!! MILAGRE!!!"

Quase como o "é tetra" do Galvão em 1994 – que não pôde narrar como merecia a final épica em 2019.

Voltando à realidade depois do empate que caiu dos céus, meu amigo fez a análise criteriosa como habitual: "caraca, como vai ser essa prorrogação? Sem volantes e com um bando de atacantes!"

Era isso. Diego era o único "volante". Éverton Ribeiro teria que voltar mais para ser o que havia sido no começo da carreira, no Corinthians. Mantendo Gabriel, Vitinho, Arrascaeta e Bruno Henrique lá na frente.

Mas de novo gol de Gabigol.

"MILAGRE DE NOVO! A LIBERTADORES É NOSSA!"

Era o tuíte do alívio. Seguido pelo reconhecimento do tipo do colorado Gabiru-2006.

"Perdão, Gabriel!"

Natural. Normal. É do jogo.

E que jogo, amigo.

Parabéns pelo título. E pelos tuítes de sábado.

Parabéns pelo maior final de semana da história de um clube no mundo.

Além do Santos bicampeão nacional da Taça Brasil 62-63, e também na Libertadores 62-63 na mesma temporada, só este Flamengo campeão da Libertadores e do Brasil no mesmo ano. E no mesmo fim de semana.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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