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Ai, Jesus! Hay Jesus!

Mauro Beting

25/11/2019 12h14

Ai, Jesus!

Foi o "ai, Jesus" da letra do Hino de Lamartino. Por quem Babo o talento que não se bebe. Por quem "babo ovo" a quem não enxerga que é história o que foi feito no segundo semestre de 2019.

Hay Jesus! Em espanhol. E como teve em Lima e na América que o português reconquistou.

Vitória "do Peru" nas palavras do garotinho Osmar Santos. Epopeia no Peru nas palavras que não têm como tirar do peito e botar no papel.

Mas é mister falar do mister. "Mister" em português no sentido de dever falar. Aqui na acepção no prazer de ofício que tem sigo ver o time dele jogar.

As armas de Jorge que armou esse Flamengo encantador até quando não joga bem. Ou mais do que o grande River que foi caudaloso mas não cauteloso. Quis se atirar à frente no final quando bastava segurar a bola. Quando Pratto quis fazer o dele e não pelo time. Perdeu aquela bola que deu no empate maluco que daria na virada apoteótica e apoplética.

Vitória de Jesus que foi feliz em tudo que foi infeliz Gallardo que é melhor do que ele. Mas não foi.

Milagre de Jesus. Milagre do anjo Gabriel da boa nova.

Vitória que veio mesmo na felicidade de JJ em ousar algo que poderia ser catastrófico na prorrogação sem volantes de um Flamengo possivelmente desgovernado. De um time que talvez perdesse e fosse criticado por não poupar titulares.

Mas deu tudo certo. Na base do bumba-meu-urubu. Balão de Diego inócuo contra Pinola que não perdia uma bola. Perdeu. Pelota longa para Gabriel que até o empate mais irritava que jogava. E que dali para a glória foi um chute.

2 a 1 para o time da corda esticada por JJ. Sem poupar. Só vencer, vencer, vencer. Do arame liso do Diego para a bola farpada do Gabigol.

Ai, Jesus, não é assim seu jogo na Gávea.

Aí, Jesus, foi assim sua vitória em Lima.

Futebol não tem lógica mesmo. A não ser que quem sabe faz a hora até quando não parece ser o minuto.

Milagre de Jesus no Peru? Até parece.

Mas o que esse time jogou para estar lá não é obra do acaso. É caso pensado. É bolada bem investida. É planejamento bem sucedido. Foram trocas que deram certo como o lançamento de Diego. Foram acertos que às vezes nem foram bolados.

Mas deram certo.

Eu que gosto de trabalhos longevos como o de Gallardo e Renato bato palmas em pé pelas trocas de tiro curto que foram longe como Felipão e seus reservas em 2018 e Jorge Jesus e seus titulares mágicos em 2019.

Não tem um só jogo para se ganhar no futebol. Tem como fazer lindo sem jogar como o Palmeiras do ano passado. Tem como fazer emocionante e jogar lindo como o Flamengo de 2019 para sempre.

O que eu quero mesmo é que respeitem todos os vencedores. Até porque o jeito como JJ ganhou 2019 é também pelo coração. O que não tem só talento. Tem alma campeã.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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