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O bumba-meu-urubu de Diego. Ou como virar o jogo

Mauro Beting

25/11/2019 09h04

Diego era o retrato inacabado do Flamengo que só estava acabado pelas bestas do próprio apocalipse desde 2016. Era o 10 que não jogava como tal. Era o tal que só tinha panca de 10.

Diego quase foi jogar em Orlando. Merecia o banco de Arrascaeta. O Flamengo precisava de alguém mais decisivo. Incisivo.

Era o retrato da era Bandeira de Mello. Muito investimento, retorno abaixo do esperado. Até porque quem normalmente cobra não sabe como cobrar. Nem cobrir o próprio coração exposto como o fígado.

Mas, como o ex-presidente, o crédito em conta um dia chega. Com juros e correção futebolística. Juras de amor e exconjuras do que foi dito de mal e pior.

Também pela humildade dele de aceitar as novas condições. Adaptar-se à realidade do tempo que joga contra. E que a gente precisa dele para fazer entender que tem jogar ao lado. É fácil torcer na ótima de quem é campeão dia sim, outro dia também. Difícil é ser o mesmo quando o time não tem sido.

Diego ainda passaria pela provação da perna fraturada no jogo de ida quase sem volta contra o Emelec. Quando tudo deu errado. Das escolhas infelizes de Jorge Jesus à fratura entre tanta fartura. O retorno no Maracanã deu vida. Um pênalti que eu não marcaria em Rafinha levaria aos pênaltis que marcaram a arrancada espetacular. Em menos de cinco minutos no Rio encaminhando a classificação sacramentada contra o Inter, no Sul. Em cinco gols na volta contra o campeão de 2017 abençoando a final contra contra o campeão de 2018. Em menos de cinco meses reconquistando a América sem precisar jogar tudo e redescobrindo o Brasil não precisando entrar em campo.

Deu tudo certo. Porque teve investimento, talento, rodagem, história, paciência, trocas acertadas, apostas felizes, camisa poderosa, torcida em polvorosa, um Jesus no banco, o Redentor com o manto na véspera no Rio de Flamengo.

E a fé no pé que teve Diego, como diria Luís Roberto, de gigante narração na final, como a de João Guilherme no gol de Gabriel, o do Ai, Jesus! Outra troca em cima da lata que só quem sabe a hora e como fazer como Luís e como Diego conseguem virar o jogo. Mesmo quando ninguém imaginava que estariam mesmo no Peru na final.

Você pode estar no banco. Mas se estiver sempre preparado para ser o 10, você vai ser titular de segundo etapa. O cara que estará dando volta olímpica no apito final.

Muito mais importante do que estar no pôster antes do jogo e passar à posteridade ao final da partida.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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