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Red Bull Bragantino, a linguiça energética

Mauro Beting

30/11/2019 07h25

Vice brasileiro em 1991 dirigido pelo treinador que seria tetra em 1994 com a camisa geométrica do carijó. Campeão paulista em 1990 e campeão da Série B em 1989 com um dos maiores treinadores da nossa história com a camisa branca que a Nike estampa na parte de cima na série especial.

Era o Bragantino dos irmãos Chedid que hoje um dos filhos dele fez parceria com o Red Bull. Essa potência que dá asas e mais uma série B 30 anos depois. Refazendo no Brasil as energéticas parcerias de inegável sucesso pela Europa. Mudando histórias de clubes na Áustria e na Alemanha. Alçando voos e patamares que não só o dinheiro consegue. Também trabalho e planejamento. Como bem executado no Brasil do Red Bull Bragantino. Cada vez mais Red Bull. E ainda de Bragança.

Problema? Nenhum.

Entre a primeira eleição de Nabi Abi Chedid a deputado estadual em 1966 até a ascensão à elite nacional a partir de 1990, as melhores campanhas do Braga eram em anos eleitorais. Nabi usava o clube como palanque. Normal. Fazia parte da política. E do negócio. Não era abuso de poder econômico. Era do poder político. Algumas vezes um despudor público.

Não conspurca agora a injeção de adrenalina do Red Bull. Se o Grupo Globo vai chamar o clube como ele tem de ser chamado – Red Bull Bragantino a partir de 2020 -, são outros 500 que ninguém do RBB, opa, Red Bull Bragantino vai comprar cota master.

Se o "torcedor-raiz" vai se recusar a seguir torcendo pelo novo clube-empresa, mais empresa do que clube, todo o direito dele. Ele deve ser neto de quem não torceu mais por um clube quando o grande campeão paulista Paulistano deixou o futebol com a troca do amadorismo pelo profissionalismo. Quando os atletas de futebol do clube do Jardim América se juntaram aos da AA das Palmeiras e fundaram em 1930 o São Paulo Futebol Clube.

Cada um faz o que quiser e o que bem entender. Até o que não entende ou não quer entender.

Não torço pelo Braga. Aliás, não mesmo, desde aqueles 3 a 0 do SP-89 num sábado de junho que iriam eliminar o meu time. Mas torço demais para que novos investidores, empreendedores, empresas e gente com dinheiro, ideias e sobretudo ideais entrem em campo.

Não quero novas MSI ou mesmo o que se tornou depois a Parmalat. Quero dinheiro como quero justiça. Transparência e eficiência. Gente boa com dinheiro bom na mão.

Como lá fora mudaram a vida do Chelsea, do Manchester City e do PSG. Para citar exemplos mais vitoriosos.

Claro que nenhum deles teve o nome trocado. Cores mudadas. Branding reformulado além do razoável. Mas algum torcedor agora vai se opor aos novos patamares deles, clubes mais tradicionais e com muito mais condições, torcida e história?

"Red Bull Bragantino" não me parece aberração histórica, desrespeito desportivo, abuso de poder econômico, unfair-play financeiro, doping e anabolizante nas contas. Se o novo gestor-dono tiver o respeito à velha e bela história do Massa Bruta, os brutos vão virar o jogo. A massa vai jogar junto e será enriquecida como já é o clube. Mais do que Etti Jundiaí ou Lousano Paulista, os nomes comerciais do Paulista que voltaria a ser Paulista até chegar a uma Copa do Brasil em 2005.

"Ah, mas e se o seu time virar Parmalat-Palmeiras, ou Crefisa-Palmeiras? Você vai gostar???!" Pois é. Virou sem ter virado. E foi maravilhoso. E tem sido ótimo.

"Vendido"! Não. Até porque somos Sociedade Esportiva. Temos parceiros desde a compra do Parque Antarctica em 1920 (indústrias Matarazzo), e na reforma do Palestra em 2010 (WTorre e Allianz). De 1992 a 2000 tivemos a cogestão com a Parmalat. Desde 2015 mais do que patrocínio com a Crefisa. Sorte do Palmeiras. Ainda que sujeito a discussões e trovoadas. Culpa de palmeirenses e de parceiros nessa PPP privilegiada.

O que não pode é exigir – com muita razão – profissionalismo e vociferar com paixão juvenil quando um grupo forte e com tradição e experiência na área vem jogar junto.

Ou vamos todos jogar a várzea ou não vamos ser apenas renumerados.

2020 vezes um Red Bull Bragantino em campo a um Nabigantino. Ou Betinguino. Milhões de vezes alguém que pague as contas em dia a quem não as paga em meses.

"Capitalista"! Não. Torcedor para um futebol melhor. E mais profissional.

"Você não respeita a história". No caso, prefiro respeitar a inteligência e refazer a história. Sem a conspurcar como delira a talibancada mais fundamentalista.

"Você vendeu o clube para um dono"! Desde 1966 ele tinha dono. E ou ele era "vendido" agora pelo patrão (que ainda apita institucionalmente) ou não tinha mais o que vender.

Hora de torcer para que novos Red Bull Bragantino entrem em campo. Novas parcerias façam tabelinhas de acordo com interesses mútuos.

Todo casamento tem suas diferenças. Não é 50% para cada lado. Mas precisa ser 100%. Como começou o namoro em Bragança.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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