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O Palmeiras precisa ser mais palmeirense como foi Prass

Mauro Beting

07/12/2019 12h56

Você sabe, já te contei, que esse abraço que o Jailson te deu e milhões demos em vocês dois no enea já me tirou do ar algumas vezes em rádio e TV.

Já me tirou o ar várias vezes.

A foto do ano passado da sua renovação, na frente da frase do meu pai na Academia, não foi só o nosso deca revivido. Foi como se fosse a minha volta olímpica no Pacaembu em 1960 e 1967, Maracanã em 1967 mais uma vez, Morumbi em 1969, 1972-73 e 1993, Pacaembu em 1994, Allianz Parque 2016, São Januário – onde você também foi campeão – em 2018.

A carreira não é eterna. Mas você ternamente virou dos nossos. O Palmeiras que por 18 anos não comprou goleiro foi te buscar no Vasco. Comprou o cara que segurou a bronca na B em 2013 e evitou outra B em 2014. O que defendeu os pênaltis e bateu o pênalti em 2015. O que se quebrou pelo Brasil olímpico para retornar como milagre pra dar a volta olímpica do Brasileirão em 2016. A referência de campo e reverência de banco nos últimos tempos.

Prass não só nos defendeu como goleiro ainda melhor do que era. Fernando defende a categoria de atletas com classe. Fernando é um cara inatacável.

E se vierem pra cima, ele sai como agora. Por cima. Pelo alto.

Oberdan Cattani foi informado em 1954 para que passasse na sala da diretoria e pegasse o passe livre dele depois de dois anos como Palestra e mais 12 como Palmeiras.

Fernando Prass não foi assim. Mas também não precisava ser assim. Fará falta defendendo em campo. Fará falta orientando no banco. Fará falta como jamais se ausentou em nome do Palmeiras que, como todo clube ou empresa, nem sempre sabe como dizer até breve. Quase sempre fala adeus. Ou nem fala nada.

Pessoas mais do que goleiros como Fernando Prass merecem mais do que consideração e carinho. Os milhões que por ele torceram e ainda torcerão independente da camisa que honrar também merecem mais do que satisfação.

Quem sabe (ou não) o que faz é quem contrata e quem treina. Dever respeitar. Desde que haja o mesmo respeito por quem só soube respeitar.

A decisão tomada pelo Palmeiras não é fácil. Nunca será. Mas depois de fechar rua, aumentar ingresso, afastar sua gente, demitir quem é da gente, trazer quem a gente não quer, manter quem a gente não queria, não renovar em nome da renovação um clássico tão comprometido e compromissado, de boa, para não dizer de péssima, já não assusta.

Boa sorte, Prass. Nós vamos continuar te abraçando. Ótima sorte, Palmeiras. Estamos precisando.

"Acabou, Petros"! Mas vai durar pra sempre, Prass.

Elias?! Prass! Lucca na bola, Prass nela. Fluminense? Palmeiras! Santos? Prass por todos os palmeirenses.

Foram 15 pênaltis defendidos. Um marcado. O segundo pênalti marcado que nos deu diretamente um título. O primeiro depois de Evair em 1993.

Substituir Marcão não é fácil. Pegar o Palmeiras pelas mãos como você o carregou, menos ainda. Dores de cotovelos são sinônimos de inveja. Para nós as suas foram dores de amor pelo ofício e pelo nosso credo.

Obrigado mais do que parabéns.

Sobre o Autor

Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 17 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 28 anos por ser torcedor há 52. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério

Sobre o Blog

O blog fala, vê, ouve, conta, canta, comenta, corneta, critica, sorri, chora, come, bebe, sofre, sua e vive o nosso futebol. Quem vive de passado é quem tem história para contar. Ele tem a pretensão de dar reload no que ouvi e li e vi e fazer a tabelinha entre passado e presente para dar um toque no futuro.

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